A New Beginning- Interativa
21 Capítulo 21: David Schreave
Notas iniciais
Palácio Schreave --- Illéia
Um mês depois
David Schreave
O mês passou tão rápido quanto um cochilo de tarde. Coisas aconteceram, e outras deixaram de acontecer. Valentina, a ultima eliminada, telefonou há mim cinco dias depois de sua retirada ao palácio.
–-Principie? Desculpe te incomodar, e antes que me pergunte quem me passou o numero do seu celular, eu já respondo. Meu noivo –começou.
–-Noivo?
–-Sim. Com certeza você se lembra da festa de aniversário de sua irmã. Vários reinos marcaram presença na festa, e eu conheci pessoas novas. Dentre elas, Mateus. O conde da Austrália. Conversamos, rimos, bebemos, e ele pediu que continuássemos conversando por celular. Passei meu numero a ele, e em menos de um mês, nos apaixonamos. Ele disse que iria me esperar, e que quando eu saísse da Seleção, iriamos casar. Não acreditei de inicio, mas ele não pareceu brincar. Então você me eliminou, e eu fiquei muito agradecida, pois senti que foi a confirmação do destino, que eu e Mateus, devíamos ficar juntos. Agora, estou morando no Palácio da Austrália, com ele. Pretendemos nos casar em menos de quinze dias, e daqui para frente, serei chamada de duquesa Valentina, ou duquesa Tully. Espero não lhe chatear com esta noticia.
–-Não, longe disto! Estou muito feliz por isto, Valentina. Fiquei pensativo com o seu “obrigado”, mas agora, entendo seus reais motivos, e realmente fiquei contente.
–-Então, te espero no meu casamento?
–-Com toda certeza!
♛♛♛
Eliza havia se afastado totalmente do ex-namorado, ou seja lá, o que eram, Henry. Encontrava-se às vezes com o mais velho dos Leger, mas nada oficial. Estava empenhada em seus trabalhos, e no trono.
Passei a ter mais contato com as Selecionadas, e hoje mesmo eu tinha um encontro, um pouco diferente. Dakotta era uma mulher diferente, e encantadora. Combinamos de observarmos as estrelas, e fazermos um pic-nic noturno, então, eu só a buscaria por volta das nove da noite.
Meus pais haviam convocado uma reunião para as oito, então, estava angustiado que não desse tempo. Decidi já me direcionar a sala de reuniões, antes que eu me atrasasse.
Ao adentrar a sala, percebi que todos já estavam presentes. Eliza, minha mãe, papai, e o conselheiro real, James.
–-Podemos começar? –perguntou meu pai, um pouco apreensivo.
Confirmamos com a cabeça, e meu pai apagou as luzes. Ao fazer isto, um painel surgiu na parede, com o auxilio de um aparelho, mostrando os domínios de Illéia.
–-Começamos mostrando os domínios de Illéia –começou James –Aqui podemos ver uma linha vermelha, chamada “Linha de Limite” — disse apontando com uma espécie de régua –Este limite, como vocês podem observar, foi ultrapassado.
Foi à vez de meu pai continuar falando:
–-Todos sabem que nosso vizinho, França, não é muito, digamos que tolerante. Descobrindo esta “ultrapassa” de territórios, o rei em pessoa, veio falar comigo pessoalmente. Reivindicou suas terras, e disse que o que lhe pertencia, queria de volta. Caso recusássemos, iria começar uma guerra.
Minha mãe tapou a boca, totalmente surpresa. Eliza permaneceu imóvel, como uma verdadeira rainha.
–-A questão é: não podemos simplesmente demolir tudo o que ocupa essa área. Lá, moram famílias que já não possuem quase nada, observando pelas moradias serem nos limites da cidade. Então, esta fora de questão, retirar essas pessoas de suas moradias, por irresponsabilidade de meu pai, ou de meu avô.
Eliza levantou a mão, e meu pai concedeu sua fala.
–-Pai, qual é a solução para isso?
Ele coçou a cabeça, algo que fazia sempre que ficava aflito.
–-Filha, serei direto. A solução é um casamento. Para a formação de uma aliança, e precaução de uma guerra. Mas, David está procurando sua alma gêmea, e a Seleção já está no meio. Tessa não tem mais de sete anos... Ou seja...
Eliza se levantou, irada.
–-Ou seja, você espera que eu me case com alguém, pelo bem do nosso povo?
Minha mãe advertiu:
–-Maxon, que isso? Você quer entregar a mão da nossa filha?
–-América, eu jamais, jamais, faria isto se não fosse extrema necessidade. Sabe o que significa uma guerra? Significa morte, destruição! E não para por isso, se fosse uma guerra entre Illéia e França, poderíamos tentar. Mas a França possui alianças com os Estados Unidos, Rússia. França é uma ameaça. Portanto, se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele!
–-Isto é inadmissível! –gritou minha mãe, totalmente revoltada.
