A Primeira Eterna
53 Um aliado ou inimigo?
Notas iniciais
POV BELLA
Eu encarava o lado de fora do casebre, podia ver alguns usuários de drogas do outro lado da rua e nenhum deles imaginavam o perigo que estava em suas caras.
Nesse momento encontrava em uma favela em uma cidade próxima de onde James estava. Faltava pouco, mas em breve eu teria minha vingança.
Depois de tudo que ele me causou, seu fim era inevitável.
Lembro-me da primeira desgraça que me causou. Quando me tornei o monstro depois do que ele fez a mim, até aquele fatídico dia eu não sentia nada. Mas depois de ter quase matado minha filha, vi que ali jamais nunca seria mais a mesma.
Estive agindo como um animal desde que eu me lembro de ter despertado naquele dia com Didyme ao meu lado e foi esse instinto animal que deixei me dominar que quase acabei com tudo.
Cada detalhes daquele dia jamais sairia da minha mente. Nessie tinha vindo com todo seu amor e carinho para me receber e o que eu fiz? A ataquei como fazia com todos que eu não conhecia e quando meus olhos finalmente puseram nela vi a imagem da menina que de certo modo me matou, naquele momento não me lembrei que essa menina era minha filha e que tinha a aparência idêntica de Nessie, naquele momento a única coisa que pensei era matar aquela que poderia me fazer mal de novo.
O mais terrível de todos meus crimes.
Depois que Didyme me fez enxergar a verdade, me senti envergonhada e horrorizada comigo mesmo. Depois daquilo tentei me distanciar de Nessie, mas nada do que eu fazia a tirava longe de mim.
Ela passou todos os dias ao meu lado em Volterra e não parava de tagarelar, depois que eu soube que ela iria partir, sabia que não importava o que acontecesse ou que fiz. Eu só sabia de uma coisa: Eu não podia ficar longe dela. Se existia algo que eu faria nessa minha vida miserável, seria tudo para ela, mas não se enganem. Isso não quer dizer que eu me abri para ela, pelo contrario continuei fechada e toda vez que a olhava abraçava a culpa que eu merecia.
Fui fraca, pois preferia evita-la o tempo todo ao ver todo mal que causei nela, e só percebi que estava a machucando mais assim depois que ela jogou tudo o que sentia na minha cara, foi só nesse momento que dei conta que eu só piorava tudo e que só consegui magoa-la mais, foi ela me enfrentando que abriu meus olhos. E percebi que de nada adiantaria se eu continuasse agir a mesma coisa, então por ela eu mudaria, por ela eu enfrentaria meus medos e por ela eu lutaria para ser uma mãe de verdade. Minha decisão se tornou mais firme depois que ela mostrou através do seu dom como sempre vivemos juntas, cheio de risos, alegrias e tristezas, mas sempre uma ali apoiando a outra e um cuidado sem igual. Fiquei maravilhada ao ver como éramos felizes e foi ali naquele momento que eu quis fazê-la feliz do mesmo jeito que já fui um dia.
É claro que nada me faria esquecer do que fiz, mas deixei de lado, por minha filha. Para dar e receber o amor que ela merecia. E com tudo isso veio o Edward, não sabia que sentimento eu tinha por ele, mas no primeiro instante que pus meus olhos nele. Senti algo diferente, mas como não sentia nada além de vazio, raiva e culpa até então decidi ignorar tal sentimento.
Sempre que ele se aproximava me deixava inquieta e isso só me deixava com mais raiva quando o via. Depois disso veio a noticia chocante: Ele é meu companheiro.
Como ele é meu companheiro se eu não o amava? Essa era a pergunta que eu fazia todos os dias, e muito menos entendia como dei falsa esperança a ele quando mostrei a aliança de nosso noivado que eu nem ao menos me lembro. Só senti que devia ter feito aquilo, mas depois me xingava mentalmente por ter feito tal ato. O que eu queria com aquilo? Eu não fazia ideia, mas agora eu entendia. Comecei a entender, depois que comecei a ter flashes de alguns momentos com ele, não agora, mas lembranças de antes de perder a memória. Eu não podia ficar longe dele do mesmo modo que eu não podia ficar longe da minha filha.
