A Primeira Eterna
56 Se tornando mãe mais uma vez
Notas iniciais
POV BELLA
Depois de uma longa corrida até algumas cidades mais a frente eu e Dionísio tínhamos chegado na casa. Ele ainda nos mantinha invisível para que nenhum vampiro encontrasse o nosso cheiro pelo caminho.
Parando em frente a casa não pude de deixar de ouvir a conversa do dois de dentro da casa.
– Acredite Vanessa sua mãe já até esqueceu isso. – Diminui os passos escutando a conversa deles.
– Mas como? Eu a própria filha tentei matá-la e por um motivo que nunca existiu.
– Por isso mesmo, ela entende o que passa na sua cabeça. Nesse ponto vocês são muito parecidas sabia? Quando Bella se culpa de algo, jamais esquece e querendo ou não sempre carrega a culpa com ela, mas não é por esse motivo que ela fica se lamuriando pelos cantos deixando a culpa a consumir. Ela sempre encara a culpa e segue a vida em frente, porque não podemos parar com ela.
Ouve um breve silêncio e eu parei em frente a entrada da casa.
– Você quer deixar sua mãe menos preocupada com isso? – Ela deve ter respondido, pois David continuou. – Então viva a sua vida e seja feliz. Isso será o melhor para Bella, porque acredite se ela te ver se culpando com isso, ela vai encontrar um jeito de colocar a culpa em si mesma.
– Mas ela não teve culpa de nada. — Minha filha contrariou.
– Eu sei, mas sua mãe é assim. Ela jamais te jugará e vai começar a se culpar. – Ouve um longo silêncio. — Você pode fazer isso?
– Eu... acho que sim. — Ela gaguejou.
Ouvi a risada do meu irmão.
– Muito bem. Agora podemos deixar esse assunto de lado. E o que achou da história da sua mãe?
– O que eu achei? Nossa... Não sei, incrível talvez seja a palavra certo. Nunca conheci alguém como ela.
– E isso é só o começo. Se quiser ouvir mais histórias pode me pedir ou pedir a ela. Tenho certeza que ela gostará de te contar tudo.
– Não vou incomodá-la?
Revirei os olhos. Tudo que eu mais quero é ficar próxima da minha filha, mas só em saber que ela está interessada me deixa feliz.
– Ai ai sobrinha, você é engraçada sabia? Sua mãe jamais pensaria que você é um incômodo. Vou te dar um conselho: Demonstra a sua mãe o quanto você está interessada sobre tudo dela. Pode apostar que ela ficará muito feliz.
– Você acha mesmo?
Não pude evitar sorrir com sua voz esperançosa. Vanessa não fazia ideia da alegria que estava me trazendo.
– Tenho certeza.
Conectei minha mente com a do meu irmão.
"Obrigada." Mandei a mensagem por pensamento.
Logo em seguida ouvi um barulho e os passos alarmados de Vanessa.
– Está tudo bem David? — Tive vontade de rir, mas controlei a risada mordendo os lábios.
– Claro. – Ele disse atônito. – É só que eu... hum... senti a presença da Bella. Acredito que eles estão chegando.
Mentiroso!
– E por que o susto?
– Não estou acostumado com isso ainda.
Me virei para Dionísio e balancei a cabeça, entendendo meu gesto ele tira seu dom a nossa volta nos deixando visível novamente.
Segundos seguintes eles sentiram nosso cheiro.
– Eu não te disse. — Meu irmão disse presunçoso.
– Surpreendente essa conexão entre vocês.
– Não se preocupe mocinha, será assim com você e com Bella.
Essa era minha deixa. Caminhei até a porta e a abri dando de cara para meu irmão sentado numa cadeira velha e Vanessa em pé ao seu lado.
– Que conexão? – Perguntei me fingindo de curiosa.
– Não nada é só...
– Vanessa estava curiosa como sentimos a presença um do outro. E eu respondi para ela não se preocupar que vocês duas teriam isso.
Olhei para Vanessa com uma sobrancelha arqueada e dei um sorriso de lado.
– Não se preocupe, eu só conecto nossas mentes.
Ela arregalou os olhos.
– O que? E vamos compartilhar pensamentos? – Ela disse exasperada.
