Notas iniciais
Não sei o que dizer, só peço perdão a todos leitores por minha demora a postar. Juro, que não atrasei por mal, mas por esses dias tive trabalhos e apresentações para entregar na escola e nessa próxima semana estarei em semana de provas, ainda nem entrei de férias :O Peço perdão de coração, meu tempo foi curto e nesses pequenos intervalos escrevi o capítulo! Espero que me entendam... Esse capítulo quero dedicar ninguém mais e ninguém menos que Du Winchester Salvatore Cullen pela recomendação, ninguém igual ela para escrever loucuras que me fazem morrer de rir e sempre me elogiando de forma única, obrigada flor. E por segundo, quero agradecer a AnabellaMasen pela sua recomendação também, sua forma como descreveu os personagens e o carinho pela fic me emocionaram muito, então igualmente agradeço muito. Esse capítulo será dedicado as duas leitoras maravilhosas!

POV RENESMEE

Mamãe está viva?

Eu não podia acreditar no que tinha acabado de ouvir, depois de todos esses anos sofrendo e magoada por uma mentira. Não, não isso é impossível.

Senti uma mão tocar delicadamente meus ombros e me chacoalhar levemente tirando-me do transe.

Finalmente meus olhos voltaram a ter foco e vi Didyme agachada na minha frente.

– Por que estão brincando comigo? – Senti a dor e desolação me atingir.

Como eles tinham coragem de fazer uma brincadeira de mal gosto como essa. Será que eles querem reviver tudo que eu sofri nos primeiros meses? Eles eram maus por fazerem isso comigo.

– Jamais brincaríamos com uma coisa dessas querida. – Didyme disse acariciando meu rosto.

Testemunhando a veracidade de suas palavras eu soube ali que era verdade. Minha mãe estava viva.

Senti uma felicidade inflamar dentro de mim e parecia que eu ia explodir a qualquer momento de tanta alegria. Minha mãe estava viva. VIVA!

Todas as tristezas, dor e perda ressentidas parece ter sumido imediatamente. Depois de tantos anos. Eu pude reencontrar a felicidade novamente. Não resisti o impulso e gritei alto de alegria assustei todos com minha reação, ninguém estava esperando por isso, mas pouco me importava. Então me joguei nos braços da minha tia.

– Ela está viva! Eu não acredito. – Gritava animada.

Parecia que eu estava sonhando pela primeira vez depois de tanto tempo.

– Sim, querida. Ela está viva. – Didyme ria da minha euforia.

Levantei imediatamente e quicava no lugar.

– E onde ela está? Eu preciso vê-la, falar e tocar nela. Preciso do seu colo depois de tanto tempo.

Nesse momento vi o sorriso de todos sumirem. Percebendo que tinha algo de errado parei de pular e meu sorriso foi morrendo.

– O que foi? Ela está bem? – Perguntei preocupada. Será que tinha acontecido algo com ela? Não sei, mas se ela não veio até agora para me ver com certeza tinha. Se não por que ela não tinha ido me ver nesses anos? Mamãe nunca me deixaria sofrer, sempre me amou.

– Ela está bem Nessie, mas...

– Mas? – Eu não gostei nenhum pouco desse “mas”. Só confirmava que minha teoria estava no caminho certo.

– Acho melhor começar desde o começo, minha irmã. – Aro sugeriu.

Fiquei observando minha tia para começar a explicar.

Ela suspirou.

– Há cinco anos atrás quando sua mãe foi te salvar de James. Uma pessoa de certo modo conseguiu matá-la.

Lembrei que paizinho viu toda a cena.

– Sim, Edward viu tudo. – Sussurrei.

Eles me olharam surpresos.

– Quem é Edward? – Marcus perguntou curioso.

– Companheiro da Bella. – Quem respondeu foi Caius.

Didyme me olhou surpresa.

– Bella tem um companheiro? – Didyme questionou.

– Depois explicamos. – Aro falou.

– Isso vai ser interessante. – Caius murmurou.

– Então você sabe quem tentou matar sua mãe? – Didyme perguntou hesitante.

– Sei, mas não é por causa de Edward. Ele não conseguiu ver o rosto da assassina. – Cuspi a última palavra. – Encachando uma peça aqui e outra ali tio David descobriu tudo e só contou para mim. Ninguém mais sabe além de nós sobre minha querida irmã. – Debochei.

– Falamos sobre sua irmã depois. Vamos nos focar na sua mãe agora.

– Claro, claro. – Era o que eu mais queria saber.

