A Minha Seleção
14 Capítulo 14 - Posso Errar com Você
Notas iniciais
Acho que eu vou furar o chão de tanto andar de um lado para o outro. Nada que eu fazia me deixava mais calmo. Minhas solas do pé já estavam doendo e minha cabeça latejava. E porque ela latejava? May. É. Ela ainda não chegou.
Duas horas. Esse é o tempo que eu estou esperando aqui na estufa e nada. Será que ela entendeu todas as minhas dicas? Ou eu fiz perguntas muito difíceis? Foi certo eu fazer isso, pedir desculpas nesse modo, como um Príncipe real faria? E o mais importante: Será que ela viria?
Essas perguntas me deixavam mais nervoso do que antes. A possibilidade de May ter recebido essa mensagem são muitas, já que eu confio em Laura mais do que tudo, mais e as possibilidades de ela vir? Quais seriam?
– Nenhuma seu imbecil! Ela te odeia! – falei para mim mesmo em quanto sentava em uma das cadeiras que estavam no local. A estufa era espaçosa e bonita, diferente e original, mágica e cheirosa. Devo admitir que esse é um dos meus lugares favoritos no palácio. Acho que ele só perde para a biblioteca.
As rosas ficam mais ao fundo do local, deixando as margaridas e os lírios mais a mostras. Por pedido especial do Príncipe, nesse caso eu, fiz com que os jardineiros deixassem tudo aqui perfeito. Cada planta estava bem cortada, cuidada e exalando os seus perfumes. Só torço para que May não seja alérgica a flores.
Fiz também o grupo de decoradores do Palácio quebrarem a cabeça. Como a estufa era redonda e eu queria um local para que eu e May pudéssemos conversar eles tiveram que tirar algumas flores do meio, deixando espaço para colocar duas belas cadeiras brancas. E nesse local tínhamos completa vista para todas as flores.
Mais eu também queria algo diferente. Algo que fizesse com que May se lembrasse do nosso “primeiro encontro”. Eu sei que fazer um primeiro encontro na estufa já é romântico, mais eu sou perfeccionista demais. Algo faltava. Então, durante a tarde, fui procurar a minha mãe.
America, por si só, já disse que isso era desnecessário. Que meu pai nunca foi tão romântico assim com ela nos tempos da sua Seleção. Que se eu fizesse algo a mais poderia chamar a atenção das outras meninas e bom... Deixar eu e May em uma enrascada.
Sai do quarto da minha mãe com uma pulga atrás da orelha. Mais porque eu não tinha notado mais nenhuma menina alem de May? Tudo bem, eu me lembro de algumas delas, mais nenhuma menina ficou mais marcada do que May.
Será que foi por causa da briga? Não, definitivamente não. No jantar, antes das entrevistas com as Selecionadas, eu já havia notado a morena de olhos verdes com um sorriso triste. Mais porque foi que eu a notei naquele dia? Não faço a menor ideia.
– Peter? – ouvi a sua voz doce e meiga me chamando em um sussurro do outro lado da porta. Me ajeitei na cadeira e esperei até que a sua silueta aparecesse.
Seus olhos encontraram os meus assim que ela abriu a porta. Um sorriso involuntário apareceu no meu rosto e, por mais estranho que pareceu, foi correspondido. May sorriu de volta mostrando os dentes, como eu nunca havia visto ela fazer antes.
– Pensei que você havia se perdido no caminho. Porque demorou tanto? – perguntei me levantando e indo encontra-la. Assim que cheguei perto o suficiente a ofereci o braço.
– Seria muito possível isso acontecer. Você já levou em consideração a ideia de fazer um mapa para esse lugar? – seus lábios se moviam com perfeição e tive a vontade de beija-la. Nenhuma menina falava assim comigo.
– Com o tempo você vai se acostumando May. E então, gostou da estufa?
– Se eu gostei? É incrível! Nunca vi algo tão lindo. – respondeu com os olhos brilhando e a voz em um tom de sinceridade. Seu braço apertava o meu contra o seu como se ela estivesse ansiosa para o que viria em seguida.
– Eu já. – olhava diretamente para ela. Não tinha como deixar essa cantada passar. Suas bochechas coraram intensamente e ela desviou o seu olhar do meu. Sorri de lado com a sua reação. – E então, vamos começar de novo?
– É, pode ser. Qual o seu nome mesmo? – debochou em quanto caminhávamos no meio dos corredores de flores. May olhava atentamente para o lado aonde as margaridas ficavam.
– Creio que a senhorita ainda não saiba mais isso aqui é uma competição para me conquistar. Podemos pular as preliminares. Se quiser nem precisa saber o meu nome.
– É uma proposta bem interessante. Mais não. Sou moça de família. – seu sorriso se alargou. – O meu nome é May Campbell, sou uma seis com muito orgulho e gosto de frio. Minhas musicas favoritas são aquelas que não tem ninguém cantando, só a melodia soando pelos meus ouvidos. Adoro comer. Acho que por isso a Sala de Jantar é meu lugar favorito. O que mais eu posso te contar? – May colocou a mão no queixo em sinal pensativo. Sorri com isso. – Acho que só. Sabe, sou uma menina de muitos segredos.