– Ah não, compartilhar não. Vocês apenas ficaram sabendo o que uma pensa da outra durante 24 horas. — Meu irmão disse sério.
Vi Vanessa engolir em seco, mas não disse uma só palavra para me ofender. Tinha que treinar isso também com ela ao perceber que ela sempre acata as vontades do outro deixando sua opinião de lado.
– Não é assim que funciona. – Olhei feio para meu irmão antes de voltar a encara-la. — Nós compartilhamos os pensamentos sim, mas só o que desejamos compartilhar. Ninguém vai invadir sua privacidade eu te garanto.
– Isso é possível?
– Claro. – Respondi entusiasmada. – Você me permite fazer isso?
– Hum... Acho que sim.
Não quero incertezas.
– Filha, eu só farei isso se tiver certeza. – Disse séria.
Ela ficou em silêncio por longos segundos antes de responder:
– Sim.
Sorri satisfeita era isso que eu queria ouvir.
– Ótimo!
" Já está feito. " Mandei por pensamento.
Vanessa pulou assustada no lugar.
– Era... Você na minha mente? — Assenti apesar da resposta óbvia. – Isso foi...
– Estranho, chato, ruim... Eu também penso nessas coisas. — Meu querido irmão se intrometeu.
– Não. Apenas diferente. — Ela disse.
Sorri contente.
– Tente. – Incentivei-a.
Ela parou para pensar.
"Está me ouvindo?" Sua voz soou tímida até nos pensamentos.
Pisquei com um olho e assenti.
O sorriso que ela abriu foi contagiante.
"Obrigada."
"Por nada." Respondi de volta.
– Não se anime tanto. Agora Bella sempre saberá onde você está. – David disse resmungando.
– Acho que posso conviver com isso. — Ela brincou.
"Eu gostaria que você sempre saiba onde estou." Ela pensou com a cabeça abaixada escondendo a vergonha de como se abriu agora.
Seu pequeno gesto fez meu coração inflar. Não tinha mais nada que eu queria nesse mundo se não minhas filhas perto de mim.
Um desejo mantido em absoluto sigilo desde sempre finalmente tornou realidade o que imaginei ser impossível de acontecer.
Faria de tudo por minhas filhas. As Protegeria e as cuidaria de tudo e de todos.
"Sempre estarei de olho em você. Não importa as circunstâncias ou a situação eu sempre estarei aqui para te ajudar."
Ela lentamente ergueu a cabeça e um brilho especial surgiu em seus olhos.
Abriu um pequeno sorriso, mas nada disse.
– E como foi lá? – David questionou.
Dionísio e eu contamos tudo a eles. Somente ocultamos o pequeno diálogo sobre nós dois.
A decisão foi tomada e em três dias teria a luta e minha vingança concretizada.
Não podíamos ficar aqui nessa pequena casa, afinal como caberia todos os Volturis e todos os outros aqui e além do mais no meio da periferia. Mas para minha surpresa Dionísio encontrou um lugar mais afastado da cidade onde caberia todos para a discussão do plano e realmente a casa era afastada da cidade quando fomos para lá imaginei que fosse no meio de uma floresta, mas não. Era uma zona rural e não era uma casa e sim fazenda. Tinha tudo nela. Plantações, porcos, vacas e cavalos, entre outro.
Um ambiente aberto e arejado e o céu limpo de qualquer poluição tanto que o sol brilhava intensamente podendo facilmente pegar tida nossa pele.
– Onde estão os donos? – David perguntou assim que desceu as escadas da enorme casa.
– Digamos que eles ganharam uma viagem para fora do país por uma semana.
Observei-o discretamente surpresa. Eu nem precisei fazer nada e ele já fez tudo.
– Hum, não sei quanto a vocês, mas eu estou morrendo de fome. – David comentou indo em direção a cozinha. — Alguém aceita um café da tarde? — Zombou, porém foi ignorado por todos.
– Eu já me alimentei quando vim resolver isso.
– E você Vanessa? Se alimentou quando estivemos fora?
– Não. – O único lobisomem da casa gritou.
– Eu estou bem assim.
– Não, não está. – Afirmei olhando nos seus olhos. – Seus olhos estão escuros pela cede.
