A New Beginning- Interativa
20 Capítulo 20: Eliza e David Schreave
Notas iniciais
Eliza Schreave
Trite me esperava em seu quarto, com a porta aberta. Sorri ao ver seu entusiasmo. Gostaria de uma nova amizade, e via muito de mim nela.
–-Pegou biquínis? –perguntei entrando e sorrindo.
Ela ergueu uma bolsa, e disse que lá também havia protetores e cangas.
–-Então só falta colocarmos os biquínis e irmos para a piscina mesmo!
Trocamos de biquíni, pois eu também havia levado uma bolsa. E depois, passamos protetor, e escolhemos os óculos de sol que mais combinavam com nossos biquínis.
Trite disse que não se sentia muito confortável com o biquíni, pois segundo ela, não gostava de roupas assim por “não ter corpo”.
–-Para de bobeira Trite. Você é linda de qualquer jeito, e deveria agradecer pelo seu corpo! Acho-lhe muito bonita, e pessoalmente, torço muito por você –eu disse piscando –Mas não conte para Mitys!
Ela sorriu, e disse que estava feliz por ter uma amiga no palácio. Amiga.
Quando finalmente chegamos à piscina, percebemos que não fomos às únicas que decidiram aproveitar aquele dia tão lindo. Mitys, Annelise, e Woori estavam conversando na sauna. Pareciam empolgadas com o assunto, pois suas gargalhadas eram ouvidas na entrada da área de piscina.
–-Devemos chama-las para ficar conosco? –perguntou Trite, visivelmente chateada.
–-Claro que não. Nós combinamos isso só para nós. Fique tranquila.
Pude ver que ela sorriu, e por um momento, senti que seriamos boas amigas.
Ela se mostrou mais comunicativa e divertida do que aparentava. Contei-lhe sobre minhas loucuras em Las Vegas. Contei sobre Caleb, e por um impulso, contei sobre Henry. Não sei por que, mas sentia que podia confiar nela de olhos fechados. Olhos fechados.
–-Eliza... Não sei o que dizer.
Abaixei a cabeça, em um ato de arrependimento.
–-Olha, você pode ficar tranquila, pois eu nunca contaria isto para ninguém! E te entendo... Entendo como nosso amor ultrapassa qualquer tipo de barreira.
–-Já amou alguém? –perguntei visivelmente surpresa, por alguém ter tido a oportunidade de ter o coração tão inocente e puro de Trite.
–-Já. O nome dele era Teddy. Mas a história não começa assim. Tem certeza que quer saber? Talvez você mude sua opinião sobre mim depois disso...
Engoli um seco. Mudar minha opinião?
Fiz um sinal com as mãos para ela prosseguir.
“Minha melhor amiga, Malorie, era do tipo de garota que agia sem pensar nas consequências. Saia todo final de semana, escondida dos pais. Frequentava baladas, bebia muito, e ficava praticamente com todos os caras da festa. Até que aconteceu. Teddy aconteceu. Malorie se apaixonou profundamente por ele. Até que depois de assumirem o namoro, ela achou bom aproximar sua melhor amiga do seu namorado. De inicio, não gostei dele. Mas com a insistência dela, acabei deixando de “odiá-lo”. Um tempo passou até eu entender o que estava acontecendo. Eu estava apaixonada. Apaixonei-me pelo namorado da minha melhor amiga, de repente. De uma hora para a outra. Ficamos algumas vezes escondidos, até que ela descobriu. Sinto-me tão culpada por isso, me sinto cruel. Ela ficou tão abalada, contudo, que decidiu ir morar em Paris com o pai. No caminho, o trem em que estava saiu dos trilhos. Ela morreu na hora. Deste então, me sinto como se fosse incapaz de ter qualquer outra amizade, pois me lembro do rosto dela, sorrindo para mim, mas depois lembro do modo como ela me olhou, depois de tudo”.
Fiquei chocada depois para achar as palavras certas. O muito que consegui dizer foi:
–-Sinto muito, Trite. Sinto muito mesmo.
Pude ver seus olhos brilharem, e as lagrimas ameaçaram correr de seus olhos.
–-Não mandamos no nosso coração, amiga. Simplesmente acontece. Não escolheria correr este risco todo, ou ficar tão na duvida. Mas aconteceu. E não podemos fazer nada, se não aceitar –tentei consola-la.