– Então sua irmã chegou a dar o golpe final na sua mãe, mas antes que eles botassem fogo na casa eu consegui entrar e tirar sua mãe de lá. Salvei sua mãe no último segundo, se eu não tirasse ela de lá... Bem, você sabe o que teria acontecido.

– E esse golpe deixou sequelas?

– Não.

– Então o que aconteceu? – Perguntei confusa. Se ela estava viva e não tinha nenhumas sequelas não via nada de ruim que podia acontecer a mamãe.

– Vanessa tem um dom. Ao contrario de você que pode implantar pensamentos ou imagens na mente dos vampiros sua irmã consegue bloquear a mente deles. – Didyme explicou.

Minha irmã tinha um dom também? Mais e daí?

– Didyme, mamãe é imune a dons mentais. – Falei o óbvio.

– E ela é imune ao seu? – Ela questionou arqueando uma sobrancelha.

Oh merda! Mamãe nunca foi imune ao meu dom, nunca soubemos porque, mas se ela não era imune ao meu dom tem chances da minha irmãzinha conseguir usar seu dom.

Cara, quer dizer que...

– Minha mãe perdeu a memória? – Terminei meu pensamento falando alto.

– Mais ou menos.

– O que quer dizer? – Fiquei confusa.

– Sua mãe não perdeu suas memórias. A mente dela foi bloqueada e a única que tem a chave para desbloqueá-la é sua irmã.

– E isso não é a mesma coisa que perder a memória? – Era. Não era?

– De certo modo sim. – Ela pensou no assunto e acabou concordando.

Puta merda! Se mamãe não se lembra de nada, então ela não se lembra de mim? Poxa, sacanagem e agora como é que fica? Como posso ajudá-la. Só há um jeito, encontrar Vanessa e exigir que ela desbloqueia a mente da mamãe.

Tá tudo isso estava uma droga. Mais eu podia falar com mamãe, se aproximar e ser amiga dela ainda hoje. Isso era o começo.

Ela é minha mãe, vai me amar assim que me ver!

– Tudo bem, mamãe não se lembra de nada. Então que tal eu ir lá e ser amiga dela hoje mesmo? – Falei ansiosa. Pelo menos mamãe não estava morta como imaginava.

Meus tios mais uma vez trocaram olhares. Fala sério, isso estava começando a dar nos nervos.

– Nessie, tem mais um problema nisso tudo.

– Mais? – Não acredito que tinha mais.

– Sua mãe não é exatamente a mesma pessoa.

Fiquei confusa, não entendi.

– Ela não é mais a mesma pessoa porque perdeu a memória?

– Esse é o motivo, mas ela não é mais a mesma pessoa amorosa que você conheceu durante todos esses milênios.

– C-como? – Engoli em seco.

Mamãe não era mais a mamãe?

– Olha Nessie. – Didyme segurou minhas mãos. – Eu não sei exatamente porque, mas quando ela se recuperou não voltou digamos que amigável.

Aro postou-se ao lado de sua irmã.

– O que sua tia quer dizer querida é que sua mãe não gosta muito dos vampiros. – Ele suspirou. – Ela não gosta que fiquem perto dela e muito menos gosta de conversar.

– Mais comigo pode ser diferente. Eu sou a filha dela. – Murmurei.

– E todos nós somos a família dela Nessie e mesmo assim ela pouco se importa com a gente. Por pouco ela não matou Felix.

Olhei para o vampiro grandão que assentiu com o que Aro disse.

– Bella matou muitos vampiros da guarda nesses meses que está aqui. Tivemos até que afastar ela de todos para que não matasse todos só por olharem-na estranha ou por ter insistido em se aproximar.

– É por isso que não dei noticias durante esse tempo. – Didyme começou a explicar. – Sua mãe não confia nem mesmo nos Volturis, ainda mais depois que ela ouviu de vampiros nômades falar sobre eles. Custou quase minha cabeça para convencê-la de vir para cá. Minha sorte é que sua mãe confia em mim da maneira dela, mas confia e se eu saísse de perto dela ou fizesse algo por suas costas. Perderíamos todas as chances de trazê-la de volta.

Eu ouvia tudo que eles diziam e confesso que me assustei com tudo o que disse. Mamãe apesar de ser má com seres que não mereciam perdão, ela sempre foi amorosa e compreensiva com aqueles que ama.

Então como ela pode ter mudado? Mesmo que perca sua memória, ela não devia continuar ser a mesma vampira? Quero dizer, manter sua personalidade? Porque sinceramente eu não sei.

Não importa como minha mãe seja agora. Eu só precisava vê-la.