– Mas não há necessidade me alimentar agora.
Estreitei os olhos levemente contrariada.
– Diga a verdade. — Dionísio interferiu.
Ela o olhou espantada e negou rapidamente com a cabeça. Ignorando seu gesto ele virou para me fitar.
– Vanessa não gosta de se alimentar de humanos. Nunca gostou na verdade. — Então minhas suspeitas eram verdades.
– Não é verdade.
Arqueei uma sobrancelha. Como?
– Não precisa ter medo de dizer, sua mãe não é o James.
Na hora que ouvi o nome daquele miserável travei o maxilar imediatamente e fechei as mãos em punhos. Não precisava ler a mente de nenhum deles para ter percebido que ele sempre proibiu Vanessa de se alimentar.
– Que história é essa?
– Diga a ela Vanessa.
Minha filha me olhou antes e baixar a cabeça chateada.
– Me desculpe. Eu não gosto de me alimentar de humanos. Nunca gostei apesar da cede sempre estar presente.
– E nisso James sempre a obrigou se alimentar de humanos?
– Não tem outro jeito. – Ela deu de ombros.
James é um filho da mãe, desgraçado mesmo. Ele nos observou por anos e ainda sabe sobre os Cullens e Laurent com certeza não deixou de lado o fato de que eles se alimentam de animais.
Controlei minha raiva, pois eu mostraria a Vanessa um cardápio variado.
Fiquei fitando-a até ela finalmente me encarar. Assim que ela o fez andei até sua direção e a vi me olhar assustada. O que James tinha feito com ela? Vanessa tinha medo de tudo a sua volta bem não parecia ter a idade que realmente tem e sim uma recém criada descobrindo o mundo. Apertei os lábios em desgosto impedindo que um palavrão saísse pela minha boca.
Ao ficar de frente a ela estendi minha mão para ela pega-la.
Vanessa olhou minha mão, mas não a pegou. Minha filha ainda estava assustada provavelmente imaginando que eu brigaria com ela por não aceita-la em se alimentar de humanos.
– Venha comigo. – Pedi com calma e suavidade.
– Pra... Pra onde?
Dei um sorriso sereno.
– Como Dionísio disse eu não sou James. Apenas confie em fim.
Ela olhou uma vez para mim antes de botar os olhos novamente nas minhas mãos.
Com receio ela pegou-a. Envolvi minha mão na sua delicada mão e sorri transmitindo a confiança que ela precisava.
Aos passos leves nos guiei para fora e nos levei até o recinto que não vi há muitos minutos atrás. Ao me virar para ela assim que ficamos ao lado de fora da casa pude mais uma vez apreciar sua beleza assim que saímos no sol, ela era idêntica a Nessie, porém cada uma tinha uma beleza única assim como cada um de nós temos nosso próprio cheiro.
Vanessa olhou com o cenho franzido aonde paramos. O cheiro de animal era forte aqui.
Adentrei no celeiro onde tinha cavalos enormes do tamanho parecido com Jacob e sua alcateia. Assim que sentiram nossa presença eles começaram a ficar inquietos tentando inutilmente derrubar as cercas que separavam um do outro.
– O que estamos fazendo aqui?
Encarei-a sorrindo divertida.
– Estou lhe mostrando que há outras opções para sobreviver. – Falei voltando a olhar os cavalos.
Ao dar conta do que estava dizendo Vanessa arregalou os olhos mais do que imaginei ser possível e escancarou a boca.
– Você está querendo dizer que... – Ela não sabia o que dizer ao certo. – Desculpa, mas o que você quer dizer mesmo? Acho que pensei em absurdos aqui.
– E o que pensou? – Ela nem imagina que estava certa.
– Nada, esquece. – Balançou a cabeça como se dissipasse as ideia, mas quando viu que eu estava esperando pela sua resposta. Vanessa completou depois de olhar para o lado. — Pensei que você me trouxe aqui para me alimentar do cavalo.
– E no que tem de absurdo nisso?
Ela ergueu a cabeça me olhando incrédula.
– Você está brincando!
– Eu pareço estar brincando. – Fitei-a seria.
– Não, mas isso é impossível.
– E por que é impossível? Já tentou experimentar alguma vez antes?
Ela me olhou em dúvida.
