A Primeira Eterna

47 Bem ou mal sempre há briga de casal


POV EDWARD

– Sua nova casa.

Jacob olhava boquiaberto para a casinha de cachorro que Rose tinha comprado para ele. Era uma daquelas típicas casinhas de madeira com telhado vermelho e as paredes de branco que as pessoas têm no quintal da casa.

– Rosálie! – Nossa mãe a repreendeu sem saber o que dizer.

– Vocês não estão vendo. O cachorro gostou tanto do presente que não tem palavras para descrever sua emoção.

O cachorro virou ficando de frente para ela.

– Você está de palhaçada, né? E aquela história de deixar “as nossas diferenças de lado”.

Rose arregalou os olhos.

– E nós deixamos, tanto que te dei até um novo lar. Você pode começar a vida sendo nosso bichinho de estimação. – Minha irmã dizia ingênua e piscando os olhos varias vezes.

– Rose sabe mesmo presentear alguém. – Jasper comentou com alguém mais atrás de mim.

– Oh, Jasper obrigada irmãozinho eu já estava esquecendo. – Rose correu até de frente da casinha e de lá de dentro tirou um pote com ração. – Fiz questão de servir seu jantar cachorro. Como não sabíamos que vinha hoje, minha mãe não fez seu janta, mas não se preocupe porque se você sentir mais fome pede para eu pegar, sabe como é, patas dificultam abrir o saco de ração.

Eu estava a todo custo tentando segurar minha risada mais cada vez ficava mais difícil e a cara de inocente da minha irmã só piorava a situação. Apesar de toda a diversão eu estava concentrado nos pensamentos de Jacob que estavam com diversas ideias de homicídio na cabeça.

Ele respirou fundo e sorriu irônico.

– Ótimo em troca vou trazer o seu caixão, no próximo fim de semana.

– Ora, cãozinho. Eu não durmo ou já está dando indícios de terceira idade na vida animal?

– O caixão não é pra você dormir e sim pra te enfiar lá dentro depois que eu acabar com você. – Sua voz que começou calma se tornou praticamente um rosnado quando avançou para cima de Rose.

Como eu já estava de olho na sua mente, previ seu surto e o segurei antes de alcançar minha irmã.

Ele se debatia nos meus braços tentando se soltar, enquanto Rose o olhava debochada.

– Me solta sanguessuga e me deixa arrancar esse monte de palha em cima da cabeça dela pra ver se ela fica menos burra.

– Jake para agora. – Nessie gritou.

Seu corpo parou de se debater contra mim, olhando contrariado para sua namorada.

– Foi ela quem começou.

– Não importa quem começou. Você só está fazendo o que ela disse: Agindo como um animal.

Nessie não esperou pela resposta e saiu caminhando em direção a entrada da casa. Parei de segui-la com meu olhar assim que passou por Bella que estava exatamente no mesmo lugar quando toda essa história começou.

Dessa vez, algo nela me chamou a atenção. Eu não teria notado se continuasse a dar atenção para aquela besteirada toda. Pela primeira vez eu vi Bella com os lábios levemente curvados para cima quase como um sorriso e seus olhos foi o que mais chamaram minha atenção eles não estavam vazios como de costumo, no fundo bem no fundo eu senti que tinha algo a mais neles, mas podia garantir que não era só vazio. Diversão, talvez? Quem sabe. Só sabia que isso já era um começo. Grandes progressos num único dia.

Como se sentisse alguém a observando, Bella olhou em volta até seu olhar se encontrar com o meu. Nesse instante qualquer indicio diferente no seu rosto, voltou para aquele típico sério e oculto de quaisquer sentimentos.

Antes que eu pudesse piscar o olho novamente, ela á tinha sumido entrando na casa.

Ah Bella, Bella como eu queria que você se lembrasse de tudo novamente. As coisas seriam tão mais fáceis. Queria tanto poder saber o que passava na sua mente, saber como ela estava reagindo com tudo isso? O quão difícil estava sendo em não se lembrar nada.

Eu realmente não faço ideia do que esteja na sua mente, mas sei que estarei ao lado dela para o que for preciso. Serei eu a dar o apoio e a força que necessitar. Resumindo serei tudo para ela.