Em um ato de impulso, a abracei. Ela retribuiu o abraço, e senti algo molhar meu ombro. Porem, não era a agua da piscina. Mas sim, as lagrimas de minha amiga.
♛♛♛
Por volta das onze horas, eu estava deitada em meu quarto, sem nada para fazer. Coloquei algumas musicas, e peguei meu caderno de textos. Eu gostava muito de escrever pequenos textos, poemas... Mas nunca havia inspiração o suficiente para isto. Hoje era diferente. Peguei o lápis, abri o caderno, e me expressei:
“Tem pessoas, que sente saudade igual agente; secreta.
E também tem gente, que sente saudades igual água; transparente.
O tempo passou. As estações mudaram, e os ventos também. As árvores já trocaram de folhas, e já cresceram várias flores no parque. Mas a minha saudade por você… ela só aumenta. Parece que a cada folha que cai de uma árvore no outono, faz com que ela se aumente. Parece até mesmo, que estou com um buraco dentro de mim. Esperando para ser preenchido e tirar toda a dor, porém, só poderá ser preenchido por você. Não me arrependo de ter me afastado de você, afinal foi necessário. Eu, e minha mania de bater o martelo no errado, tentando e achando que posso fazê-lo virar o certo. Achando que posso mudar as coisas... como fui ingênua. Às vezes, quando deito na minha cama, e coloco a cabeça no travesseiro, vem à mente se você ainda pensa em mim, como penso em você.
Eu estou farta de sentir saudades sua. Estou farta de pensar em você quando deito minha cabeça ao travesseiro. Estou farta de me ver pensando em você durante meu dia. Mesmo com a sua ausência, você ainda está presente na minha vida. Em vários momentos. E eu também estou farta de ainda amar você, mesmo depois de tudo. Estou farta de não conseguir te esquecer”.
Suspirei ao conseguir me expressar tão bem. Parecia uma terapia... Parecia tanto tempo. Mas não era. Não fazia mais que um mês, porque querendo ou não, o perdi com a chegada de Caleb. Não nos vimos mais, ele se afastou, brigamos, e terminamos. Se é que aquilo obteve começo um dia.
♛♛♛
David Schreave
Meu pai entrou no meu quarto, pela parte da tarde, dizendo que hoje eu precisaria eliminar alguma garota durante a apresentação do Jornal Oficial. Concordei, pois sabia que já era a hora. Dariam inicio a programação às sete horas. Ainda eram seis, porem mamãe implicava que estivéssemos muito arrumados.
Fui ao quarto de minha irmã, a fim de contar-lhe sobre minha decisão, mas ele estava vazio. Decidi então, passar um pouquinho no quarto de Tessa, que brincava de “mamãe e filhinho” com sua babá. Quando me avistou, a pequena saiu pulando e gritando:
–-David, David! Você pode ser o papai das minhas bonecas?
Sorri e a peguei no colo.
–-David só passou para lhe dar um beijo, Tessa –disse isto, beijando sua testa.
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Só fui encontrar Eliza já no estúdio. Estava linda, claro. O que não era nenhuma surpresa, pois minha mãe dizia que aparência no Jornal, era tudo. Começaram falando sobre o fracasso de nossa aliança com a França. Logo depois, a previsão do tempo, e só então, me chamaram a frente. Respirei fundo, e caminhei até a frente.
–-Boa noite a todos, e obrigado por estar assistindo ao Jornal Oficial. Nesta noite, eliminarei mais uma garota de minha Seleção. Lembrando que, não as elimino por aparência, tampouco por não satisfazerem minhas vontades, como andam dizendo. As elimino, porque não encontrei nelas o que eu desejo no amor da minha vida –ouvi suspiros apaixonados no auditório –E sem mais delongas, pois todos devem estar tão tensos quanto eu e as meninas, a eliminada de hoje, é:...
Ouve tensão no auditório, e com certeza nas casas também.
–-... Valentina Tully.
O rosto de muitas selecionadas se suavizou e pela minha surpresa, o rosto da própria eliminada também. Ela se levantou, para recolher o buque de flores em minha mão, e me abraçou.
–-Obrigada, alteza. –ela sussurrou em meu ouvido.
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