Notas iniciais
Capítulo simples e nada em especial, só para mostrar um pouco mais a situação em Volterra...

POV RENESMEE

– E agora pirralha você vai voltar para os Cullen? – Tio David perguntou.

– De jeito nenhum. Você sabe que mamãe é mais importante. – Estava na cara isso.

– E se... – Didyme ficou em silêncio assim que tio David e eu viramos o rosto para encará-la.

– Se? – Incentivou meu tio.

– E se vocês tentassem levar Bella com vocês?

– O que? – Tanto meu tio quanto eu falamos ao mesmo tempo.

– E qual é a chance dela ir conosco? – Questionei.

– Poucas, mas se você estiver junto.

– Olha, não é por nada, mas não sei se ela vai querer. Porém vou deixar uma coisa claro aqui. Eu não vou deixar minha mãe. – Queria deixar bem claro isso.

Didyme riu.

– Tenho certeza que não querida.

Eu estava há uma semana aqui, e não tive muito progresso com mamãe. No primeiro dia de conversa, quero dizer no primeiro dia que eu tive meu monólogo. Sim, isso mesmo, porque mamãe não abriu a boca nenhuma vez. Ela só ficou lá escutando, escutando e escutando. Sinceramente eu acho que ela foi educada em não me mandar calar a boca, porque só depois que eu terminei de falar que percebi como estava falante, não que eu converso pouco, mas confesso que dessa vez exagerei e acho que é por isso que ela não fala quase nada em nossas conversas a não ser um “obrigada” aqui ou “não tem problema” ali. Com exceção de uma vez que ela ficou curiosa com a cor dos meus olhos e quando respondi que era porque me alimentava de animais senti ela ficar desconfortável com o que falei, mas isso era normal para qualquer um que se alimenta de humanos.

Eu acho que ela evitava falar mais para não estender meu falatório ou porque ela não queria papo comigo.

Mesmo assim eu não desisti e isso nem passa pela minha cabeça, só espero que ela não exploda de irritação com meu falatório. Didyme acha que eu estou tendo progresso, e eu não acredito em nada do que ela disse.

Bom, depois disse um dia depois tio David chegou e ai que foi uma loucura. Por quê? Simples, a mamãe de agora nunca viu lobisomens ai já viu né!

Flash Back ON

– David tem certeza que acha uma boa ideia falar com ela agora? – Aro perguntou tentando acompanhar os passos largos do titio e eu acompanhava o ritmo deles.

– Ela é minha irmã, Aro. Se ela recebeu Nessie tenho certeza que vai me receber, eu já vi ela assim uma vez e minha irmã não fez nada.

– Mais você não está pensando direito, dessa vez ela não se lembra que você é seu irmão.

– Marcus disse que ela de certa forma reconheceu Nessie.

– É porque ela me ama tio. – Falei revirando os olhos.

Ele me olhou de esguelha e me empurrou com seu ombro.

– Saiba que ela me ama mais que você.

– Não ama não. – Disse convicta sorrindo.

– Ela me ama dezoito anos a mais que você, então me ama sim. – Ele voltou a olhar Aro. – Então Aro não se preocupe que ela não vai fazer.

– Deixe irmão, eu quero ver como vai ser o encontro deles. – Caius disse com um sorriso estranho.

Estreitei os olhos na sua direção e assim que ele me viu encarando-o piscou com um olho para mim. Não pude deixar de sorrir, aí tinha. Eles com certeza tinham um motivo para essa preocupação.

Aro suspirou se rendendo.

– Tem certeza David? – Aro tentou uma última vez.

– Claro. – Tio David sorriu presunçoso.

Aro se deu por vencido e seguiu tio David até as masmorras.

Segundo ou outro eu sempre segurava o riso conforme a surpresa dos olhares da guarda Volturi caiu sobre meu tio. Meu tio não vinha aqui para Volterra há muitos séculos e quando chegou aqui. Os guardas tiverem que respeitá-lo ordens direta dos reis.

Poucos já tinham visto meu tio uma vez ou outra, mas para caso os vampiros se perguntassem quem é ele. Os reis acharam melhor falar que tio David era o rei da espécie dele. Esse titulo ficou claro que ele era poderoso, por isso nenhum vampiro ousava enfrentá-lo. Sem falar que se tentassem algo contra ele seria desacatar a autoridade dos três, ou seja, a morte era a punição de fato.