–-Isso acabaria com todas as possibilidades de uma guerra e fortaleceria nosso país?
–-Claro! Passaríamos do sete para o dez, filha. França e Illéia seriam mais que uma aliança, seriam uma família. E como eu disse, França tem grandes aliados, o que nos faria também aliados dos países que citei.
–-Não apoio está causa. É da nossa filha que estamos falando –avisou minha mãe.
–-Não se trata de apoiar, América.
–-Posso pensar, ao menos? –perguntou Eliza.
–-Filha, não quero lhe pressionar, mas não existe uma segunda chance. É o preto no branco, ou é morte, ou é paz.
–-Posso pensar pai?
–-Pode.
♛♛♛
Sai da reunião totalmente sobrecarregado. Olhei no relógio e percebi que estava vinte minutos atrasado para o meu encontro. Não daria tempo, se quer, de consolar Eliza, que estaria totalmente chateada com aquela situação. Eliza sempre foi o tipo de mulher que se julga independente. E agora um casamento, arranjado, por cima. Senti uma mão em meu ombro, e me virei ligeiramente, assustado.
–-Está tudo bem, David? –perguntou Dakotta.
–-Está! Eu só me assustei...
–-Tudo bem. Desculpe.
–-Sem problemas. Está linda, senhorita.
Ela abaixou a cabeça, sorrindo.
–-Obrigada. Você também. Quer dizer, você sempre está lindo.
–-Igualmente. Podemos ir? –ofereci meu braço a ela, que o agarrou e caminhamos até o jardim, onde já estavam a toalha de pic-nic, a cesta, o telescópio, e o mais importante. As estrelas.
–-Realmente hoje é o dia perfeito para observarmos as estrelas. O céu está lindo –disse Dakotta.
Concordei, e me sentei. Ela também se sentou, e puxou assunto.
–-Está tudo bem, mesmo?
–-Não sei. É tudo tão complicado, entende?
–-Talvez...
–-Dakotta, que profissão você exerce mesmo? –perguntei, mudando de assunto.
–-Estava fazendo faculdade de medicina, mas como antes de vir para o palácio já havia terminado, agora estou parada. Porem, quando eu sair daqui, vou rapidamente começar a trabalhar no hospital, nas províncias mais pobres...
–-Quando sair? Pretende sair? –perguntei.
Ela corou, e rapidamente tratou de se explicar:
–-Não é questão de pretender. É questão de saber. Sei que não serei escolhida David. Seria muito egocêntrico achar que posso ser a escolhida dentre várias outras garotas bonitas.
–-É tão bonita quanto elas, Dakotta. E quer saber de um segredo? Não cheguei a nem pensar em quem escolherei ainda. Até porque, quero conhecer todas, muito bem, antes de bater o martelo e falar o nome da pessoa que passará o resto de meus dias ao meu lado.
–-Sábias palavras.
–-Voltando ao nosso assunto, porque médica?
–-Vejo crianças desnutridas, magras, e penso se poderia fazer algo. Acho que só a possibilidade de saber que posso melhorar uma vida, ou até mesmo curar uma pessoa, tras uma paz interior maravilhosa. Um sentimento de realização.
–-És doce, Dakotta.
Ela segurou minha mão, e a apertou. Sorri, e aproximei sua cabeça de meu ombro, e então, observamos as estrelas.
–-Uma estrela cadente! –ela gritou –Faça um pedido!
Fechei os olhos, e pedi. Quando os abri, percebi que ela estava me encarando.
–-O que pediu? –perguntei.
–-Não posso falar! Caso contrário, não se realiza.
–-Pode sim, ninguém vai saber.
Ela sorriu, e me empurrou.
–-Seu bobo. A estrela cadente vai saber, e quem vai sair no prejuízo sou eu, né?
–-Talvez! Podemos procurar alguns planetas, agora?
Ela pareceu achar a ideia perfeita, pois pegou minha mão e corremos ao telescópio. Ela observou, e disse que infelizmente não havia achado nada.
–-Vou tentar.
Observei. As estrelas, até que achei! Um pontinho vermelho.
–-Achei Marte!
–-Saco. Não é justo. O máximo que consegui achar foram algumas estrelas duplas.
–-Venha ver, então.
Ela se aproximou, e por um momento, entrei em êxtase. Observei seus olhos, e ela também observou os meus. Estávamos perto demais. Ela se aproximou ainda mais, e me abraçou. Retribui o abraço, e percebi que meus lábios desejavam sentir o gosto dos seus. Peguei seu rosto com as minhas mãos, e a beijei. Seu hálito era de banana e canela. Durante o beijo, percebi que ela sorria. Nossas línguas dançavam em um ritmo perfeito, e quando deixamos de ter folego, ela não se afastou. Apenas me abraçou e sussurrou ao meu ouvido:
–-Se eu tivesse dito meu pedido a estrela, isto não teria acontecido.
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