– Você é surdo agora? – Jacob resmungou me chamando de volta ao que acontecia.

– Ham? – Pisquei algumas vezes.

– Me solta purpurina.

Empurrei-o para longe quase derrubando. Eu que não seria educado com alguém que acabou de me chamar de purpurina.

Jacob se ajeitou e olhou para Rose uma última vez antes de seguir Nessie.

– Você me paga, loira aguada.

– Vira-lata, estúpido. – Minha irmã gritou emburrada.

– Roselie guarde tudo isso agora e peça desculpas ao Jacob. Dessa vez você passou dos limites. – Carlisle a repreendeu.

Minha irmã cruzou os braços e fechou a cara. Nunca que ela iria pedir desculpas ao cachorro. Acho que seria mais fácil ela pedir para os Volturis tirar sua vida do que fazer esse simples gesto.

– Jake, espera! – Emmett gritou correndo até Jacob. Segurando em mãos algo que definitivamente me faria dar risada.

O cachorro se virou para encarar meu irmão.

– O que foi?

– Sabe, minha ursinha comprou as coisas pensando em você e eu queria te dar isso. – Emmett estendeu o shampoo de antipulgas para ele. – Agradeceria se usasse. Mamãe não vai mais precisar tirar as pulgas que você deixa espalhadas pela casa e quem sabe esse seu cheirinho não sai?

Meus irmãos e eu explodimos em gargalhada, até mesmo Carlisle e Esme tanto quanto Marcus e Didyme tinham sorrisinhos no rosto.

A maior graça é que meu irmão falava com a maior seriedade possível. Ao contrario de Rose que fez tudo isso para tirar com a cara do cachorro, Emmett fez com intensões verdadeiras e amigáveis, pelo menos ele acreditava ser.

Só Emmett mesmo para fazer algo assim.

Jacob bufou revirando os olhos e ignorou meu irmão. Não tinha o que discutir ele não fez por mal mesmo. Só estava sendo o Emmett de sempre.

– Agora quero que tire essas coisas de casa, filha. Não vou falar de novo. – Esme mandou.

– Boa sorte! Aproveita e usa seu cabelo pra varrer o chão. – Provoquei-a e fugi antes que ela resolvesse me bater.

Entrei na casa rindo. Sendo seguido por meus irmãos. Varri o local com o meu olhar procurando Bella, mas ela não estava nas minhas vistas.

– Rose está com instintos assassinos. – Jasper me alertou sorridente.

– Sim. – Respondi não prestando a dando a minima para ele.

– E você não está nem prestando atenção no que estou falando, certo?

– Sim.

Que estranho, ela tinha entrado em casa, mas não capitava nenhum som de seus passos ou de qualquer coisa.

– Posso escolher suas roupas para sempre? – Ouvi a voz da minha irmã.

– Sim.

– AHHHH. – Minha irmã gritou me fazendo pular no lugar.

O que deu nessa louca?

– Obrigada cabeçudo. – Ela pulou nas minhas costas dando um beijo estalado na minha bochecha.

Alice saiu da sala saltitando alegremente.

– O que foi que aconteceu? – Perguntei ao meu irmão.

– Nada de mais... Para a Alice. Você só permitiu que ela escolha a partir de agora todas as roupas que for vestir.

Mais que merda.

– Boa sorte. – Rose falou deliciada do lado de fora.

Gemi de frustração. Não posso deixar Alice escolher minhas roupas para sempre. Só preciso conversar seriamente com ela.

– Está procurando-a não é mesmo? – Jasper era a pessoa certa para te entender.

Assenti com a cabeça.

– Ela não está aqui. – Deu de ombros. – Acho que você nem mesmo percebeu que tanto Nessie e Jacob também não estão.

Agora que ele disse. Tinha mesmo razão, nenhum dos dois estavam aqui.

– Onde os três foram?

– Não sei. Bella provavelmente está em algum lugar com Nessie e Jacob deve ter ido atrás.

Bufei. Ótimo, era só o que me faltava. Jacob vai conseguir se aproximar primeiro de Bella do que eu.

– Sabia que essa situação toda entre Rose e Jacob foi uma coisa boa? – Arqueei uma sobrancelha fitando-o. – Vamos lá, você também percebeu.

