A Primeira Eterna
30 Cuidando de você
Notas iniciais
POV BELLA
Eu amo Edward Cullen.
No começo fiquei assustada, eu amava ele e só agora que eu percebi, como fui idiota estava tudo ali debaixo do meu nariz, todas as minhas reações eram prova disso. Eu sabia identificar quando alguém é apaixonado ou se apaixona assim como aconteceu com Nessie, mas eu própria não consegui enxergar isso.
PQP! Eu o amo.
Foi inevitável não sorrir com essa constatação. Uma felicidade tomou conta de mim se eu pudesse sairia gritando para todos que eu o amava, mas não faria isso. Não agora, pois o primeiro a ouvir isso de minha boca seria Edward.
O melhor de tudo é que ele me ama, esse sentimento é recíproco. Finalmente depois de mais de três mil anos eu finalmente encontrei um amor, o meu companheiro. Eu não costumo usar essa expressão, mas “Meu Deus”. Parece um pouco surreal esse novo sentimento, só que isso acarretaria muitas coisas como, por exemplo, tenho que contar sobre mim, eu confio plenamente nele para dizer quem eu sou, no entanto seu eu for contar a ele terei que contar a todos da sua família, vou pensar nisso com calma nesses dias e resolver o que tenho de resolver.
O que importa agora é que eu acabei de descobrir que o amava e lutaria com unhas e dentes por esse amor.
Agora eu tinha coisas mais importantes a fazer.
Fechei os olhos.
“Nessie os Cullen estão confusos pode explicar a eles tudo?” pensei.
“Claro mamãe. Tomarei conta do lobisomem enquanto você estiver ocupada... A propósito quero estar de camarote assistindo quando você trucidar Tanya.”
Eu ri e balancei a cabeça.
Peguei o celular que deixei em cima do criado mudo e mandei uma mensagem para Garrett. Eu precisava dar notícias e principalmente saber o que foi tudo isso.
Está tudo bem, depois te ligo.
Deitei-me ao lado de Edward e fiquei encarando seu rosto belo e sereno. Sua respiração estava tranquila, o corpo completamente relaxado e assim ficaria entre dois a três dias e eu, bem eu ficaria o tempo todo ao seu lado cumpriria minha promessa de cuidar dele.
Aproveitei e fechei meus olhos apreciando o momento de ficar ao seu lado. Não sei se passou minutos ou horas, mas escutei uma certa movimentação lá embaixo.
– Você vai deixar aquele lobisomem vivo? – Ouvi a voz de Irina sair mais alto que o normal.
Eu tinha me desligado da conversa lá de baixo desde o momento que eu entrei no quarto, porém a voz da Irina chamou minha atenção.
– Claro, precisamos de respostas. – Nessie falou.
– E se ele fugir? E se ele tentar algo?
– Por isso as correntes e outra ele não ficará consciente enquanto minha mãe não cuidar dele.
– Nessie está certa precisamos de informações. – Jasper concordou.
– E quando é que Isabella vai sair daquele quarto para cuidar disso? – Irina inquiriu.
– Irina, Bella só disse que vai sair daquele quarto quando o Edward acordar. – Carlisle falou.
– Como se ela se importasse com ele.
Ouvi alguém bufar.
– Mais ela se importa. – Quem disse foi Alice.
Isso me chamou a atenção. Será que Alice sabia o tempo todo o que eu sentia? Mais é claro que sim. Por isso todas aquelas indiretas que ela tem feito ao longo dos dias.
Um silêncio se predominou na sala por uns instantes até Nessie quebrá-lo.
– Alice você não conseguiu prever o ataque dos lobisomens?
– Não. Pelo visto eles interferem minha visão igual aos lobos daqui.
Tenho certeza que ela estava revoltada com isso.
– Ih nanica, a bola de cristal tem dado interferência? – Emmett disse rindo.
– Não enche.
– Filhos, por favor, se comportem. – Pediu Carlisle.
– Eu achei que os lobisomens estivessem extintos. – Comentou Eleazar.
– Eu nunca vi um lobisomem. – Disse Carmem.
– Na verdade nenhum de nós vimos até hoje. – Ponderou Carlisle.
– Com exceção de mim e da minha mãe. – Nessie murmurou.
Todos ficaram em silêncio provavelmente encarando Nessie.
– Como? – Quem perguntou foi Eleazar.