Por anos vivi sozinha só com Didyme ao meu lado, numa vida que conheço cheio de mortes, sangues e brigas.
Foi uma reviravolta enorme quando todos entraram na minha vida, a família Cullen. Até meu irmão, esse ainda me da nos nervos quando sempre o encontro, mas o que mais virou o mundo que eu conhecia e agia foi quando percebi que eu estava mudando, na verdade não percebi. Sabia que algo estava mudando só não sabia o que era, mas sabia que tinha uma pessoa que sabia exatamente me dizer e seria discreto de tal modo que ninguém jamais imaginaria eu conversando com ele.
Esse vampiro era Jasper. Ele foi quem me disse tudo o que estava passando comigo.
Agora mais do que nunca eu precisava encontrar James e principalmente Vanessa, nunca confessaria à alguém, mas meu maior desejo e ter minha memória de volta. Não saber quem eu sou, o que sou e muito menos quem são as pessoas que estão a minha volta me deixa vulnerável. Sem meu dom principalmente não ajuda de nada.
Olhei para o canto do quarto e vi Laurent sentado no chão e de olhos fechados, esperando seu ultimo suspiro para nunca mais voltar.
Não foi difícil de fazer Laurent contar tudo o que sabia. Com a dica de Edward, bastou eu dar duas escolhas para ele: Eu ameaça-lo e dizer que conseguiria descobrir tudo sobre James usando apenas meu dom da forma mais dolorosa possível e depois o entregaria aos Volturis, para o enlouquecer durante a eternidade e ainda assim seria fiel ao seu amigo. Ou ele me diria sem obriga-lo tudo o que sabia e teria uma morte rápida. Não é difícil de dizer qual escolha ele fez. E ele não mentiria para mim, ainda mais acreditando que eu tinha meu dom, e saber qual seria a verdade.
Ele não passava de um covarde.
Eu já sabia de tudo onde James estava, como Vanessa foi manipulada por ele e o exército que está construindo novamente para tirar os Volturis do poder. Essa ultima parte pouco me interessava meu foco era fazer Vanessa devolver minhas memórias e acabar com James.
O primeiro passo seria encontrar minha filha, mas como encontra-la se na cidade onde ela mora está cercada pelos vampiros de James? Não poderia nem ao menos procurar senão logo sentiriam meu cheiro.
Pense Bella, pense!
– Por que não me mata logo de uma vez? – Laurent resmungou de onde ele estava.
Não dei atenção e continuei olhando para frente.
– Olha, senão vai me matar posso ir embora? – Perguntou com ironia.
Suspirei pesadamente. Ele não calava a boca.
– Já que não decide... – Ele murmurou começando a se levantar.
– Fique onde está. – Disse fria.
– Então o que quer mais de mim?
Finalmente virei para observa-lo e fiquei bom tempo assim até responder o que eu tanto pensava.
– Quero tirar Vanessa das garras de James.
– E por que não faz? É só chegar lá, pegar ela e depois você faz o que tem de fazer.
– Não é tão simples, quero tirar ela de lá antes de mata-lo. – Em parte isso era verdade.
– Usa seus poderes. – Ele revirou os olhos.
Para ele não perceber minha vulnerabilidade prontamente respondi:
– Nem todo dom é capaz de fazer.
Ele ficou em silêncio, fitando o nada.
Voltei minha atenção para os homens que se despediam na rua. Lembrei-me das vezes que eu vinha nas áreas pobres da cidade para me alimentar dos infelizes que cruzavam meu caminho. Eu não fazia ideia se era um pai de filha e voltava do trabalho ou um simples assassino que acabara de fazer mais uma vitima na sua lista. Só pensava no cheiro fresco do seu sangue e amenizar minha cede.
– Se eu te ajudar você me deixa livre?
