Notas iniciais
Oi! Gente obrigada pelos acompanhamentos (3 hahaha) Hoje tem mais um cap pra vcs! Este capítulo é importante para que compreendam o próximo hein!

Dois meses depois...

– Princesa Adelaide?

Abri os olhos lentamente e senti cheiro de grama recém cortada. Levantei a cabeça e olhei ao meu redor. Eu estava deitada em um dos canteiros do jardim, toda suja de terra e com o cabelo completamente armado.

– Majestade? – o guarda chamou novamente.

– Oh...Eu não faço ideia de como vim parar aqui – murmurei confusa.

– O jardineiro a encontrou e me chamou para ajudá-la – ele disse.

Levantei do chão e esfreguei as mãos no vestido, não faria muita diferença já que ele estava imundo. O guarda fez uma curta reverencia.

– Como se chama? – perguntei.

– Kole, majestade. – respondeu surpreso.

– Acompanhe-me até meus aposentos – ordenei.

Kole assentiu e seguimos caminho pelos enormes corredores do castelo.O desconforto de Kole por estar em minha presença e a minha falta de assunto, dificultaram o início de uma conversa. Chegamos a porta do meu quarto e antes de entrar eu disse:

– Kole, eu agradeceria muito se você e o jardineiro guardassem segredo desse pequeno acontecimento.

– Certamente, majestade – ele respondeu enquanto fazia outra reverencia.

Fechei a porta e suspirei. Já era a quarta vez aquele mês em que acordava em um lugar diferente de meu quarto, sendo essa a primeira em que fui pega por alguém. De qualquer forma, sonambulismo era o menor dos males para mim. Retirei os sapatos e o vestido sujo de terra e penteei meus cabelos. Coloquei um vestido de seda e tranquei a porta.

Abri uma das gavetas de minha cômoda e peguei um caderno de couro com o nome de meu pai bordado na capa. Eu vinha estudando aquele diário há semanas, mas não conseguia encontrar nada de diferente . Tanto porque não havia nada escrito nele.

Frustrada atirei o caderno na parede com força, mas depois me arrependi e guardei-o cuidadosamente na gaveta de onde tinha o tirado. Aquela coisa só tinha servido para me dar dores de cabeça até agora.

CLIC

Ouvi o barulho de alguém tentando abrir a porta. Olhei pelo buraco da fechadura e vi minha mãe do outro lado. Destranquei a porta e deixei que ela entrasse.

– Quantas vezes vou ter que te dizer para não trancar a porta? – perguntou com as mãos nos quadris.

– Desculpa, mãe – respondi – Não quero parecer grossa, mas... o que está fazendo aqui?

– Vim checar como sua memorização está! – ela disse se animando.

Memorização? Do que ela estava falando?

– Por favor, me diga que não esqueceu.

– Esqueci o que?

– O baile de amanhã, aqui no castelo! – ela disse impaciente.

– Eu venho planejando este baile há duas semanas, Adellah! Passei aqui para saber se você leu as anotações sobre os convidados que deixei aqui.

– Desculpa, mãe – levei a mão a testa – Eu vou ler todas as anotações hoje.

– Não adianta, Adellah! Você não vai conseguir decorar os nomes dos convidados a tempo!

– Por que eu preciso fazer isso, mesmo?! – protestei.

Ela suspirou e puxou minha mão em direção a minha cama. Sentamos em silêncio e ela começou a me explicar.

– Esse baile não é uma mera festa, é uma oportunidade para você conhecer seus pretendentes.

– Pretendentes?! – exclamei.

– Sim, Adellah. Pretendentes – ela confirmou – Eu tive uma séria conversa com o conselho e juntos chegamos a conclusão de que dada a morte de seu pai, está na hora de você assumir o trono.

– Tomaram essa decisão sem nem me consultar?! – soltei sua mão rapidamente e desviei o olhar.

– Adellah, sinto muito que tudo esteja acontecendo tão rápido, mas precisamos de um novo rei imediatamente.

– E eu preciso de um tempo sozinha, portanto saia do meu quarto – disse apontando para a porta.