– Hum que tal uma historinha? – Sua voz soou empolgada.
– Que história?
– Cullen vocês lembram aquele dia que mamãe contou a vocês sobre os lobisomens e narrou à história dos Volturis dizimarem os lobisomens porque estavam nos expondo e matando vilarejos inteiros.
– Os lobisomens foram extintos há mais de oito séculos, certo?
– Exato! E durante a matança desses lobisomens inconsequentes eu e mamãe participamos. Bom, não diretamente mamãe ficou encarregada de vigiar se os guardas dos Volturis estavam cumprindo com seus deveres, e eu sempre a acompanhava. Sabe como é que é né, eu não gosto de ficar parada e essa época foi muito agitada para que eu ficasse entediada presa dentro de casa já que eu podia me divertir. – Nesses contando fazia-me relembrar aquela época. – Um dia quando mamãe pediu para que eu ficasse porque estavam tendo um problema com uma matilha enorme de lobisomens. Eu simplesmente não a escutei.
Ouvi-a suspirar longamente.
– Isso é... – Carlisle começou a dizer mais se calou.
– Sim, o local onde mamãe mordeu para tirar o veneno do lobisomem do meu corpo.
Nessie devia estar mostrando a mordida que dei para curá-la do lobisomem.
– Eu não queria ficar em casa, então assim que ela saiu. Eu com vontade de fazer algo sai da cidade e fui em direção aos vilarejos vizinhos. Eu estava sozinha quando senti o cheiro de lobisomens e foi assim que eles me alcançaram eu consegui acabar com alguns deles enquanto eu fugia, mas mesmo para mim eu não tinha força para matar todos então eu fui mordida. – Ofegares ecoou pela sala. – Mais eles só não conseguiram me esquartejar em pedacinhos porque mamãe chegou a tempo e me salvou.
– Sorte que ela podia te salvar. – Esme comentou.
Nessie soltou um risinho fraco.
– Ai que está, na época minha mãe não sabia que isso era possível. A minha sorte ou nem tanto é que eu só tinha levado uma mordida que não era grande, mas ainda sim era veneno de lobisomem. Foram às horas mais agonizantes que eu passei só que eu acho que a única pessoa que sofreu mais que eu foi a mamãe. – Senti meu peito doer ao lembrar. – Ela passou o tempo todo tentando arranjar um jeito de me salvar tanto que surtou por não conseguir nenhuma resposta, eu não estava consciente de nada a não ser na dor, mas aqueles que a acompanharam o tempo todo me contaram que depois que avisaram a ela que não tinha mais jeito. Ela ficou irracional, não sei se isso foi o motivo que ela fez o que fez, mas só depois disso que aconteceu ela simplesmente me mordeu.
Eu me lembro eu também nem sei o motivo de ter feito o que fiz, na verdade nem estava pensando racionalmente como minha filha disse. Eu só devo ter agido por instinto ou então queria ingerir o veneno do lobisomem para morrer junto com ela, como disse não sei o que se passou por minha cabeça, mas foi a melhor coisa que já fiz na minha existência.
– As pessoas tiraram ela de cima de mim, porque acharam que ela tinha enlouquecido, se isso é possível para um vampiro. – Nessie riu. – Mais então, eis o milagre que aconteceu, minha respiração aos pouco começou a se suavizar e agora estou aqui.
O tempo passou e ninguém disse nada absorvendo a história da minha filha. Provavelmente surpresos, para mim essa é uma história de terror descobri da pior maneira possível que meu veneno podia salvar algum vampiro de uma mordida de lobisomem.
– Uau! Que história. – Kate estava impressionada.
– Só ela é capaz disso? – Carlisle perguntou.
– Sim, fizeram alguns testes, mas o veneno de ninguém mais fez efeito. – Ela respondeu.
– Então Bella começou a salvar os vampiros que foram mordidos pelos lobisomens?
Nessie riu.
– Ai Carlisle como se não fosse obvio antes de Edward a única pessoa que ela salvou dos lobisomens foi euzinha aqui.
Conhecendo minha filha tenho certeza que ela estaria apontando para si mesma com um sorrisinho irônico.
– Ela deve gostar mesmo do Edward. – Carmem falou.
Ninguém ousou fazer mais algum comentário sobre isso e eu agradeci mentalmente por isso, não queria ouvir nada sobre o que eles falassem de nós dois, mas seus pensamentos trabalhavam a todo vapor pensando nisso.
