A Mente de Augusto
4 O Fim de Semana
- Boa noite Augusto! Meu deus, o que houve com sua mão? – disse Amanda.
- Boa noite Amanda. Tudo bom? Ah, não é nada grave, eu tropecei na escada e torci o pulso, só isso.
- Poxa, melhoras pra você, mas enfim, vim pra te perguntar do trab...
- Prazer, meu nome é André. Você é a tão falada, Amanda?
Fiquei tão sem graça que não sabia se ria se chorava, ou se socava o André.
- Tão falada? – Ela riu
- Pois é, o Augusto me falou que você é a dupla dele no trabalho da faculdade. Você é muito bonita viu.
- Obrigada – Ela sorriu.
- Então Amanda, você veio perguntar sobre? – Eu disse
- Vim perguntar se você pesquisou o lugar que vamos fazer o trabalho.
Eu havia esquecido totalmente que tinha ficado de pesquisar um lugar com construções antigas. Nosso trabalho era encontrar uma para analisarmos a estrutura, a técnica utilizada na construção, e o material utilizado.
Na hora me veio a imagem daquele templo que eu acordara. Era perfeito, será que lá eu encontraria respostas?
Eu acho que sei um lugar perfeito! – Respondi
O bloqueio mental que ela tinha ainda me assustava. Mas acho que ela ficaria ainda mais assustada se soubesse o que eu posso fazer.
- Bom, está bem tarde, acho melhor eu ir pra casa, boa noite Augusto, boa noite André.
- Tudo bem então, segunda-feira nos falamos na faculdade. Boa noite Amanda.
Meu corpo inteiro me dizia pra chamá-la pra entrar, mas como eu sabia o que o André pensava, eu percebi que não seria uma boa idéia.
Entrei, fechei a porta e fui dormir. O André ia passar o fim de semana na minha casa, então ele dormiu no sofá da sala.
Sábado. Toca o telefone. Eu atendo:
- Bom dia! Adivinha quem é?
Aquela voz era inconfundível, Amanda...
Fiquei tão surpreso por ela me ligar que não sabia nem o que responder. Nos últimos dias ela estava mais presente do que nunca.
- Amanda? Bom dia. – Eu disse.
- Credo, que bom dia mais desanimado... Eu ia te chamar pra dar uma volta, mas pelo visto você não está disposto, não é?
Gargalhei.
- Eu sempre acordo de mau humor – eu disse.
- Você tem 15 minutos pra se arrumar. Tchau. (Desligou na minha cara)
Eu pensei: Nossa, essa garota é louca! Ela liga pra minha casa e ainda estipula um tempo pra eu me trocar? Sorri instintivamente.
Acho que nunca tomei um banho tão rápido na minha vida. Estava terminando de pôr o sapato e a campainha tocou. Eu estava adorando aquilo...
Abri a porta e lá estava ela.
- Vamos? –ela disse.
- Pra onde vamos? – eu disse.
- E isso importa? – ela disse.
Fiquei sem saber o que dizer. Não queria criar nenhum tipo de expectativa desnecessária.
- Só vamos conversar sobre o trabalho. Relaxa – Ela completou.
Fomos até uma praça perto de casa, e sentamos em um banco. Ela me perguntou do tal “lugar perfeito” que eu tinha dito. Eu falei que não sabia onde era e que precisava de um tempo pra descobrir. Ela me olhou com uma cara de: Como assim você não sabe?
Ficamos batendo papo, e descobri que além de linda, ela era incrível.
Levei-a até em casa. Surpreendi-me ao ver a casa em que ela morava. Era uma casa enorme, com um muro de uns 5 metros de altura, cerca elétrica e tudo. Olhei pra ela rindo e falei:
- Seu pai é o presidente?
Ela riu e falou:
- Não! Ainda não!
- Bom, mais tarde eu vou à festa de uma amiga, então tenho que ir agora. Nos falamos amanhã, ou se não der, na faculdade.
Fui pra casa. Assim que abri a porta me deparei com o André jogando vídeo-game na sala, feito um louco. Tomei um banho e fui pesquisar aquela construção. Pelo nome da reserva que eu estava, descobri que existem ruínas de um templo maia, a uns 20 km floresta a dentro. Pensei: Nossa, em 7 dias eu só andei 20 km? Acho que devo ter andando em círculos por um bom tempo. Mas afinal, como eu fui parar lá?
Fui dormir. No dia seguinte fui com o André e outros amigos jogar boliche(Pois é, belo programa pra quem é destro e está com a mão direita quebrada). Entre uma jogada e outra, eu ouvia o jogador pensar:
- Vai, vai! Strike! Strike!
Enquanto todos os outros pensavam coisas do tipo:
- Erra! Erra! Filho da mãe! Erra!
Eu me matava de rir sozinho. Mas durante uma jogada minha eu descobri algo que parecia ser mais fantástico do que meu dom de ler mentes. Eu havia errado a jogada...Óbvio... A bola ia pra canaleta, e num súbito momento de fúria, e fiz com que a bola voltasse pro meio, e foi um belo de um strike!
Todos olharam pra mim com cara de:
- Que efeito foi esse que você fez na bola?
Eu falei:
- Isso aqui é pura habilidade!
Todos riram. Foi a melhor saída afinal.
Quando voltávamos pra casa, o André olhou pra mim e falou:
- Eu vi aquilo que você fez. Não tente negar.
Respondi:
- Porque negaria? Vou tentar entender o que eu fiz, e assim que descobrir eu te conto.
Segunda-feira de manhã. Fui pra faculdade. Entrando na sala percebo um silêncio fora do comum. Tínhamos um professor novo. Seu nome, Luís.
Como sou curioso, imediatamente olhei pra ele, e entrei em sua mente. Porém ao invés de ouvir um pensamento, eu ouvi:
“Aqui não há lugar pra você rapaz...”
E ele me olhava fixamente nos olhos.
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