– Não, mas... Nunca ouvi dizer de um vampiro que se alimenta de animais.
Só espero que ela não se sinta mal por nunca ter tentado antes a possibilidade de substituir um animal por um humano.
– Minha família se alimenta animal. Meu companheiro se alimenta de animal. Muitos vampiros conhecem ou já ouviram falar dos Cullens por conta da alimentação delas. Eles se consideram vegetarianos.
– E por que eles se alimentam de animal? Tem um sabor melhor?
Com essa eu tive que rir, a vontade que tive era de gargalhar, porém me controlei. Mal ela espera o sabor que vem do sangue animal.
Ela fechou a cara nada feliz.
Respirei fundo antes de continuar:
– O sangue animal tem um gosto horrível, por isso os vampiros não gostam. Só o cheiro deles é repugnante imagina o sabor. Mas os Cullens não tomam sangue animal por conta do gosto, mas porque eles não querem matar nenhum humano.
– Assim como eu. — Sussurrou baixinho.
– Assim como você. — Sorri fazendo-a sorrir de volta.
– E você também se alimenta de animal?
Por um segundo fiquei quieta, querer até quis um dia, mas para mim não funciona do mesmo jeito.
– Na verdade não. Eu simplesmente não posso me alimentar, por algum motivo meu corpo rejeita qualquer sangue que não humano. — Expliquei. – Mas se ajuda eu raramente mato os humanos quando me alimento deles. Isso graças ao meu dom, porém isso não quer dizer que eu deixo todos viver.
– Então realmente é possível? – Um brilho de esperança surgiu no seus olhos iluminado todo seu rosto.
Sorri feliz.
– Por que não tenta? – Incentivei caminhando até um cavalo que ultrapassava minha altura facilmente.
O relinchar que ele deu foi extremamente alto, mostrando todo seu desespero e nervosismo ele balançava a cabeça de um lado para o outro. Como se entendesse que eu era o perigo ali, ele galopou para trás até seu traseiro tocar a parede de madeira.
– Ele não vai se acalmar? – Minha filha disse aflita.
– Sinto muito, mas ele não é um predador. Eu poderia mata-lo, mas é preciso que você aprenda, pois nunca acompanhamos o outro na caçada como sabe para que não haja brigas.
– Eu sei, mas ele parece tão indefeso.
Revirei os olhos antes de virar novamente para ela.
– Vanessa todos são indefesos aos nossos olhos.
Ela crispou a boca antes de dar um passo na minha direção e a do cavalo.
– Tudo bem. — Disse por fim.
– Muito bem. — Sorri caminhando até atrás dela. Coloquei minhas mãos nos seus ombros fazendo-a tremer levemente com meu toque.
– Há algumas coisas que precisa saber antes de caçar um animal.
Apertei suavemente seus ombros para deixa-la menos tensa.
– Primeiro, sempre olhe o local onde irá caçar um animal se tiver algum humano por perto esqueça sua caçada por enquanto até encontrar um lugar que esteja totalmente afastado de humanos.
– Por quê? – Questionou.
– Porque diferente de quando você vai caçar um humano, quando você caça um animal você usa todos os seus instintos, para encontrar sua presa numa área grande. Você não sabe o que vai caçar ou onde caçar, porque vai usar seus instintos diferente de quando caça um humano que por mais que usa seu lado selvagem você já escolhe sua presa antes e é o mais cuidadoso possível para que não tenha testemunhas.
Comecei aos poucos explicando a ela.
– Segundo o cheiro tanto quanto o sabor do sangue animal é muito desagradável. Você não vai se acostumar de imediato, levará um tempo até se adaptar ainda mais para você que tem milênios de anos se alimentando de humano. Mas nunca. – Apertei brevemente seus ombros para entender a importância do que iria dizer. — Nunca em hipótese alguma desista, pois você é mais forte que isso Vanessa.
– Certo. – Sua voz transmitiu confiança, mas não tinha tanta certeza nisso. Só que eu a incentivaria até o fim.
– Muito bem. Agora feche os olhos. – Esperei por um segundo para dar tempo a ela. Aproximei rosto dela até meus lábios ficarem próximo a seu ouvido. – Antes de liberar seu extinto sinta o cheiro de tudo que você possa sentir. Preste bem a atenção e descubra se há algum humano por perto... Leve o tempo que for preciso.