Todos suspeitavam que eu estivesse gostando de Edward, e como estava lendo seus pensamentos os únicos que eu vi que tinham certeza era Alice e Jasper.
– Hey pequena Lice, o que você e o Edward estavam fazendo tão longe da sua casa? – Nessie questionou curiosa.
– Nada, estávamos voltando quando sentimos um cheiro fraco e diferente, escutamos barulhos e percebemos que estávamos sendo seguidos por um lobo resolvemos mudar o percurso para não atraí-los até em casa.
– Por que vocês não vieram até nós meu amor, nós teríamos dado um jeito. – Jasper não ficou satisfeito.
– Vocês viram como eles são diferentes, Edward e eu desconfiamos no mesmo instante o que ele era, mas não tínhamos certeza e muito menos íamos colocar alguém em perigo e para piorar Edward não conseguia ler sua mente e eu minhas visões. – Disse Alice.
– Os lobisomens são imunes ao dom do Edward também? – Se preocupou Jasper.
– Não sei, talvez não. Lembra que Bella tinha comentado que quando transformados eles agem apenas por instintos isso deve explicar a forma racional que não têm e agiram como animais.
– Pode até ser. – Pensou Carlisle. – Nessie, lobisomens são imunes aos dons dos vampiros?
– Não! A teoria da Alice deve estar certa. – Minha filha respondeu.
“Está certa mamãe?” pensou.
“Sim.”
– O que lobisomens fazem aqui? – Esme perguntou preocupada.
Nessie e eu sabíamos a resposta, mas nenhuma de nós não responderíamos não até tirar as informações desse lobo e depois que falarmos com Garrett.
– Vamos saber assim que perguntarmos para o lobisomem. – Jasper respondeu.
– Se é isso eu vou dar uma olhada no meu filho. – Esme se pronunciou.
Fechei os olhos e levantei da cama, eu não queria que Esme me visse deitada ao lado do seu filho, apesar de que isso não tem nada de mais e eu tenho certeza absoluta que ela não se incomodaria em me ver ao lado dele, mas era algo que não me deixava confortável no momento.
Caminhei até a janela e fiquei olhando o lado de fora, esperando ansiosamente que Edward acordasse o mais breve possível.
[...]
Quase três dias havia se passado e em nenhum momento eu sai desse quarto, eu só caminhava de um lado para o outro, ficava olhando a floresta pela janela, sentava na poltrona ou sentava e deitava na cama ao lado de Edward. E não me arrependi nenhum pouco de ter feito a promessa para ele, mesmo que ele não tenha escutado, pelo contrario fiquei muito feliz em fazer companhia.
Poucas coisas acontecerem nesses dias, porém a melhor delas foi à ida dos Denali, quase sai do quarto para agradecer Nessie, ela conseguiu tirar Irina do sério, diferente de Tanya a irmã só quis ir embora para evitar brigas, ela pelo menos tem amor pela vida. Tenho que fazer uma nota mental de comprar um ótimo presente para a minha filha.
Por falar em Tanya, ela quis entrar no quarto para ver Edward, mas outra vez Esme a proibiu, dizendo que não permitiria para evitar maiores confusões.
Outra coisa que aconteceu: Foi quando Jacob descobriu, mas graça ao meu último aviso ele se segurou, pediu para que Nessie avisasse ao Carlisle se ele podia vir até aqui e como seu pedido foi atendido no minuto seguinte já estava em frente à casa deles. Ao ouvir tudo o que minha filha disse ficou desesperado e se culpava por não estar lá quando precisou, como se ele tivesse alguma culpa. Fora isso ele disse que faria rondas mais longas e nos ajudaria no que fosse preciso.
Nessie também estava cuidando para que aquele lobisomem mais ficasse desacordado do que acordado. Nos poucos momentos que ele ficava consciente, ele gritava por socorro e tentava inutilmente se soltar das correntes. Com permissão dos Cullen ela manteve o lobisomem preso em um quartinho pequeno que ficava dentro da garagem. Jasper achou melhor não alimentar o lobisomem por enquanto, como seria no máximo só três dias que ele ficaria preso até eu resolver ir atrás dele não viu mal nenhum.