– Eu vou – ela disse se levantando — , mas vou enviar um guarda para garantir que você leia as anotações.

– Que seja... – murmurei.

Antes de sair ela se virou e abriu a boca como se fosse dizer mais alguma coisa, mas ao invés disso só deu um sorriso triste e fechou a porta.

Procurei pelo meu quarto e encontrei as anotações de minha mãe, provavelmente escritas pelo escrivão real. Havia uma lista com mais de cinquenta nomes de membros da realeza, a maioria desconhecidos por mim. Alguns estavam circulados, imagino que esses seriam os nomes dos meus ´´pretendentes``. Após um tempo lendo a lista, guardei pelo menos cinco nomes e rasguei-a em pedacinhos. Ás vezes eu desejava não ter nascido uma princesa.

– Majestade?

Uma voz grossa e familiar chamou meu nome, me dando um susto.Quando me virei, vi um homem jovem de cabelos rebeldes cor de mel me encarando com receio.

– Ah...Kole, não é? – disse com a mão no coração – Você me deu um baita susto.

– Peço desculpas por isso, Majestade – ele disse fazendo uma reverência.

Quando ele terminou olhou para o chão, onde se encontravam os restos das anotações da minha mãe.

– Estas não eram as anotações da sua mãe? Eram, Majestade?

– Talvez – eu respondi recolhendo-os.

– Você decorou os nomes? – perguntou apreensivo.

– Uns cinco – murmurei.

Ele se aproximou e me ajudou a catar o resto dos papéis.

– Vossa Majestade, deve estar passando por um momento muito difícil. Sinto muito por isso – ele disse sem me olhar.

Sorri para ele e disse:

– Obrigada, Kole. Por favor, me chame de Adellah. Quando você me chama de Vossa Majestade me sinto anos mais velha.

– Como quiser...Adellah – ele disse retribuindo o sorriso tímido.

Terminamos de catar os papéis em silêncio, mas como eu tinha muito o que fazer logo o quebrei.

– Bom, como as anotações não existem mais acho que seu trabalho acabou aqui – me desloquei em direção a porta com intuito de abri-la.

Kole rapidamente se pôs a minha frente e baixou o tom de voz.

– Eu não vim aqui a trabalho – sussurrou lentamente.

– Explique-se – dei um passo para trás começando a desconfiar se estava realmente segura ali com ele.

Kole inspirou pelo nariz e soltou o ar pela boca, como se tentasse acalmar a si mesmo.

– Eu vim aqui pedir sua ajuda, Majestade... Adellah – ele disse nervoso.

– Minha ajuda? – perguntei sem entender muito bem a situação. Ponderei por alguns segundos e fiz sinal para que ele se sentasse em uma das poltronas de meu quarto. Kole agradeceu e começou a falar:

– Há mais ou menos um ano, meu irmão Félix desapareceu. Ele estava trabalhando na cozinha do castelo, na noite em que sumiu. Segundo a cozinheira que estava com ele naquela noite, ela tinha saído para pegar mais verduras no armazém e quando voltou ele estava sendo arrastado janela afora.

– Por que eu e minha mãe não fomos notificadas deste acontecimento? Afinal, houve o desaparecimento de alguém em nosso castelo, que deveria ser um local seguro. – indaguei a Kole.

– Eu tentei fazer com que o assunto chegasse a vocês, mas o responsável pela segurança do castelo não gostou de ter seu trabalho questionado por um simples guarda – respondeu Kole olhando para seus pés.

Pousei minha mão no ombro de Kole, fazendo com que ele olhasse para mim.

– A primeira coisa que eu farei será puni-lo. Pode ter certeza disso, Kole. Quanto ao desaparecimento do seu irmão...Você sabe o que ou quem arrastou Kole para fora do castelo?

– Sim, eu vou dizer – ele disse gesticulando com as mãos — , mas jure que vai acreditar, por favor.

– Não posso jurar que vou acreditar, mas posso tentar – respondi dando de ombros.

– Certo – ele disse esfregando as mãos — , ela disse que viu uma sombra humana o arrastar pra fora de uma das janelas da cozinha.