A Primeira Eterna

57 Nunca é tarde para educar


Notas iniciais
Olá, boa noite a todos. Eu sei, demorei muito, mas viajei por esses dias e só voltei a pouco tempo em casa. Deu tempo de acabar o capítulo agora, estou compensando com um capitulo grandinho até rsrs Gostaria de dedicar esse capítulo a rozinha, ela foi maravilhosa por ter recomendado meu capítulo fiquei tão alegre com isso que mais minha vontade de escrever o capítulo legal aumentou. Muito obrigada flor, por seu carinho e sua dedicação pelo que fez a mim. Espero que assim como todas as leitoras, você também gosta do capítulo. Então vamos lá.

POV BELLA

Eu estava ansiosa pela chegada dos Cullens e da minha filha. Não podia negar e precisava agradecer Alice depois por trazerem aqui. Eu não os deixaria de fora da luta se não tivesse a total certeza que nenhum deles se machucariam e outra eles viriam aqui de um jeito ou de outro.

Queria ver qual será a reação do Edward quando descobrir que recuperei minha memória e realmente estou torcendo para que todos recebam Vanessa de braços abertos assim como estou acreditando que irão.

– Então gosta de pintar? – Perguntei interessada.

Estávamos sentados na mesa da cozinha Vanessa, Dionísio e eu conversando sobre a eternidade da minha filha. Dionísio me contou que ela ama pintar qualquer tipo de quadro desde as paisagens até o perfil de uma pessoa. Tanto em tintas, quanto giz de ceras ou lápis.

– Gosto. – Respondeu-me envergonhada.

– E qual foi sua última pintura?

– Hum... – Murmurou olhando para o lado.

– Algo errado? – Questionei franzindo o cenho.

– Não. Eu só não quero falar sobre isso agora. — Era perceptível sua mentira para qualquer um.

Olhei para Dionísio intrigada, mas ele só me deu um dar de ombros.

Suspirei levemente irritada, porém não interrogaria ou invadiria a mente de alguém. Eu quero que Vanessa se sinta a vontade de me dizer seja o que for.

– Um dia faz um quadro para mim? — Pedi mudando de assunto e me debruçando sobre a mesa.

– Como? – Perguntou piscando os olhos varias vezes.

– Eu gostaria muito que me desse um quadro.

– Hum... Claro. O que quer que eu desenhe para você? – Ela ainda estava surpresa com a minha pergunta.

– Me surpreenda. – Falei dando um sorriso de lado.

– Tem certeza?

– Sim. Você é a artista aqui. – Encostei as costas na cadeira. – Você pode fazer isso?

– Eu acho que sim. – Arqueei uma sobrancelha fitando-a séria. – Eu posso. – Disse firme como eu queria.

– Obrigada.

– E o que você acha de... — Não consegui terminar de dizer, pois senti o cheiro deles. Reconhecendo-o primeiramente da minha filha e de meu Edward.

Sorri boba e alegre.

– Eles chegaram. – Falei simplesmente.

– Os Cullens? – Minha filha perguntou receosa.

– Hey. — Estiquei minha mão por cima da mesa e segurei a sua firme. – Já conversamos sobre isso certo?

– Certo. – Disse derrotada. – Desculpe por isso. Eu só não consigo evitar.

– Eu te entendo, mas estou aqui. Se sentir desconfortável com qualquer coisa ou quiser se retirar por algum momento, você sabe como se comunicar comigo.

Ela assentiu com a cabeça.

Logo ouvi o som dos pneus dos carros contra a estrada de terra da fazenda. Fiquei acompanhando cada detalhe desde o momento que pararam para abrir a porteira até chegarem aqui. Estacionando seus carros em frente a casa.

– Pode deixar eu abro a porta. – Gritou David caminhando em direção a ela.

Nada respondi. Eu estava ansiosa e nervosa para vê-los não fui muito receptiva quando estava morando com eles. Espero que não joguem na minha cara essas minhas antigas atitudes.

Mas pediria desculpas ao Edward por ter sido tão estupida e cega com ele.

– Tio David. – A primeira voz que ouvi foi da minha filha. Não resisti a vontade de sorrir estava com tantas saudades.

– Olá minha pirralha.

– Cadê a mamãe?

– Eu estou bem Nessie. Obrigado por perguntar. – Meu irmão falou irônico.

– Ah não enche. Mamãe. – Gritou me chamando.

Não me contive mais nenhum segundo. Olhei para os dois e pedi licença com o olhar.

Assim que me permitiram. Sai na minha velocidade normal e em um milésimo de segundo já me encontrava do lado de fora da casa. Podia estar começando a escurecer, mas o céu ainda estava levemente claro pelo calor que fez hoje.

Quando meus olhos se encontraram com o de Nessie a ardência neles foram intensificadas conforme meu velho amor de mãe falou mais alto como se a estivesse vendo pela primeira vez.

Abri um sorriso largo exibindo todos os dentes e visível nos mesmos demonstrando a imensidade da minha felicidade.

– Mamãe. – Nessie gritou eufórica. Não tive nem tempo de responde-la, pois correu se jogando contra mim.

Tive que segura-la senão nós duas teríamos caído no chão. Envolvi meus braços a sua volta. Abracei-a calorosamente e com todo meu amor.

– Que saudades meu anjo. – Sussurrei transbordando de alegria.

– Então por que sumiu daquele jeito? Não é justo ficou com toda a diversão e euzinha aqui fui abandonada.

Me afastei dela para poder ver seus olhos agora alaranjados, quase se tornando vermelhos.

– Me perdoa eu precisava fazer aquilo sozinha, mas está tudo bem agora. Eu te prometo que poderemos ficar todos os segundos juntos.

Dei um beijo estalado no seu rosto.

– Argh! Também não é para tanto. — Ela se afastou de mim.

Gargalhei como a muito tempo não fazia.

Quando finalmente consegui parar de rir olhei novamente para ela que me fitava com a testa franzida.

– O que foi?

– Não, nada. Só está um pouco diferente. Ok, ok! Quero dizer muito diferente.

Arqueei uma sobrancelha divertida e dei um pequeno sorriso travesso.

"Só estou sendo a mesma de sempre." Foi impagável ver Nessie quase saltar os olhos para fora do rosto.

– Você... Você... Eu não acredito. Como conseguiu? – Nessie de alguma forma conseguiu arregalar os olhos mais se possível. — Espera!

"Você conseguiu recuperar a memória?" Dei sua resposta piscando com um olho e um sorriso de lado.

– Ahhhh! — Ela não gritou, Nessie simplesmente berrou e se jogou me abraçando de novo. — Ai que tudo.