Nesse tempo minha filha explicou e ensinou aos Cullen táticas e dicas para matar um lobisomem, infelizmente eles não puderam treinar na prática com um lobisomem de verdade, mas Nessie os ensinou através de Jacob e explicou como deviam fazer. Pela mente de Nessie vi como o pessoal se saia e fiquei muito surpresa, minha filha tinha os ensinado muito bem e a ideia dela utilizar Jacob para substituir o lobisomem foi genial. Essa é a minha filha!
O Edward passou bem durante esse tempo ficou do mesmo jeito, porém vezes ou outra ele resmungava e cheguei a ouvir meu nome algumas vezes sair do seu lábio vibrei por saber que ele pensava em mim.
– Ele vai despertar em oito minutos. – Alice disse batendo as palmas.
Ela tinha se afastado da casa para que pudesse ver seu futuro. Foi assim que ela descobriu a diferença entre a interferência que os lobisomens causavam em suas visões. Alice descobriu que consegue ver o futuro dos lobisomens se ela não estiver no mesmo ambiente que eles, mas agora se ficasse próxima ela não conseguia vê-los. É como eles bloqueassem seu dom somente quando estivesse por perto, mas ainda sim não a impedia de ver o futuro de outros lugares se estivesse perto dele.
Agora que eu sabia que Edward iria despertar assim por dizer. Eu poderia ir, tinha muitas coisas para fazer principalmente me alimentar, fiquei bastantes dias sem tomar sangue e estava começando a sentir sede.
Aproximei da sua cama parando ao seu lado, toquei sua mão com a minha e a segurei firme.
– Eu já vou. – Falei.
Ele nada respondeu, mas quando tentei afastar minha mão da sua ele deu um aperto de leve. Encarei-o para ver se ele tinha acordado, mas não ele ainda ressonava tranquilamente.
– Bella... – Ele murmurou. – Eu te amo.
Quando ele disse essas palavras meu coração se encheu de alegria, uma felicidade pura que não me contive, não era assim que eu queria dizer com ele inconsciente, mas não queria guardar isso só para mim por muito tempo.
Ocultei o som que vinha do quarto bloqueando a mente de todos aqueles que estavam aqui.
Encurvei meu corpo para baixo e levei meus lábios até seu ouvido dizendo:
– Eu te amo.
Foi baixo, mas carregada de sentimentos e uma verdade que ninguém poderia constatar. Parece que tirei parcialmente o peso dos meus ombros, só iria tirar completamente quando eu dissesse essas palavras olhando nos seus olhos.
Segui o caminho da sua orelha até sua boca roçando levemente sua pele nos meus lábios e dei um simples beijo, mas cheio de amor. Levantei e me afastei saindo do quarto apressadamente.
Ao descer as escadas ninguém desconfiou de nada, ninguém menos Alice que tinha um sorriso satisfeito nos lábios. Revirei os olhos não tinha nada que dava para esconder dessa tranqueira.
– Bella está tudo bem? – Esme perguntou assim que me viu.
– Sim, só está na hora de ir.
– Não vai ficar até Edward acordar? Tenho certeza que ele ficaria muito feliz em ver você.
Torci o nariz.
– Desculpe, mas eu já fiquei muito tempo parada tenho que ter uma conversinha com aquele lobisomem.
– Mamãe ele vai demorar um pouco para acordar. – Nessie me avisou.
– Melhor ainda, é só jogar ele dentro do carro e vamos para casa.
– Não acha melhor cuidar dele aqui? – Carlisle perguntou.
– Não sei se você aprovaria o meu método de conseguir respostas. – Falei dando de ombros.
Isso deixava clara as minhas intensões não que eu ia apelar depende da colaboração do lobisomem, talvez nem precisasse fazer nada e ele diria tudo.
– Bella. – Jasper me chamou. – Eu e o Emmett podemos ir com vocês?
– É Bellinha deixa vai. – Emmett veio até mim e pegou nas minhas mãos como se implorasse.
– Por mim tudo bem.
– Vocês não vão agora. – Esme interferiu. – Seu irmão logo vai despertar depois que vocês souberem como ele está ai sim vocês vão.
– Tá legal mamãezinha. – Emmett disse sorrindo e correu até ela dando um beijo estalado na bochecha.
Esme revirou os olhos sorrindo.
– Tudo bem para você Bella se formos depois? – Jasper perguntou.
– Nenhum.
– Vamos mamãe. – Nessie me puxou pela mão e me guiou até o quartinho que tinha na garagem.
Acenei com a cabeça para o pessoal antes de sair da casa.