– Sei, sei. – ironizei ao perceber que ela falou exatamente tudo o que eu já sabia. – Posso me apresentar agora? – Ela assentiu, então eu continuei a falar. – Sou Peter Schreave e sou príncipe de Illéa. Gosto de calor e não suporto quando alguém fala que não gosta de ler. Dica: Não fale isso para mim. – May riu. Sua risada era um tanto estranha então deixei que isso me fizesse rir também. – Meu lugar favorito, logicamente, é a biblioteca. Ahm, e eu também gosto de comer.
– Nossa! Eu e o Príncipe de Iléa temos algo em comum! Meu Deus acho que vou desmaiar! – May fez o movimento de desmaiar e eu ri. Sua voz soou um tanto quanto patricinha quando ela falou isso.
– Se quiser posso chamar o medico do Palácio. Ele tem ótimos truques quando se trata do charme do Príncipe mais atraente do mundo. Sem brincadeira, ele já teve que cuidar de muitas meninas que desmaiaram por minha causa.
– Não, obrigada Peter. Prefiro não ser mais uma das suas meninas. – percebi que isso a magoou um pouco. Qual é?! Eu só estava brincando com ela.
– Você não é mais uma. Você é especial. – falei serio olhando fundo nos seus olhos verdes encantadores. Nós havíamos parado de andar no momento que eu comecei a falar. E então algo no meu coração surgiu; algo que eu nunca havia sentido antes e que eu nunca imaginaria sentir.
– Pare de me olhar assim, está me deixando um tanto envergonhada. – May virou o rosto corada em direção ao chão, fazendo que os nossos olhares parassem de se cruzar. – Você ainda não me disse porque me trouxe aqui.
– Eu queria te pedir desculpas. Não foi atitude de um Príncipe falar de você daquela maneira. E May... – parei e deixei que ela me analisasse por alguns segundos a fim de ver que eu falava a verdade. – Não quero que se afaste de mim por um motivo tão besta. Você é a única aqui que não me olha como Príncipe de Iléa, mais sim como Peter, um garoto como qualquer outro.
– Você não é como qualquer outro. – ela me olhava intensamente e eu não resisti ao impulso de chegar mais perto dela. Acho que May não notou, pois não recuou ou reclamou, apenas continuou falando. – Peter, você é incrível. Um garoto que faz tudo isso – ela apontou para a estufa inteira e eu segui o seu dedo, depois parando o olhar no seu. – não só merece como terá o meu perdão.
Todos os barulhos fora da nossa bolha foram ignorados. Os passarinhos que piavam anunciando o nascer do dia, o vento que balançava a árvore do lado de fora, o som dos guardas trocando de guarda e a nossa respiração irregular. Nada importava alem do nosso contado visual intenso e a nossa proximidade.
Devagar me aproximei mais. May não se mexeu, não andou para trás e nem para frente. Seus olhos não desgrudaram dos meus e sua boca continuou na mesma posição, entreaberta e levemente virada para a direita. Levantei a mão a e a coloquei no seu rosto, fazendo carinho em sua bochecha com o meu dedão. May, mais uma vez, não teve reação. Peguei na sua cintura com a outra mão e a puxei para mais perto de mim, tão perto que nossos narizes já se tocavam.
– Peter, eu não sei se isso é certo. – a voz de May era tremula e seus olhos não deixavam disfarçar o seu nervosismo. As suas sobrancelhas se arqueavam levemente e sua testa estava um pouco franzida. Eu conseguia sentir o seu hálito, que batia de encontro ao meu rosto.
– Shhhhh. Eu também não sei se é certo. Mais você me permitiu errar com você, não é? – ela assentiu com um leve sorriso no rosto. Cheguei mais perto dela e a deixei fechar os olhos primeiro. Depois juntei os nossos lábios em um beijo calmo. Entreabri os meus lábios e ditei o ritmo do beijo, apertando-a contra mim para que não houvesse nenhuma distancia entre nossos corpos. Depois de um tempo pedi passagem para a língua que foi aceita por May. Seus lábios macios faziam o beijo parecer a cada segundo melhor e mais atraente. Eu já havia beijado antes mais nada era comparado ao o que eu estava sentindo agora. O beijo se tornou urgente assim que as nossas línguas tocaram uma na outra, fazendo com que a minha boca ficasse ainda mais quente. Quando percebi que ficaríamos sem ar acabei o beijo dando leves selinhos em May, que não abriu os olhos de primeira, me deixando nervoso. Não me movi, ficando com as mãos em sua cintura e em seu rosto.
Será que eu beijei bem? Ou ela se arrependeu?
– May? – a chamei preocupado. Com os lábios vermelhos por conta do beijo ela abriu suas lindas orbitas verdes e me olhou. Por incrível que pareça não consegui ver o que havia em seu olhar.
– A desculpa de poder errar comigo foi muito inteligente Príncipe. Mais eu gostei desse seu erro. – sorri e voltei a atenção para os seus lábios os atacando logo em seguida. Ficamos nos beijando até o amanhecer.
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