A Minha Seleção
16 Capítulo 16 - Encontros
Notas iniciais
O dia seguinte a saída com Zack foi cansativo. Eu, meu pai e meu irmão tivemos três reuniões com os conselheiros, que ficaram enchendo a nossa cabeça sobre quem escolher. Com isso, depois dessas reuniões, nosso pai nos chamou até o seu gabinete. Revirei os olhos e olhei para Peter, que me olhava com cara de tédio.
– Não quero que se sintam pressionados. – falou Maxon se sentando em sua cadeira azul que ficava atrás de sua mesa. – Mais os conselheiros querem alguma ação de vocês. Os rebeldes estão atacando com mais frequência e a população precisa se acalmar. Então, decidi que faremos uma festa. Festa essa que convidaremos os familiares dos Selecionados.
– Mais isso não faria os rebeldes atacarem mais? – perguntou Peter com a sobrancelha levantada. Seus cabelos castanhos claros estavam desarrumados por conta desse dia de trabalho que não acabava mais e sua gravata afrouxada, como a de meu pai.
– Claro que não Peter! – exclamei perplexa. Era lógico. Os rebeldes não queriam atingir o povo, mais sim a realeza. – Com os familiares dos Selecionados aqui tudo vai ficar mais tranquilo.
– Muito bom Angel. Vejo que anda estudando a situação de seu pais, ao contrario de um certo filho meu que vai herdar o meu trono. – Maxon trocou olhares raivosos com Peter. O ouvi suspirar antes de nós mandar embora. – E filhos. – viramos para ele antes de Peter terminar de fechar a porta. – Usem o seu tempo livre para conhecer melhor outros selecionados. Não se iludam com uma pessoa só.
Concordei com a cabeça e segui para o corredor que daria até o Salão dos Homens. Sei que Peter faria o mesmo caminho, parando um pouco depois, no Salão das Mulheres. Nós despedimos com sorrisos tímidos.
– Alteza. – o guarda que estava na porta me reverenciou sorrindo de forma amigável. – Deseja que eu chame alguém?
Foi ai que eu parei para pensar. Quem mais estava na minha cabeça alem de Zack? Quem mais estava na Seleção alem dele? Eu realmente havia prestado atenção nos meus outros Selecionados?
Sim, eu me lembro de alguns. Chistopher, um loiro quatro de olhos azuis encantadores. Ele era divertido e não deixava a conversa morrer. Uma boa opção para uma saída a tarde, para passear no jardim.
Tem o Andrew também. Um dois maravilhoso. Modelo, alto, moreno, olhos verdes e tudo mais de bom. Ele era gentil e deixava quase todos os meninos no chinelo quando se tratava de conteúdo completo. Uma boa opção, também.
Ky era outro. Tímido e divertido ele tem um ar misterioso que toda garota, até a Princesa de Illéa, sonha. Seus cabelos castanhos eram mais puxados para o cobre e seus olhos marrons esverdeados sorriam a cada troca de palavras. Mais achei ele meio quieto demais.
– Pode chamar o senhor Andrew, por favor? – perguntei ao guarda que assentiu, entrando no aposento com muita classe. Deixei o meu corpo encostar na parede e suspirei alto. Fiz a coisa errada. Eu não queria estar com Andrew. Não queria ver seus olhos verdes e sim os olhos castanhos de Zack. Ele sim era o cara que eu queria ter chamado. Mais uma Princesa nunca volta atrás com suas decisões.
– Princesa Angeline. – o moreno fez uma reverencia para mim com um sorriso sexy nos lábios. Deixei que meus dentes aparecerem em um sorriso e aceitei seu braço, percebendo que ele era forte. – A que devo a honra de sua companhia?
– Não faço a menor ideia. O primeiro nome que me surgiu a cabeça foi o seu, para falar a verdade. Podemos andar um pouco no Jardim?
– Claro!
***
Andrew era muito divertido. Quando nos aproximamos de um abelha ele me contou uma historia um tanto quanto engraçada. Ele e a irmã mais nova andavam pelo jardim de sua casa e de repente foi avistado uma comeia. A irmã, que na época tinha 5 anos, desafiou o irmão, que tinha 7, a subir na arvore e pegar um pouco de mel. Preciso falar que isso acabou mal?
Depois, ele inventou de vermos o formato das nuvens. Foi surpreendente o como ele conseguia imaginar varia coisas que eu nem podia me permitir pensar. Acho que ele não era só o rotinho bonito que parecia.
Antes de voltarmos ao castelo, antes do almoço, ele me levou até a sala de musica. E para a minha surpresa tocou um lindo violão perfeitamente bem. E dedicou a musica para mim, o que me fez ficar vermelha.
Nos despedimos na escada. Eu subindo para o terceiro andar, onde ficava o meu quarto, e ele ficando no segundo, onde ficava o seu quarto. Quando cheguei me deitei na cama, exausta. Meu pai tinha razão, as vezes é bom conhecer outros selecionados. Mais eu ainda pensava em Zack...
– Princesa? – chamou uma criada da área dos Selecionados entrando no meu quarto. Ela era loira e usava um óculos grande demais para os seus olhos. – Com licença.
– Pode entrar. – falei recebendo uma reverencia.
– Eu tenho um bilhete para a senhorita. – ela andou devagar até a ponta da cama, onde eu estava sentada. Depois de me dar o bilhete com mãos tremulas saiu, sorrindo pelo trabalho bem sucedido. Abri com receio:
“Bom dia flor do dia!