Nessie abriu a porta e o cheiro do lobisomem logo me atingiu. A diferença é que quando transformados eles tem um cheiro completamente horrível, mas quando humanos tinha um cheiro estranho característica única de lobisomens, não era fedido, mas incomodava o suficiente para não sentir vontade nenhuma do seu sangue.
Eu vi as correntes presa na parede que prendia cada parte do corpo de um homem desmaiado no chão. Ele usava apenas uma bermuda jeans, seus músculos eram tão grandes quanto dos Quileutes, ele era branco e tinha os cabelos curtos e pretos.
Olhei mais uma vez as paredes e vi leves rachaduras onde as correntes estavam fincadas.
– Creio que Esme não ficará nada satisfeita quando ver a parede dela destruída. – Falei.
– Aqui era o melhor lugar que tinha para prendê-lo. – Ela respondeu como se não fosse nada demais.
– Depois mandamos alguém para vir arrumar.
Fui até a parede e arranquei as correntes de lá. Abaixei para ver o lobisomem e vi que seu pescoço estava roxo já que minha filha quebrou-o. Enrolei a corrente que prendia seu pescoço na minha mão e o joguei para trás do meu ombro arrastando ele dali como se eu estivesse carregando um saco de batata nas costas. Eu que não iria pegar no colo esse lobisomem que quase matou aqueles quem eu amo.
Chegando em frente ao meu carro abri o porta malas e joguei seu corpo lá dentro e depois fechei e limpei minhas mãos na calça.
– Até mais.
Jasper, Alice, Rose e Emmett saíram da casa para se despedir. Antes de sair, olhei uma última vez para o segundo andar mesmo que não pudesse ver o quarto e suspirei entrando no carro.
O negócio seria descobrir como os vampiros conseguiram ter os lobisomens do seu lado.
POV EDWARD
Definitivamente nunca imaginei que morrer seria assim, a morte para nós vampiros era a escuridão? Pois agora eu via que sim, mas se eu pudesse gostaria de escolher um lugar como o paraíso talvez até o inferno do que passar a eternidade assim era angustiante demais poder pensar e não sentir nada.
Tentei me concentrar até mesmo no meu dom para ver se eu podia ler a mente de alguém. Mais que idiotice estou pensando, eu estou morto seu burro! É claro que jamais conseguiria.
Eu sinceramente gostaria de existir novamente e voltar para os braços da mulher da minha existência. Como a vida é injusta, não? Finalmente quando eu amo alguém eu morro, se bem que fiz isso por uma boa causa e faria tudo de novo se fosse preciso. Salvar minha irmã dos lobisomens foi o melhor motivo para enfrentar a morte, mas e ela como será que está? Será que ela sobreviveu ao ataque do lobisomem? Eu realmente espero que sim, não suportaria saber que minha irmã sofreu a mesma dor que senti e muito menos que viveria nessa escuridão.
E aqueles lobisomens, o que aqueles malditos faziam lá?
Apesar de estar nessa escuridão, tinha momentos que eu de certo modo me sentia protegido e salvo. A última coisa que eu senti antes de morrer foi uma dor forte no peito, mas durou tão rápido que sumiu em fração de segundos.
A única coisa que eu queria era poder ver o rosto da Bella pelo menos uma última vez e eu me pegava lembrando dela, pelo menos isso me reconfortava. Pensei algumas vezes na minha família, mas quem frequentemente rondava meus pensamentos era ela, minha Bella.
Eu não sabia quanto tempo fiquei nesse tormento, mas eu comecei a sentir uma leve dor, mas que era suportável. O que isso significa? Será que eu vou para outro lugar? Por um momento pedi muito para que eu estivesse tecnicamente vivo e de algum modo eu estivesse sonhando esse tempo todo, mas então eu senti um leve toque quente e acolhedor não sabia em qual parte do corpo eu senti isso, mas era muito bom então tentei me agarrar com força naquela sensação maravilhosa, porém não fazia ideia como fazer. Diante daquele momento uma pessoa passou por minha mente e como sempre era Bella.
Eu com certeza estava enlouquecendo, pois assim que pensei nela escutei uma voz linda e calma dizendo:
– Eu te amo! – Eu conhecia aquela voz em qualquer lugar era a minha musa, minha amada, minha existência e minha Bella. Meu anjo estava vindo me buscar?