– Posso ir vê-la agora? – Perguntei ansiosa.

– Você ouviu o que acabamos de dizer Nessie?

– Sim. – Bufei. – Mais isso não quer dizer que vou deixar de vê-la.

Didyme suspirou.

– Tudo bem, Nessie.

– Tem certeza querida? – Marcus perguntou encarando a esposa.

– Sabemos como Nessie é. Ela não vai descansar até ver sua mãe.

– Ótimo então vamos? – Eu nem acredito que ia ver minha mãe.

– Quando vê-la não faça nada imprudente. Deixa eu falar com ela primeiro e depois se ela disser que está tudo bem você fala. Entendeu?

Revirei os olhos.

Mamãe nunca faria mal a mim.

– Claro. Vamos? – Insisti mais uma vez.

– Acho melhor irmos acompanhá-la irmã. – Caius sugeriu.

– Nós também? – Jane tinha os olhos brilhantes.

– Vocês não. Esse é o momento de Nessie vamos só nós quatro, para assegurar que tudo ficará bem. – Aro explicou a filha.

A loira bufou irritada.

– Cuide de tudo enquanto não estivermos aqui, sim?

– Tudo bem, pai. – Ela resmungou e saiu do salão irritada.

Didyme e Marcus saíram acompanhados de mão dados e segui os dois atrás. Era nítida a mudança de Marcus depois que sua esposa voltou. Fico feliz pelos dois. Principalmente por ele.

Tio Marcus achou que esse tempo todo sua companheira estava morta e mudou da água para o vinho. Se tornou desinteressado por tudo e quase nunca saia de seu trono. Agora não, ele caminhava e sorria o tempo todo. Seus olhos que estiveram apagados durante esses anos, agora tinha um brilho especial. Chelsea devia estar tão radiante quanto ele. Ainda não a vi, mas sei que seu jeito eufórico deve estar mais divertido que nunca com sua mãe ao seu lado.

Me pergunto como toda a guarda está reagindo com a volta de Didyme e a mudança de comportamento de Marcus. Acho que quando tivesse tempo iria dar uma volta por aí e descobrir o que os vampiros falam sobre isso.

Os vampiros sempre faziam reverencia quando os reis passavam por eles. Muitos desses vampiros eu conheço, poucos são novos, mas todos me encaravam curiosos.

Atravessamos vários corredores. Virando para um lado, virando para outro e descendo as escadas. Nossa parece até que o castelo deles aumentou mais desde a última vez que estive aqui. Onde será que mamãe estava? Ainda tinha tantas passagens que podia dar para vários caminhos que não sabia ao certo onde dizer que íamos.

– Onde mamãe está? – Perguntei olhando que a medida que afastávamos começava a diminuir a quantidade de vampiros.

– Está nas masmorras. – Aro disse tranquilo ao meu lado.

Parei bruscamente e olhei para ele incrédula.

– Você a deixou nas masmorras? Você prendeu ela? – Guinchei.

– Calma, Nessie. Claro que não. – Aro se apressou a dizer. – Nas masmorras quase nenhum vampiro vai para lá e bem, Bella estava matando muitos e tivemos que levá-la para um lugar mais tranquilo e ela gostou de ficar aqui embaixo afastada de todos.

– E agora mantem ela presa aqui? – Questionei zangada, não via nada de bom nisso.

Aro sorriu e colocou as mãos nas costas voltando a caminhar. Apressei meus passos para chegar até ele.

– Nunca. Ela pode sair e voltar à hora que bem entender, mas ela sempre prefere voltar para cá quando sai.

Fiquei surpresa agora. Mamãe gostava de ficar naquela prisão? Credo, que mau gosto. Tantos quartos luxuosos que tem no castelo e ela prefere lá? É vai entendê-la.

– Por que ela ainda está aqui se não gosta de ficar com as pessoas? – Eu perguntava enquanto olhava o caminho que agora sabia qual era.

– Ela só ficou para conhecer a filha dela. – Aro disse sorrindo.

Fiquei boquiaberta.

– Ela sabe que estou aqui?

– Sabe que viria e mesmo não demonstrando percebemos que ela está ansiosa para conhecê-la. Além disso foi o único jeito de trazê-la até Volterra.

Fiquei radiante mamãe queria me conhecer. Sorri como uma boba.

Poucos minutos depois entramos nas masmorras. O lugar frio e silencioso tinha um tom sombrio. Fiz careta conforme andávamos. Santiago vinha sempre aqui para torturar vampiros a pedido dos reis, mas não tinha nenhum vampiro gritando. Duvido que ele esteja aqui enquanto mamãe estiver aqui, creio que os reis até mandaram ele para outro lugar e continuar com suas seções malucas de tortura.