Vanessa soprou o ar como se estivesse eliminando a tensão antes de fazer o que mandei. Sua respiração foi profunda realmente em busca de todos os cheiros. Ela seguiu com essa repetição mais algumas vezes até chegar ao resultado.
– Não há ninguém.
– Maravilha. – Me afastei dela e fui até o cercado que prendia o cavalo e o abri para que ela não tivesse nenhuma barreira entre eles.
E sabia que o cavalo não iria fugir, pois além dele estar praticamente grudado na parede de trás, ele nunca correria em direção ao predador.
Dei mais alguns passos para o lado e em nenhum momento Vanessa abriu os olhos. Para deixar a situação mais fácil bloqueei minha presença para não atrapalha-la na sua primeira caçada.
– Se concentre ao máximo no cheiro da sua presa. Sinta o sangue correndo em suas veias por mais que não seja sangue humano ainda assim é sangue. O único alimento que precisamos sobreviver decentemente.
Ela inalou o cheiro e assim que abriu os olhos eles estavam escuros sedentos pelo sangue. Ela não via mais nada a sua volta se não sua presa.
Um rugido feroz saiu pelos seus lábios fazendo todos os cavalos guincharem em desespero e pavor.
Não demorou nenhum milésimo de segundo e ela atacou o animal ferozmente.
Sua cara fora engraçada quando deu o primeiro gole de sangue. Uma pequena careta se formou nela, mas não a impediu de se alimentar.
Tão rápido quanto se alimentou desse cavalo logo vieram mais dois finalmente a saciando. Jogando o animal morto de lado vi seu corpo completar encharcado de sangue, porém seria assim nas primeiras vezes até se alimentar decentemente sem deixar um fio de cabelo sair do lugar.
Não pude deixar de sorrir satisfeita.
– Muito bem. — Falei verdadeiramente orgulhosa.
Ela se olhou um pouco surpresa.
– Nossa, estou imunda.
Ri do seu comentário.
– Me diga do que achou?
Ela ergueu o olhar para me fitar.
– Eu não sei o que dizer... O gosto é horrível, contudo é suportável. – Seus olhos se iluminaram. – Mas a melhor parte é que não senti nenhum pingo de culpa ou remorso de ter me alimentado deles.
O sorriso que ela abriu foi contagiante.
– Então virará uma vegetariana também?
– Com toda certeza do mundo. – Explodiu de alegria.
– E sabe qual a vantagem?
– Além de não matar mais humanos? – Afirmei com a cabeça. — Não.
– A cor dos seus olhos vão mudar!
Vanessa arregalou os olhos.
– Como? – Questionou aturdida.
– Exatamente o que ouviu. Eles ficaram dourados todos que se alimentam de animais tem olhos dourados. Os meus são a única exceção.
Vanessa ergueu as mãos até os olhos e encostou com os dedos em volta deles.
– Então meus olhos ficaram dourados? Eu nunca mais precisarei sair de lentes de contatos ou de óculos escuros?
– Nunca mais precisará deles se não quiser.
Ele abriu um sorriso igual ao de uma criança quando ganha um presente.
– Eles já estão dourados? – Intrigou feliz.
Cruzei os braços para observa-la.
– Isso levará uns meses, mas logo ficará alaranjado e após isso irá para dourados.
– Isso é maravilhoso.
Vanessa estava extasiada de alegria tanto que correu até mim e me abraçou me pegando completamente de surpresa.
– Obrigada.
Com o coração se contorcendo e transbordando de amor a abracei imediatamente de volta.
Não tinha palavras para descrever o quão bom era ter minha filha nos meus braços, parece que eu jamais irei me acostumar com essa sensação tão arrebatadora.
Para meu desapontamento Vanessa se soltou vagarosamente de mim olhando para baixo.
– Me desculpe acho que me empolguei.
Sorri de lado.
– Jamais peça desculpa por me abraçar. Assim até me ofende.
Ela ergueu a cabeça para me encarar, mas arregalou os ohos apavorada encarando minha camisa.
