A Pessoa Que Eu Quero.
2 Dois
Notas iniciais
8 DE JULHO
Apenas me sentei no meu banco no ônibus. Era o quinto banco da direita quando se entrava.
Eu era um dos únicos que se sentavam sozinhos. Não que eu seja estranho. Bem... não fisicamente. Se eu tivesse que dar uma nota pela minha beleza de 1 à 10 eu daria 8. Não que isso faça diferença para mim, mas estou até que dentro dos padrões de beleza. Não sou forte nem tenho um corpo definido como de Bill Wrayne (que joga basquete, no intervalo. Não que eu repare no corpo dele. Não sou esse tipo de garoto gay. Mas quando Bill decidiu que ele queria que todos olhassem seu corpo. Todos tinham que olhar. Porque ele fazia questão disso. É que durante a infância dele ele era gordinho e humilhado e blá blá blá. Mas vou lhes poupar dessa história de vida like a Demi Lovato. Só saibam que agora ele esfrega para todos que tem o "melhor" corpo da escola. Porque ele fazia questão disso. Mas eu assisto porque eu realmente amo basquete.) Mas mesmo assim eu era bonito. Olhos verdes, magro, nem alto desengonçado, nem baixo pateta. Meu cabelo era castanho claro. E eu fazia questão de me arrumar bem. Mas isso não importa no meu colégio. Se você não tem swag, não tem popularidade. Não que eu não tenha chamado a atenção de algumas garotas. Chamei. Mas eu não fazia questão dessa atenção. Na verdade de nenhuma. Eu só queria ter meu dia de aula normal sabe. Não sou do tipo que quer ser representante de classe ou jogador do time de futebol. Só queria a atenção de uma pessoa naquela escola toda. E essa pessoa entrou no ônibus agora.
Nathan normalmente entra acompanhado de Beatrice. Simplesmente a garota mais gostosa do colégio. Eu não brinco quando digo que até mesmo os gays mais gays do colégio transariam com ela. Eu mesmo me sinto particularmente atraído por ela. Ela é simplesmente única no colégio. Ela tem os cabelos negros, muito pretos mesmo. Era branca e tinha as maiores pernas do colégio. Sem falar em seus olhos que te fazem ficar de boca aberta. Ela poderia ter qualquer um (ou até mesmo uma) que quisera. Mas escolhera Nathan. Mas dessa vez Beatrice entrou no ônibus atrás dele sussurrando algo que ele parecia ignorar. Eles sentam-se nos fundos. O lugar aonde os populares do ônibus sentavam. Mas é lógico que os populares de verdade não pegavam ônibus, iam de carro.
Quando o vi simplesmente desviei o olhar como sempre passo quando ele passa por mim. Mas dessa vez foi inevitável porque ele simplesmente bufou para Beatrice e se sentou. AO MEU LADO. Ela parou ao seu lado no corredor e meio que fez uma cara de como se não tivesse entendendo nada. Eu logicamente estava fazendo a mesma cara. Mas um pouquinho menos obvio.
Não é que eu nunca tenha tido companhia na ida até o colégio. Tive varias vezes. Quando Mônica brigava com o seu namorado e não queria se sentar com ele. Eu acredito que ela deveria ser uma pessoa legal sem todo o chororô de Quase-término-de-namoro. Pena que nunca tive chance de descobrir, porque todos os diálogos era eu falando "Oi" quando ela se sentava ao meu lado chorando e resmungando algo incompreensível por de baixo das lágrimas. Mas o fato é que era ele. Sim, ele.
Ele tinha cheiro de morango... não aquele tipo doce. Mas aquele fresco. É estranho finalmente sentir o cheiro dele depois de tanto imaginar.
Beatrice choramingou algo e se sentou no seu banco de sempre. Só que dessa vez com o lugar ao seu lado vazio. Não que ela precisasse de Nathan para fazer companhia havia outras três pessoas cujo eu nunca me dei ao trabalho de memorizar o nome, para ela conversar.
Eu apenas tentei agir como se não fosse nada demais. (porque realmente não era para ser.) Para a minha sorte sou muito bom em esconder qualquer tipo de sentimento.
Apenas continuei a ler meu livro. O que se tornava uma tarefa cada vez mais difícil á medida que a viagem seguia. Mas apenas observava o livro para manter os olhos longes dos dele. Isso não é porque sou tarado nem nada disso. Mas é que os olhos deles são simplesmente curiosos. Acredite em mim quando digo que observar os olhos dele é melhor do que observar as estrelas.
Ele não é o tipo galã de filme nem nada do tipo, mas os cabelos dele são cacheados, os olhos são castanhos tão claros que alguns diriam que são amarelos. E ele usa os pares de tênis mais legais do colégio. Tipo ele vinha com um diferente cada vez. Ele era gato. E diferente. Nada do tipo capa da Capricho. Mas é um gato diferente do padrão.
Era o que eu acreditava ter atraído Beatrice já que ela tinha tantas outras opções mais "ao seu nível".
Ele bufou e deslizou do banco.
Até aonde eu sabia aquilo era uma indireta para quero falar com alguém. Mas com medo esperei até um segundo sinal. Não houve. Decidi arriscar:
– Sabe... alguns diriam que sou um excelente conselheiro amoroso.- eu disse com um tom profissional.
– Ah, é mesmo? — disse ele brincando e sorrindo
– Com toda a certeza. Pergunte para Mônica Collins. — eu disse rindo.