Ela gargalhava com gosto.

Senti um outro abraço nos envolvendo, não foi difícil de distinguir seu cheiro no meio de todos os vampiros.

– Uhuull abraço coletivo nas vampiras mais gatas que existe. — Nate nos evolveu facilmente com seu enormes braços.

– Sorte a sua, não é? — Brinquei.

– Com certeza tia linda.

– Agora que tal vocês dois se afastarem para deixar os outros cumprimentarem-na. – David surgiu atrás de nós e os pegou pela gola da suas blusas os tirando de cima de mim.

– Ah tio, para com isso. – Nessie disse estufando as bochechas emburrada.

– Verdade pai nos solte.

– Mamãe faça algo! — Nessie exclamou indignada.

– Vocês ouviram seu tio.

Esses dois juntos eram terríveis. Fico imaginando quando Vanessa se juntar a eles. Espero que ela não se torne tão atentada como eles e tenha a cabeça mais centrada.

Eles se emburraram e começaram a choramingar, no entanto me desliguei nessa parte. Como já cumprimentei Nessie só tinha mais uma pessoa em especial que queria ver primeiro que os outros.

Claro que eu não deixei de perceber que os Denalis não estavam ali, o que era um alívio, pois não gostaria de Irina no meu ouvido numa hora dessas. Para seu próprio bem deveria agradecer aos Cullens por ter salvo sua vida.

Mas meu foco agora era outro.

Não precisei nem ao menos olhar em volta, como se já me puxasse para si meu olhar foi direto para Edward e facilmente se conectaram como se estivéssemos somente nós dois aqui.

Ele estava lindo como sempre jamais me cansaria da sua beleza e se possível seu cabelos de cobre.

Aos poucos ele foi abrindo seu lindo sorriso e se aproximou de mim em passos lentos.

Foda-se! Não queria esperar mais nenhum segundo eu o amava tanto pra esperar que ele chegasse em mim igual ao um humano.

Então corri em alta velocidade e o beijei apaixonadamente. No primeiro momento o peguei de surpresa tanto que não conseguiu reagir de imediato, mas assim que se deu conta do que estava acontecendo Edward envolveu suas mãos possessivamente em volta de mim e me puxou para mais perto de si. Unindo nossos corpos em um encaixe perfeito. Suspirei rendida quando ele abriu sua boca e sua língua contornou a minha. Parecia a primeira vez que nos beijávamos o fogo ardente do desejo envolvido com o calor da paixão tornava tudo mais intenso e poderoso.

Eu podia ficar horas assim que jamais me cansaria era nesses momentos que eu agradecia muito por ser uma vampira.

Alguém próximo de nós pigarreou, porém não foi por isso que eu interrompi o beijo tinha um outro motivo maior.

Ao perceber que estava terminando Edward foi dando um beijo mais suave até para-lo com pequenos selinhos.

Encostamos a testa um ao outro e ele fechou os olhos abrindo um pequeno e singelo sorriso.

Ahh! Como eu o amava.

– Bella? – Chamou-me.

– Sim?

Ele abriu os olhos me fitando intensamente. Sentimentos de felicidade mesclados com apaixonados eram facilmente perceptíveis em seus olhos dourados e brilhante.

– Eu te amo.

Sorri de volta.

– Edward?

– Sim?

– Eu também te amo.

Seu sorriso alargou mais ainda e os olhos também brilharam mais. Edward nada disse, sua resposta foi certa me dando mais um beijo caloroso. Como ele podia ser tão perfeito assim?

Ele além de Nessie seria o primeiro a saber que me lembrei de tudo.

O beijo ficou calmo e mais uma vez o encerramos no momento certo, apesar do qual se eu pudesse jamais terminaria.

Nos afastamos o suficiente para podermos ver por inteiro o rosto de um e do outro.

– Posso te mostrar algo? – Nunca me deixei vulnerável como estava prestes a fazer, mas por ele eu faria isso.

Fechei os olhos e me concentrei liberando o meu escudo.

Comecei a relembrar do primeiro momento que o vi, descobrindo sentimentos que jamais imaginei sentir. O tempo que começamos a passar junto. O primeiro beijo... o primeiro sexo... Quando sofri ao vê-lo ferido por um lobisomem. A primeira vez que ele disse que me amava e depois eu disse que o amava. Nossos planos para casar. Quando o vi pela primeira vez novamente após a perda da minha memória. A volta dos novos sentimentos. Novamente o primeiro beijo e por fim demonstrando meu amor para ele mais uma vez.

Após terminar com a seção de memórias e sentimentos, Edward me agarrou e me beijou com fúria.

Céus! Eu jamais me cansaria de beija-lo, era mágico e perfeito. Eu gostaria muito de aprofundar o beijo, mas agora não era lugar e nem hora para isso. Tinha algumas coisas mais importante para fazer como apresentar Vanessa para família.

– Fui eu quem ouvi dessa vez. – Contra os meus lábios ele dizia extasiado referindo em poder ler minha mente. – Minha doce e amada Bella.

Abri um sorriso agradecida e apaixonada.

– Gostou?

Ele se afastou e colocou as duas mãos em volta do meu rosto.

– Se eu gostei? Eu amei saber o que passa nessa cabecinha linda. Faz de novo? – Ele pediu fazendo biquinho.

– Quem sabe um dia. — Pisquei com um olho e sorri. Mas esse dia não chegaria tão cedo, não gosto de me sentir vulnerável na presença dos outros. Meus instintos e auto preservação sempre falavam alto.

– Tudo bem. — "Eu te amo. Como eu te amo Isabella e não consigo me cansar de dizer isso" Ele respondeu por pensamento.

– Isso me faz lembrar de algo. — Ele arqueou a sobrancelha esperando para continua. – Obrigada por me fazer apaixonar mais uma vez.

Ele abriu um lindo sorriso.

– E eu faria de novo, de novo e de novo e jamais me cansaria. Mas me diz como recuperou a memória.

– Espera ai. – Uma mão enorme nos separou nada gentil. Edward trincou os dentes e rosnou irado olhando pra Emmett, mas pelo visto seu irmão nem reparou porque continuou a me fitar. – Você voltou a ser a nossa Bellinha?

Com essa eu tive que rir.

– Sempre existiu só eu.

– Eu sei, mas o que Edward disse é verdade? Você recuperou a memória?

Balancei a cabeça confirmando.

– Uhuull! — Ele gritou eufórico e ignorando Edward do nosso lado me abraçou levantando-me do chão e nos girando. – A Bellinha voltou. – Ele disse alto para todos me fazendo rir alegremente.

Edward segurou os braços de Emmett nos fazendo parar de rodopiar.