– Céus. Me perdoa por ter sujado sua blusa, juro que não foi minha intenção. Por favor, me perdoa. Eu prometo lava-la e a deixarei nova.
– Vanessa se acalme. É só uma camisa. – Expliquei fitando-a com os olhos estreitos. O que deu nela para se apavorar desse jeito por causa de uma camisa?
– Eu sei, por isso não quero que fique brava comigo por isso, por favor. — implorou para mim.
– E por que acha que eu ficaria brava?
– Bem... Tio James ele... – Vanessa abaixou a cabeça mais uma vez angustiada.
Trinquei os dentes o que tanto que esse maldito pode ter feito de mal para minha filha. Eu queria poder mata-lo mil vezes para ter um pouco da minha vingança ser saciada.
– Vanessa. – Chamei-a enquanto me aproximava, mas nenhum movimento ela fez. – Eu não sou James eu jamais faria algo com você ou brigaria por causa de algo bobo como isso.
Eu precisava cuidar da Vanessa, por mais que ela ainda gosta do tio ele a machucou muito. Eu a ajudaria a cuidar das suas feridas e protegê-la de todo mal.
– Eu sei... Mas é que tudo é tão novo.
– Eu sei como se sente, mas acredite em mim eu vou cuidar de você e te prometo nunca te deixar. Porém eu também quero algo em troca.
Ela finalmente ergueu o seu rosto encontrando seu olhar cheio de sentimentos com o meu.
– O que?
– Quero que me prometa que nunca tenha medo de dizer o que pensa ou sente bem aqui. — Disse e encostei meu dedo no seu coração. — E outro peço para ser forte enfrente seus medos e os desafios que virão na vida. Nesse nosso mundo os perigos são constantes os vampiros são criaturas cruéis, nunca os deixem te assustar porque eu lhe garanto que nunca deixarei nenhum te fazer mal.
– Obrigada.
– Você não tem nada que agradecer só quero que me prometa isso e eu cumprirei minha palavra de volta.
Ela sorriu tímida.
– Eu prometo. – Declarou firme.
– Então eu também prometo. – Falei piscando com um olho e retribuindo o sorriso para ela.
– Você é incrível. — ela disse espontaneamente fascinada. – Digo, eu fui tão tola por acreditar em uma mentira e fiz coisas horríveis e mesmo assim você está aqui como sempre sonhei e me acolhendo.
– Todos fazemos as escolhas erradas pela vida minha filha, mas com ela nós crescemos e aprendemos a não errar novamente. Como eu já disse eu sei e entendo a culpa que você carrega, mas você não pode deixar de viver por causa disso. Me mostre a vampira forte que é e trace seu próprio destino.
– É o que eu farei!
– É isso que eu queria ouvir... Agora me conte tem mais alguma coisa que te aflige?
– Nada. – Vanessa não sabia mentir isso é fato.
Cruzei os braços e arqueei a sobrancelha esperando me dizer a verdade. Suspirando Vanessa se rendeu.
– Eu só... Eu só queria saber se... Eles vão gostar de mim?
– Quem?
– Os Cullens, os Volturis e... Nessie. – Arregalei levemente os olhos, não imaginava que essa era sua preocupação, contudo eu teria que ser sincera com ela. — Depois do que tudo aconteceu e eu fiz, não sei se eles seriam capazes de me perdoar ou me aceitar, eu não me aceitaria.
Descruzei os braços e segurei suas mãos sujas de sangue.
– Vamos nos sentar ali. – Apontei para o cercado de madeira do lado de fora do celeiro. Os cavalos não se acalmarão enquanto estivermos aqui.
– Mas eu preciso me limpar. – Disse indicando a si mesma.
– Resolveremos isso. – Disse a levando até o cercado.
Assim que chegamos lá fiz Vanessa se sentar nele. Não podia negar eu amava o sol sentir seu calor sob minha pele gelada era delicioso.
Rasguei um pedaço da minha blusa para usar como pano olhei em volta a procura de uma torneira ou fonte para molhar um pouco de na água não foi difícil de avistar uma mais a frente. Tinha uma espécie de banheiro acho que para os cavalos, mas ali estava a torneira. Na minha velocidade vampira fui lá e já voltei.
