A Princesa Orgulhosa
11 Capitulo 11
Notas iniciais
Spencer foi até a janela e contemplou o vale ensolarado. A cada dia a vista lhe parecia mais deslumbrante, as montanhas cobertas de neve mais belas, recortadas contra o azul do céu, o rio mais brilhante cortando o verde, e ela cada vez mais infeliz.
— Que vestido deseja usar hoje, m`mselle? -- perguntou-lhe Ashley.
— Qualquer um, não importa — retrucou Spencer, sombria.
Durante quatro dias ela se preocupara com a aparência, procurara parecer bonita, tentando despertar alguma reação em sua esposa, e falhara.
Há quatro dias que era esposa da princesa, e ela nem uma vez falara com ela quando ficavam a sós não se dirigira a ela em público sem frieza na voz. Estavam sempre cercadas por pessoas.
Todo dia visitavam uma das cidades de Dabrozka para receber os cumprimentos oficiais do burgomestre e outros dignatários, ganhar presentes e ouvir discursos.
Por toda parte eram aclamadas com o mesmo entusiasmo do dia do casamento. Spencer ficara conhecendo muito a respeito da princesa nessas viagens.
Percebeu não só a popularidade dela como também o fato de ter grande autoridade no país devido a sua notável personalidade.
O povo a olhava com respeito e admiração, confiava nela e acreditava no que ela lhe dizia.
As visitas às cidades tinham também o intuito de dar coragem ao povo e uma nova esperança no futuro.
Apesar dos impostos injustos e das leis cruéis que o pai decretara, Spencer notou que a princesa despertava no povo um sentimento de patriotismo, sem ser em nada desleal ao monarca reinante.
Spencer, entretanto, perguntava-se de que maneira esse futuro dourado se concretizaria enquanto seu pai vivesse.
Gostava das viagens que fazia com a princesa e se empolgava tanto quanto os populares com o que ela dizia naquela sua voz sonora e cheia de sinceridade. Porém, nunca ficavam a sós.
Junto na carruagem iam sempre Ezra e mais oficiais ajudantes-de-ordens. A princesa conversava com eles e ria, como se fosse um igual e não uma princesa, tratava a todos com camaradagem, eliminando a rigidez e o protocolo, transformando pomposos banquetes em reuniões alegres e divertidas.
Ela era ainda deliciosamente imprevisível. Fazia coisas inesperadas, como, por exemplo, pegar um menino na rua e levá-lo junto na carruagem. Ou então fazia brindes à mulher de algum obscuro funcionário, num banquete. Ou o que me deixava mas tocada era uma maravilhosa mãe para meu sobrinho. Todos os dias de manhã e a noite ia ver o Jason e nos jantares fazia questão de apresentar o menino como seu filho.
Muitas vezes quando voltavam para casa ela ia cantando canções camponesas que Spencer lembrava da infância. A voz dela era linda e sedutora.
Era só depois que os convidados de todas as noites saíam do castelo que a princesa se transformava da jovem atenciosa, alegre e sorridente, num iceberg gelado.
Todas as noites ia ao quarto de Spencer levando seu livro, sentava-se na mesma cadeira, e ficava exatamente uma hora.
Elisa sentia-se tímida e humilhada para dirigir-lhe a palavra, até a última noite quando, depois de algum tempo que ela estava lá, ela não suportou mais e chamou-a: _ Emily!
Estava tão nervosa que a voz saiu num sussurro e ela nem ouviu. Num esforço sobre-humano, repetiu: _ Emily!
Dessa vez ela ouviu. Fechou o livro e Spencer estremeceu.
—Sim- diz Emily seria
Não consegui falar mas nada. Depois de uns minutos me olhando ela se levantou e Saiu.
Spencer deu um grito de infelicidade e passou o resto da noite revirando-se na cama, perguntando-se quanto tempo isso ainda iria continuar.
Se estivessem felizes, cada momento das viagens e das reuniões seria excitante e delicioso, porque estariam fazendo algo juntas que realmente valia a pena.
Era o que Spencer queria da vida, o que sua mãe teria desejado para ela. Entretanto, estava apenas cumprindo seu dever, achava tudo difícil e sentia-se infeliz.
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4 dias de casadas e ea não fala comigo. 4 dias entrando naquele quarto e ela não me olha. Será que sou tão desprezível assim para ela. sinto vontade de beija-la, de toca-la, de fazer amor ardentemente com ela.
Ela é como o pai, me despreza, é uma pena. Eu vou continuar cumprindo meus deveres como esposa. Mas não sei por quanto tempo ainda vou aguentar esta frieza dela comigo.
Hoje quando ela me chamou achei que finalmente ela iria falar comigo, pelo menos me pedir para sair do quarto, mas nada. Ela só disse meu nome.
O que me estranha é que quando estamos em viagem ela é gentil e atenciosa, ela sabe conquistar o povo, e já ganhou o respeito dos dignatario e nobres de nosso país. Ela não é mais uma forasteira. Agora ela é a princesa amada pelo povo.