– Solta. Ela. – Pontou cada palavra furioso.

– Ah desculpa mano, só me empolguei fazia tanto tempo que eu queria abraça-la.

– Agora que abraçou. SOLTE-A!

Emmett fez um biquinho me soltando, não só eu, mas todos riram dos dois.

– Será que agora podemos dar um abraço na Bella? – Perguntou Claire sendo acompanhada por Esme, Carlisle, Didyme e Marcus.

– Eu vou dar esse privilégio a vocês. – Falei brincando.

– Muito bem alteza. – Minha cunhada brincou e veio me abraçar.

Com delicadeza a apertei contra meu abraço e assim seguiu com cada um deles. Esme assim que veio me abraçar, sorriu alegre olhando de mim para Edward.

– Eu estou tão feliz que vocês tenham se acertado. Era tão triste ver meu filho de um lado para o outro deprimido em casa.

– Mãe. – Edward parecia um garotinho passando vergonha quando a mãe fala algo mais que o necessário.

– Você quer dizer um porre. – Emmett disse revoltado.

– Emmett, mas repeito com seu irmão.

Ele deu de ombros e voltou a abraçar Roselie.

– Desculpe por isso, filho.

Edward revirou os olhos ao meu lado, contudo logo sorriu para sua mãe.

Assim que Esme deu dois passos para trás, senti um pequeno corpo se agarrando em mim.

– Aii Bellinha que saudades. – Alice disse chorosa. – Nunca mais perde a memória, você fica chata sem ela.

– Alice! — Esme mais uma vez repreendeu um dos seus filhos. — O que eu errei na educação desses meus filhos?

– Nada, nos criou perfeitamente bem.

– Está tudo bem Esme, eu passo pela mesma coisa. — Disse olhando para ela por cima de Alice.

– E eu. — Claire suspirou cansada.

– Acho que todas as mães passam por isso. – Didyme comentou apoiando a cabeça no peito de Marcus.

Só mesmo nós as mães entendemos os filhos.

– Aii credo, que horror vocês falando assim. Até parece que somos pestes. – Nessie interveio ao favor dos filhos.

– Não se esqueçam dos pais também. — Carlisle entrou na brincadeira.

Marcus e David balançaram a cabeça confirmando.

– Já até pensei em mandar pra adoção esse garoto. – David olhou entediado para o filho.

– O que?

– Também concordo. – Edward falou chamando a atenção de todos. — Ser pai dessa menina enquanto está fora nos deixa malucos, Bella.

Com essa eu tive que rir assim como todos.

– Credo paizinho, não sou esse monstro.

– Claro que não é pior que um.

Nessie deu de língua e foi procurar um abrigo em Jacob. Para ele dei um leve acenar com a cabeça recebendo o mesmo de volta.

Olhei para a baixinha que ainda me abraçava, será que ela não cansava não? Por que eu sim!

– Alice? — Chamei-a.

– Hum? — Murmurou sem me soltar.

– Você não acha que já chega?

– De jeito nenhum.

– Alice! — Agora quem chamou-a foi Jasper, mas a baixinha não estava disposta a responder, simplesmente o ignorou.

– Ok, fique a vontade em passar a eternidade agarrada em mim.

– Obrigada. — Ela teve a cara de pau de agradecer ainda.

Revirei os olhos.

– Então se vai continuar me abraçando vou pedir um abraço grupal com Roselie, já que não há outro jeito.

Olhei para Roselie que arqueou uma sobrancelha levemente espantada com a minha sugestão. Estiquei um braço para que ela viesse até nós.

Alice deu um espaço e encarou Roselie.

– Isso Rose, venha dar um abraço de irmãs. – Disse empolgada.

O sorriso da loira foi pequeno, mas verdadeiro quando mostrou que estava feliz e emocionada com o convite.

Sem pensar muito, ela correu em sua velocidade vampira.

Ela nos abraçou com vontade. Pode ser estranho para alguns, afinal não é todo dia que se vê vampiros pacíficos.

– Ao contrário de Alice te achei legal mesmo sem memória.

– Pelo visto tem alguém aqui que gosta de mim independente de como sou. – Falei fingindo estar magoada.

– Ai nem vem Bellinha.

– Ok, acho que vocês podem largar minha vampira agora. — Edward disse evidentemente mal humorado por não receber a atenção que gostaria. – Emmett e Jasper controlem suas mulheres.

Senti Alice sendo afastada por Jasper assim que ele chegou do seu lado.

– Venha meu amor, depois você pode ficar com a Bella. Acredito que ela tem muito para nos falar.

Sorri agradecida o encarando. Era exatamente o que eu queria. Tinha muito o que falar, mas se Alice não desgrudasse de mim seria difícil.

Jasper se aproximou e deu um pequeno beijo no meu rosto enquanto envolvia o braço em volta da cintura da sua companheira.

– Mais uma vez seja bem vinda de volta. — Ele sussurrou tirando Alice com o enorme bico de mim.

Para Rose não precisei dizer nada. Ela mesma se afastou me mandando um sorriso antes de voltar ao lado de Emmett.

Mal Rose se afastou que Edward já estava me abraçando por trás. Ele depositou um beijo em meus cabelos e respirou profundamente inalando meu cheiro.

– Senti tantas saudades. Por favor, prometa que não vai sumir assim de novo. — implorou.

Me afastei e fiquei nas pontas dos pés para dar um breve beijo nele.

– Prometo que vou avisar quando for sumir de novo.

Ele suspirou derrotado.

– Não vou conseguir te fazer mudar de ideia.

Balancei a cabeça negando. Ele abriu aquele sorriso torto e envolveu seus braços na minha cintura.

– Ainda bem que sou persistente. – Nós dois rimos um olhando para o outro. Eu com certeza era outra pessoa quando ficava do lado de Edward. Me tornava mais viva, mais feliz e mais amada.

– Bella. – Claire me chamou. Virei o rosto para fita-la. – Como recuperou a memória?

David sorriu zombeteiro para mim enquanto abraçava Claire por trás e depositava um beijo sobre seu ombro.

“Essa eu quero ouvir” ele me mandou por pensamentos.

Trinquei os dentes imperceptivelmente em desagrado. Era fato que eu estava enrolando para chegar no tão esperado momento. Sei que de inicio todos se surpreenderiam quando vissem Vanessa, mas não era isso que eu temia. Eu sabia que todos ali a aceitariam de braços abertos. Todos menos... Nessie. Era ela quem me preocupava.

Mas não dava para adiar mais, cedo ou tarde isso aconteceria. E se for necessário deixarei claro para todos e principalmente para Nessie que Vanessa faria parte dessa família.