Didyme parou de frente para uma porta enorme de madeira e do lugar eu podia sentir o cheiro floral maravilhoso e magnifico da mamãe. Eu não acredito que ia vê-la depois de tanto tempo.

Eu queria gritar, mas tinha que me controlar. Ordens da tia Didyme, mas confesso que quase estava pulando no lugar.

Então Didyme abriu a porta e entrou. O lugar parecia um salão de tão grande que era, mas ali não tinha nenhum móvel a não ser por duas cadeiras e uma mesa com três pilhas enormes de livros. Pelo visto seu gosto para leitura não tinha mudado.

As paredes tinha uma estrutura clássica e belíssima.

A tocha ao lado da porta só iluminava um pequeno espaço enquanto o resto estava coberto pela escuridão. Dei alguns passos entrando no cômodo e mesmo com o breu que era no canto mais afastado longe de qualquer luz, consegui ver perfeitamente a mulher que estava de costas para mim.

Seus cabelos mognos compridos estavam um pouco mais compridos que a última vez que a vi, não muito. Seus cabelos estavam no quadril. Combinou mais com ela, seus cabelos são lindos. A única coisa que estragava no visual dela é que mamãe estava usando uma daquelas túnicas dos Volturis, iguais aos dos meus primos. A roupa cobria seu corpo inteiro, se bem que Jane tem umas mais curtas. Mamãe bem que podia usar uma dessas.

Fiquei maravilhada por vê-la. Eu não acreditava que depois de todos esses anos achando que ela estava morta, na verdade ela estava vive e bem. E agora ela estava aqui na minha frente.

Eu fiquei aqui parada a encarando por longos segundo sem dizer nada. Estava hipnotizada por ver minha linda mamãe. Tão perto de mim.

Então esquecendo completamente de tudo até mesmo as palavras de Didyme. Corri em direção da minha mãe. A única coisa que importava agora era poder abraçá-la depois de tantos anos. Ouvi Didyme gritando algo, mas nem prestei atenção no que era.

Não tinha palavras para descrever como estava sentindo agora, mas podia dizer com certeza que este é o melhor momento da minha vida.

– Mamãe. – Gritei e quando eu estava a milímetros de tocar em seu ombro.

Tudo acontece muito rápido, nem sei ao certo o que aconteceu, Mas só senti o chão se quebrando contra as minhas costas e mamãe em cima de mim prendendo meu pescoço com sua mão.

Arregalei os olhos surpresa mamãe nunca me machucou antes. Nunca nem sequer bateu na minha bunda por mau comportamento. E agora ela estava aqui me fitando com os olhos furiosos e vazios ao mesmo tempo.

Porém por um milésimo de segundo vi um brilho diferente dentro dos seus olhos quando a encarei profundamente. Não sei dizer se foi por que ela me reconheceu naquele instante ou por que estava confusa, mas eu juro que vi.

Antes que eu raciocinasse qualquer coisa. Ouvi um rosnado furioso rasgando sua garganta e os olhos se transformarem em puro ódio. E com um movimento rápido ela arreganhou a boca pronta para morder meu pescoço.

– BELLA. NÃO! – Didyme gritou e seu grito ecoou pelo salão vazio.

E no último segundo que mamãe avançou, parou, mas não se afastou. Eu podia sentir o ar gélido sair pela sua boca a milímetros do meu pescoço. Eu tinha os olhos arregalados e senti medo da mamãe pela segunda vez em toda a minha existência.

Eu não podia acreditar, mamãe quase arrancou minha cabeça com uma mordida. Ela quase me matou. Senti como se uma adaga atravessasse meu coração morto, ela nem se lembrou de mim.

– Bella se afaste. Você não quer fazer isso. – Ela abaixou o tom de voz.

Didyme tentava conversar com mamãe, mas ela não mexeu nenhum músculo sequer. Ficou completamente imóvel sobre mim.

– Bella você não quer machucar sua própria filha, quer? – E nesse momento senti que o hálito gélido dela que batia contra a pele do meu pescoço parou, tanto quanto sua respiração.

Ela afastou seu rosto do meu pescoço vagarosamente e assim que viu meu rosto ela torceu o nariz.

Quando finalmente eu pude olhá-la de perto e podia sentir seu toque todo meu medo se foi. Ela ainda era minha mãe, só que infelizmente ela não se lembrou de mim.