Eu com certeza estava no paraíso.
O tempo foi passando e a dor praticamente não se fazia mais presente. Eu não senti Bella mais perto e isso me entristeceu. Foi então que eu senti uma dor de cabeça horrível apertei os olhos com força e o que eu menos esperava acontecer, aconteceu. Do nada eu simplesmente comecei a escutar os pensamentos da minha família.
Comecei a recobrar os sentidos, eu finalmente sentia cada pedaço do meu corpo, escutava todos os mínimos sons que só vampiros podiam escutar e os aromas invadiram minha narina, devo estar ficando louco porque o cheiro que mais se destacava era o da Bella.
Um pouco nervoso, porém decidido abri meus olhos e assim que o fiz. Minha visão capturou o ambiente e eu já sabia onde estava. Eu estava deitado na cama do meu quarto.
Pisquei os olhos algumas vezes aturdido ainda descrente. Eu não morri? Caralho, eu não morri!
– Filha já não era para ele despertar? – Ouvi ao longe a voz da minha mãe soar preocupada.
– Ele já despertou. – Alice cantarolou e no segundo seguinte escutei a porta do meu quarto sendo aberta olhei em direção ao som e deparei com todos da minha família passando por ela.
Ergui meu corpo para encostar minhas costas na cabeceira da cama e ainda me sentia um pouco fraco. Voltei meu olhar para minha família confuso com tudo.
– Meu filho que bom que você melhorou. – Esme veio até mim e me deu um abraço maternal e um beijo o topo da minha cabeça.
– Ae irmãozinho conseguiu enfrentar a barra pesada como um verdadeiro Cullen. – Emmett disse com seu sorriso de covinhas.
Alice veio e deitou na minha cama e me bateu em seguida.
– Obrigada por me salvar, mas se na próxima vez que você fizer isso eu mesmo te mato. – Ela disse brava.
Como era de se imaginar minha irmã logo em seguida me abraçou e colocou sua cabeça no meu colo.
– Não precisa agradecer baixinha, você é minha irmã. – Falei com a voz um pouco rouca.
– Está sentindo algo Edward? – Carlisles perguntou me avaliando.
– Não. Está tudo bem. – Olhei para ele. – O que aconteceu?
– Você não se lembra?
Neguei com a cabeça.
– Como eu ainda estou vivo? – questionei curioso.
Minha família abriu um sorriso enorme. Não entendi no começo, mas conformo fui lendo suas mentes fiquei chocado com que eu li.
– Bella me salvou? – Expressei meus pensamentos em voz alta.
– Sim. – Minha mãe respondeu alegremente.
Parecia surreal, eu não estava acreditando ela tinha me salvado! Nessas horas eu podia estar morto, mas não aconteceu e ela me ajudou.
– Como ela me salvou? A mordida do lobisomem não era letal?
– Ela te mordeu pelo que parece o veneno dela é o único antidoto que existe. – Meu pai respondeu. – Ela te mordeu bem aqui. – Ele indicou contra o próprio peito mostrando o lugar.
Tirei minha blusa rapidamente, mas o primeiro lugar que eu olhei foi meu ombro e nele não tinha nenhuma cicatriz sequer da mordida do lobisomem.
Pisquei surpreso!
Continuei a seguir o olhar em direção ao meu peito e exatamente em cima do meu coração tinha uma cicatriz de mordida de vampiro, ela era parecida com varias que Jasper tinha pelo corpo. Toquei com a ponta do dedo e fiz o contorno da cicatriz com ele, aquela mordida ficaria ali para sempre, e eu gostei da ideia, pois essa era a mordida da Bella. Eu teria algo que me faria sempre lembrar-me dela por toda a eternidade, sua marca ficaria pregada em minha pele e jamais sairia dali. Sempre que eu olhar para essa cicatriz vou lembra do dia que o amor da minha existência me salvou, serei eternamente grato.
Uma marca da minha amada! Um sorriso bobo surgiu pelos meus lábios.
– Olha só o bobo apaixonado. – Riu Emmett.
Revirei os olhos mantendo o sorriso.
– Me contem tudo o que aconteceu desde o começo. – Pedi.