Vanessa nada dizia somente observava tudo com o olhar seguindo com eles onde eu fosse ou o que fizesse.
Segurei seu rosto para que eu pudesse vê-lo bem e comecei a passar o pano delicadamente no rosto limpando-o. Sorri ao me lembrar que a pouco tempo atrás eu fiz o mesmo com Nessie quando voltou a se alimentar de humanos.
– Quando conheci os Cullens não nos demos bem de cara de início houve muita brigas, discussões e preconceitos.
– Preconceitos? – Repetiu minha palavra.
– Sim, por eles serem vegetarianos conseguem viver tranquilamente entre os humanos. Eles vão a escola, trabalham e agem como se fossem parte da comunidade apesar de sempre serem reclusos e o assunto do momento.
– Na escola e trabalham? Isso é possível?
Parei de limpa-la para observa-la, Vanessa estava curiosa e muito intrigada com tudo que eu contava. Não podia negar que eu estava transbordando de alegria.
– Claro que sim, década ou outra eu e Nessie fazemos uma delas. Não é muito bom porque os humanos podem ser tão terríveis quanto os vampiros. Não em relação ao poder, mas eles também tem muitas vezes os pensamentos crueis e odiosos. Isso você deve imaginar já que se alimenta dos malvados. – Falei sorrindo.
– Co... como você sabe?
– Por que disse que não gosta de matar os humanos então duvido que tire a vida de um inocente.
Ela apertou os lábios.
– É.
Voltei a limpar o seu rosto.
– Você não é o monstro que sempre achou que fosse. Você é boa e se preocupa com os outros, só não sabia que existia outra forma de sobreviver. – Infelizmente James sabia.
– Talvez sim, mas tenho que trabalhar muito em relação a alimentação. Posso ter devorado três cavalos, mas a vontade de tomar sangue humano está presente.
– Mas não como antes, certo?
– Sim.
– Viu só, com o tempo irá melhorar, porém vou logo avisando que continuara com vontade de se alimentar do sangue humano, só que daqui algumas décadas se acostumará e não sofrerá por causa disso.
– Décadas? – Perguntou espantada.
– Entenda Vanessa leva tempo para qualquer vampiro mudar seu hábito de se alimentar, leva tempo até se controlar até mesmo para vampiros maduros como você.
– Isso quer dizer que eu posso descuidadamente... matar alguém?
– Não se preocupe eu estarei ao seu lado até se sentir pronta, te auxiliarei e guiarei onde for preciso.
– Obrigada por tudo que está fazendo por mim. Isso tudo parece um... – Ela suspirou.
– Um sonho? – Disse erguendo os olhos.
Ela assentiu.
– Desculpe parecer tão boba.
– Então também sou uma boba porque sempre sonhei tê-la ao meu lado. Sempre tive Nessie por perto e por ela vivi e continuei minha vida quando acreditei que estivesse morta, Nessie pode ser minha alegria e meu tesouro, mas apesar de tudo nunca me senti completa, sempre soube que não seria feliz ou realizada 100% porque você não estava presente na minha vida. — Eu falava com toda tranquilidade e calma. – Só que agora tudo mudou me sinto bem que nada falta. Está tudo no seu lugar como sempre devia ser. Tenho Nessie e você para compartilhar o resto da eternidade.
Seus olhos brilhavam e eu sabia que ela estava chorando sem lágrimas, assim como meus olhos também ardiam da mesma maneira.
– Eu... Nem ao menos sei o que dizer.
– Não diga nada se não quiser, pode falar quando se sentir bem ou a vontade.
Ela apenas deu um sorriso pequeno, no entanto caloroso. Eu estava finalmente bem, disse tudo o que estava guardado no meu coração. Caloroso e pude mostrar a ela o quanto eu a amava.
– Ah já estava esquecendo de continuar a responder sua pergunta, acabei fugindo do assunto. — Ri comigo mesma. — Então tenho certeza que os Volturis irão te aceitar muito bem, duvido que Aro não se sinta atentado em te chamar para fazer parte da guarda. – Ao falar isso Vanessa arregalou os olhos assustada e seu corpo ficou rígido. – Não se preocupe, ele nunca obriga ninguém e muito menos irá contra minha opinião no momento que eu não deixar. Ele não é mal acredite esse é só o jeito dele de ser com todos.