Seus olhos olhavam cada pedaço do meu rosto e então ela fechou os olhos com força. Senti meu peito se apertar ela parecia de certa forma estar sofrendo e antes que eu pensasse em fazer qualquer coisa para chamar sua atenção. Ela some se afastando o mais rápido que consegue de mim.

Ainda fiquei deitada paralisada com tudo que aconteceu nos últimos segundos. Definitivamente ela não é mais a mesma de cinco anos atrás. Fiz careta ao ter a falsa ilusão de que por um passe de mágica sua memória voltaria quando me visse.

Doce engano.

Caius ficou em pé a minha frente e estendeu a mão para me ajudar a levantar e finalmente suspirando aceitei sua mão e levantei.

Ao encarar meus tios vi que todos tinham a expressão séria no rosto.

– Acho que fiz besteira. – Murmurei abaixando a cabeça.

– Eu avisei para se comportar. – Didyme falou me repreendendo.

– Eu sei... Mas foi tão impossível não desejar abraça-la no instante que meus olhos pousaram nela. – Senti meus olhos arderem à vontade de chorar atingiu em cheio.

Ergui meu rosto contorcido pela dor da ilusão ao encarar meus tios. A vergonha também assumia. Se eu não agisse imprudente ela não teria saído daqui e provavelmente eu poderia ter uma conversa com ela.

– Pelo menos teve algo positivo nisso tudo. – Aro disse com um leve sorriso no rosto.

– Concordo com você irmão. – Didyme também abriu um sorriso.

Franzi o cenho. O que tinha de bom em mamãe tentar me atacar? Eles ficaram doidos ou queriam mesmo que ela arrancasse minha cabeça.

– Talvez você não tenha percebido Nessie, mas eu que estou com sua mãe nesses cinco anos aprendi a conhecer a maneira que age e suas reações. E posso dizer com certeza que você fez diferença.

– O que? – Perguntei completamente confusa. Eu não tinha visto nada de especial na minha mãe a não ser o brilho nos seus olhos naquele momento, mas não tinha como ninguém além de eu ter visto aquilo.

– Nessie sua mãe parou de te atacar quando pedi, antes mesmo de dizer quem você era.

– E o que isso quer dizer?

– Eu acho que de alguma forma ela sentiu que você era especial.

– Mas como? Se ela me atacou. – Eu queria acreditar na minha tia, mas ainda sim não vi algo tão de especial nisso.

– Nessie ela só age por impulso e quando você tentou tocar nela sem aviso nenhum. Ela fez o que sempre faz, mas parou quando pedi... Sabia que Felix não teve a mesma sorte que você? – Didyme riu se lembrando. – Ele insistiu em uma conversa com ela e quando todos vimos ela já estava em cima dele, só que diferente de você quando gritamos para ela parar nem assim, ela não parou. Cinco vampiros teve que tirá-la decima de Felix e ainda sim ela arrancou a cabeça dos dois.

Arregalei os olhos surpresa com o que minha tia tinha contado.

– E mesmo depois de tudo ela não fugiu como fez agora. Ela encarou Felix desafiando-o com olhar. – Completou rindo.

– Não tem graça Didyme. Ela quase matou meu único filho. – Caius disse irritado. – Queria ver se fosse sua filha.

– Minha filha não é teimosa como seu filho, irmão.

Caius bufou cruzando os braços.

Então quer dizer que mamãe agiu diferente comigo? Ah eu não acredito. Suspirei radiante.

– Vamos falar com ela. Prometo dessa vez ficar quietinha. – Disse ansiosa para vê-la novamente, mas dessa vez eu iria me comportar.

– Nessie, agora temos que esperar. – Marcus falou.

– Por quê? – Não. Eu quero ver minha mãe, poxa.

– Nós não fazemos ideia de onde ela esteja e quando ela some não gosta que ninguém se aproxime dela.

Fiz cara de choro.

– Ela não foi embora né. – Marcus negou para meu alivio, mas... – E quando ela voltar podemos falar com ela?

– Sim. Bella não vai vir atrás de nós, então quando voltar nós viemos falar com ela. – Explicou Didyme.

– Tudo bem. – Suspirei rendida. – E que horas ela costuma voltar?

– Um ou dois dias, três no máximo. – Caius falou pensativo.

Arregalei os olhos. Como é que é? Tudo isso? Ah não.

– Mais isso é muito tempo. – Disse batendo o pé.

– É isso ou mais dias afastada dela.

Tá, eles venceram. Então se não tinha mais o que fazer aqui só tinha mais um lugar que eu poderia ir agora.

