A Melodia das Águas
24 As nuances de uma história
Notas iniciais
Bae ensinava-lhe a trançar vinhas coloridas, de modo a criar uma peculiar diversidade de utensílios úteis à viagem. A anciã vivia solitária em um atascal próximo à uma cabana abandonada.
Era prazeroso ouvir histórias do pântano sob a perspectiva daquele povo. Enquanto os filhos da terra falavam das malditas sereias surgindo da noite, como fantasmas soturnos a roubar-lhes as almas, ali teve ciência da ferocidade com a qual uma gente pode lançar-se contra outra, em busca de um líquido luminescente que nunca fora seu.
Concluiu que tudo pode ter múltiplos pontos de vista, quando se sopesa parte ou outra da história. Mas aquela não era exatamente a informação buscada ali. Precisava chegar à Boarin antes do solstício, quando o sol atingiria seu ápice e o caminho para o outro mundo tornaria-se tangível.
“Queres que te leve na direção de uma lenda”. Marion parecia nervoso ao pintar-lhe os ossos das mãos. “Este lugar não existe”...
“Deixe de parvoíces, homem”! Bae cortou-lhe a conversa em sua agitada rouquidão.
A contragosto, foi acompanhada rumo ao poente. Despediram-se próximos à estátua de um pequeno senhor sentado no meio das árvores. A mata inabitada, silenciosa como bote mortífero, refastelava-se adiante. Dali, ela seguiria a pé.
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