– Está se referindo a Bella?

Meu irmão se sentou no sofá enquanto concordava com o que eu dizia.

– Pela primeira vez, ela se divertiu desde que chegou aqui em casa pelo menos. – Ele explicou cruzando os braços.

– Eu vi. – Sorri ao lembrar da cena que apesar de não ter sido grande coisa. Já era um grande passo.

– Eu não disse querido. Essa família faz bem para Bella. – Didyme entrou sorridente como o braço enganchado no de Marcus.

– Vi, só não sei se devia me sentir mal por ela não ter essas melhoras com a nossa família. – O Volturi respirou, mas enfim abriu um pequeno sorriso. – Mais fico feliz que sejam vocês, Carlisle. Não confiaria minha sobrinha com mais ninguém a não ser com vocês. – Ele olhou sobre o ombro para o meu pai que entrava atrás de si.

– Bella já faz parte da família muito antes de todos nós percebemos. – Seu sorriso não podia ser mais brilhante.

– Bom, se me derem licença. Vou tocar um pouco de piano. – Eu tinha que passar o tempo enquanto Bella não voltava.

– Claro meu filho. – Dona Esme disse carinhosa e esperançosa o que fez cortar meu coração.

Todos sofreram pela partida de Bella e eu me tornando um amargurado só fez essa infelicidade aumentar ainda mais. Antes como estava preso na minha própria dor não via o mal que causava na minha família e principalmente em minha mãe. Agora vendo seus olhos percebi o quão idiota eu fui por causar essa dor na minha mãe.

Sem pensar, corri até ela a abraçando com todo meu amor um jeito que há muitos anos eu não fazia.

Beijei seus cabelos antes de afastar meu rosto sem me desgrudar dela.

– Você me perdoa por ter sido esse babaca por tanto tempo? – Eu imploraria pelo seu perdão se for preciso.

– Oh meu querido. – Esme me puxou novamente para seus braços. – Só te vendo feliz novamente e seus olhos com vida eu passaria por toda essa dor se fosse preciso.

– Não diga isso. – Sussurrei enquanto beijava seus cabelos. – Você nunca merecerá dor alguma, mas eu preciso ouvir que você me perdoa. – Supliquei.

Minha mãe ergueu a cabeça e afagou meu rosto com sua pequena não.

– Se faz tanta questão eu te perdoo, só farei com uma única condição. – Ela me fitou seriamente para logo abrir um pequeno sorriso. – Seja feliz.

Abri um sorriso mostrando todos os dentes. Retirei delicadamente sua mão do meu rosto e depositei um beijo nela antes de segurá-la firme.

– Eu serei mãe. – Afirmei confiante.

– Muito bem filho. Agora vá para o seu piano. – Ela sorria alegre.

– Está me expulsando dona Esme? – Me fingi de magoado colocando um biquinho nos meus lábios.

– E você ainda pergunta? – Jasper se intrometeu. – Nossa mãe é boa demais para te expulsar claramente.

Revirei os olhos.

Logo sai dali e fui até a outra sala onde se encontrava meu piano. Incrível, como sua melodia saia perfeita depois de tantos anos sem tocar. Claro que eu tive que afiná-lo no dia anterior, mas nem precisei concertar nada ele estava em ótimas condições.

Nem sei ao certo quantas musicas toquei, depois que fechei meus olhos me perdi na melodia como há muito tempo não fazia. Só me dei conta que bastante tempo tinha passado quando vi que era tarde.

Me surpreendeu quando vi o relógio de parede que tinha ali, marcando que passava das três da tarde. Eu já estava tocando há quase cinco horas, realmente eu sentia falta de tocar.

Me trouxe uma paz que a muito tempo não sentia desde o dia que Bella sumiu da minha vida. Por falar nela será que ela voltou?

Procurei a mente de Nessie e sorri ao descobrir que eles já tinham chego há um bom tempo. Eu devia estar mesmo distraído para não reparar que Bella tinha voltado.

Será que eu devia conversar com ela agora? Ou estaria apressando muito as coisas.

“Vai falar com Bella. Ela já voltou faz horas e está sozinha lá fora agora.“ Alice me respondeu assim que previu minhas escolhas.