Caius segurou suavemente meu ombro e quando o olhei ele tinha sorriso divertido no rosto. Franzi o cenho e antes que eu pudesse falar algo. Ele levou seu dedo até seus lábios pedindo silêncio e desacelero meus passos.

Fiz o que ele queria, eu tinha entendido exatamente o que ele queria então só olhei para frente e vi meu tio entrando apressadamente naquele cômodo enorme.

Estávamos um pouco mais afastados do lado de fora, apesar do lugar escuro eu podia ver meu tio de costa para nós. Até que ele virou seu rosto para o lado esquerdo e gritou surpreso.

– BELLA.

Eu ouvi um rosnado gutural e no segundo seguinte no lugar de tio David estava mamãe com a mão esticada por conta do soco que tinha acabado de dar no meu tio, só ouvi o baque do corpo do meu tio contra a parede do outro lado.

Só ouvi um rosnado sair da boca do meu tio e Bella sumir da visão que tínhamos pela porta indo de encontro para ele. Só ouvimos um estrondo forte dos corpos dele se chocando. E foi realmente alto, foi tipo como um trovão as paredes vibraram levemente. Aposto que o som foi ouvido por todo o castelo.

– Por que ela o atacou? – Sussurrei baixinho.

Tudo bem que ela também me atacou, mas parou depois que tentou me atacar e com meu tio não.

– Você não entendeu pequena Nessie? – Caius perguntou sorrindo. – Seu irmão é lobisomem. Como sua mãe não se lembra dele seus instintos vão falar mais alto.

Foi aí que eu entendi tudo.

Nós corremos até a porta adentrando o ambiente e vimos os dois se levantando do chão. Vi incredulidade nos olhos da minha mãe que sumiu rapidamente substituído por um furioso.

Era a primeira vez que alguém tinha força suficiente para enfrentar mamãe na verdade a única, por isso a surpresa.

– O que é você? – Ela disse ríspida.

– Você tá brincando que não me reconhece, ou sei lá ter a mesma sensação que teve com sua filha.

Ao me pronunciar no meio da conversa. Vi o olhar de mamãe virar puro ódio. Caralho, eu vi isso mesmo ou foi só impressão minha? Não com certeza não foi, porque ela está com um jeito mais selvagem.

– O que é você? – Ela grunhiu dizendo.

– Não consegue reconhecer meu cheiro. – Meu irmão zombou dela e mamãe não gostou nada disso, ela ameaçou avançar nele, mas Aro interrompeu-os.

– David, por favor, colabore.

Só depois que Aro falou que mamãe parece ter dado conta que estávamos aqui, pois ela ficou nos encarando. Seus olhos se estreitaram.

– Você o trouxe aqui? – Mamãe perguntou e hesitante Aro assentiu. – O que ele é?

Ele abriu a boca para responder, mas tio David o interrompeu.

– Eu sou um lobisomem. – Disse orgulhoso.

Flash Back OFF

Imagina o que aconteceu depois. Mamãe achou que todos tinham enganado ela o tempo todo levando alguém tão forte quanto ela para combate-la e até explicar tudo levou bastante tempo. Aquele foi o único dia que ela disse bastante frases, mas depois que tudo foi explicado e descobrir que ele era seu irmão se fechou novamente dizendo somente uma palavra ou outra nas nossas conversas.

– Então estamos combinado. – Tio David me tirou dos pensamentos.

Pisquei os olhos encarando-os confusa.

– O que eu perdi?

– Onde estava com a cabeça?

– Por aí. – Dei de ombros.

Tio David revirou os olhos.

– Estávamos combinando que se Bella não aceitar ir. Tia Didyme pode ir também para incentivá-la a ir com a gente.

– Mais é mesmo uma boa da mamãe ir para lá?

– Nessie. Bella só está aqui para conhecê-la se por acaso você tiver algum imprevisto para voltar ela vai embora. – Didyme explicou.

– Nunca vou embora se for preciso.

– Nunca é uma palavra forte querida. Sem falar que lá está o companheiro dela, não é!?

– Então companheiros são para sempre e únicos na nossa espécie, então se ele for mesmo o companheiro dela pode ter certeza que esse tal de Edward pode fazer diferença.