– Até mais tarde gente. – Dei as costas para eles e acenei caminhando para fora dali.

– Aonde você pensa que vai? – Caius perguntou.

– Fazer compra, é claro. – Revirei os olhos. Só compras que é bem vinda em qualquer momento e ainda tenho uma lista enorme para comprar.

[...]

Dois dias se passaram e nenhum sinal da mamãe. Numa tentativa frustrante para o tempo passar mais rápido e ocupar minha cabeça. Passei esses dias só fazendo compras. Comprei tantas coisas que tenho certeza que Alice vai ficar satisfeita, porque pelo menos eu estava.

Olhei para o enorme closet do meu quarto e ele estava cheio. Sorri ao ver tudo. Vou pagar uma boa quantia em dinheiro pela taxa de importação, mas pra mim não fazia diferença mesmo.

Lembrei quando levei Jane comigo no primeiro dia. Pra que! Depois de arrastá-la para varias lojas e sempre dizendo para ela que era a última que eu ia passar. A loira surtou jogou as compras no meio da rua e saiu batendo os pés. Quero só ver se algum guarda viu ela agindo daquele jeito. Tenho certeza que vai acabar perdendo sua pose de vampira cruel. Se isso acontecer, vou rir e muito.

– Vai ficar presa ai dentro o dia todo mesmo? – Jane disse socando a porta do meu quarto.

Quanta delicadeza da loirinha, viu.

– Não sei, mas se for para quebrar minha porta. Entre de uma vez.

Então só ouvi o barulho da porta sendo aberta. Quando olhei sobre o ombro vi ela entrando no quarto e assim que viu meu closet tremeu levemente antes de se jogar na minha cama.

– Não tem nada melhor do que fazer compras, não? – Ela virou de lado se apoiando em um dos seus cotovelos.

Olhei pasma para ela e coloquei uma mão sobre o coração.

– É claro que não. Como pode fazer pouco caso assim?

Eu sinceramente não entendia o que passava na mente dos vampiros, além de mim a única que amava tanto quanto eu para fazer compras era Alice. Um hobby tão gostoso de se fazer e a maioria desprezava. Só há uma explicação para isso: Sem senso de moda. Quem sabe eu não ajudo meus tios a mudar um pouco o visual dessa guarda. Tenho certeza que ficaria muito mais bonitos e charmosos que essas roupas que mais pareciam a roupa de um ceifador.

– Nem vou discutir. – Jane revirou os olhos. – E o seu companheiro. – Ela fez careta só de pensar nele. – Já falou com ele?

– Ainda não. – Dei de ombros e joguei-me na cama ao lado dela.

– Sério, Nessie? Um lobo?

– Sim, meu lobinho. – Disse sonhadora. – Nunca encontrei alguém como ele.

– E o Corin? – Minha faceta maravilhada foi desfazendo com uma careta. – Ele ainda é apaixonado por você.

– Foi bom enquanto durou, mas não obrigada.

– Você gostava dele , não gostava?

– Gostava, mas com o passar dos anos acabei perdendo o interesse. Sabe como é! – Virei o rosto para encará-la e abri um sorriso malicioso. – E o Demitri hein? – Movi as sobrancelhas sugestivamente. – Já se declarou para ele?

Ela na hora fechou a cara fazendo carranca.

– Está louca de falar alguma coisa dessas aqui? Alguém pode ouvir. – Jane guinchou.

– Para de paranoia, Jane. Ninguém está ouvindo nossa conversa. – Revirei os olhos diante do absurdo que ela disse.

– Não é paranoia. Pode ter algum vampiro aqui perto.

Bufei, mas logo abri um sorriso.

– Mas então?

Ela suspirou.

– Não, papai que nem sonha com isso, caso contrario não faço ideia do que ele pode fazer.

– Acho que está se preocupando atoa. Tio Aro é compreensivo e além do mais Demitri é da guarda principal seu pai confia plenamente nele. Vamos mulher tome uma atitude, já faz séculos.

– Nessie ainda me comporto na maneira da época que nasci. Declarar-me a um homem é a última coisa que eu faria.

– Então segue o mundo, loira. Estamos no século XXI. Nós mulheres ocupamos nosso lugar no mundo, agora agarramos os homens.

Tenho certeza que se Jane pudesse corar, estaria corando agora mesmo.

– Mais ele me vê só com uma criança. – Ela sussurrou.

– Você sempre com essa história, não tem nada de criança. Você tem dezesseis anos, loira e por causa da transformação tem a aparência de dezoito. Linda, sexy e sensual. – Pisquei com um olho.