– Então depois que sumi com Laurent descobri o paradeiro de James e fui até lá.

Edward arregalou os olhos e começou a vasculhar algum indicio de machucado. Revirei os olhos era a segunda vez que ele fazia isso depois de tantos anos.

– Edward eu estou bem.

Ele ergueu o olhar para me observar.

– Você lutou contra ele?

– Não. Eu não posso lutar contra ele e deixar que seu exercito fuja. Se eu matar James é capaz de outro assumir seu lugar e não queremos isso, certo?

Meu lindo vampiro assentiu com a cabeça.

– Então o que aconteceu?

Olhei para todos a minha volta e ao observar Dydime ela já sabia o que tinha acontecido, na verdade acho que todos ali sabiam, pois foi a discussão principal do assunto nos ultimas semanas, mas ninguém ousaria colocar o assunto sem antes de eu contar o que aconteceu.

– Eu não fui lá atrás de James e sim da Vanessa.

Apesar de desconfiarem todos arregalaram os olhos surpresos e assustados.

– O que? Que papo é esse? Ela te machucou de novo? – Nessie que começou a dizer indignada terminou a frase irada.

É acho que nem todos desconfiavam da verdade.

– Não Nessie, você está enganada. Ela não me machucou e nem vai me machucar.

– Quer dizer que deu um fim na gêmea do mal? – Seus olhos brilharam esperançosos.

Travei o maxilar no mesmo instante. Retorci a cara controlando a fúria que estava sentindo.

Essa é a primeira vez que me decepciono com Nessie, nunca imaginei que ela poderia ser tão... tão... Argh! Eu estava furiosa com a minha filha. Ninguém vai maltratar Vanessa na minha frente, muito menos Nessie.

Na próxima vez que ela dizer algo assim da própria irmã, vou deixar bem claro que quem manda aqui sou eu. E além de mandar sou sua mãe!

Eu estava prestes a responder Nessie do jeito que ela merecia. Eu não deixaria que sua parte mimada fosse malcriada até esse ponto, mas quando eu estava abrindo a boca para respondê-la para minha surpresa assim que ergui o olhar vi Vanessa aparecendo pela porta da frente da casa.

Ela tentava se manter firme se mostrando forte com o queixo erguido. Minha filha estava maravilhosa, não baixando a cabeça, contudo eu sabia que ela tremia e estava assustada por dentro.

Senti Edward me fitando até um dado momento e assim seguiu seu olhar para onde eu fitava. Suas mãos apertaram fortes contra minha cintura assim que chegaram no seu destino.

Ninguém disse uma palavra. O silêncio era mortal o único barulho que se ouvia era do vento contra a folhagem.

Nessie que até então estava me observando e justamente estava de costas para a entrada da casa se virou de vagar até paralisar no lugar olhando para Vanessa.

As duas se encaravam uma de frente para outra. Eu não conseguia ver as expressões do rosto de Nessie, mas aposto que ela não estava se intimidando nenhum pouco com a presença da sua irmã.

Era mesmo surpreendente as duas serem idênticas o mesmo tamanho e tal, havia pouco detalhes de diferença como as feições de Vanessa era levemente mais velhas que de Nessie, ela devia ter se transformado 1 ou 2 anos depois. Os cabelos de Nessie eram bem maiores e mais ondulados, mas são detalhes que não a tornavam menos diferentes.

– O que faz aqui? – A primeira a quebrar o silêncio foi Nessie.

– Nossa mãe me salvou de uns vampiros que tentaram me matar, nós conversamos...

– Nossa mãe? – Nessie riu em desgosto. – Você não pensou nisso quando tentou mata-la.

– Eu não... Eu... – Vanessa que estava se mostrando forte. Começou a decair um pouco. Ela tentou sim, mas ainda não estava pronta para enfrentar a vida sozinha.

– Ela não fez isso por mal. Vanessa foi manipulada Nessie, assim como todos nós já fomos uma vez manipulados por James.

Nessie virou de lado para me encarar. Suas feições mostravam o quanto ela estava irritada e contrariada com a situação toda.

– E você vai deixar se enganar assim? Se eu me lembro não foi James que levantou um dedo para te matar. – Ela apontou o dedo para Vanessa. – O que aconteceu? Você era mais racional antes. Ela por um acaso apagou sua memória de novo?

Mordi o lábio antes de dizer uma grosseria.

– Olha, eu realmente entendo que não está sendo fácil para você Nessie, mas vamos parar com essa cena que está fazendo e começar a agir como adultas. Ninguém aqui é mais criança há muito tempo pra fazer birra.

Minha filha me encarou com os olhos arregalados com a verdade nua e crua que acabei de jogar para cima de si. Poucas vezes usei esse tom de voz com ela, mas Nessie estava passando dos limites.

– Mamãe o que está acontecendo? Por que está falando assim?

Estreitei os olhos.

– Por que eu estou falando assim? Você está se ouvindo? Tudo o que está dizendo? Você está ferindo sua irmã. Suas palavras estão sendo cruéis demais até mesmo para você Nessie. E que fique claro para você e para todos aqui. – Minha filha não estava mesmo medindo suas palavras, eu temia que o que ela continuasse a falar para Vanessa destruísse todo o progresso que tive até aqui para fazê-la confiar em mim. Doía em mim ao ver como estava sendo fria demais, mas eu precisava ensinar minhas filhas e suas educações eram feitas por mim. – Nem você e nem ninguém irá fazer algum mal para Vanessa.

Disse a última frase séria e a encarando para deixar bem claro que ela não sairia ilesa se tentasse algo.

Claro que doeu ao ver ela dando dois passos para trás apavorada comigo. Eu queria ir até ela abraça-la e pedir desculpas por tudo que eu estava dizendo, mas me mantive no meu lugar, como se sentisse que eu precisasse de um apoio Edward segurou firme minha cintura e com uma das suas mãos segurou uma das minhas.

Segurei sua mão com força contra a minha, eu estava mesmo precisando de sua ajuda para me manter onde estava e não a renegaria.

Nessie ainda me fitava assustada. Jacob tentou se aproximar e colocou a mão sobre seu ombro, mas esse seu simples gesto parece que despertou Nessie de volta para realidade, pois ela deu um leve pulo. Olhando inicialmente para ele e depois passou a olhar todos que estavam na sua frente parando seu olhar em mim.

Suas feições que estavam amedrontadas começaram a se transformar aos poucos, eu não entendi bem o que ela estava sentindo no começo. Claro que tudo seria fácil se eu entrasse na sua mente e descobrisse o que passava na sua mente, mas a questão é que eu não gostava de invadir a privacidade dos outros eu não agia assim, somente com meus inimigos ou em caso que mudaria tudo. Mas eu sabia que seria difícil para todos no começo, porém não algo que afetaria nossos destinos.

