A Nova Sexta-Feira 13
1 Um novo começo...
Notas iniciais
NOVA Sexta-Feira 13
“O diabo adora festa!... E JASON Também!”.
Fazenda EcoDie – Solitária – Tarde... -1993
A Fazenda EcoDie, há alguns anos atrás, era o local perfeito para a diversão, passeio e aventuras em família. Ela se localizava perto de uma bela floresta, onde agora é um tenebroso pântano. O lazer da EcoDie foi quebrado quando Jason, uma aberração com uma máscara de Roquei, começou a matar a todos que adentravam na fazenda. O tão sonhado local de diversão virou um macabro cemitério aterrorizante. As árvores, antes floridas, agora estão secas. O pântano, antes um delicado e limpo rio que cortava a fazenda, tem sangue tomando conta das suas águas. Por debaixo do solo, que antes era fértil, agora existe um amontoado de ossos humanos... Apenas os desavisados conseguem entrar nessa fazenda... Mais ninguém consegue sair dela!
– Me deixa em paz, demônio. Saia de trás de mim! – Um lenhador grita enquanto corre para fora da fazenda, indo em direção à porteira. O homem, com cerca de 40 anos, barba escanhotada, cabelo e olhos pretos, uma pele pálida de medo, suor por todo o rosto, junto de sangue. Ele usa uma toca bege e veste uma calça jeans e uma camiseta xadrez, listrada de preto e vermelho.
O lenhador, de nome Tenório, foi mandado pela filha do seu patrão à fazenda, para arrumar as coisas para ela e seus amigos, que chegarão à tarde e irão fazer uma festa. Tenório, bom amigo da moça e dos seus pais, resolveu atender ao pedido e foi para a fazenda, arrumá-la.... Mas logo, após ver os outros lenhadores começarem a morrer, ele percebeu que tinha mais alguém ali com eles...
O pobre lenhador corre de medo, lançando pedras, galhos secos, folhas e mato para trás, tentando despistar uma horrenda criatura com máscara que o segue. A criatura com máscara, ou melhor, Jason, quase o alcança. Uma grande e afiada picareta ele leva em suas mãos sujas de sangue. Seu rosto não demostra expressão, exceto por seu olhar fulminante de fúria e raiva.
Aquela fazenda há muitos anos atrás pertenceu à família de Jason. E como é de sua posse, quem adentrar nela, ele mata.
– Seu Jason, por favor, deixe eu sair daqui! – Tenório grita, vendo que já é quase alcançado pelo outro. Árvores, matos e gravetos, são deixados para trás pelos dois. O lenhador tenta achar uma estrada, enquanto o outro quer apenas sangue.
Enfim, o pobre homem consegue ver e escutar carros passando próximos dali. Ele aumenta o passo, tentando apanhar o carro que emite forte som. Tenório, olhando de longe, reconhece a caminhonete vermelha escura. É da família do patrão dele. Alguns jovens se remexem e se beijam dentro do veículo, em alto som.
– Não... Não vão para a fazenda! – Tenório grita, tentando avisar ao grupo. Com o alto som, eles não conseguem (e nem querem) escutar nada. Num último suspiro, o lenhador nota Ana Carolina, a filha de seu patrão, dentro da caminhonete, rindo e conversando.
– Aninha! – Ele dá um último grito e é apunhalado nas costas por uma picareta, que o faz cair. Uma imensa dor toma conta do seu corpo. Da sua face, sangue começa a sair, deixando o que antes era branco, vermelho.
Tenório, tentando arrastar-se para a sobrevivência, emite gritos e gemidos de dor, que cessam quando Jason pisa sobre sua cabeça, esmagando-a e quebrando-a. Logo, com a vítima já morta, Jason volta-se para a caminhonete, que passa a alguns metros dele.
Com olhar de fúria e de indignação, ele arranca a picareta das costas do lenhador, e sai. Sai em busca de mais vítimas fatais, ou melhor, Ana Carolina e os outros da caminhonete.