– Obrigado.

“Me agradeça quando escolher sua próxima roupa” Ela cantarolou por pensamentos.

Bufei. Eu tinha que conversar ainda com ela, mas deixaria para outra hora. Agora eu tinha coisas mais importantes para fazer,

Levantei do pequeno banquinho que fazia contraste com o piano e caminhei em direção a varanda da casa.

Fingi que fui até lá fora como se não quisesse nada, a não ser um pouco de ar. Segurei para não olhar pro lado e encarar Bella. Se eu desse muito na cara, provavelmente Bella desconfiaria que eu estava perseguindo-a.

A neve caia do céu como alguns dias atrás caia. O bom é que não fazia vento, fazendo assim os flocos de neve cair suavemente até o chão.

Respirei profundamente o ar, inalando o cheiro de Bella viciante que se encontrava por ali.

Finalmente virei meu rosto para encará-la. E como todas as outras vezes me perdi na sua beleza.

Bella só mexia a perna direita do lado de fora da enorme rede de descanso fazendo-a balançar levemente de um lado para o outro. Ela tinha os braços cruzados atrás da cabeça enquanto permanecia de olhos fechados.

Quem olhasse de fora acharia que ela está apenas repousando. Dormindo nos sonhos mais lindo que possa existir.

– Vai continuar me olhando? – Bella sussurrou me fazendo quase pular de susto.

– Er... Não! – Que droga fiquei secando-a e nem percebi, mas como eu ia imagina ela nem abriu os olhos. – Me desculpe eu não sabia que tinha alguém aqui, vim pegar um pouco de ar... Só fiquei surpreso quando te vi. – Menti.

Ela não me respondeu deixando que o silencio caísse sobre nós durante alguns segundos até que me dei por vencido.

– Me desculpe por te incomodar. – Deixei meus ombros caírem eu não sabia como agir, talvez essa não fosse a hora certa para conversar.

– A casa é sua, se tem alguém incomodando aqui sou eu.

– Nunca. – Respondi apressadamente. Como ela não respondeu nada resolvi tentar algo. – Se importa se eu me sentar? – Me referi as cadeiras com uma pequena mesa de centro que Esme fez questão de colocar aqui quando nos mudamos.

Resolvi Considerar seu silêncio como um sim. Sentei-me na cadeira mais próxima dela deixando-a meio de lado, conseguindo assim vê-la com facilidade e também olhar para a floresta um pouco distante de casa que agora estava branca por conta da neve.

– Que ruim essa neve caindo, não é?

Bella franziu o cenho.

– Está me perguntando sobre o tempo? – Questionou.

– Hum... Sim?

– Isso foi uma pergunta?

Eu sorri.

– Não, uma afirmação. – Menti. – E então?

– Prefiro a neve que a chuva.

– Assim, pelo menos não nos molhamos. – Respondi me lembrando que era por isso que ela não gostava de chuva.

Bella assentiu.

Talvez eu pudesse usar algo que apreciávamos fazer juntos. Se seus gostos ainda fossem os mesmos o que eu acho possível, então eu posso usar isso ao meu favor.

– É uma pena estar de dia ainda. – Sussurrei olhando para o céu nublado.

– Por quê? – Senti sua voz transmitindo uma pequena curiosidade pela primeira vez desde que nossa conversa começou.

– Durante o dia não posso ver as estrelas. – Expliquei. – Durante a noite gosto de passar varias horas vendo o céu escuro coberto por estrelas. É uma visão em tanto que hoje muitos não dão importância.

Abaixei o olhar na sua direção e me surpreendi ao ver que agora Bella não tinha a cabeça erguida para o teto e de olhos fechados e sim inclinada na minha direção me fitando com curiosidade.

– O que foi? – Me fingi de desentendido.

– Nada.

– Vai me dizer que não é bom olhar para o céu?

Bella deu de ombros encerrando o assunto, ela também não dava uma brecha.

– O que faz aqui? – Ela perguntou do nada.

– Como? – Olhei-a confuso.

– Você entendeu. O que está fazendo, vindo aqui conversar comigo?

– Eu já disse vim pegar um pouco de ar.