Todos foram relatando e mostrando as lembranças em sua mente. Tinha horas que eu ficava surpreso, ria ou não acreditava no que eu ouvia. Alguns exemplos são: Quando minha irmã contou que a Bella tomou conta de sete lobisomens sozinha! Porra nós dois não demos conta nem de um, imagina de sete, eu sabia que Bella era forte, mas dessa vez ela se demonstrou completamente poderosa. Outra foi a história que Esme gritou com Tanya, por uns segundos eu fiquei incrédulo não acreditando no que eu ouvi, mas quando vi na mente dos meus irmãos cai na gargalhada confesso que até mesmo eu fiquei com medo do jeito da dona Esme nunca vi ela agir daquela maneira é nesse momento que vimos que nunca se deve meter com ela. Eu me senti orgulhoso ao saber que ela fez isso para defender o meu anjo que só tentava me salvar. Fiquei surpreso também quando me contaram que antes de mim a única que Bella salvou de um lobisomem foi Nessie. Por que será? Surpreendi-me também que ela manteve um lobisomem vivo para tirar informações dele e assim foi contando os restos das coisas que aconteceu.
De tudo o que eles me contaram a última foi a que me deixou paralisado. Eu estava lendo suas mentes certo ou estava criando uma ilusão?
– Vocês estão zoando com a minha cara? – Perguntei não gostando da brincadeira de mau humor essas coisas não se brinca.
– Não está sentindo o cheiro dela espalhado pelo quarto filho? – Carlisle riu.
– É cabeção o cheiro dela impregnou o lugar.
Então eu não estava alucinado o cheiro dela estava aqui mesmo. PQP, ela ficou ao meu lado esse tempo todo! Eu queria sair desse quarto agora e gritar de alegria, pode ser que para ela só estava cumprindo sua promessa como meus irmãos mostraram o motivo pelo qual ficou ao meu lado, mas não conseguia me conter. Bella ficou ao meu lado o tempo todo que eu estive ruim, ficou cuidando de mim. Eu sem duvida não podia estar mais feliz, bom ficaria mais feliz se eu estivesse consciente e aproveitasse os três dias juntos ao lado dela nem que fosse só para olhá-la estaria de bom tamanho para mim.
Inalei profundamente o seu cheiro e senti que seu cheiro mais concentrado estava na minha cama.
“Ela se deitou ao meu lado!” Gritei internamente de pura felicidade.
Tirei Alice do meu colo empurrando ela para fora da minha cama. A nanica foi pega de surpresa tanto que caiu de bunda no chão.
– Edward. – Brigou Esme.
– Você é maluco? – Alice guinchou ainda sentada no chão. Jasper correu até ela ajudando-a se levantar e me olhando feio.
Emmett e Rose riram alto.
– Eu que o diga, você que é doida de colocar esse seu cheiro para tirar o de Bella. – Reclamei.
– Seu idiota eu nem deitei no travesseiro. – Ela disse irritada.
– Mais não tirou os lençóis. – Bufei. – Pelo menos o travesseiro está salvo.
Peguei o travesseiro e o cheirei.
– Ah quanta boiolisse mano. – Emmett disse.
– O cheiro dela vai demorar muito para sair desse quarto. Do jeito que ela se trancou nesses três dias o cheiro dela deve ficar para sempre. – Alice resmungou.
Mais uma vez o sorriso bobo surgiu nos meus lábios.
– Eita, mais que está apaixonado isso ele está. – Emmett disse balançando a cabeça.
Nem dei bola.
– Vamos Emmett já estamos atrasados, nessas horas ele deve ter acordado. – Jasper disse indo em direção à porta.
– Opa! Já tinha até me esquecido.
– A única coisa que você não esquece é a sua cabeça. – Jasper disse sarcástico.
Franzi o cenho.
– Aonde vocês vão? – Perguntei.
– Vamos até a casa de Bella descobrir qual é daquele lobisomem. – Jasper respondeu.
Eles iam até a casa dela?
– Eu também vou. – Disse me levantando, mas Esme me empurrou para cama de novo.
– O senhor nem pense em sair dessa cama, você vai descansar, tomar um banho e se alimentar por recomendação da Bella. – Minha mãe disse séria.
– Não, eu preciso ir lá para agradecer e eu quero saber também o que aquele lobisomem estava fazendo aqui. – Disse teimoso.
– De jeito nenhum, depois você vai ficar sabendo de tudo mesmo.
– Mais mãe...
– Mano acho melhor você obedecer dona Esme você sabe o que vai acontecer se desobedecer né! – Emmett passou o dedo pelo pescoço demonstrando que eu estaria morto se desobedecesse.