E não era mentira nenhuma Jane realmente era linda e muito menos tinha cara de criança.

– Ah sem falar que os olhares que Demitri tem sobre você, não são nenhum pouco inocentes.

– Chega dessa conversa. – Jane pediu.

– Foi você quem começou. – Dei de ombros.

– Falei sobre você e não sobre mim.

– E um assunto leva a outro. – Disse o obvio. – Ah e é melhor que você aja rápido. Senão vou deixar você em situações comprometedoras.

– Você não vai fazer isso? – Perguntou incrédula.

– Deixei muitos séculos passar e se eu não ameaçar mais séculos viram.

Nós duas ficamos nos encarando e não aguentando caímos na risada. Poucos minutos depois, nós escutamos passos se aproximando do quarto e uma leve batida soou na porta.

– Pode entrar tio Aro.

Ele entrou com um sorrisinho no rosto.

– Tudo bem com vocês? – Ele perguntou olhando nós duas.

– Claro. – Sorrimos.

– Alec está lá no salão bufando que não fazem companhia para ele.

– Vamos lá agora mesmo. – Disse me levantando da cama.

– Nessie. – Aro me chamou. – Jane fará companhia para seu irmão. Já você virá comigo.

– Onde vamos?

– Bella chegou.

– Oh! – Arregalei os olhos.

Mamãe finalmente tinha voltado depois desses dois dias sumida. A finalmente vou poder vê-la novamente, mas dessa vez eu vou me comportar direitinho, não quero que ela desapareça novamente. Meu coração não ia aguentar mais uma vez.

– Vamos querida? – Ele perguntou com um sorriso singelo.

Assenti prontamente e corri até seu lado.

– Jane, nos vemos depois? – Virei para olhar minha prima que me encarava sorrindo.

É sério se algum vampiro da guarda visse ela sorrindo verdadeira e não debochada, não faço ideia do que pensariam. Provavelmente que o demônio resolveu aparecer na forma de um anjo.

– Claro, depois me conte como foi. – Piscou com um olho. – Até depois pai.

– Daqui pouco estarei na sala dos tronos.

– Então tio, vamos? – Eu estava quase correndo dali para encontrar mamãe.

Ele assentiu e saímos do quarto os três juntos, porém Aro e eu indo para um lado e Jane para outro.

– Faz tempo que ela chegou?

– Algumas horas, mas achamos melhor dar um tempo para ela para não se sentir muito pressionada quando você for falar com ela.

– Entendo. – Falei. Na verdade não entendia, eles deviam ter me avisado assim que ela chegou, mas se eles acham que é melhor não ter agido imediatamente eu que não vou contrariar. – E onde estão os outros? – Nenhuns dos meus tios estavam aqui com Aro, achei estranho. Eles não viriam com nós?

– Concordamos em dar um tempo só para vocês duas. Claro que nos primeiros minutos ficaram de olho para ver se tudo vai ocorrer bem e se perceber que está tudo em ordem, irei deixá-las sozinhas.

Senti-me um pouco insegura e se eu fizesse algo errado ou pior ela não quisesse minha presença perto de si? Eu não aguentaria uma rejeição dela, seria demais para mim. E se ela tentasse me atacar de novo? Oh merda, estou fodida.

– Está tudo bem, querida? – Aro perguntou especulativo.

Só agora percebi que tinha parado de andar. Olhei para ele um pouco receosa e parece que ele leu meus pensamentos, pois sorriu e tocou nas pontas do meu cabelo.

– Vai dar tudo certo Nessie. Não vai acontecer nada de errado dessa vez, você vai ver.

– Promete?

Ele riu,

– Prometo. – Ele disse erguendo sua mão direita e colocando a outra sobre o coração.

Eu sorri com seu gesto. Muitas pessoas não acreditam, mas Aro é um amor de pessoa. Ele pode ter um jeito lunático e quando ele é muito gentil com algum vampiro realmente parece assustador e tem outras intenções por trás dessa bondade, pois vampiros são selvagens e em nosso mundo não existe as palavras: Gentileza e lar. Com exceção é claro da família Volturi, Cullen e nós Swan.

Mais sei que Aro não se importa que as pessoas achem-no assustador. Pelo contrario ele gosta assim os vampiros o temem, e para governar as pessoas tem que temer os reis para sempre obedecer suas ordens e suas leis. Pelo menos era assim que funcionava séculos atrás e ainda funciona até hoje.

– Não a o que temer. – Aro se virou ficando de frente para mim. – Sua mãe sempre cuidou de você querida. Está na hora de você cuidar dela, você é a única que pode fazer isso por ela num momento tão delicado quanto esse.