Bella estreitou os olhos me encarando fixamente, estava na cara dela que ela descobriu que eu estava mentindo. Que droga!

– Como sabe que eu quero conversar com você? – Perguntei derrotado já devia me acostumar que não da para enganar Bella.

– Acho que você não foi bom ator quando deu sua desculpa de ter vindo aqui e sua situação só piorou quando todos da casa sumiram assim que começamos a conversar.

Arregalei os olhos. Eu nem percebi que todos tinham sumido, eles não tinham um jeito mais discreto para nos dar privacidade, não? A quem estou enganando já me denunciei quando fiz esse teatrinho.

Ri balançando a cabeça.

– E eu que sempre achei ser um bom ator.

– Talvez, só esteja muito tempo sem praticar. – Respondeu.

– Não. – Neguei com a cabeça. – Você sempre foi muito perspicaz.

Ela voltou a fitar o teto.

– Sinto saudades. – Sussurrei quase inaudível, porém tinha certeza que ela escutaria.

– Hum?

Suspirei estava na hora de começar a conversar sério.

– É por isso que vim até aqui. Sinto saudades do tempo que passávamos juntos.

Bella não me respondeu, mas agora ela parecia perdida em pensamentos.

– Posso confessar uma coisa? – Nada. – Foi com você que eu aprendi a apreciar a beleza do céu.

Sua perna direita parou fazendo assim a rede parar de balançar aos poucos. Sua voz somente surgiu quando a rede ficou completamente parada:

– O que você e sua família são de mim? Por que os considero da minha família como todos dizem?

– Nós nos conhecemos há pouco tempo. Na verdade Alice você a conhece há mais de um século quando ela ainda era humana.

Bella virou o rosto na minha direção não escondendo a surpresa nos seus olhos.

– Diferente, não? – Falei e dei meu sorriso torto.

Não sei o que deu nela, mas Bella me olhou diferente, não sabia dizer o que seus olhos transmitiam, mas dessa vez estavam estranhamente familiar. Por mais que eu já tivesse visto esse seu olhar, não podia dizer o que ele simplesmente significava, pois de alguma forma ela conseguiu esconder o verdadeiro sentimento por atrás deles.

Ela fechou os olhos por alguns segundos os abrindo novamente como se não tivesse nada neles segundos atrás.

– Não acha um absurdo eu acreditar que me simpatizei por alguma humana? – Disse ela.

– Por que não?

– Além do fato dos humanos servirem apenas para comida. – Reprimi a careta que tive vontade de fazer. – Eu não me vejo sendo amiga de ninguém.

– E Nessie?

– Renesmee é um caso a parte.

Trinquei os dentes. Eu não acreditava que ela pudesse falar assim como se não tivesse importância alguma.

– É Nessie. – Disse um pouco exaltado. – Você só a chamava de Renesmee quando era pra ela ser repreendida. Como você acha que sua filha se sente quando você não a chama pelo apelido carinhoso que deu a ela?

Ela se sentou bruscamente na rede com os punhos fechados e me olhando com raiva.

– O jeito como eu chamo ela ou deixo de chamar é um problema meu e não seu. – Sua voz começou a sair ríspida.

– É meu, a partir do momento que estamos falando na felicidade dela.

Merda! Quando começamos a discutir? Sendo que segundos atrás estávamos tendo uma conversa amigável. Mas eu não conseguia fechar minha boca. Ao mesmo tempo que eu queria fazer tudo por ela, eu estava revoltado por ela agir fria desse jeito.

– Se você acha que vai conquistar sua filha agindo desse jeito, então você está perdendo seu tempo. Nessie não merece isso. – Arrependi-me das minhas palavras assim que saíram da minha boca.

Bella arregalou os olhos.

Mais que merda! Eu a magoei da pior maneira possível, mesmo que ela não estivesse agindo certo, não merecia essa palavras tão duras.

Pode ser que eu tenha quebrado todas as barreiras que construímos desde que Bella voltou. Senti a culpa tomar conta de mim.

– Bella... – Sussurrei. Contudo, parei assim que a vi me olhando com uma expressão assassina.

Seus olhos surpresos segundos atrás foram tomados pelo uma fúria sem tamanho.

