A Melodia das Águas
25 A consequência de uma dúvida
Notas iniciais
A mudez encroada nos troncos dava qualidade de mortalha aos passos que seguiam sorrateiros. A luminosidade começara a esmaecer-lhe da pele. Talvez Marion estivesse certo. Talvez fosse hora de retornar e procurar outro caminho.
A meia volta foi seguida de confusão. Não mais podia encontrar a direção para o pântano, nem ao menos sabia precisar o tempo de sua peregrinação.
Quando quase deixou de enxergar a terra debaixo de seus pés, fez-se ressoar um barulho agudo e inumano. Um calafrio percorreu-lhe a espinha. Soube que o momento dispensava investigações enquanto acelerava-se na direção oposta.
A ribanceira tomou o lugar do piso, antes de poder dar-se conta, lançando-a contra um abismo cego. Entre pedras e galhos secos, foi levada ao chão, pávida e ensanguentada.
Escondeu-se em um arbusto e alcançou a bolsa com dedos trêmulos, retirando dali a chama, que rapidamente iluminou a figura de outro pequeno, a encará-la moinante. Passou o colar pela cabeça, sentindo-se estúpida e impotente, e apertou os olhos marejados. Rezou para que os deuses lhe dessem uma direção.
“Que passa pela cabeça da sereia”?
Levantou o rosto em resposta à voz tão próxima de si. Precisou piscar duas vezes até compreender que a estátua lhe falava.
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