É claro, Didyme tinha completa razão. Eu tinha certeza que os dois eram sim companheiros. Se tinha alguém que podia ajudar a amolecer o coração de mamãe esse alguém era Edward. Bom talvez não no começo, já que eles se desentendiam bastante no início, mas ela o amou em pouco tempo sem realmente conhecê-lo a vida toda, foi a convivência e quem ele é que fez ela se apaixonar por ele. Então sim, ele podia ajudar e muito.

Levantei abruptamente da cadeira que estava sentada.

– Maravilha, vamos falar com ela agora. – Eu disse pulando alegremente.

– Vocês vão com a gente? – Tio David perguntou olhando para os reis.

– Eu acho melhor irem só vocês três e Marcus certamente. – Aro falou depois de tanto tempo em silêncio. Caius e Marcus assentiram.

Então sai do salão dos tronos. Com exceção de nós. Jane, Alec, Felix e Chelsea estavam ali.

– Vai lá gata. – Gritou Chelsea me incentivando.

Sorri antes de ir até as masmorras.

Mesmo depois de meu tio e eu termos chegado aqui mamãe ainda não saia daquele lugar de jeito nenhum. Já tentei uma vez ou outra tirar ela de lá, mas quem disse que ela aceitou.

Entrando naquele lugar que perdi a conta de quantas vezes que passei por ali e encontrei mamãe sentada em um canto com os olhos fechados como agora. Era assim que eu sempre a via, pelo menos agora ela mantinha as portas abertas.

– Olá mamãe. – Ao falar, ela imediatamente abriu os olhos e como sempre me encarou com aquele olhar vago.

– Como está Bells? – Tio David perguntou.

Mamãe suspirou olhando para o lado.

– Bem. – Disse desinteressada.

Eu caminhei até ela e me sentei ao seu lado naquele chão um pouco empoeirado. Bem que Aro podia mandar algum para fazer uma faxina aqui. O lugar estava imundo com uma leve camada de poeiras e as cinzas no chão que caia da única tocha que iluminava a entrada do lugar.

Ela nem sequer virou para me observar assim que sentei ao seu lado.

– Mamãe eu preciso falar uma coisa. – Falei finalmente chamando sua atenção. Olhei hesitante para os meus tios e Didyme assentiu levemente para que eu continuasse espero que isso de certo. – Eu estou indo.

Seu nariz franziu levemente.

Suspirei antes de explicar:

– Eu vou embora de Volterra.

Eu torcia para que ela dissesse algo, mas ela ficou ali quieta por longos segundos e não sei dizer qual sua reação, porque ela não demonstrou absolutamente nada só ficou ali fitando o nada.

– Então... – Comecei, porém parei porque não sabia quais palavras certas escolher. Acho que nem sequer comecei direito.

– Boa viagem. – Ela disse desinteressada e seus olhos se tornaram vazios novamente.

É sério isso? Ela não se importava nenhum pouco com que eu partisse. Antes eu ficasse de boca fechada pelo menos não ouviria essa sua rejeição.

Ameacei me levantar, não adiantaria ficar ali, já estava claro que ela não tinha nenhum interesse de ir comigo lugar nenhum. Antes que eu me erguesse vi Didyme negar com a cabeça o meu ato.

Revirei os olhos.

Ela não ia me deixar sair dali tão fácil. Quer saber foda-se a paciência!

– Eu estou indo e quero que você venha comigo. – Falei direto. Que se dane caso ela recusar, eu não ia sair de perto dela de jeito nenhum.

Ela que até agora estava olhando para um lugar qualquer postou seu olhar em mim.

– Por quê? – Perguntou.

– Como por que? Você é minha mãe eu não quero te deixar sozinha. Sabe eu queria te apresentar a sua outra família os Cullens, aqueles que eu comentei no primeiro dia. Lembra? Eles sentem saudades de você, seria bom fazer uma visita a eles. – Eu fui falando, mas ela não parecia muito interessada no assunto.

Acho que ela não estava afim de conhecer ninguém.

– Olha se você não quiser tudo bem, mas se você não for eu vou ficar aqui com você. – Disse irredutível .

Permaneceu alguns segundos em silêncio até erguer o rosto para olhar Didyme.

– Você vai? – Perguntou por fim.