Um rosnado mortal rasgou pela sua garganta. Antes que eu pudesse entender o que aconteceu no milésimo de segundo seguinte, senti meu corpo sendo chocado contra a parede. Grandes rachaduras foram feitas nela quase me fazendo atravessar para o outro lado.

Porra, como ela me tirou da cadeira e me jogou contra a parede sem perceber?

Não faço ideia, só sei que Bella nesse momento, mantinha meu corpo prensado entre ela e a parede atrás de mim, enquanto suas mãos estavam em volta do meu pescoço.

Assustado, tentei me soltar dela, porém Bella estava longe de me deixar livre. Seu corpo grudou mais no meu impossibilitando praticamente qualquer movimento, só ai que eu percebi que estávamos perigosamente perto.

Eu finalmente depois de desejar tanto, estava sentindo ela mais uma vez nos meus braços, ou quase isso.

Nossos rostos estavam a milímetros um do outro se eu avançasse com a cabeça pra frente selaria nossos lábios sem nenhuma dificuldade. Hipnotizado, olhei para eles que estavam entreabertos eram muito mais perfeitos que nas minhas lembranças: Vermelhos e cheios. O seu hálito delicioso cariciava minha pele inebriando meus sentidos.

Inconscientemente fui me aproximando dela.

Eu precisava desesperadamente dos seus lábios colados aos meus novamente, que a vontade chegava a doer fisicamente. No entanto, antes que eu pudesse fazer o que tanto almejara, Bella chacoalhou meu corpo chocando-o contra a parede mais uma vez.

– O que você quer com ela?

– Hein? – Sua voz me trouxe de volta a realidade, aumentando ainda mais a confusão dentro de mim.

– Não se faça de idiota. Você não acha que eu percebi o jeito que falou dela? Eu juro que se você tocar um só dedo nela eu arranco sua cabeça. – Ela cuspiu as palavras.

Olhei-a em choque. Mais que porra ela estava falando? Pior, onde ela tirou um absurdo sem cabimento desses.

– O que disse? – Perguntei ainda em estado de choque, se isso fosse possível para um vampiro. Eu precisava saber se o que eu ouvi foi um fruto da minha imaginação.

– Não. Teste. A. Minha. Paciência. – Bella pontuou cada palavra.

– Você é maluca? – Juro que se a situação fosse outra, eu teria caído numa gargalhada estilo Emmett uma hora dessas.

Ela realmente acha que tenho segundas intensões com sua filha? Com Nessie?

– Não me chama de maluca. – Sibilou.

– E quer que eu te chame do que? Só uma doida para achar que eu gosto de Nessie do jeito que está pensando.

Bella rugiu alto e mais uma vez seus movimentos foram extremamente rápidos quando me pegou pela gola da camisa e me jogou por cima de si, fazendo assim meu corpo cair de costas na escadas que dava para o quintal da casa.

Trinquei os dentes não por dor, mas sim para conter um palavrão.

– Eu vou acabar com você. – Falou avançando para cima de mim.

Caralho! Eu nunca bateria nela, mas não podia deixa-la me bater também sem me defender. Então fiz a única coisa que podia fazer no momento. Girei meu corpo pro lado de fora da casa quando ela tentou dar um chute no meu estômago destruindo assim boa parte da madeira da escada que já estava quebrada.

Apressadamente sem perder tempo prendi sua perna com minhas mãos e puxei-a derrubando, que caiu de costas na neve fofa ao meu lado.

Abri a boca desacreditado com o que acabei de fazer. Eu derrubei Bella? Quero dizer, eu realmente consegui deixar Bella sem ação?

Porra. Bella é a melhor lutadora que existe. Como eu consegui com um simples movimento derrubá-la? Eu não fazia ideia e olhando para seus olhos vi que ela os piscava varias vezes como se também não acreditasse no que aconteceu.

“Ótimo!” pensei irônico.

A confusão durou pouco porque Bella virou o rosto na minha direção com a expressão assassina.

Eu resolvi abrir a boca para pedir a ela que parássemos com aquela loucura, porém o que senti foi o soco que Bella deu na minha cara.

Gritei com as mãos na minha cara.