Ele riu. Acredito que sabia do que eu estava falando. Isso significava que tinha reparado. Em mim ou em Mônica. Provavelmente a segunda opção.
– E como foram essas terapias? — ele perguntou seguindo a brincadeira.
– Ah. Muito boas. Tenho que dizer que ela sem duvida foi uma de minhas melhores clientes.
Ele sorriu e disse:
– Não é nada. — suspirou e continuou — Acho que logo já melhoramos.
É... Eu deveria ter esperado o segundo sinal.
PRIMEIRA AULA
Não conversamos mais durante toda a viagem. Que não foi longa, cerca de 10 minutos deste o fim da nossa conversa.
Ele foi o primeiro a descer do ônibus e atrás foi Beatrice o chamando e tentando correr de salto alto.
Eles são um casal legal. Um dos poucos que não me enojam no colégio. Beatrice mesmo com seu corpo de rainha-nojenta-da-escola ela era legal. Fazia parte do comitê artístico do colégio que acredite ou não era um suicídio social no colégio. É um trabalho bacana que cuida da decoração das peças, das salas, dos bailes e etecetera do colégio. Eu não consigo imaginar o que tenha causado essa discórdia entre Nathan e Beatrice. Porque Nathan não é o tipo de pessoa que fica brava atoa.
***
Passei pelo meu armário para pegar meu material da aula de Química.
Chegando na sala logo vi as duas coisas que eu mais gostava naquele colégio. Priscila e Noah. Eles sentam na minha frente da última carteira na aula de química e em algumas outras aulas.
Conheci Priscila no começo do primeiro ano quando a vi lendo um livro que eu estava matando para ler mas como havia acabado de me mudar não sabia aonde ficava as livrarias. O livro era Quem é você, Alasca? de um autor famosinho por fazer modinhas e draminhas adolescentes. Eu gostava porque gosto de ver como os adolescente se salvam do drama. (quase nunca se salvam mas aprendem uma lição valiosa e blá, blá, blá.
Por algum motivo (talvez empolgação) cheguei sem nenhuma vergonha e perguntei.
– Aonde você compra livros?
Ela meio que deu um pulo da carteira. Acho que não está acostumada a ser atacada assim logo no primeiro dia de aula. Foi nesse momento que me toquei que era para eu ser tímido. E meu rosto esquentou na hora. Ela talvez tenha percebido porque deu uma risadinha.
Ela era uma coisa fofa em pessoa. Era baixinha, usava um vestidinho branco e os olhos eram pretos e gigantes. Ainda usava uma maquiagem nos cílios que os deixavam maiores ainda. Era ruiva e tinha algumas sardas em volta do nariz.
Ela respondeu muito simpática. Mas com deboche. Não de um jeito malvado. Mas de um jeito cômico:
– Em uma livraria! — ela sorriu e o sorriso dela era muito branco e seus dentinhos eram bem pequenos como se fossem de leite.
– Isso eu sei mas em qual? — Perguntei com vergonha, ainda não recuperado da minha cena.
– Livrarias Curitiba. — ela disse voltando ao livro.
– Livrarias o que? -
– Curitiba.
– Não conheço.
Ela me olhou com espanto e disse:
– Você realmente é estranho.
– Não sou estranho — disse rindo. — É que sou novo aqui e não sei aonde ficam os lugarem de sobrevivência básica na cidade. Como as lojas de Cd´s e as livrarias.
– Não se esqueça das H.Shakes.
– Sim. — eu disse com o olho iluminado como se tivesse vendo uma versçao feminina minha.
H.Shakes é simplesmente a melhor sorveteria do mundo. Eu ia quase toda a semana na minha antiga cidade antes de passar na Folker que era as lojas de CD´s e a Livraria. As vezes comprava algo as vezes não. Mas fica tudo no mesmo corredor do Shopping. Era um sonho. Se aquele corredor tivesse um nome chamaria-se Corredor do Peeter.
Ela continuou:
– Mas garoto esquisito fico feliz de lhe informar que essas duas coisas se encontram no mesmo lugar. Livrarias Curitiba. CD´s e Livros. Mas o Milk-Shake fica em uma loja diferente. Infelizmente.
– Isso seria realmente excitante. Uma loja de musicas de músicas dentro de uma livraria dentro de uma H.Shake. Uau. Mas estamos no caminho. — eu disse. — Você acha que poderia me dar o endereço dessa livraria?
– E se eu te levasse até lá?
Eu normalmente correria dessa socialização mas ela realmente me interessou. E isso é raro, não podia fugir dela.
– Claro. Que tal depois da aula?
– Marcado, garoto estranho.
Depois disso discutíamos sobre os livros, músicas, (devo admitir que tenho um gosto musica bem melhor deste então.) emprestávamos livros um ao outro (isso era tipo o topo da amizade porque eu emprestaria um rin. Mas um livro não.) e saiamos eventualmente para o H.Shake.
Depois das férias de final de ano daquele ano chegou um garoto novo com a camiseta da nossa (Priscila e eu) banda preferida. Ficamos encarando durante alguns minutos e depois Priscila decidiu a gente dar uma de Peeter-no-começo-do-ano e "chegar chegando nele". Não consegui conter a risada. E foi o que fizemos. O garoto era muito legal. E não demorou muito para eu perceber que Priscila estava afim dele. Mas eu nunca toquei no assunto nem ela. Não mudei tanto assim para me tornar tão sociável de um dia para o outro.
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