A Neverland Tale
1 Prólogo
Notas iniciais
Estávamos todos de luto, era difícil imaginar que meu pai tinha morrido. Em minhas memórias e em meu coração ele ainda viveria. Para sempre.
Levantei-me da cadeira talhada em ouro, reservada para a princesa do reino, que nesse caso era eu. Peguei o lírio – a flor preferida de meu pai – com as mãos trêmulas, e depositei-o em cima do caixão. Fiquei alguns segundos parada, o rosto marcado por lágrimas. Estava sendo observada por aproximadamente cem súditos. Ignorei sua presença e lembrei das duvidosas palavras finais de meu pai.
– Dellah, você é especial... – disse fraco – Você... É a chave para encontrar...o Elixir.
– Pai, você está delirando. Fique aqui vou chamar um...
– Não estou delirando...use meu diário...nele encontrará as respostas que precisa – interrompeu-me.
– Eu não entendo. Pai, o que você quer dizer com isso?
Ele não respondeu.
– Pai?
Suas mãos se tornaram frias e seus olhos já tinham perdido o brilho natural que sempre tiveram. E a minha pergunta continuava sem resposta.
– Adellah?
Virei-me e dei de cara com minha mãe ao meu lado, uma de suas mãos repousava em meu ombro. Logo me recompus e ela começou a dizer algumas palavras sobre meu pai. Sua voz estava embargada, mas ela lutava para não chorar.
Olhei para a multidão de preto e algo me chamou atenção. Havia alguém no fundo do grande salão que trajava vestimentas com uma coloração esverdeada, não consegui ver seu rosto. Mas pelas roupas diria que era um garoto.Por que não estava de preto como os demais? Aquilo era desrespeitoso. Minha mãe terminou o discurso. Pensei em tirar satisfações com o ser, mas quando fui olhar ele já não estava mais lá.
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