PORRA, isso dói muito. Não é a mesma coisa que levar um soco de Emmett é muito pior que isso. Se fosse humano eu teria quebrado o nariz, melhor sua mão afundaria na minha cara.

– Você está bem? – Bella perguntou.

– Bem? Eu pareço bem para você? – Falei indignado deixando somente uma mão em cima do nariz que provavelmente trincou com o soco.

– Idiota.

Ahhh, já chega! Subi em cima dela prendendo cada um dos seus braços ao lado da cabeça.

Encarei fixo seu olhar sem desviar os olhos.

– Agora vamos agir como vampiros civilizados e conversar.

– Não precisa entediar mais ainda minha vida, basta eu acabar com você e procurar algo de melhor pra fazer. – Debochou.

– Você não vai fazer isso, porque Nessie nunca te perdoará se me machucar. – Era capaz de Nessie nem ligar se for sua mãe a me matar, mas Bella não sabe disso.

Ela cerrou os dentes.

– Eu já disse para ficar longe dela.

– Não posso Bella, eu amo aquela pirralha como amiga ou filha e não do outro jeito. Nessie já encontrou seu companheiro assim como encontrei a minha.

Pela primeira vez Bella deixou sua mascara cair e seus olhos não transmitiram o brilho que eu tanto sonhara em ver, mas sim apagados por algum sentimento ruim.

Será que é o que estou pensando? Não, impossível. Expantei a ideia da minha cabeça.

– Bella. – Chamei-a tirando uma das minhas mão do seu braço e levando direto pro seu rosto, mas infelizmente com um movimento simples Bella me tirou decima de si, derrubando-me na neve ao seu lado.

– Me desculpe. – Ela murmurou chamando minha atenção. – Por ter lhe batido e tirado conclusões precipitadas. – Suspirou se erguendo.

Espera aonde ela vai? Ela não podia embora assim do nada, principalmente sem antes de colocarmos as cartas na mesa.

Levantei-me tão apressadamente e segurei seu braço para impedi-la de ir. Bella abaixou o olhar para minha mão.

– Vamos conversar, por favor. – Pedi. – Você não pode simplesmente sair daqui como se nada tivesse acontecido.

Franzi o cenho. Ela parecia não ter escutado nada do que eu disse.

– Bella não me ignora. – Supliquei. Eu preferiria ela me batendo do que me ignorando.

Nada, mas só agora percebi que ela olhava fixamente para um ponto. Segui com o olhar o caminho que encarava e quase engasguei ao me dar conta do que estava olhando.

Bella fitava fixamente a aliança na minha mão que simbolizava a nossa união, o nosso noivado e nosso amor. Ela deve ter notado a semelhança. Nossas alianças eram idênticas do mesmo designer e a única diferença é que a dela tinha três pedras de diamantes.

Será que ela se lembra da aliança que um dia já esteve na sua mão? Esperei pacientemente até ela finalmente reagir. Bella olhou para sua mão agora sem aliança e depois para seu coração. Sinceramente não entendi esse olhar, mas não importava, pois assim que ela ergueu o rosto vi duvida, hesitação e preocupação nos seus olhos.

Bella estava deixando todos os seus sentimentos serem denunciados pelos seus belos olhos castanhos.

– Você disse que tem uma companheira. – Perguntou e eu assenti. – Onde ela está?

– Acho que você sabe onde. – Respondi sem desviar nossos olhares.

Era isso, eu precisava contar para ela.

Bella negou com a cabeça tentando se soltar de mim, mas não deixaria ela fugir, não agora que eu estava decidido. Segurei seus braços em cada uma das minhas mãos.

– Sim, sabe.

– Não.

– Então eu direi: É você, Bella.

Percebi que ela trancou a respiração e se soltou prontamente de mim dando um passo para trás. Ela não podia se afastar.

– Por favor. – Eu supliquei, não aguentaria se Bella não me quisesse nunca mais.

– Não. – Bella me encarou com seus olhos vazios novamente.

Sua rejeição foi pior do que eu imaginasse que podia ser. Senti como se meu coração esmagasse dentro do meu peito e entrando no oceano de dor e desespero.

Ela se virou dando-me as costas e se afastou sem olhar nenhuma vez para trás.