Oh, cara! Ela vai? Não acredito ela vai. Quase pulei ali de felicidade, mas me controlei em deixar meu bumbum bem grudado no chão. Não podia me descontrolar agora, vai que ela volte atrás. Não que ela tinha aceitado a ir, mas ela estava considerando essa opção.

– Na verdade estava pensando em tirar umas férias com Marcus e pensamos em passar por lá antes de ir para algum lugar. – Didyme respondeu.

– Tudo bem. – Ela disse dando de ombros.

Eu não consegui aguentar me segurar e gritei saltitando no lugar. Até fiz a dancinha da vitória. Vi mamãe até dar um pulo pega de surpresa com minha atitude. Me repreendi imediatamente, eu tinha me mantido comportada esse tempo todo e agora dou uma dessa.

Parei imediatamente abaixando a cabeça envergonhada.

– Me desculpe. – Disse baixinho.

Olhei sobre os cílios e vi mamãe com um pequeno, bem pequeno mesmo mais estava lá um leve curvar nos lábios como um sorriso. Abri a boca incrédula, era a primeira vez que ela sorria mesmo que parecia não sorrir. Mamãe a me ver fitando-a logo desfez o sorriso ficando séria.

Fiz um muxoxo, era muito bom voltar a vê-la sorrir depois de tanto tempo. Não um sorriso, mas na minha cabeça é isso.

– Então. – Cocei minha cabeça ainda um pouco sem graça. – Nós vamos amanhã, se estiver tudo bem para você?

Ela assentiu com a cabeça.

– Bella, nós vamos ir de jato porque David não corre tão rápido quanto nós na forma humana. – Didyme esclareceu.

Mamãe se mexeu meio desconfortável.

Aê, pelo visto Aro alugou um jatinho só por causa da mamãe. Sabe, acho que seria uma boa comprar um, aí não precisava ficar sempre indo em voo comercial. Pensarei nisso com mais calma depois.

– Não é igual a voo normal, Bella. Os únicos humanos serão os pilotos e uma aeromoça. – Didyme se virou na minha direção. – Nessie você fez varias compras para sua família, não é melhor resolver agora aquelas coisas burocráticas para poder levar sua compra para outro país?

Ih ela tinha razão. Tinha que resolver taxas de importações e impostos já que era muita compra. Melhor resolver isso hoje, porque assim amanhã não preciso me preocupar com isso.

– Vou agora mesmo. Alice não vai me perdoar senão levar nada. Até mais gente. – Acenei com a mão para todos e sai de lá saltitando e cantarolando uma música nova que há pouco tempo ouvi na rádio.

Passei a tarde toda até a noite resolvendo esses negócios. Quase matei alguns humanos, como podem ser tão lerdos. Um negócio tão simples que não levaria nem 15 minutos para olharem e assinarem os papéis. Levou o dia todo. Sempre que ia reclamar falavam que tinha que esperar, sem falar aquela fila que peguei senha levei quase duas horas só para ser atendida. É sério esse povo deve ficar dormindo, tomando café e fazendo fofoca durante o expediente.

Cheguei no castelo de Aro só de noite e muito, mas muito pê da vida. Pelo menos já tinha resolvido tudo e deixado todas as compras dentro do jatinho que Aro alugou.

Os vampiros da guarda sempre acenavam com a cabeça para mim, pois é sou foda! Aro fazia questão que eu fosse respeitada por qualquer um, então não tive problema com ninguém. Ao contrario com mamãe todos temiam ela depois de verem sua agilidade e simplicidade em matar algum vampiro. Ouvi alguns sussurros de alguns que acham que ela é mais uma joia rara de Aro já que ele não ficou irritado por ela matar. Doce engano, mal desconfiavam que eles eram seus tios.

Logo pela manhã partiríamos, então achei melhor ficar com mamãe antes de irmos. Esse era meu pensamento até ver Jane com sua típica expressão fria no rosto quando estava perto de outros vampiros, vindo em minha direção.

– Não veio voando na sua vassoura hoje? – Não conseguia perder a chance de alfinetá-la na frente dos outros sabendo que ela não agiria divertida na presença deles.

Ela me olhou com desdém, mas eu sabia que ela me xingaria assim que estivéssemos sozinhas.

– Aro requer sua presença. – Era estranho quando estávamos a sós perante a família ou a guarda principal, todos eram amáveis e sociáveis apesar de sermos vampiros, mas quando tinha a presença de outros vampiros todos tomavam suas posturas rígidas e sérias.