Será que posso convidar a sua alteza para um passeio depois do almoço? Espero ansiosamente pela sua resposta.
Christopher”
Ele estava sendo corajoso. Mandar um bilhete, quando A Seleção é só para meninas, é considerado algo vulgar, mas para meninos é algo normal. Então, depois de um tempo analisando o pedido, resolvi aceitar. Mesmo com uma reunião marcada para a tarde resolvi seguir meus instintos.
Mandei chamar uma criada para pedir o meu almoço no quarto e para que avisasse o meu pai que eu não iria na reunião. Depois de um tempo, ela voltou com a comida e com a resposta, brava diga-se de passagem, de meu pai. Ele disse que tudo bem, mas que teria que apresentar um relatório logo de manha sobre a falta de comida nos abrigos da casta 8. Bufei mais me conformei com a sua decisão.
Depois de comer adiantei o relatório. Não o acabei, pois tive que descer para o encontro com Chris, mais acabaria antes mesmo do Jantar.
As escadas e o Palácio inteiro estavam silenciosos. Passei no Salão das Mulheres e o vi vazio, então resolvi apenas seguir o meu caminho. Quando cheguei no Salão dos Homens encontrei Chris parado na porta, conversando alegremente com o guarda.
– Vejo que já fez amigos? – minha voz saiu feliz do jeito que eu queria. Descobri uma boa qualidade em Chris, que é não julgar pela casta. A maioria dos Selecionados tratam os guardas mal.
– Alteza. – os dois fizeram reverencia. – Pode apostar que sim. O Soldado Wilson é muito legal. – Ele me ergueu o braço e eu o peguei. – Então Princesa...
– Me chame de Angeline, por favor.
– Angeline, a senhorita quer ir até aonde? – perguntou sorrindo de lado. Seus cabelos loiros estavam mais brilhantes e notei que seus olhos azuis estavam claros. Seu rosto era delicado e deixava que um bumbum de neném fosse chamado de feio. E seu perfume me fazia até suspirar.
– Me surpreenda Chris.
***
Ele me levou ao cinema. No meio do caminho encontramos algumas Selecionadas, que andavam de pressa e preocupadas. Chris fez uma piada sobre isso, falando que elas deveriam estar atrasadas para a sessão de beleza.
Assistimos um filme de romance, pois eu insisti. Como Chris quis fazer a pipoca deixei que ele escolhesse o lugar. Quando o filme chegou no meio comecei a me entediar. Como eu escolhi o gênero, Chris escolheu o filme. E ele escolheu um filme que eu já havia visto. Então, estava quase dormindo quando as luzes se acenderam.
– Parecia ótimo esse filme. – ele falou se levantando e dando o braço para mim. Levantei as sobrancelhas.
– Parecia?
– É! Mas eu percebi que você não gostou pois estava quase dormindo no meu braço. – corei violentamente e ele riu. Sua risada era contagiante.
– Desculpe Chris. É que eu já havia visto esse filme.
– Serio? Ahm, mil perdões, eu não sabia. Se a senhorita quiser eu posso deixa-la em seu quarto para...
– Não! Não precisa Chris. Quer que eu lhe mostre um lugar bonito? – perguntei fazendo menção de leva-lo para o terraço. Ele aceitou.
Quando cheguei no quarto a única coisa que me passou pela cabeça foi dormir. Não sabia que era tão difícil de sair com os Selecionados. Meu Deus! Eram sempre as mesmas perguntas e assuntos!
Desci para o jantar depois de um banho de água quente. Olhei para a mesa dos Selecionados assim que entrei e notei que Zack não se encontrava lá. Suspirei pesadamente quando cheguei ao meu lugar. Será que ele estava bravo comigo por eu não ter falado com ele hoje?
Esse pensamento me atormentou o jantar inteiro. Depois do mesmo me dirigi o mais rápido possível para o meu quarto. Droga Angeline! Porque você tinha que ser tão burra a ponto de nem falar com ele?
Quando troquei o vestido verde que vestia pela minha camisola rosa me aliviei. Finalmente esse dia tão corrido acabou. Deitei-me dispensando todas as minhas criadas, alegando que não precisava de mais ninguém no quarto, já que na minha porta ficavam dois seguranças.
Fechei os olhos calmamente com a respiração lenta. Senti o sono chegando antes mesmo de conseguir raciocinar ou pensar como fazia todas as noites. Mas algo me fez arregalar os olhos. Um barulho.
Esperei um pouco e percebi que era coisa da minha cabeça. Fechei os olhos novamente me convencendo de dormir antes que eu perdesse o sono. Mas ai o mesmo barulho encheu os meus ouvidos novamente. Revirei-me na cama.
Mais uma vez. Levantei pronta para chamar os guardas. Quando estava no meio do caminho ouvi o barulho de novo, só que agora mais forte. E ele vinha da janela. Parecia... uma pedra?
Abri a sacada com receio. Meu passos até a beirada da grade foram lentos e pequenos. Quando cheguei perto o suficiente, olhei para baixo. E vi um moreno muito lindo me olhando com um sorriso de lado no rosto.
– O que você faz aqui? – perguntei em um sussurro alto. Não havia ninguém no jardim, mais resolvi falar baixo mesmo assim.
– Não quer mais ir a praia Angel? – Zack sorriu anda mais. – Coloque uma calça e algo confortável nos pés. Espero você naquela árvore rosa do outro lado do jardim.
E então ele saiu, caminhando lentamente até a árvore.
Fale com o autor