Arqueei uma sobrancelha. Laurent podia me ajudar! Uma proposta muito tentadora.
– E por que eu faria isso? Posso tirar a resposta de você e te matar. – Ainda precisava fazê-lo acreditar que eu tinha meu dom.
Ele se levantou dando um passo na minha direção.
– Mas você disse que se eu compartilhasse tudo com você, me daria escolhas. Agora estou disposto a contribuir algo a mais, em troca me de a escolha de me libertar. – Ele gesticulou com as mãos.
Estreitei os olhos, nunca imaginei que seria tão fácil assim, por fim suavizei a face.
– É justo.
– Vai me deixar livre? – Questionou desconfiado.
– Tem a minha palavra. – Disse sincera.
Ele me encarou por um longo segundo até resolver abrir a boca.
– Tem um vampiro, ele tem o dom da invisibilidade. Ele está ali e você nem faz ideia, além de que ele pode deixar o outro invisível.
Interessante.
– Eu posso fazer ele vir até aqui, posso dizer que estou precisando dele e ele virá.
– E por que você acha que ele ajudaria?
Laurent deu um riso fraco.
– Vocês dois tem algo em comum. – Ele sorriu. – Os dois odeiam James.
Abri um amplo sorriso. Pelo visto, eu tinha um aliado.
– Muito bem, peça para ele vir até aqui.
Laurent logo ligou para ele, demorou um pouco para convencer o rapaz, mas logo cedeu e disse que viria até aqui.
Após terminar a ligação, só tinha mais uma pergunta antes de libertar Laurent como tanto almejava.
– Por que demoraram todo esse tempo para me atacar se vocês tinham uma arma secreta com vocês? – Esse rapaz com o dom que tinha podia facilmente chegar até mim um dia qualquer quando desejasse e me mataria sem ao menos que seria meu ultimo dia.
– Na verdade, seu dom é bem poderoso. Dionísio foi duas vezes atrás de você e nas duas vezes ele descobriu que com você seu dom não funcionava tão bem.
– Como assim? – Interroguei com o cenho franzido.
– Você não o via, mas sempre reagia com intuição. Sabe, como quando sente que tem alguém seguindo você e não faz a mínima ideia onde ela esteja? Era assim com você. Provavelmente, antes que Dionísio pudesse chegar até você... Hum, você o mataria.
Então eu tinha ele ao meu favor.
Daqui eu podia resolver sozinha.
– Obrigada, por tudo. – Mal terminei de dizer e já me encontrava no lugar que Laurent estava. Segurando sua cabeça pelos cabelos arrancada de seu corpo. – Como prometido, te deixei livre. – Dei um sorriso torto. – Livre do mal que James o envolveu.
Joguei o corpo e a cabeça no canto e fui deitar na cama, eu daria um jeito nele depois.
Precisava planejar como ser páreo com Dionísio, pelo visto eu conseguia sentir sua presença através do seu dom, mas agora que eu não consigo usar como vou que ele pode estar aqui ou não.
Fiquei horas naquela casa, sem nada fazer. Só pensando nos meus últimos anos para cá. Não me lamuriaria pelo o que aconteceu comigo, eu iria fazer ao contrario. Correrei atrás de quem eu sou e acabaria de vez com toda essa guerra.
Eu estava olhando novamente a janela onde o sol que amanhecia no horizonte quando alguém me jogou contra a parede ao lado. Empurrando meu rosto contra a parede e segurando ambos meus braços nas costas e imobilizando por completo.
Dionísio! Pensei.
Era impressionante como não sentia seu cheiro ou algum som vindo dele. Ele podia camuflar e deixar qualquer vampiro às cegas.
– Você me pegou de surpresa mesmo. – Murmurei sorrindo irônica.
Senti um leve movimento e pude ver a sua sombra se materializando na parede no qual eu estava imobilizada.
– Como está viva? – Ele disse próximo demais do meu ouvido. Um som melodioso e mortal.