Mesmo todos ali sabendo que eles eram uma família de verdade. Eles não agiam harmonicamente perante a guarda.

Ela não esperou eu falar e virou as costas voltando pelo caminho que veio.

Corri até ela.

– Hey que tal uma companhia até lá, quem sabe com o prazer da minha linda companhia assim fique menos rabugenta. – Tive vontade de gargalhar quando a vi me fuzilando com o olhar.

Os vampiros a nossa volta me encaravam chocados, ninguém além de mim importunava Jane, muito menos queriam ser alvo do seu dom, mas eu não tenho esse mesmo problema.

Quando finalmente estávamos sozinha um pensamento veio em minha mente.

– Jane você daria uma ótima atriz. – Vi ela me olhando pelo cantos dos olhos. – É esse negócio de interpretar o que você não é e conseguir enganar a todos. Você é boa nisso.

Ela revirou os olhos balançando a cabeça.

– Já imaginou você igual aquelas famosas de Hollywood. Posso até ver seu nome na calçada da fama. E seu nome no meio daquela estrela. – Ergui minhas mãos e movia-as no ar como se destacasse seu nome. – Jane Volturi.

– Nessie, por favor.

Dei de ombros.

– Que seja, mas seria legal ver você na televisão ganhando um Oscar de melhor atriz por interpretar personagem de vampira de alguma história. – Disse sugestivamente. Jane não aguentou e acabou rindo.

– Como pode ser tão absurda? – Perguntou entre risos.

– Absurda não, realista. – E era mesmo, se ela conseguisse viver próxima de humanos podia se dar bem na carreira e uns anos depois fingiria sua morte por um fã obcecado. Sai dos meus devaneios quando senti um tapa na minha cabeça.

– Hey. – Exclamei.

– Eu te devia essa depois das suas piadinhas.

Conversei rapidamente com Aro. Ele queria saber se estava tudo certo e se eu não queria ficar mais alguns dias. Gentilmente recusei seu convite, estava na hora dos Cullens saber sobre mamãe, nada mais justo já que de certa forma somos sua família também.

O resto da noite tive que dedicar meu tempo a Jane e Alec. Eles usaram a desculpa que talvez não víssemos tão cedo novamente, então não achavam nada mais justos do que ficar comigo até o último segundo.

Jane estava mais grudada em mim do que de costume, mas tinha um motivo. Mamãe, sim minha mãe! Jane tem um carinho especial pela prima, mesmo que somos muito chegadas, ela era mais apegada a mamãe. Por isso agora ela ficava mais comigo para compensar a falta que sentia de Bella.

Mamãe não se aproximou de ninguém depois de sua suposta morte, nem mesmo tio David conseguiu puxar assunto com ela se bem que esse último, temos que levar em consideração porque seus instintos falavam mais alto, mesmo sabendo que ele era seu irmão mamãe não deixava de olhar desconfiada para ele.

Comigo não era muito diferente não consegui me aproximar muito, mas em compensação a maioria das vezes que abria a boca era para falar comigo e quando eu ficava do seu lado ela não parecia se importar de sumir depressa para longe de mim.

O dia logo amanheceu e finalmente tinha chego a hora de partir. Eu só estava esperando por mamãe e Didyme subirem. Ela achou melhor que eu esperasse aqui para trazer mais rápido mamãe. Abri a boca para reclamar, mas Aro concordou pedindo para que eu me despedisse de todos para não haver atraso. Agora estava conversando com a doida da Chelsea.

– Qualquer dia faço uma visita prima. Assim você me apresenta para alguns amigos do seu namorado. – Disse movendo as sobrancelhas sugestivamente.

– Chelsea para os vampiros eles não são cheirosos.

– Mais você não acha ele fedorento. – Ela fez biquinho.

– Mais comigo é diferente. – E é mesmo Jakazinho tem um cheiro delicioso másculo e amadeirado, mas em compensação a sua matilha cheiravam a horrores, como cachorro molhados.

Ela revirou os olhos e logo abriu um enorme sorriso.

– Não tem problema, eu passo um perfume nele e problema resolvido. – Ela já estava animada novamente.

Onde ela estava com a cabeça? Perfumes já não têm cheiros bons, além de terem uma fragrância forte demais para nós e misturado com o cheiro dos lobos. Não devia ser nada bom.

