A Minha Seleção
15 Capítulo 15 - Aulas
Notas iniciais
Acordei com mais sono do que havia ido dormir. Quando abri os olhos dei de cara com Loren, Ciça e Emily sorrindo para mim. Sorri de volta e me espreguicei usando a cama inteira como apoio, depois sentei-me na cama e olhei para Loren, que já falava animadamente.
– Hoje nós teremos a sua grande estreia para o publico, no Jornal de Illéa! Você não sabe o quanto isso é importante então vamos dar algumas dicas.
– Nunca fale mal das outras participantes, pois isso... – antes de Emily terminar de falar a cortei, com a voz embriagada e com gosto ruim na boca.
– Sinceramente meninas eu não estou nem um pouco a fim de ouvir esses conselhos. Ainda é de manha e eu nem acordei direito. Prometo que a tarde faremos tudo para que essa estreia para o publico se saia bem. Ok?
– Tudo bem. Quer tomar um banho antes do café da manha? – perguntou Ciça sorrindo amigavelmente. Respondi assentindo com a cabeça e já me levantando. Demorei mais que o de costume no banho e fiz com que as meninas quase enlouquecessem. “Você está atrasada!” “Saia desse banho agora mesmo!”, essas coisas.
Depois vesti um vestido rosa salmão que vinha até um palmo antes do joelho. Ele era rodado na saia e sua cintura era bem marcada, me fazendo parecer mais alta. Nos pés coloquei uma sapatilha azul escura com um laço da mesma cor do vestido. Deixei meu cabelo solto e só coloquei uma tiara também azul escura.
Me despedi das meninas, andando rumo a Sala de Jantar. No caminho senti alguém andando atrás de mim, então me virei e vi Peter.
– Você está me perseguido ou o que? – minha sobrancelha automaticamente foi para cima, me dando uma cara de brava. Peter sorriu e veio caminhar ao meu lado.
– Na verdade eu acho que a senhorita que está me perseguindo. – sorriu malando, sussurrando no meu ouvido logo depois. – Nada contra. Depois daqueles beijos quero que você me persiga por toda a vida.
– Não jogue cantadas baratas para mim Peter. Tem mais dez meninas loucas para você falar assim com elas. – estávamos próximos da Sala de Jantar, então parei e olhei em seus olhos. – É melhor que ninguém saiba de ontem. Vamos entrar separados no café da manha. Até depois.
– Ei. – parei no meio do caminho só virando a minha cabeça para trás. – Eu não vou ganhar nenhum beijinho?
Voltei até ele e me aproximei de seus lábios. Quando seus olhos já estavam fechados desviei e beijei a sua bochecha, falando um “Não” logo depois. O ouvi bufar atrás de mim.
Falando em beijo, os de ontem foram muito bons. Tive a impressão de que Peter também achou, já que a cada minuto ele acelerava o ritmo. Mais eu meio que me senti culpada. E Zack? Eu ainda o amava. O amava o suficiente para fugir desse Palácio e nunca mais voltar mais... e minha mãe? Eu também a amava.
E Peter poderia me fazer feliz, certo? Ele é gentil, carinhoso e se permite errar comigo mesmo sendo Príncipe... mais ai que está o problema. Para ficar com ele eu teria que me tornar uma Princesa e sinceramente, é o que eu menos quero nesse momento.
– Você demorou! – Sam reclamou quando cheguei para me sentar ao seu lado. Revirei os olhos e vi o porque dela estar tão incomodada com a minha demora. Sam estava sentada ao lado de Penelope, uma três metida a rainha. Ela falava sem parar e não deixava ninguém terminar uma frase sem cortar a pessoa.
– Acalme-se, a sua salvadora já está aqui. – sorri e me virei para frente a tempo de ver Tiny entrando no cômodo. Ela se sentou na minha frente com uma cara de quem tinha algo para contar.
– Meninas vocês não sabem o que eu acabei de descobrir! – todas da mesa se viraram para Tiny e esperaram até que a morena se pronuncia se. – Pelo visto ontem o Príncipe fez uma surpresa romântica para alguma selecionada. – Corei violentamente e resei para que ninguém tenha percebido. Relaxei quando vi que as meninas prestavam mais atenção em Tiny do que em mim. – Foi para alguma de vocês?
A maioria negou com a cabeça, incluindo eu. As únicas que não falaram nada foram Penelope, que parecia querer subir pelas paredes e Samantha, que sorria discretamente. É lógico que ela faria isso. Sabendo que a verdadeira menina que teve a surpresa do Príncipe, eu, não iria se pronunciar, fingiria que era ela.
– Como você descobriu isso Tiny? – a curiosa ao meu lado, leia-se Sam, falou animada. Acho que se eu tivesse que escolher alguém para ser rainha a escolheria. Sam é tão doce e bem portada...
– As minhas criadas viram quando o Príncipe combinou tudo com a sua criada. Pelo jeito ele fez um tipo de jogo, aonde dava dicas até que a menina chegasse ao lugar aonde ele estava.
Os murmúrios aumentaram e as conversas paralelas não pararam. Se eu conheço bem Sam ela não vai descansar em quanto não encontrar essa menina misteriosa. A conversa só parou quando a Família Real entrou no cômodo.