Quando vejo ela com nosso filho meu coração se aquece. Ela é o tipo de mulher que eu sempre quis ao meu lado só que infelizmente não me quer.
Emily passa a noite pensando em tudo isso e outras coisas mas.
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Na manhã seguinte, quando desceu, Spencer como de costume, encaminhou-se para a carruagem que os levaria às visitas rotineiras, achou que a frieza do princesa aumentara mais.
Ela só lhe dirigia a palavra quando era inevitável, e o tom de voz era gelado e cortante. E à tarde não cantou como de hábito, ficou estranhamente calada.
Os ajudantes-de-ordens fizeram alguns comentários, mas ela só respondia com monossílabos. Spencer ficou mais infeliz ainda, achando que todos já deveriam estar notando, ou acabariam percebendo, mais cedo ou mais tarde, que havia algo de errado no casamento.
Em apenas quatro dias de vida conjugal, já existia entre elas uma terrível barreira. Pensou que a princesa devia odiá-la.
Ficou aliviada ao ver surgir o castelo, mas então o humor do princesa pareceu reanimar e ele começou a falar com um pouco mais de animação.
Quando entraram no hall, Aria foi recebê-los e Spencer ficou sinceramente feliz ao vê-la.
Tinha aprendido a gostar da jovem e a confiar nela, desde que chegara ao castelo.
Ela lhe contara tantas coisas que queria saber, dava-lhe uma breve biografia de cada pessoa que ela conhecia nas reuniões e jantares e contou-lhe várias histórias e lendas sobre as cidades que visitavam.
— Aria você tinha razão _ disse Spencer, aproximando-se dela _, o lugar que visitamos hoje parecia exatamente um ninho de falcão.
— Achei que Você notaria a semelhança _retrucou aria
— E o povo era tão musical!- diz Spencer
— Uma música bem diferente da que vai ouvir esta noite!- diz Aria
— Esta noite? _ perguntou Spencer
— Pensei que sua esposa tivesse lhe dito _ disse Aria olhando para Emily
— Dito o quê? _ falou Spencer
— Que os ciganos serão nossos convidados hoje- reponde Aria vendo a surpresa no rosto dela e explicou_ Há muitos ciganos em Sáros, como deve saber, e eles são muito gratos a princesa por deixar que fiquem em suas terras, protegidos. . .
— Do rei? _ perguntou Spencer
— Sua majestade teria mandado o exército expulsá-los se não fosse pela intervenção da princesa- Aria olhou novamente para Emily_ Não é verdade?
— Minha esposa deve detestar os ciganos tanto quanto o pai dela _ respondeu Emily com frieza _, e nesse caso não deve estar interessada em ouvir falar da gratidão deles. Se ela não quiser estar presente esta noite, eu arranjarei uma boa desculpa para sua ausência.
Falava como se Spencer não estivesse lá, e isso a enfureceu. . .
— Eu ficaria encantada em comparecer à festa dos ciganos _ disse Spencer a Aria _ e, como tenho certeza de que é de se esperar que ofereçamos algum presente, peço que você tenha a gentileza de escolher alguma coisa apropriada para a ocasião.
Virou-se para a escada e afastou-se de cabeça erguida, com um farfalhar de saias.
Ia pensando que estava ficando cansada daquele jeito arrogante da princesa! Mais cedo ou mais tarde iria forçá-la a conversar. Precisaria arranjar um modo. À noite, em seu quarto, quando já estava deitada, seria impossível. Talvez fosse melhor mandar chamá-la à tarde, ou então ir aos aposentos dela.
Tentava ser corajosa e decidida, mas algo em seu íntimo a fazia sentir-se fraca e indefesa, dizendo-lhe que a princesa era tão autoconfiante e segura que por mais que fizesse não parecer tola aos olhos dela.
E se Emily lhe perguntasse o que esperava daquele casamento, já que não estava satisfeita com o tratamento?
Seria impossível para ela dizer-lhe o que realmente queria sem se expor a ouvi-la dizer que não a achava atraente.
Imaginou a noite terrível que teria de enfrentar com a fria indiferença da princesa e ela fingindo estar interessada em todos, como se nada houvesse. Estava ficando cada vez mais difícil desempenhar esse papel. Mas, pelo menos, naquela noite não precisou fingir.
Os ciganos haviam se reunido nos jardins do castelo, e como a noite estava quente e estrelada, a princesa e Spencer foram até lá onde os esperavam.
Criados levando tochas acesas os acompanhavam, e, quando foram recebidos pelo chefe dos ciganos, Spencer notou que os únicos que ela conheciam eram Aria e Ezra eles eram as únicas convidados que não tinham sangue cigano.
Proximo Capitulo
—Você vai dançar com ela ...
—Algum problema ...
—Onde ela foi ...
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