Fomos interrompidas com a chegada de Didyme, Marcus e mamãe. O silêncio predominou o lugar, mas mamãe pareceu não se importar na verdade não olhou para ninguém.

Sorri largamente. Finalmente mamãe não usava uma daquelas roupas horrorosas dos Volturis. Agora ela vestia um Trench Coat preto que ia até as coxas, uma calça skinny também preta e para finalizar um salto discreto.

Ela estava deslumbrante e linda. Perfeita! Acima de tudo usando roupas lindas, quase não acreditei no que via. Didyme a convenceu de trocar de roupa? Ah pode ter certeza que quando voltássemos para o Canadá eu iria fazer questão de arrumar seu closet.

– Estão prontos? – Marcus perguntou educadamente.

– Claro tio. – Meu tio pigarreou meio que incomodado com o súbito silêncio. – Acho melhor irmos.

Como ele já tinha se despedido de todos, logo se postou ao lado dos três.

Vi a ansiedade de Jane falar com mamãe, mas em nenhum momento algum ousou dizer uma palavra. A loira se limitou em abaixar a cabeça deu até um aperto no peito, sabia que ela sentia saudades da mamãe de antes. A verdade é que todos sentiam.

– Bella volte mais vezes. – Aro falou.

Ela finalmente olhou para alguém e assentiu levemente com a cabeça.

– Obrigada pela hospitalidade. – Foi a única coisa que disse antes de sair caminhando pela porta que acabara de entrar.

Sorri com isso. Tinha algumas coisas nela que não mudou, como a maneira educada que sempre teve.

Ao sair do lado de fora, olhei para mamãe de cima para baixo e mais uma vez fiquei satisfeita com o resultado.

Eu entrei no carro mais feliz impossível.

Marcus foi dirigindo com Didyme ao seu lado e mamãe, eu e tio David fomos atrás.

Como íamos de jatinho não precisávamos passar pelo embarque onde tinha acumulação de humanos e sim fomos direto de carro até o jatinho.

Suspirei animada. Definitivamente precisava comprar um desses. Quando entramos a aeromoça estava em pé perto da cabine dos pilotos nos recebendo. Quando me sentei na confortável poltrona percebi o olhar da mamãe fixo na aeromoça e eu conhecia muito bem aquele olhar.

Os pilotos também já estavam posicionados em seus lugares e avisaram que já íamos partir. Como eu estava sentada na última poltrona, mamãe se sentou do meu lado. Já tio David se jogou num sofá e ligou a tv que tinha ali. Didyme e Marcus sentaram mais a frente.

A viagem demorou bastante, mas dessa vez não foi entediante, passei o tempo todo falando com mamãe, ela somente me escutava. A maior parte do tempo ela olhava para a aeromoça ou para as cabines do avião.

A pobre humana estava ficando nervosa com a atenção que mamãe tinha sobre si. Coitada.

Finalmente estávamos pousando. Os pilotos pediram para que colocássemos o sinto e assim fizemos.

– Vamos. – Disse me levantando da poltrona.

Fui caminhando em direção à saída, porém quando olhei para trás mamãe não tinha saído do seu lugar.

– O que foi? – Perguntei, mas ela não me olhou seus olhos não desgrudaram da cabine do piloto e eu sabia o que aquilo significava.

Didyme colocou suas mãos sobre meus ombros.

– Acho melhor sairmos agora. – Ela sussurrou.

Tio David revirou os olhos e saiu dizendo que nos esperava lá fora.

Dei de ombros e sai cantarolando uma música. O dia estava frio como sempre, eu tinha trocado de roupa quando estávamos chegando. Agora eu estava com roupas grossas para disfarçar por conta do frio e claro da moda.

Meus pensamentos desviaram quando escutei o grito de dor e desespero da aeromoça e segundos depois dos pilotos. O cheiro forte de sangue humano me atingiu em cheio, fazendo minha garganta arder.

Conforme foi passando os anos parece que a sede por sangue humano só tinha piorado. Eu odiava tomar sangue animal, mas tinha meus motivos até então. Eu sinceramente achei que me acostumaria com o tempo, porém como eu disse só tem piorado.

Como tinha imaginado, mamãe não deixou nenhum deles vivos.

Suspirei e olhei em direção a cidade. Só esperava que desse tudo certo no fim.