Um pequeno rosnado começou a sair pelos lábios de Nessie, os traços do seu rosto mudaram da água para o vinho agora eles estavam demonstrando todo o ódio que estava sentindo com a situação.

Ela tirou a mão de Jacob em cima de si e virou de costas para mim ficando de frente para sua irmã.

– Olha só o que você está causando nessa família. – Nessie falou. – Está destruindo com sua própria presença.

Suas palavras não chocaram só Vanessa, mas a mim. Travei no lugar e abri a boca espantada. Com esse meu estado não consegui parar o que veio a seguir.

Nessie correu em sua alta velocidade e para me deixar mais entorpecida do que estava assim que ficou de frente para Vanessa deu um tapa na cara da própria irmã.

A atmosfera se transformou imediatamente, deixando toda a situação tensa.

Vanessa não reagiu de imediato, mas assim que se deu conta. Encolheu os ombros tremendo e apavorada.

– Por quê? Não bastou tentar mata-la e agora quer roubar o meu lugar? – Percebi que o tom de voz da minha filha mudou quase imperceptivelmente.

Ela foi dar outro tapa na cara da sua irmã, mas sua mão parou no ar. Um rosnado frustrado saiu pelo seus lábios.

– Me solta mamãe. – Ela pediu, porém não era eu quem estava fazendo isso. Meu estado ainda era enérgico.

Então Dionísio apareceu na frente de todos e segurando a mão de Nessie.

– Não ouse encostar mais um dedo sequer na Vanessa. – Ele disse furioso encarando minha filha que estava assustada o encarando.

– Quem é você?

– Solte ela. – Ouvi Jacob gritar ameaçadoramente. Seu corpo começou a tremer sem conseguir controlar se transformou num lobo enorme.

Dionísio estreitou os olhos.

– Controle a sua garota e nada vai acontecer.

– Hey, me solta seu idiota. – Nessie falou indignada tentando se soltar do aperto de Dionísio.

Jacob latiu caminhando lentamente na direção deles.

Finalmente eu comecei a refletir tudo o que estava acontecendo. Pisquei os olhos algumas vezes como se organizasse minha mente e pude agir.

– Já chega. – Gritei chamando a atenção de todos. Me soltei de Edward e dei um passo a frente. – Jacob se controla agora. Não quero brigas aqui. – Olhei séria para Dionísio. – Solte-a agora, Dionísio. Senão eu não responderei por mim.

Ele apertou os lábios antes de solta-la.

– Fique ao lado de Vanessa. – Pedi a ele e abaixei o olhar para Nessie. – O que foi que eu disse sobre fazer algum mal para sua irmã?

Agora sim eu deixei minha raiva transparecer.

– Eu pedi para que se controlasse e o que você fez? Me desobedeceu. – Cuspi as palavras. – Isso não vai se repetir e deixarei claro dessa vez se não entendeu na primeira.

Mal as palavra saíram da minha boca e num piscar de olhos já estava na frente da minha filha.

Ela se sobressaltou assim que deu de cara comigo, mas eu estava possessa. Segurei seu braço com força desnecessária.

– Você vai vir comigo.

– Bella, não. – Vanessa pediu num fio de voz. – Está tudo bem.

– Não, não está nada bem. Olha o que ela fez. – Apontei com a cabeça a sua face onde acabara de levar um tapa. – Não vou permitir isso novamente e nem tente se meter. – Terminei a frese e comecei a arrastar Nessie dali pelo braço.

– O... O que está fazendo? – Ela agora parecia assustada. Bom! – Me solta mamãe.

Ela começou a pegar na minha mão e tentou tira-la do seu braço, mas sua força não era nada comparada com a minha.

– Está me machucando. – Ela choramingou.

– Não estou. Eu estou medindo minha força, não venha com essa agora.

– Para onde está me levando?

– Ah você verá. Eu não me preocuparia para onde vamos e sim o que vai acontecer.

Seus pés começaram a tentar a frear nossa caminhada, mas como eu disse uma vez e repito de novo. Nessie não era forte para mim.

– Mamãe, me solta.

– Quieta.

Para meu desprazer Jacob entrou na nossa frente e rosnou para mim. Será que ele não entendeu da última vez que ele nunca devia se intrometer em relação entre mim e minhas filhas.

– Saia agora da minha frente. – Falei fria.

“Não.” Ele respondeu por pensamentos.

– Saia. – Sibilei.

“Você está a machucando Bella, solte-a. Não está vendo?”

– Não se meta, porque eu não estou afim de lidar com você agora.

“Bella, eu sei que o que ela fez foi errado, mas não precisa ser assim. Olha, vamos nos sentar e nos acalmar e ai resolvemos a situação.”

Bem que eu gostaria que as coisas fossem assim, mas se eu deixasse Nessie escapar dessa agora. Eu sabia que ela iria passar dos limites com sua irmã, e outra ela me enfrentou e me desobedeceu.

– Eu não vou falar de novo.

“Eu não posso deixar que você a machuque.”

Rosnei furiosa.

– Já chega Jacob. Saia dessa família agora. Pegue suas coisas e vá embora hoje mesmo e eu juro que se eu voltar e você estiver aqui ainda você nunca mais verá Nessie novamente.

– O que? Não mamãe. Se acalme, ele só está tentando me proteger.

Suspirei profundamente antes de continuar.

– Então mande-o sair da minha frente, não vou dizer a ele isso mais uma vez.

– Jake, saia. – Nessie pediu. – Vai ficar tudo bem, depois a gente conversa.

Jacob ainda teve ousadia de rosnar baixinho para mim, mas ao observar Nessie deu um passo para trás abaixando as orelhas.

Puxei novamente Nessie e caminhei com ela para longe dali. Caminhamos longos minutos, não sabia se mais para frente teria um campo maior ou um outro local, mas eu ainda estava irritada com o comportamento de Nessie de minutos atrás e durante o caminho vez ou outra ela pedia para gente voltar ou tentava se soltar de mim.

Então desistindo, parei ali no meio da mata e soltei o seu braço.

– Podemos ir? – Ela perguntou esperançosa.

Virei o corpo todo ficando de frente para ela.

– Qual é a porra do seu problema? – Questionei brava.

– Qual o meu problema? Qual o seu problema? Você trouxe ela para viver com a gente e acha que podemos simplesmente apagar o que aconteceu no passado e viver uma família feliz?