– Você acha mesmo que eu morreria fácil? – Debochei e no milésimo segundo seguinte troquei nossas posições.
Fácil, mas era difícil de prendê-lo, sua força era incrível.
– Se não me soltar, eu não respondo por meus atos. – Ele rosnou.
Não conseguiria ter uma conversa civilizada com ele de costas para mim ainda mais ele sendo muito alto, então o virei deixando de frente para mim, mas o prendi contra meu corpo.
Finalmente pude olhar seu rosto assim que ergui o rosto para observa-lo e me encantei, ele de fato era lindo, seus olhos eram vermelhos sangues. Os cabeços curtos e negros como a noite. O maxilar quadrado, forte, mas não ao extremo como Emmett. Um homem com certeza que aparentava ter seus 30 anos.
Como disse lindo, mas ainda assim não chegava aos pés de Edward.
Ele me encarou compenetrado, mas os olhos pareciam desfocados vendo algo além. Se ele me desse problemas o descartaria no fim.
– Eu vou soltá-lo, mas não tente nenhuma imprudência.
Ao me ouvir pareceu desperta-lo, pois ele piscou os olhos duas vezes.
Fui soltando ele vagarosamente e nenhum movimento ele fez. Dei um passo atrás para não pressiona-lo, no entanto para meu desgosto ele ficou invisível. Eu quis gritar de raiva, mas me controlei olhando em volta.
– Não consegue me sentir? – Ele sussurrou ao lado da porta. – Interessante. – Murmurou do outro lado.
Eu tentava escutar qualquer coisa, qualquer movimento seu, mas nada vinha.
– O que aconteceu? – Perguntou em outro lugar.
Será que assim seria o único jeito que conseguiria conversar com ele? Eu não tinha outra alternativa senão fazer do seu jeito. Precisava fazê-lo confiar em mim, ou pelo menos fazê-lo ficar ao meu lado.
– Eu não sei mais usar meu dom. – Respondi sincera.
– E por que não?
– Vanessa me fez esquecer quem eu era.
Ele ficou um longo tempo em silêncio, não sabia nem dizer se ele ainda estava aqui ou não.
– Como sobreviveu? – A curiosidade era perspicaz em sua voz.
– Antes de James explodir a casa onde me deixou para morrer. Didyme chegou a tempo para me salvar.
– Então Didyme voltou para ajuda-la? – Ele interrogou, porém não me deixou responder. – E o que quer? – Eu seguia com o olhar cada segundo que eu ouvia sua voz, mas não sabia dizer onde ele estaria logo em seguida. Dionísio se movimentava pelo quarto aleatoriamente.
– Vanessa. – Ao proferir essas palavras ele me prendeu contra a parede novamente e apareceu para mim. Eu sumia debaixo do seu corpo enorme. Olhei para cima e ele me encarava irritado.
– Você não vai machuca-la.
Sua palavras fez eu perder a calma que estava tendo até agora.
Furiosa o empurrei e o derrubei contra o chão que rachou nas suas costas.
– Eu nunca machucaria ela. – Sibilei. Quem ele ousa me acusar de querer matar minha própria filha.
– Acha mesmo que eu acredito?
Ele nos girou ficando por cima de mim. Dei uma joelhada no seu estomago e assim que ele cambaleou para o lado soquei sua cara. Como foi pego de surpreso coloquei minhas mãos em volta do seu pescoço.
Ele tentou se soltar em vão de mim.
– Olhe para mim. – Pedi, mas ele não me olhou estava com os olhos fechados. – Olhe. – Ordenei.
E no mesmo instante ele abriu os olhos me fitando.
– Eu nunca, jamais machucaria Vanessa. Eu morreria ao invés de tocar num fio de cabelo dela na intensão de machuca-la. – Disse o mais verdadeira possível para que ele visse que eu não estava o enganando.
Ele me analisou, observou e levou um tempo até dizer:
– E por que eu lhe ajudaria?
– Porque temos algo em comum. Nós dois odiamos James.