Aro tinha razão, mamãe sempre fez de tudo para mim durante toda a minha existência. Está na hora de eu ajudá-la, não existe ninguém na minha existência que amo mais que a mamãe. Eu faria de tudo que estiver ao meu alcance.

Decidida mais do que nunca ergui o queixo.

– Eu farei o que for preciso.

Ele abriu um largo sorriso, então voltamos a seguir em direção as masmorras. Logo aquela enorme porta de madeira estava na minha frente. Aro me olhou mais uma vez e acenei com a cabeça.

Então ele abriu a porta que rangeu levemente por ser tão antiga e sozinha eu entrei mais uma vez naquele enorme salão.

Meus olhos caíram diretamente nela. Mamãe estava sentada na cadeira de lado para mim mesmo ela sentindo minha presença não ergueu a cabeça em momento algum. Ela estava lendo um livro, mas ela fechou-o no mesmo instante que parei ao seu lado.

Eu não sabia como agir. Será que eu podia chamá-la de mamãe ou ela preferia Bella? Será que ela ainda gosta desse apelido ou prefere ser chamada de Isabella?

Eu sinceramente não sabia o que dizer, então comecei com a primeira coisa que veio na minha cabeça.

– Oi. – Sussurrei.

Que inteligência, Nessie. Tantas coisas para dizer e você diz “oi”.

– Posso sentar?

Tinha outra cadeira do outro lado da mesa mediana quadrada de frente para ela. Para piorar minha situação, ela nem deu bola para o que eu disse, não moveu nenhum milímetro sequer.

Olhei para as pilhas de livro e vi que ela estava lendo todo o tipo de livro. Desde literatura, livros científicos até revistas de tecnologia e atualidades e foi ai que eu percebi que mamãe estava lendo para saber tudo sobre o mundo por conta da perda de memória.

Dei de ombros e eu mesma arrastei a cadeira sentando nela. Ficamos em silêncio por um longo tempo, nenhuma de nós dizia uma palavra e ela nem ao menos me olhou, estava começando a ficar desconfortável esse silêncio e eu sabia que se não dissesse nada, ela tão pouco levantaria o rosto.

– Como tem passado? – Me arrisquei perguntar. – Sabe, faz muitos anos que não te vejo. Eu não fazia ideia que você estava... Bem.

Vi sua mão que estava por cima da mesa fechar em punho. Droga, acho que falei alguma besteira. Porém para minha surpresa ela ergueu o rosto e seus olhos imediatamente se encontraram com os meus.

Senti como se finalmente eu pudesse voltar a viver como antigamente, afinal minha mãe estava bem, viva e aqui na minha frente. Só estaria melhor se ela não tivesse perdido a memória, mas não importa eu daria um jeito para ajudar nisso depois. Minha prioridade era se aproximar dela.

Os seus olhos não tinham mais brilhos, mas também não tinham raiva. Só que eu acho que era pior assim, pois dava para ver através deles que além de perdida, estavam vazios. Senti uma vontade enorme de poder abraçá-la, mas eu não podia. Posso estragar tudo.

– Desculpe. – Sua voz melodiosa que há tanto tempo não ouvia fluiu pelo lugar.

Encarei-a espantada eu esperava muitas coisas para ouvir da sua boca ou até mesmo não ouvir nada, mas nenhuma delas era um pedido de desculpa. Fiquei observando-a descaradamente e percebi que ela se sentiu descontável com minha atitude, desviando simplesmente seu olhar do meu.

– Você não tem que se desculpar. – Falei e sem pensar levei minha mão para tocar a sua que estava em cima da mesa, mas hesitei antes de tocá-la. Por pouco eu quase coloco tudo a perder. Eu vi ela discretamente afastar sua mão colocando-a em cima do seu colo debaixo da mesa e deixando o livro que lia quietinho na sua frente.

Eu só não entendia sua atitude, por que ela agia assim? Ela não foi desse jeito. Então por quê? Eu precisava descobrir, e ninguém sabia me responde. Só há um jeito de saber. Seria conquistando sua confiança.

Suspirei profundamente.

– Então que tal me contar o que fez nesses últimos anos? – Perguntei e vi sua cara se contorcer levemente em uma careta. – Nada? – Insisti, mas nenhuma palavra saiu da sua boca. – Então vou contar como foi o meu.

Só espero que ela não fuja daqui de tédio, mas duvido que fuja. Minha vida imortal é sempre cheia de emoções, interessa a todos.