– Sim, é o que eu penso e é como vai ser. Vanessa sofreu muito acreditando na mentira de James, eu sofri muito por causa das mentiras dele e agora que eu tenho ela de volta não vou abandona-la.

– Você acha que ela quer mesmo fazer parte da nossa família? Você não vê, tudo que ela fez pelo James e agora acredita que de uma hora para outra ela vai mudar?

– Você não conhece a história dela. Não faz ideia do quanto James a manipulou e ainda assim ele não transformou minha filha num monstro que você está pensando.

– Sua filha? Como você consegue chamar aquela bastarda de filha depois que ela tentou te matar?

O modo como Nessie desrespeitou e desprezou sua irmã me fizeram enxergar vermelho. Eu já estava brava com ela, mas depois disso. Eu fiquei puta da vida.

Seria a primeira vez que eu faria isso e espero que a ultima, mas já me cansei da maldade de Nessie.

– Ajoelhe-se.

– O que?

– Eu mandei você ajoelhar. – Gritei.

Eu ouvi ela engolir em seco.

– Por quê? Eu não quero.

– Agora. – Mandei. Contra gosto, mas o medo falando mais alto Nessie se ajoelhou. – Agora se apoie nas mãos.

– Por que está fazendo isso?

Me ajoelhei ao seu lado enquanto ela estava de quatro. Seus cabelos encostavam no chão forrado pelo musgo e folhagem das árvores enquanto ela mantinha a cabeça para baixo.

– Por que eu nunca te eduquei direito, está na hora de você aprender a me respeitar. Posso ter demorado para agir assim, mas nunca é tarde para educar um filho. – Dito essas palavras levantei a mão e dei o primeiro tapa na sua bunda.

Sim, eu exagerei na força para que ela sentisse dor, mas nenhum grito saiu pela sua boca.

– Quero que peça desculpas para mim e por tudo que fez e aprontou.

Vi sua cabeça balançando de um lado para o outro negando. Bati mais três vezes.

– Você vai me pedir desculpas por ter me desrespeitado.

– Desculpa. – Ela sussurrou baixinho.

– E vai pedir desculpas a sua irmã?

– Nunca.

Mordi a língua irritada e comecei a bater nela de novo. Doía muito em mim fazendo isso, mas Nessie estava sendo teimosa. Ela tinha que parar com isso.

Vez ou outra um gemido escapava dos seus lábios.

– Vamos Nessie acaba logo com isso. Você só precisa pedir desculpas. – Enquanto eu falava eu batia na sua bunda.

A cada tapa que eu dava nela, era como se eu desse um tapa em mim. A cada dor que ela sentia era uma culpa a mais caindo sobre meus braços. Porém eu precisava ser forte e me deixaria levar pelos sentimentos depois.

Ela se segurou só mais uma vez, mas logo se rendeu.

– Me desculpe. – Parei de bater no mesmo instante. – Me desculpe por tudo que fiz a Vanessa. Eu prometo que vou pedir desculpas a ela e não se repetira. Mas por favor, para de me bater.

Era só isso que eu precisava. No mesmo instante eu parei.

Ver minha filha encolhida daquela maneira partiu meu coração. Assim que me sentei no chão, puxei-a para meu colo.

– Me solta. – Ela pediu tentando se afastar. – Eu te odeio. – Gritou enquanto dava pequenos socos em mim.

– Não, não odeia. Você me ama, assim como eu amo você. – Sussurrei a apertando mais contra mim e a aninhando no meu colo.

Suas mãos logo deixaram de me bater e assim se agarraram na minha blusa. Procurando um porto seguro.

– Shiii, já passou. Está tudo bem agora. Já passou meu anjo, já passou. – Sussurrava no seu ouvido e assim ficamos por longo tempo.

POV EDWARD

Eu podia estar mais feliz? É claro que não, minha amada recuperou suas memórias e é toda minha. E agora ela estava mais feliz do que nunca por ter reencontrado a filha e ter conquistado a confiança dela.

Só que eu não esperava a reação exagerada de Nessie como fez hoje, de fato não chocou só a mim como a todos da família. Eu nem queria imaginar o que deve ter acontecido com ela, faz um bom tempo que Bella saiu arrastando Nessie daqui e pelo seu estado as coisas não se resolveriam com tanta facilidade.

Tive vontade de ir atrás delas, mas era um assunto entre mãe e filha, não poderia me intrometer assim, então resolvi entrar na casa junto com os outros.

Quando pude finalmente respirar um pensamento extremamente inconveniente atingiu minha mente. Estava furioso, contrariado e angustiado. Dei um suspiro de alivio quando Jasper controlou minhas emoções me fazendo pensar mais racionalmente. Quis varias vezes tirar satisfação com esse Dionísio, seus pensamentos volta e meia eram direcionados para Bella. Toda sua preocupação e carinho com ela deixava claro o que ele sentia.

Quando voltei da cozinha acompanhado de David depois de uma grande refeição sua, não consegui evitar de olhar o vampiro.

Confesso que ele me trouxe insegurança. Afinal Dionísio não era aparentava ser um simples vampiro. Sua transformação foi na sua idade já adulta e sua compostura demonstrava o quanto era um homem sério. Um homem cuja honra seria o lugar certo ao lado de Bella.

Olhei brevemente para mim no espelho e vi o garoto antes da minha transformação. Tinha apenas 17 anos, apesar que depois do que me transformei aparentava ter anos a mais, mas ainda sim um moleque perto de Dionísio. Um garoto de cabelos acobreados e magro. Alto sim, no entanto do que adiantaria?

Pela primeira vez na eternidade senti vergonha da minha aparência. Não era digna a belíssima escultura da minha Bella.

Eu sabia que também tinha muito que crescer. Um vampiro ao lado de Bella não poderia ser um garoto e sim um homem.

Olhei meus olhos no reflexo do espelho e dali tive uma certeza. Tinha muito o que aprender e mudar muitas coisas, porém Bella me escolheu para passar a eternidade ao seu lado e eu mostraria merecedor dessa chance que deu para mim.

Não a desapontaria e não a magoaria. Meu caráter e minhas atitudes diria muito mais do que minha aparência. Estava na hora de mudar e poderia levar anos ou décadas porque não era idiota de saber que eu não mudaria de uma hora para outra, no entanto com toda a certeza uma hora eu mudaria.

O primeiro passo era não me meter com Dionísio, tirar satisfação e nada do tipo. Nem tinha o porquê Bella não o queria. Ele não iria ser uma ameaça, pois Bella me amava assim como eu a amava. E óbvio que também porque brigar com ele seria uma infantilidade minha. Se eu quero mudar, não será tomando essas atitudes que vou dar um passo para frente.