– Como sabe disso? – Questionou sério.
– Laurent.
– E onde ele está?
– No inferno provavelmente.
Ele arregalou os olhos surpresos, mas logo abriu um pequeno sorriso.
– Pelo menos algo de bom saiu nisso tudo até agora.
Quem não pode deixar de se surpreender agora fui eu. Ele não gostava de James, Laurent e provavelmente Victoria. Então por que ele convivia com eles até hoje em dia? A resposta veio de imediato. Por causa da Vanessa.
Me irritei no mesmo instante.
– Se você tentou alguma coisa com a Vanessa... – Não terminei de dizer só rosnei.
– O que? – Ele perguntou claramente confuso.
– Não se faça de idiota. Você está lá esse tempo todo convivendo com ele, só por causa dela.
Ele arregalou os olhos e me olhou com fúria.
– Eu nunca vi Vanessa desse jeito. Eu a criei e a vi crescer, sou seu melhor amigo e guardião.
Franzi o cenho.
– O que quer dizer com guardião?
– Eu conheço Vanessa desde criança apesar de ter tudo a sua volta, ela se sentia sozinha sempre. Foi vendo que eu criei um carinho especial com ela que jurei sempre protege-la e nunca deixa-la sozinha. Mas não seja absurda ao dizer que eu a olho de outro jeito.
Fiquei envergonhada por jugar precipitada.
Ele pigarreou chamando minha atenção.
– Você poderia, por favor, sair decima de mim? – Ele pediu delicadamente.
Só agora percebi que estava sentada em cima dele com as mãos em volta do seu pescoço.
Levantei-me rapidamente e me afastei dele.
Ele tão rápido se levantou e tive o vislumbre do volume na sua calça antes de sentar cruzando as pernas na poltrona velha que tinha no quarto.
Desviei o olho rapidamente constrangida. Não me senti bem, em sentir isso. Ainda mais sendo de outra pessoa e não de Edward.
– Então, me conte tudo. – Ele pediu.
– Tudo o que?
– Tudo o que James mentiu. – Arqueei uma sobrancelha. – Está na cara que ele enganou Vanessa todos esses séculos e agora que eu te encontrei tenho certeza disso.
– E depois que eu lhe dizer tudo vai me ajudar?
– Se me disser a verdade, certamente eu vou.
– Pois bem. – Sorri me apoiando na parede e cruzando os braços. – Vou começar desde a época que eu fui humana.
Eu ia contar a ele tudo que eu sabia referente ao verdadeiro lado de James. Claro que eu não me lembrava de nada, mas sabia o suficiente que Didyme e David me contou. O suficiente para convencer Dionísio.
[...]
Eu estava sorrindo, sentada na árvore próximo a poucos quilômetros onde se encontrava Vanessa.
Não foi difícil convencer Dionísio a me ajudar. Bastou eu dizer a verdade e ele encaixar uma peça aqui e outra ali, tirar suas próprias conclusões para finalmente decidir me ajudar.
Claro que antes me ameaçou de me matar se eu tentasse algo contra a Vanessa. Tolo.
Ele me trouxe até aqui, afim de me ajudar a encontrar Vanessa no momento certo. Nós ficamos ali sentado, por horas e que levou alguns dias. Só esperando o momento certo, não podia entrar na casa pegar Vanessa e sumir com ela sem James desconfiar, não queria que ele desconfiasse de maneira nenhuma. Vez ou outra saia com Dionísio para me alimentar. Tínhamos que ficar juntos, pois era o único jeito dele me esconder de todos os vampiros a nossa volta.
Aos poucos a conversa fluía naturalmente e era bom conversar com ele. Se ele cuidou da minha filha todo esse tempo, acredito que possa crescer uma amizade dai. Ele me contou que nunca gostou de James e sabia que ele não era o vampiro bonzinho que se dizia ser. Ele não me disse o que fez vê-lo dessa forma, mas certamente com o dom que tem ele podia saber o segredo de todos se assim desejar.