– Bom dia Majestades. – todos no salão se levantaram e fizeram a clássica reverencia. Peter estava atrás dos pais e de Angeline, que conversavam animadamente. Quando ele estava prestes a sentar olhou na minha direção e sorriu sem mostrar os dentes. Sorri com aquilo. Durante a noite ele havia me falado que no primeiro jantar só me notou por eu não estar sorrindo como as outras.
Comemos conversando sobre a selecionada de sorte que teve o prazer de receber esse presente do Príncipe. Sam acha que não foi Samantha, assim como eu e Tiny. Já Clary, uma quatro de olhos cinzas e cabelo preto, achava que a menina poderia ser qualquer uma de nós. Até deu a possibilidade de ser ela e não querer nos contar. Ri internamente com isso.
Depois do café da manha fui com Sam, Tiny e Clary para o Salão das Mulheres, aonde teríamos uma aula de etiqueta e outra da Historia de Illéa.
Eu estava com medo dessas aulas. O motivo era simples: Eu não frequentei a escola por muito tempo. Como meu pai saiu de casa quando eu tinha 13 anos e minha mãe ficou incapacitada de fazer qualquer coisa, tive que cuidar de tudo sozinha. E quando mais eu trabalhasse, mais dinheiro eu teria. E bem, se eu fosse na escola pela manha perderia meio dia de trabalho. Então, larguei os estudos.
Claro que eu sabia escrever e fazer algumas contas de Matemática, mais sei muito pouco sobre a historia do nosso país. Com os problemas em casa, dificilmente eu tinha uma noite de sono boa e a aula de historia era ótima para dormir. Depois que sai da escola então, não peguei mais nenhum livro que falasse de Illéa.
Já a aula de etiqueta era simples. Sabia para que serviam cada talher que ficavam na mesa da Sala de Jantar e, como uma boa empregada, me portava perfeitamente bem em eventos importantes.
– Quem você acha que é? – Sam cochichou no meu ouvido para que Tiny e Clary, que andavam na nossa frente, não nos ouvissem.
Pensei em contar para Sam. Será que ela contaria para mais alguém? É que, sinceramente, estou me sentindo solitária. Mesmo com três amigas ótimas ao meu lado não consigo sentir-me totalmente feliz. E acho que se eu contar para Sam nossa amizade vai ficar mais solida.
– Ok, preciso te falar uma coisa. – parei ela e, quando Tiny e Clary perceberam que havíamos parado, dei a desculpa que precisava ir ao banheiro. Empurrei Sam até um canto e verifiquei que ninguém nos ouvia. Depois disse pausadamente. – Quero que você me prometa que não vai contar para ninguém.
– Prometido. – ela beijou os dois dedos em forma de X sorrindo. Suspirei ao ver o que havia feito. Sam não me deixaria em paz a partir de agora.
– Sou eu. – falei vendo Sam congelar na minha frente. – Foi para mim que o Príncipe fez a tal surpresa romântica.
– Serio?! – gritou ela em plenos pulmões, começando a pular igual a uma menina de 15 anos de idade. Revirei os olhos. – Você é muito sortuda! O que aconteceu?
– Aconteceu que eu fiquei com uma dor nas pernas do caramba. Ele me fez rodar o castelo inteiro para encontra-lo na estufa. Depois a gente ficou conversando.
– Só conversando? Não rolou mais nada?
– Não! – menti. Não contaria sobre o beijo por “estratégia”, por assim dizer. – A gente só se conheceu melhor e depois ele me levou para o quarto.
– Ahm... Nem um beijinho?
– Nem um beijinho. Agora vamos. A gente vai se atrasar para a aula.
A aula durou uma eternidade. Como previsto, fui pessimamente mal em a Historia de Illéa. Quando Hazel perguntava alguma coisa a única que não levantava a mão era eu. Mais em etiqueta fui a melhor da classe, até melhor que Samantha, que era uma dois e tinha que se portar perfeitamente bem. Hazel me elogiou muito pela minha postura na mesa até me usou como exemplo.
– Vamos para o Salão das Mulheres? Ouvi dizer que vai passar um programa de fofoca sobre A Seleção antes do almoço. – Clary disse quando Hazel nos liberou da aula.
– Por mim tudo bem, vamos.
Chegamos ao Salão e nos sentamos todas juntas em um sofá de quatro pessoas que ficava em frente a televisão. O resto das meninas foram se aprontar para o almoço, nos deixando sozinhas no local.
– Tem certeza que esse programa vai passar mesmo Clary? – perguntei bocejando. – Parece que eles esqueceram de colocar no ar, porque já está quase na hora do almoço.
– Não, vai ao ar hoje sim. – quando ela acabou de falar isso o programa começou. Passaram coisas sobre todas as selecionadas, menos de mim. Clary, Tiny e Sam eram adoradas pelo publico, mais eu, nada.
– E agora a lista de meninas menos queridas! – o apresentador tinha uma pinta bem grande perto da boca e falava com uma voz fina e estranha. – Em quarto lugar, Joanna Florence. Em terceiro lugar, Erin Palermo. Em segundo lugar, Winter Locks e em primeiro lugar, como a menina menos querida da semana... – ele fez um suspense e minhas mãos tremeram. – May Campbell. Sinto muito querida, mais pelo publico você já está fora.
O meu chão caiu. As meninas tentaram me consolar, mais nada adiantava. Se Peter escolhesse pelo publico, nada o impediria de me tirar da competição. Levantei e segui para o meu quarto cabisbaixa.
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