Olhei para frente novamente onde eu conseguia ver Dionísio em pé ao lado de Vanessa que não conversou com ninguém até agora. Aliais, ninguém trocou quase meia dúzia de palavras desde o saída de Bella. O que era assustador, pois Alice não conseguia ficar de boca fechada, porém estranhamente ela não abria a boca para nada.

Na verdade tem algo que eu queria muito fazer desde que eu cheguei e a ideia de realiza-la me fez esquecer por completo Dionísio e me focar no que queria.

Não era por obrigação o que queria fazer, mas sim por necessidade.

Aos passos firmes caminhei em direção a Vanessa. O olhar de Dionísio caiu imediatamente sobre mim assim que me aproximava deles. Sua postura mudou ficando rígido e o semblante ficando sério.

Sustentei seu olhar até ficar de frente para eles para assim abaixar o olhar e poder encarar os olhos arregalados de Vanessa.

Eu não consegui evitar um sorriso. Era realmente idêntica a Nessie, mas com um ar mais inocente.

– Não tive a oportunidade de me apresentar formalmente, me perdoa por isso. – Dei um sorriso sem graça. – Prazer, meu nome é Edward Cullen. – Falei estendendo a mão para ela.

Ela fitou minha mão e depois para mim. Indecisa se devia ou não aceita-la, Vanessa olhou para Dionísio como um pedido de ajuda. Nada saiu da boca do vampiro, contudo ele fez um leve acenar de cabeça surpreendendo a mim, pensei que talvez ele não me quisesse por perto.

Vanessa voltou sua atenção para mim e em duvida estendeu vagarosamente a mão aceitando-a.

– Vanessa Dwyer. – Reprimi a careta que tive vontade de fazer. Esse não era o sobrenome da Bella.

– Muito prazer Vanessa. – Logo cortei o contato das nossas mãos e sorri para ela. – Tudo está um grande silêncio por aqui, não acha?

– Talvez porque eu esteja causando isso. – Ela respondeu abaixando a cabeça.

– Não acredito que seja isso. – Eu gostaria de causar uma boa impressão para Vanessa, queria que ela visse como eu e todos nós éramos. E não se sentisse acuada com a nossa presença. – Acho que é porque nenhum de nós pudemos nos apresentar. Como podemos nos conhecer se nem ao menos mostramos a você quem somos.

Ela ergueu a cabeça um pouco surpresa.

Agachei para ficar na sua altura.

– Você gostaria de conhecer um pouco melhor cada um de nós? Porque você não tem ideia de como gostaríamos de conhecer você.

– Talvez, eu não sei... Talvez seja melhor a gente esperar Bella voltar.

– Mas assim vou ficar muito entediado, Bella pode demorar ou não. Só que eu gostaria muito de conhecer você melhor.

– Por quê? – Intrigou franzindo o cenho.

– E não é simples? – Ergui as duas sobrancelhas para logo dar um sorriso torto. – Somos uma família Vanessa, nada melhor que uns apoiar aos outros quando mais precisamos. – Falei exatamente o que queria dizer a ela.

Seus olhos logo surgiram enormes brilhos neles e ali eu vi uma pontada de esperança surgindo.

– Você vai gostar da gente, tenho certeza disso. – Abri um sorriso largo. – Que tal fazermos o seguinte. Te ajudo apresentando cada um da família enquanto falo o que puder sobre nós, você pode falar algo sobre você quando quiser que tal?

– Eu não sei.

– Vamos lá, você vai achar legal essa família louca que temos. – Fiquei de pé e estendi minha mão torcendo para que ela pegasse. – Loucos sim, mas que amamos um ao outro verdadeiramente.

Seus olhos abaixaram e um pequeno suspiro saiu dos seus lábios antes de se levantar e aceitar minha mão.

– Está bem. Eu posso fazer isso. – Acredito que ela tenha dito mais para si mesmo do que para mim.

– Isso, exatamente! Você pode. – Incentivei-a.

– Vou começar por mim, como você já sabe o meu nome. O que posso dizer sobre mim é que amo minha família e isso inclui você. Posso ler a mente de todos. – Pude ouvir que no mesmo instante que falei isso os pensamentos de Dionísio se agitaram, mas logo foram se acalmando. – Só não consigo ler a mente dos vampiros que Bella protege. Isso diz a sua também.

– Um leitor de mentes? – Perguntou maravilhada.

Sorri contente com seu entusiasmo e assenti com a cabeça.

– Isso parece ser bom ou não dependendo da situação. – Respondeu.

– Você nem imagina. – Bufei.

Certo já me apresentei e agora?

Olhei em volta vendo por onde começaria e acredito que o melhor seria sua família mais próxima.

– Bom, você já conhece seu tio David então nem vou apresentar ele pra você. – Falei passando direto por ele. – Também não há nada de bom para falar dele.

– Como não? Só por ser o mais lindo daqui rende muito assunto. – David falou atrás de mim.

Revirei os olhos.

– Não mais lindo que eu. – Nate seu filho falou assim que parei na sua frente.

– Tal pai, tal filho. Vanessa esse é seu primo Nate.

– Olá, adorável bela dama. – Mais uma vez Nate jogou seu charme. Era só o jeito dele, ele encontrou em Leah sua companheira pela eternidade e nada mudaria isso, mas pelo visto não vai mudar seu jeito de ser tão cedo.

Ele soltou a minha mão de Vanessa e depositou um beijo ali. Vanessa assustada tirou rapidamente sua mão da dele.

– Assim você parte o coração desse pobre jovem. – Nate dramatizou colocando a mão no coração.

– E também vai gerar uma boa surra de Leah no seu primo. – Provoquei-o.

Imediatamente o lobo fechou a cara.

– Hey, você sabe que só tenho olhos para minha loba. Então fica na sua. – Ele disse sério, mas acabou caindo na risada. – Desculpe Vanessa, bom agora você sabe que tem um primo lindo e que vai te ensinar a entrar em todas as confusões dentro dessa família.

Pela primeira vez a vampira ao meu lado deixou um risinho baixo escapar dos seus lábios. Não contive o sorriso de contentamento.

– Deixa esse garoto de lado e vamos para as pessoas mais legais. – Avancei dois passos ficando de frente para Claire. – Essa é sua tia Claire, esposa de David. E com certeza vai te salvar das loucuras do seu primo.

– Pode ter certeza. – Os olhos verdes de Claire transmitia sua felicidade. – Não deixarei que esse garoto apronte nada. Como sua mãe é uma segunda mãe para ele, eu também sou como uma segunda mãe para você se assim permitir.