Pude perceber que ele também falava mais abertamente comigo sem mais aquele receio do começo e vez ou outra eu sentia seu olhar constante em mim.
De todos esses dias escondida que passei com ele, não entrei em contato com nenhum Cullen, aposto que nem mesmo Alice podia me ver, afinal o que ela enxergaria a sua volta se Dionísio estava o tempo todo nos deixando invisível?
Eu sei que devia entrar em contato com eles, mas não correria o risco de por a vida de ninguém e muito menos de Nessie e Vanessa em perigo. Há chances de ter algum vampiro os espionando, já que Laurent nunca mais deu notícias. Minha prioridade era tirar Vanessa daqui e depois que eu voltar a ter minhas memória consigo pensar com clareza no que vou fazer.
Ao longe me tirando dos pensamentos comecei a escutar uma movimentação vindo do meu lado. Fiquei de pé no galho da árvore olhando o mais distante possível e agucei minha audição prestando atenção nos mínimos detalhes, até que pude escutar passos, melhor dizendo uma corrida.
Algo estava errado e pude distinguir diferentes sons de pisadas identificando a corrida de três vampiros.
– O que foi? – Dionísio ainda não tinha ouvido, mas logo escutaria.
– Escute. – Sussurrei. – Eles passarão por nós.
Ele ficou bons segundos escutando até finalmente identificar o som que eu ouvia.
– Por que estão correndo para cá?
Prestei atenção no som e no cheiro tentando identificar quem eram, mas nunca senti, apesar de um parecer levemente familiar.
– Eles vão passar a nossa direita. – Disse em tom de voz normal.
O bom do dom de Dionísio é que ele podia bloquear e desbloquear o som que fazíamos para os outros se assim quisesse.
Ele respirou fundo até arregalar os olhos.
– Esse cheiro é da Vanessa.
Tão logo me surpreendi e não demorou nada e vi Vanessa, a filha que tentou me matar passar correndo perto de nós. Vi sua cara aflita e desesperada enquanto corria e em seu encalce dois vampiros corriam sorrindo perversamente e amedrontando-a com palavras assustadoras.
Pulei da árvore e corri na direção deles. Se esses malditos pensavam que iam encostar um dedo sequer na minha filha, estavam muito enganados. Eu os mataria antes.
– Bella espera. – Dionísio pediu.
– Você está maluco. Eles querem pegar Vanessa. – Eu disse sem parar de correr e mais eu me aproximava deles.
– Eu sei e tem algo errado aqui. Esses são os capangas de James. Temos que tirar Vanessa daqui. – Eu já sabia disso. – Me escute. – Ele pediu quando estava ficando para trás.
Desacelerei um pouco até ele conseguir me alcançar.
– Vamos deixar que eles continuem correndo. – Ele só podia estar brincando. Ao ver minha cara de indignada logo esclareceu seu plano. – Só até eles ficarem longe de todos esses vampiros, assim podemos matar eles sem ninguém saber o que aconteceu e James não fazer ideia de onde eles estejam ou se interessa saber.
– E se eles a pegarem antes? – Questionei preocupada.
– Então matamos eles.
– Qual é o plano assim que tivermos a nossa chance?
– Você vai tirar Vanessa daqui enquanto eu acabo com eles. Nos encontramos na casa que você estava.
– Tem certeza? – Perguntei incerta assim que o encarei.
– Confie em mim.
Ele era minha única chance. Daria esse voto de confiança, mas se ele me enganasse o mataria na primeira oportunidade.
Assenti levemente.
Ele abriu um amplo e bonito sorriso.
– Eu não deixarei que eles as machuquem. – Ele falou. Comecei a correr mais rápido para passar eles. – Bella. – Dionísio gritou me fazendo olhar para traz. – Boa sorte com a Vanessa.
Não pude deixar de sorrir de volta.
Segui minha corrida rápida ultrapassando os vampiros e me aproximando de Vanessa. Mais do que nunca eu tive a certeza que jamais desistiria da minha filha.
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