– Ele não me levará mesmo?
– Eu lhe dou minha palavra que não.
Ela até relaxou os ombros, mas me olhou com receio.
– E Nessie?
Essa seria difícil, Nessie leva muito pelo emocional é o jeito dela de ser. Só que acaba complicando as coisas quando podem ser facilmente resolvidas precisava falar com calma com Vanessa sobre isso.
– Nessie, Vanessa, é um pouco mais complicado. Ela ficou com raiva de tudo que aconteceu há cinco anos. Ela teve que viver sozinha, não exatamente sozinha porque tinha nossa família ao seu lado, no entanto ela acreditava que eu estava morta e não me teria mais ao seu lado, então preciso ser sincera com você. Nessie não é de perdoar tão cedo, pois seu emocional fala mais alto que seu raciocínio. — Repeti partes dos meus pensamentos em voz alta. – Só de um tempo a ela que ela vai começar a pensar com calma na situação toda. Eu só peço que se ela disser algo que a chateie não deixe que isso te afeta quando estamos com raiva fazemos coisas impensáveis.
Ela me olhava com tristeza e sabia que não conseguiria evitar em pensar sobre o que Nessie vai falar isso é inevitável.
– Eu estarei do seu lado, está bem?
– Não. – Ela falou. – Renesmee tem toda razão de brigar, gritar e tudo mais comigo. Não só machuquei você como machuquei todas a sua volta. Eu sinto muito, mas tenho que passar por isso.
– De jeito nenhum. – Me exaltei. – Nessie e nem ninguém tem o direito de julgar você. Eu não permitirei que ninguém faça mal a você muito menos Nessie.
– Por favor. Não se desentenda com sua filha, por favor. Não quero que briguem por mim. — Ela implorava aflita, fazendo meu coração se despedaçar.
– Hey, shiii. – Coloquei o pano de lado para segurar suas mãos. — Vamos esquecer isso por hora, certo? Não quero que nada estrague esse momento maravilhoso que estamos tendo, ainda mais porque sempre sonhei com isso.
– Tudo bem.
– Ótimo. — Olhei em volta e o dia estava começando a escurecer. – O que acha de voltarmos?
– Eu gostaria, preciso urgentemente de um banho.
– Muito bem, vamos? – Perguntei sorrindo.
Ela acenou com a cabeça, então ajudei-a mesmo desnecessariamente a descer do cercado e juntas voltamos para casa.
Ao chegarmos lá me deparei com uma cena que apesar de nada demais me surpreendeu. Vi David sentado no chão com um monte de alimentos a sua volta comendo a horrores e Dionísio sentado no sofá ambos assistindo ao jogo de futebol que passava na televisão.
Somente Dionísio virou para nós e deu um pequeno sorriso antes de voltar a olhar a tv novamente.
David nem deu bola.
– Seus cornos olha o cara da lateral livre ali. – Ou ele simplesmente não percebeu que chegamos.
Ele para surpresa dos dois, no entanto comum para mim jogou um punhado de salgadinhos da sua mão na televisão.
– Você vai limpar. – Digo quando começo a caminhar em direção ao um dos quartos do andar de cima com Vanessa me seguindo.
– Não enche. – Gritou alto.
Nem tive vontade de responder. Segui até um quarto de uma adolescente onde acredito que encontraria roupas para Vanessa.
Adentrando no local pôster de bandas atuais estavam estampados pela parede, uma típica fã como muitos por ai.
– Pode ir entrando no banho, vou procurar uma roupa que caiba em você e deixo em cima da cama.
Ela assentiu caminhando em direção ao banheiro. Antes de entrar nele virou uma vez o rosto para trás pra me olhar e sorriu.
– Mais uma vez obrigada por tudo.
Retribui o sorriso e ela fechou a porta.
Abri rapidamente o guarda-roupa e peguei uma das poucas roupas descente que tinha ali. Ajeitei com cuidado tudo na cama e desci as escadas tranquilamente.
– Ah antes que eu esqueça. Os Volturis estão vindo. – Ótima notícia! — E Alice disse que eles também já estão vindo. – David completou.
Por que será que cogitei a possibilidade deles não virem mesmo?
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