Notas iniciais
Não faço ideia do que estou fazendo aqui, ninguém me disse. Não fui avisado sobre o que deveria ou não fazer. Simplesmente estou aqui. Mais um romance? Sim. Clichê? Talvez. Mas o amor nunca é a mesma coisa para todos. Para mim... foi algo simplesmente inesperado.

O mais bonito da sala? Não.

O mais popular? Talvez.

O mais incrível? Sem dúvida.

Sendo o que é ou o que não é existe um fato: ele não passa despercebido.

Deste a quinta que o conheço eu presencio isso. Não que eu tinha uma queda por ele. Ainda nem sabia o que aquela sensação na barriga era. Podia ser fome sei lá. Mas conforme você vai crescendo essa fome se torna um vontade de tocar. E dai você sabe o que isso significa.

E eu descobri com esse garoto, Nathan Stark. Ainda não sei exatamente o que significa o fato de eu nota-lo até mesmo em locais que ele não está. Como na minha caneta cujo ele pediu emprestada em maio. Ou no aviãozinho de papel que ele acertou em mim acidentalmente durante a aula de Português, que eu guardo até hoje.

– Desculpa — disse ele, sorrindo. Seus dentes chamavam mais atenção que seus olho. Eram lindos.

– Tudo bem — respondi — Ser acertado por um avião de papel fazia parte da minha lista de afazeres.

– Sem duvida que fazia — disse ele rindo — então você me deve um obrigado.

– Talvez mais tarde — eu disse desejando que aquela conversa durasse para sempre. Mas não durou.

Quando descobri que ele morava na casa ao lado foi pior (ou melhor) ainda. Ele gosta de jogar basquete eu também, correr, (eu não, mas ainda sim eu aia para correr na esperança de encontrar com ele, mas não encontrei.) Eu até poderia ir jogar basquete com ele, mas a minha vergonha não deixa e eu observo ele e ele parece tão bem. Como se agradecesse por aquele momento ser apenas dele e de mais ninguém.

Não que eu esperasse que um garoto de 16 anos do segundo ano se apaixona-se por outro. Mas eu simplesmente queria estar ao lado dele todos os dias, conversar com ele todos os dias... Nem que seja apenas como desculpa da amizade. Porquê quando você gosta de alguém não importa como, do lado na aula de História, duas carteiras atrás na aula de Português, ou até mesmo 3 carteiras ao lado e 3 atrás na aula de Calculo... Você apenas que estar perto dessa pessoa.

Talvez você esteja se perguntando quem sou eu. O que eu quero da vida. E pensando que é apenas mais uma história clichê de uma garota apaixonada e loucamente e unicamente apaixonada em um garoto. Mas não é assim. Primeiro porquê eu sou um garoto. E depois porque seria luxo demais eu apenas ter a minha paixão platônica para pensar. Acredite eu gostaria que fosse assim.

Mas eu não sou também um garoto com dificuldades para descobrir quem é, se aceitar e blá, blá, blá. Eu me aceito bem, não sei se como o termo gay mas eu sei que não sou como os outros garotos que curtem falar de sexo e de quantas meninas pegaram na noite anterior. Eu simplesmente sou o garoto que se mudou para uma escola nova e se apaixonou pelo garoto da turma. Não era uma garota. Era um garoto. Mas aposto que o sentimento foi igualmente lindo, ou até mesmo melhor. Não vou dizer que foi tudo perfeito que que eu não tive problemas com isso. Mas quando tudo é tirado de você, e a unica coisa que lhe resta é o amor... você não pode se dar ao luxo de criticar. O meu coração resolveu se apaixonar... por outro garoto. E não vou ser eu quem vou julga-lo por isso. Vou simplesmente aceitar que o meu coração é gay.

8 DE JULHO

Para a minha sorte acordei antes de minha mãe me acordar. Fui correndo para o banheiro antes que ela viesse porquê não quero começar minha sexta-feira como comecei os dias da minha vida: sendo criticado.

Pelo menos tenho sorte de ela ser criativa e sempre ter algo novo para reclamar. Meu cabelo. Meu quarto. O livro que estou lendo. E uma infinidade de outras coisas que totalizam 15 anos de criticas. Ok, não é tudo isso, porque ela precisou esperar eu me conhecer como gente para "dar a opinião honesta dela" (assim que ela chama).

Escuto-a abrindo a porta do meu quarto, proclamando o meu nome antes mesmo de entrar:

–Peeter!

Felizmente ela não decide vir falar comigo pela porta do banheiro. Dou um leve suspiro e vou tomar banho.

Meus banhos tem que durar exatamente 11 minutos para que eu não corra o risco de encontrar minha mãe pelo corredor entre meu quarto e o banheiro porque a essas horas ela já esta dando café para meu irmão mais novo, Gabriel.

Não me leve a mal. Eu amo a minha mãe e sei que ela me ama, mas eu sei que ela me ama por eu ser seu filho, e eu a amo por ela ser minha mãe. E em um universo paralelo que esse laço não existisse não seriamos nem conhecidos.

Evito de conversar com ela porquê tenho medo de romper até mesmo esse amor obrigatório que temos. Porque eu não sou exatamente o filho dos sonhos dela. Mas para a sorte dela ela tem o Gabriel que é tudo o que ela quer e mais. E para a minha sorte também porquê meu irmão me salva com o jeito dele que sempre querer a atenção 100% dos meus pais. E eu não me importo, como eu disse isso me salva, para que minha mãe não preste tanta atenção em mim a ponto de ver quem realmente sou, e sem eu precisar fingir ser alguém que não sou para agradar a ela como nos filmes.

Ok, 7h11 está na hora. E como sempre, estou certo, a escuto no andar de baixo falando para o Gabe como ele vai se sair bem no jogo de hoje. Ela vai sair em quatro minutos para ir leva-lo para a aula e tenho 15 minutos para descer, tomar café e sair para o colégio antes que ela volte.

Faço tudo e vejo no relógio da cozinha são 07:28. Estou adiantado então subo pego os livros escolares, meus fones e o livro que estou lendo (Divergente) e corro para o ponto de ônibus.

Vejo ônibus vindo da esquina e me preparo para o ultimo dia antes das férias de meio de ano.

Suspiro. Toco no play. E entro no ônibus.

Notas finais
Espero que tenham gostado, é minha primeira fic de verdade que eu tenho tudo bolado na minha cabeça e tals, mesma grande parte da ideia vir na hora. Por favor comentem, sigam, sei lá qualquer coisa que eu saiba que realmente há quem lê para que isso me anime a continuar.