Bufei, mas decidi ficar calado para minha própria segurança.
Meus irmãos se despediram de todos e sumiram do meu quarto.
– Que bom que está bem irmão. – Rose sorriu amigável e sumiu do quarto.
Alice me mostrou a língua e sumiu também.
– Vá tomar um banho e depois desça. – Esme pediu. – Vou ver se Alice ainda está chateada com você.
Me senti culpado por tê-la jogado da cama. Mentira senti nada.
Carlisle se sentou na poltrona que tinha no meu quarto e me encarava preocupado, mas me driblava nos pensamentos.
– O que foi Carlisle? – Perguntei ficando nervoso.
– Edward, o que sentiu quando estava desacordado? Sentiu muita dor? – Sua voz soou um pouco torturada.
Fiquei confuso com sua pergunta, mas respondi.
– No começo a mordida do lobisomem posso confessar que é bem doloroso. – Tremi só de lembrar. – Mais depois não senti mais nada.
– Mais nada? – Ele arregalou os olhos.
– Sim, foi estranho. Porque era tudo escuro eu realmente achei que estava morto, mas eu conseguia pensar. Eu não sentia absolutamente nada não sei explicar exatamente como é a sensação nunca senti isso antes.
– Então não sentiu dor nenhuma? – Perguntou intrigado.
– Como disse nada. – Respondi. – Por quê?
Ele estreitou os olhos pensando. Ele não me respondeu e ficou um tempo divagando em suas teorias. Decidi esperar e ver se Alice estava brava comigo, droga esqueci que não posso mais ler sua mente.
Voltei à atenção no meu pai quando ele abriu um sorriso largo.
– O que foi?
– Ela realmente cuidou de você. – Ele disse rindo.
– Como? – Estava confuso.
– Bella disse que você sentiria dor enquanto estivesse sendo curado, ou seja, até quando você acordasse. Pelo visto ela tratou de você não sentir nada.
Então aquela imensidão onde eu estava foi Bella que tinha feito? Agora fazia sentido.
– Ela deve ter tirado meus sentidos. – Murmurei mais para mim mesmo do que para meu pai.
– Sim. – Ele concordou.
Eu não tinha gostado de me sentir daquele jeito, eu realmente espero nunca mais sentir aquilo, mas acho que aquilo era melhor do que sentir dor ou não. Pelo menos se acontecer algo do tipo algum dia de novo eu já sei o que é.
– Bom filho obedeça a sua mãe e depois desça. – Ele pediu e se levantou indo em direção à porta para me dar privacidade.
Lembrei-me de uma coisa que precisava dizer a ele.
– Pai. – Chamei-o.
Ele se virou para ver o que eu queria.
– Sim?
– Eu acho que sonhei. – Falei meio constrangido.
– Por que diz isso? – Carlisle franziu o cenho.
– Antes de acordar. Eu achei que estava no paraíso, mas como eu sei que estou aqui ainda sei que era um sonho ou uma ilusão da minha cabeça, prefiro acreditar que foi um sonho porque foi muito bom.
– E com o que você acha que sonhou?
– Eu... Bem. – Eu estava constrangido em dizer, porque provavelmente estaria soando como um idiota, mas precisava contar para ele. – Eu sonhei que Bella disse que me amava.
Ele ficou pensativo, mas não tinha visto nenhum momento ela dizer isso, mas antes que ele continuasse a pensar ele deu uma travada brusca na sua mente e desviou os pensamentos para qualquer outro tipo de pensamento com uma agilidade incrível.
Não faço ideia como ele conseguiu isso, mas ele desviou seus pensamentos por algum motivo.
– Por que não me diz o que pensou? – Perguntei angustiado.
– Nada filho, só uns assuntos particular. – Ele falou soando sério, mas seus olhos tinha um certo brilho. – Eu sinceramente acredito que você não sonhou. – Então ele sumiu fechando a porta atrás de si.
Que ótimo meu próprio pai está me achando louco, provavelmente ele pensava na minha sanidade e desviou o seus pensamentos para não me ofender. Para falar a verdade eu devia estar ficando louco mesmo, louco por aquela mulher.
Voltei a deitar na cama e puxei o travesseiro abraçando-o contra meu peito, toquei a ponta do meu nariz nele e fiquei apreciando aquele cheiro maravilhoso dela que estava concentrado ali.
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