* * * * *
O veículo vermelho, lotado de jovens ingênuos que não seguem avisos, derrapa na entrada da fazenda. A linda jovem, de pele branca e olhos verdes, desce do veículo e abre a porteira de madeira. A caminhonete entra e “Ana” fecha novamente a porteira. Logo, a moça anda em direção à caminhonete onde os amigos estão descendo e para em frente da casa. “Carolina” (apelido) usa uma calça jeans e uma blusa azul-marinho. Uma jaqueta de couro, aberta, cobre seus ombros. Uma tiara azul prende seu cabelo preto liso após a testa. E uma sandália rasteira azul, combinando perfeitamente com sua blusa e sua tiara, ajeita seus delicados pés.
– Oôô “Carolina”... Tem certeza que é nessa fazenda aqui que vai acontecer à festa? — Elisa, amiga “loucona” de Carolina desce do veículo. A moça, usando um salto bem alto de cor bege, cobre os olhos com óculos de sol preto. Seu cabelo liso, grande e ajeitado desce até o meio de suas costas, deixando uma coloração avermelhada. Elisa é ruiva. Sua blusa vermelha cobre apenas até certa região de sua barriga, deixando seu umbigo à mostra. Sua pele é branca e ela também usa uma calça jeans, só que apertada. Pulseiras, joias, braceletes e brincos enfeitam seu lindo corpo.
Com dificuldade a moça caminha até a amiga.
– Pedi ao funcionário do meu pai para que ele viesse aqui e arrumasse o local para nós, mas acho que ele não veio... – “Carolina” olhou em volta, vendo tudo desarrumado.
– Ana Carolina! A mamãe sabe que viemos para cá? – A irmãzinha caçula da moça desce do carro, sendo seguida por outra moça e três rapazes.
– Não, Ming. E se contar, eu te bato! – A irmã virou-se para a irmãzinha de sete anos. A outra cruzou os braços e a olhou com sarcasmo.
– Ótimo... Isso vai ser uma festa ou um sequestro?! – A pequena ironizou.
Ming, tirando os olhos mais verdes e o cabelo trançado, porta as mesmas características da irmã. A menininha usa um laço vermelho na cabeça, brincos pequenos nas orelhas e um lindo vestido rosa. Ela também calça uma bonita sapatilha avermelhada.
– Vocês duas vão começar com essa briga de novo? – Bradley diz. Ele é o namorado de “Carolina”, e junto do irmão, Brant, marcou a festa. O rapaz, com olhos pretos e cabelo igualmente preto, veste uma calça jeans-azul e uma camisa xadrez de manga. O irmão (Brant), pouco mais tímido que ele, usa uma calça de moletom marrom e uma camiseta azul sem manga. Bradley, apesar de ser mais velho que o irmão, tem aparência mais jovem, pois se preocupa muito com seu estilo. Brant já é mais “despojado” e faz qualquer coisa valer qualquer coisa.
Brant é namorado de Emily, uma das amigas de “Carolina”. Com a pele branca, seu cabelo loiro e seus olhos azuis esbanjam uma beleza triunfal, que mata qualquer outra mulher de inveja. Seu corpo esculpido é coberto por um longo vestido florido, que a cobre dos ombros aos pés. Uma pequena sapatilha dá a moça o suporte necessário para evitar alguns galhos e espinhos. Emily, além de ser a mais meiga e doce, é também a que mais gosta de Ming. As duas vivem juntas, e Ming parece gostar mais de Emily do que da própria irmã.
– Gente... – A moça chama os olhares de todos os outros para ela. – Vocês não viram a placa lá atrás dizendo que isso aqui é perigoso? – Ela, tentando demonstrar calma, está coberta de dúvida por dentro.
– Concordo com a “Emm”. Invadir assim a fazenda de alguém pode ser perigoso! – Ming aproxima-se da querida amiga mais velha.
– Olha aqui queridinha, ninguém pediu sua opinião! – “Carolina” aponta o dedo indicador para a irmãzinha, que mostra a língua. – E Emily, deixa de besteira... Esse sítio é abandonado há anos!
– Tá bom garotas, sei que vocês se amam... Mas temos que arrumar logo essa joça dessa fazenda para a festa. O pessoal vai chegar daqui a 4 horas. – Timothy explica, aproximando-se de Ana Carolina e Elisa.