Vanessa abriu um pequeno sorriso maravilhada.

– Muito obrigada. Mas acho que não vai ter problemas com isso. Não gosto de me meter em bagunça, porém seria divertido se a senhora me repreender em alguma confusão que me meter.

Claire a abraçou fortemente e apoiou a cabeça por longos segundos antes de afastar a sobrinha com os olhos cheio de lágrimas.

– O próximo é seu tio avô Marcus Volturi. – Falei olhando para um dos reis do nosso mundo. Não tinha muito o que falar sobre ele, mas também não podia passar em branco, então falei o que achei necessário. – Ele é um vampiro muito sábio e um ótimo conselheiro. Seu dom pode identificar a intensidade do relacionamento de qualquer ser vivo racional.

– Seja bem vinda a família. – Ele apenas falou isso.

Fomos para a próxima e nesse instante percebi Vanessa estacar no lugar e não emitir nenhum movimento.

Não só eu como todos aqui sabiam o motivo para ela se sentir assim. Não é fácil ver uma vampira que é na realidade sua tia avó e ela ter sido enganada esse tempo todo dizendo a ela que a vampira na sua frente era uma escrava.

– Didyme. – Seus lábios quase não se moveram e seus olhos demonstravam toda a culpa que estava sentindo.

– Oh minha querida não fique assim. – Didyme falou andando até ela e a abraçando contra o seu peito.

– Me desculpe. Eu nunca imaginei. Nunca me contaram. – Ela disse sufocada. – Eu devia ter descoberto isso a tanto tempo atrás, nem mesmo desconfiei de nada. Eu sinto tanto.

Era nítido a dor que ela sentia pelo seu tom de voz. Não era apenas sofrido era também agonizante de se ouvir.

– Está tudo bem querida, você não teve culpa de nada, não a nada ao que se perdoar. Tudo ficará bem. Você está conosco agora, sua família. – Didyme falou emocionada.

Dito essas palavras elas se fecharam na sua própria bolha se isolando de tudo a suas voltas por breve minutos.

Teria mais alguns para apresentar a ela, mas tenho certeza que todos se encantariam com ela, assim como ela se encantaria com eles.

[...]

Tudo tinha fluido naturalmente depois que todos se apresentaram, mas alguém que achei engraçado a reação foi do Jacob. Ele olhava de forma estranha para Vanessa e se questionava sobre o imprinting o tempo todo.

Ficava se perguntando mentalmente: “Como elas podem ser tão parecidas e meu coração apenas amar Nessie sem nem sentir nenhuma reação diferente ao olhar para sua irmã igualmente a si.”

Ele antes de cumprimentar ficava olhando pensativo.

Agora Vanessa entrava em uma conversa eufórica de Alice. Minto, entrava no monólogo de Alice, pois Vanessa não abria ou melhor não tinha tempo de abrir a boca antes da minha irmã começar a falar novamente.

Até tentei salvá-la uma ou outra vez, mas quem disse que funcionou. Minha irmã estava mais agitada que de costume.

Olhei para o lado e fitei descontraidamente Dionísio. Meu pai e Marcus conversavam com ele e o mesmo poucas vezes abria a boca para dizer algo. Contudo seu olhar caia sobre Vanessa constantemente verificando se ela estava bem ou confortável com a situação.

Voltei a olhar para cima, estava com saudades da minha Bella. Quanto tempo mais ela demoraria para voltar? Já tinha se passado horas e nenhum sinal das duas.

Por um milagre como se algo ouvisse meu desespero e aflição no instante seguinte escutei seus passos se aproximando.

O alivio e a alegria vieram de imediato. Me levantei do degrau da escada e fiquei olhando para frente esperando ela aparecer. A porta estava aberta então vi sua silhueta de longe e assim não pude evitar meu sorriso que instantaneamente foi correspondido.

Queria correr desesperadamente até ela, mas não precisava ficar desesperado ela já estava aqui.

Quando as duas passaram pela porta, Nessie passou reto com um semblante calmo e Bella veio diretamente na minha direção. Não pude deixar de notar como suas roupas estavam sujas. A curiosidade bateu na porta, mas a mandei longe, nesse momento a única coisa que importava é que Bella estava na minha frente.

Dei um sorriso torto e envolvi meus braços em sua cintura.

Seus olhos se fixaram na minha boca e ela também abriu um pequeno e singelo sorriso deixando linda como sempre.

– Fico feliz que chegou.

– E eu que tenha voltado. – Respondeu de volta.

– Me desculpe pelo que aconteceu hoje mais cedo. Não irá mais se repetir. – Ao ouvir a voz de Nessie dizendo essas palavras atraiu imediatamente meu olhar na sua direção.

Ela estava em frente a Vanessa que a olhava assustada. Franzi o cenho essa filha da Bella sempre estava assustada.

Nessie por sua vez parecia calma demais, tranquila mais que o habitual como se fosse nada demais o que aconteceu já hoje, mas percebi que nem tudo estava bem assim. Percebi quando ela sorriu para sua irmã.

Um sorriso forçado, mas levemente discreto quase imperceptível que alguém que possa desconfiar. Pelo visto nem tudo foi aceito tão fácil e também era fato que Nessie só estava fazendo isso por Bella ou porque a mesma pediu.

Vanessa foi abrir a boca para falar algo, mas nesse instante Nessie deu as costas para ela e saiu andando até Jacob, deixando claro que não queria ouvi-la.

Escutei um suspirei pesado ao meu lado.

– Está tudo bem? – Sussurrei próximo ao seu ouvido.

– Não, mas vai ficar. – Senti suas palavras saírem arrastadas. Eu sabia que não era fácil para ver que suas duas filhas não estavam se dando bem. Eu queria poder fazer alguma coisa para ajudar ou qualquer coisa para tirar esse peso dos seus ombros.

– Se quiser posso colocar Nessie de castigo. – Sugeri para quebrar um pouco o clima.

Seu riso breve escapou pelos lábios.

– É muito tentador sua oferta ainda mais que não será de mim que ela vai pegar birra. – Vi ela tentando me provocar e conseguiu porque eu fiz uma careta só de pensar no que Nessie faria por ficar brava comigo.

Estremeci levemente contra Bella.

– Não se preocupe com isso. Com o tempo Nessie vai se acostumar e vai enxergar as coisas diferentes mais cedo ou mais tarde.

– Claro que vai. Tendo uma família encantadora e maravilhosa como a nossa é impossível haver conflitos por tanto tempo.

– Gosto como isso soa. – Ela murmurou consigo. – Nossa família...

– E gosto como isso sai da sua boca. – Dizendo isso selei nossos lábios mais uma vez.