A Mente de Augusto
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Pois é, Amanda não era a única “imune”, aliás, esse professor não era apenas imune. Ele não apenas bloqueava meu acesso a sua mente, como também podia se comunicar comigo através dela.
- Muito bem, meu nome é Luís, e sou o novo professor de Matemática. Nesse módulo vou ensiná-los Cálculo Diferencial e Cálculo Integral – Disse Ele.
Fiquei extremamente curioso. Ao final da aula fui falar com ele.
- Como você faz isso? – Perguntei a ele em particular.
- Eu sei que você quer respostas. E você vai tê-las. Mas antes, quero que você perceba uma coisa – Respondeu ele.
- Tente fazer como fez comigo... Entre na mente de todos desta sala ao mesmo tempo... Use seu dom ao máximo! – disse ele.
E eu fiz. Os pensamentos de todos eram claros em minha mente. Mas após alguns minutos começaram e ficar mais baixos, até desaparecerem.
- Viu? Seu domínio ainda é fraco, e sua energia, esgotável – Ele comentou.
- Nos falamos amanhã – Ele disse já indo embora.
Fiquei confuso. Energia? Então quer dizer que eu tenho uma bateria dentro de mim?
- Augusto! Vamos até a sala de informática. Quero que você me mostre as fotos do tal templo maia – Disse Amanda se aproximando.
- Ok, vamos lá – Eu disse a ela.
Chegando na sala de informática eu pedi ao coordenador pra usar um dos computadores. Ele deixou.
Mostrei as fotos a ela. E estranhamente, ela detestou!
- Esse é o tal “lugar perfeito”? – disse ela, praticamente rindo da minha cara.
- Não gostou? – Disse a ela, com cara de triste.
- Hahaha achei horrível! Mas já que você quer tanto ir lá... – Disse ela.
Fiquei chateado por saber que ela não tinha gostado. Mas eu sabia que só indo lá, eu obteria minhas respostas.
- Vamos pra sala? – Dissemos praticamente ao mesmo tempo.
Rimos e voltamos pra sala.
Ao final das aulas, me despedi dos meus colegas, e vim pra casa.
No caminho eu percebi que minha habilidade voltara. Acho que minha bateria só precisava de um tempo pra recarregar.
Chegando em casa , tomei um banho e fui pra sala. Fiquei com o acontecimento do boliche na minha cabeça. Resolvi testá-lo.
Olhei fixamente pra uma bolinha de tênis que estava jogada no chão. Fiquei quase meia hora feito um idiota olhando pra bolinha, e ela não se movia. De repente, a campainha tocou. E no susto, fiz com que a bolinha rolasse pra trás. Tinha dado certo!
Abri a porta com um sorriso enorme no rosto, tanto por ter conseguido, quanto por cogitar a possibilidade de ser a Amanda. Mas pra minha infelicidade, era apenas o carteiro.
Passei o resto do dia vendo TV, e coçando o gesso em minha mão.
Nove horas da noite. Toca a campainha outra vez. Dessa vês era o André, com 2 pizzas e uma coca-cola na mão.
- Hoje a gente vai jogar vídeo-game a noite toda, viu? – Disse ele.
- Fazer o que né... – Respondi.
- Ah, e ai, descobriu o que foi aquilo no boliche? – Ele me perguntou com uma curiosidade tremenda.
- Então. Hoje eu fiquei tentado fazer aquilo denovo, e consegui mover essa bolinha de tênis! – Eu disse, segurando a bolinha.
- Você é quase uma Jean Gray heim! – Disse ele, morrendo de rir.
Eu ri com o comentário idiota dele. Mas apesar de idiota, tinha seu lado verdadeiro.
Jogamos a noite toda, e eu tinha que acordar cedo pra ir pra faculdade ainda. Acho que dormi umas 3 horas naquela noite. Acordei acabado.
Fui pra faculdade quase me arrastando. Chegando lá, me deparei com a Amanda, conversando com um rapaz. Um sujeito grande, de cabelos encaracolados. Não pude deixar de sentir ciúme. Eu não podia ouvir o que ela pensava... mas podia ouvir o que ele pensava! E aquilo era terrível! Ele estava totalmente interessado nela!
Cheguei perto dos dois, e a Amanda ao me ver, me cumprimentou.
- Bom dia Augusto! Esse é o Fred, um colega meu – Disse ela.
Amigo? Pensei... Tomara que seja
- Bom dia Amanda! Bom dia “Fred” – Eu disse, com tom depreciativo.
-Meu deus, essa Amanda é muito gostosa... – A mente de Fred me dizia.
Aquilo me dava nojo. Sujeito desprezível! Mas o pior era que eu não podia dizer pra ela... Afinal, como eu me justificaria?
Resolvi sair dali antes que minha raiva aumentasse ainda mais. Era a primeira aula do dia e eu já estava nervoso.
Acho que a Amanda percebeu. Ela veio falar comigo, e perguntar o porquê de eu estar nervoso.
Minha vontade era de dizer:
- Por que estou nervoso? Ué, porque tem um sujeito pensando “coisas” sobre você!
Mas acabei por justificar com uma dor de cabeça.
Ao final das aulas, fui procurar o professor de matemática, afinal, queria minhas respostas.
Achei-o em um corredor, conversando com uma turma de alunos.
- Eu já vou, me espere na sala 43, vou te dizer o que você precisa saber – Ecoou em minha mente.
Outra vez, levei um susto com aquela voz na minha cabeça.
- Estenda as mãos, e concentre-se. Imagine ar saindo de seus poros. Crie um campo ao redor suas mãos!
Assim! – Disse ele com a mão direita esticada.
Eu podia ver o ar se deslocando ao redor de sua mão.
- Se você dominar isso, um soco seu poderia facilmente derrubar uma parede! – disse ele.
- Todos os seres possuem essa capacidade. Mas poucos de nós desenvolvemos a habilidade. As habilidades são as mesmas, mas o talento pra cada uma varia de pessoa pra pessoa. Não pense que você é o único que ouve pensamentos alheios. Outra coisa, você não conseguirá ler a mente de outros que possuam a mesma habilidade que você – Concluiu ele.
- Mas, e por que existe uma pessoa, que creio eu que não possua essa habilidade, e eu não posso ouvir seus pensamentos? – Perguntei, curioso.
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