O rapaz, moreno e com olhos e cabelos pretos, calça um sapato de couro e veste uma calça de couro marrom e uma blusa leve vermelha. Por ser o melhor atleta da cidade, ele tem um corpo forte e porte físico grande. Timothy também tem uma personalidade muito brincalhona e piadista. Gosta de pegar os amigos nos fragas e é muito besta por causa disso. Atualmente ele está sozinho no amor.
– Eu vou dar uma volta! – Ming fala aos outros.
– Você está doida? Não vou deixar você sair sozinha por aí! – A insolente irmã tenta controlar a menor.
– Ela não vai sozinha, vou com ela. – Emily indaga, pegando na mão da menor, que sorri pra ela.
– Tudo bem... Mais, não vão se perder, hein! – Timothy brinca. As duas, de mãos dadas, nem ligam para o que o outro diz e começam a caminhar para o meio da floresta que cobre a fazenda.
– “Carolina”, por que é tão ruim com a sua irmã? – Elisa pergunta à amiga, que a olha séria.
– Tenho medo de que aconteça algo com ela! – A irmã se vira para o lado da casa novamente.
– Vamos ficar falando sobre como é bom ter um irmão, ou vamos entrar e arrumar essa casa?! – Bradley olha para o irmão, que aponta com o dedo do meio.
O restante do grupo entra para a casa. As moças vão à frente limpando alguns moveis, e os rapazes levam as caixas com decorações, comidas, doces e outras coisas, que estão no veículo.
* * * * *
– Porque minha irmã é daquele jeito? Às vezes eu acho que ela me odeia, sabe. – Ming explica. A garotinha, enquanto segura firme as mãos da amiga mais velha, sente a brisa do vento balançando seus lindos cabelos.
Com uma tarde ensolarada (muito forte), a tenebrosa floresta onde as duas caminham tem cara de ser uma simpática floresta. A alguns metros delas, no fim do ambiente solstício, uma cabana antiga se encontra a mostra. Abaixo da cabana, um lago gigantesco.
– Não diga isso, Ming. Sua irmã pega no seu pé porque se preocupa muito com você! – Emily explica. Logo, a moça vê a cabana surgindo a alguns metros dela e para de andar.
– Às vezes parece que ela não está nem aí pra... Ué! Porque paramos? – Um olhar dócil é lançado em direção à moça maior.
– Olha aquela cabana! – Emily aponta o dedo para a casinha, mostrando para Ming.
– Parece abandonada... Vamos ir lá ver?! – Antes de perguntar, a menor já se desespera a correr em direção ao tremulo local.
– Ming espera! – A outra segue.
* * * * *
O grupo já está bem adiantado em relação à decoração do casarão para a festa. Elisa, Bradley e Brant limpam o andar superior, enquanto Ana Carolina e Timothy ficam com o debaixo.
– Elas estão demorando demais... Vou atrás delas! – “Carolina” larga alguns objetos que limpa e levanta-se do chão infértil da casa. Timothy para de fazer seu serviço também e se aproxima da amiga.
– Dê um tempo a elas, “Aninha”. Não faz nem dez minutos que saíram! – O rapaz diz, mas Ana acena negativamente com a cabeça.
– A Ming pode até me achar uma chata, mas eu me preocupo muito com ela. Viemos para cá escondidas de nossos pais... Se algo acontecer com ela, meus pais me matam! – A moça caminha até a porta e a abre.
– Pode deixar. Se é tão importante assim para você, eu vou buscá-las! O pessoal precisa de você aqui para terminar a decoração da casa... Avisa que vou atrás delas, ok! – E Timothy sai pela porta. Ana acena positivamente com a cabeça, sorrindo para o rapaz. Logo, após alguns passos, Timothy some em meio à floresta.
* * * * *
Emily, cansada de correr, tenta aos prantos seguir a garotinha, que já está bem próxima à portaria da casa.
– Ming! Não entra aí. – A moça tenta mandar, só que já é tarde demais. A atrevida da menina já está dentro da casa. Emily, olhando em volta, sente a leve brisa, do ar, virar um frio tenebroso.
– Não tô gostando nada disso! – A moça diz, entrando na casa.
* * * * *
No lago “HugField” – lago da família de Jason – um casal de namorados toma banho na água. Os dois, Ray e Megan, banham-se nas proximidades da floresta. Jason, por de trás de algumas árvores, observa a fundo a namorada do rapaz. Ela não está nua, está de biquíni. O outro está de calção.
Do local de onde o assassino fanático olha para a moça, árvores encobrem o rapaz, deixando Jason pensar que apenas Megan está ali.
– Essa água tá muito boa. Vamos ir mais no fundo, amor! – O rapaz tenta chamar pela namorada, que já está cansada de se banhar.
– Ray! Já estamos aqui a tarde toda, vamos logo embora! – A moça, loira e de olhos verdes, aproxima-se da terra firme.
– “Peraí” Megan! Vou dar um ultimo mergulho! – O moreno, musculoso e forte, mergulha por sob a água.
– Vou te esperar lá no carro! – A loira grita, saindo da água e caminhando para a floresta. O namorado, por baixo da água, nem ouviu o que ela disse.
Megan pega sua toalha e a enrola em volta de seu corpo, enxugando-o e tirando as gotículas de água e os pequenos pedaços de casca de árvores e bichinhos. Logo, a moça, coberta pela toalha, sai caminhando entremeios os galhos e árvores da floresta.
– Ai! – Um gemido de dor é solto por Megan quando esta pisa sobre um pequeno espinho. – Que droga! – Ela se abaixa para olhar a motivação de tanto sangue saindo de seu pé esquerdo.
Neste exato momento, uma flecha passa direto por cima da moça, que se levanta assustada após ver o objeto preso a uma árvore.
– Quem está aí? – Ela começa a olhar em volta, mas só vê árvores, galhos e ramos de mato. – Ray, isso não tem graça! Saia logo de onde estiver. – A moça começa a ficar preocupada e assustada.
Após ouvir um ruído de galhos de quebrando, Megan vira rapidamente, topando de cara com Jason, que a espera com uma machadinha nas mãos.
– AHHHHHHHH! – Ela solta um grito de terror quando vê o assassino. Ele tenta golpeá-la com a arma, porém ela se abaixa e sai correndo. Sem demonstrar expressão, o outro a segue.
– Ray! Me ajude. Socorro! – Megan, olhando em volta e para trás, nota que não está sendo seguida. Mesmo assim, a moça continua a correr, até chegar à área onde está o carro de Ray. A loira da um leve suspiro e respira fundo antes de entrar no veículo. Uma machadinha, rodando, passa muito rápida do lado dela, que se desespera e entra no carro. Com os vidros fechados e as portas travadas, Megan começa uma busca intensa pela chave do veículo.
– Mas que droga, Ray... Onde você guardou essa chave? – Ela começa a revistar o porta-luvas e algumas bolsas que tem no veículo. Logo, Megan se lembra de que Ray levou a chave para o lago com ele. A moça, desesperada, tenta fazer o mínimo possível de barulho, para tentar ouvir passos ou galhos se quebrando.
– “Peraí”, a chave estava dentro da toalha! – Ela se recorda, revistando o objeto molhado. Nada é encontrado nele, mas no chão, em meio a alguns arbustos e folhas secas, Megan vê a chave do veículo.
– Ai meu pai... – Ela se aproxima vagarosamente da porta e tenta abrir. Num segundo desesperado, Jason cai na frente da porta, com uma machadinha na mão esquerda. Megan emite um forte grito de medo, susto, terror e preocupação, mas o assassino, com apenas uma batida, quebra o vidro da porta do carro e acerta a testa da loira com a arma. O grito começa a ficar mais fraco e, com sangue saindo do olho, da boca e da testa, ela morre.
O namorado, ainda dentro da água, escuta o grito de Megan e sai para procura-la.
* * * * *
– Que lugar feio! – Emily fica assustada com os objetos e máscaras aterrorizantes que enfeitam a casa. Muitos ossos por todos os lados.
– Ming! – A moça dá um grito.
– Aqui em cima! – A sapeca detetive responde. Emily se dirige para as escadas e sobe para o andar superior.
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