A Maldição Hettel
1 Capítulo I - O Início
Notas iniciais
Lao-Tsé
"Mais uma segunda-feira, mais um dia comum e entediante." Pensei, enquanto me arrumava para ir ao colégio.
Saí de casa, o dia estava como sempre gostei, cinzento e com o vento balançando as árvores. Não sei porquê, mas sempre achei algo de reconfortante em dias assim.
Fiz o caminho da escola normalmente, à passos lentos para apreciar aquela tão conhecida paisagem. Porém, contra todas as minhas expectativas percebi algo de diferente quando entrei no colégio, não tinha nem como não notar que havia um grande número de alunos concentrados em frente à uma sala de aula. Sempre fui do tipo curiosa, então fui passando da multidão como pude, com direito à alguns empurrões e consegui entrar na sala que atraiu tanta gente. O estado dela era caótico. Ela estava toda virada, as cortinas rasgadas, cadeiras e mesas quebradas e jogadas de ponta cabeça, e o quadro negro todo arranhado. Nunca tinha visto algo assim, sem querer, deixei escapar:
—Meu Deus!
—Estranho né? -Disse uma voz conhecida ao meu lado.
—Ah, é você Rafa...
Conheci Rafael na escola, o considero um bom amigo, apesar de ter quase certeza que não o conheço tão bem. Ele faz o tipo que se esconde por trás de seu humor. Parei para observá-lo. Os olhos azuis dele fitavam a sala inteira, e ele parecia não se importar com o seu cabelo preto caindo em seu rosto.
De repente ele perguntou:
—Quem será que fez isso?
—Pode ter sido qualquer babaca sem nada melhor pra fazer. — Respondi, sem pensar muito.
—Já tentou arranhar um quadro? Não acho que seja uma coisa que um ''babaca sem nada melhor pra fazer'' consiga realmente fazer.
—Então o que você sugere espertão?
—Para mim foi alguma coisa — ele fez uma pausa — Uma coisa sobrenatural — Disse, em um tom zombeteiro.
—Ah, Rafael, cala a boca!
Nós começamos a rir. Ele nunca levava nada a sério. As risadas foram interrompidas pela voz do diretor que gritava na multidão:
—Mas o que está acontecendo aqui?! Saiam da frente. Quem é o responsável por essa bagunça?
O zelador do colégio, que foi quem trouxe o diretor, respondeu:
—Diretor, isso não aconteceu hoje, provavelmente foi ontem no domingo, ou de madrugada, talvez o responsável nem seja um aluno daqui.
—Está bem, está bem. Vou chamar a polícia. E os alunos se retirem, não haverá aula hoje, creio que, como somente uma sala foi danificada, possamos voltar amanhã mesmo.
Os alunos foram saindo aos poucos, confusos. Pequenos grupos foram reunidos em frente ao colégio para discutir ou fofocar sobre o ocorrido.
* * *
—Wendy!
—Oi Lisa, oi Eric.
Lisa era minha melhor amiga, fui ao encontro dela enquanto ela lutava para aquietar seu cabelo loiro que dançava ao vento. Eric era o cara novo no colégio, tinha chegado à pouco tempo, e também em pouco tempo se tornou nosso amigo.
—Vocês conseguiram entrar na sala? — Perguntou Eric.
— Sim, — respondeu Rafael — A sala estava toda revirada, a que ponto chega o vandalismo não é amiguinhos.
—Poxa que sorte, queria ter visto, mas não consegui chegar antes do diretor!
—Como assim sorte Eric? Que sem noção — Lisa falou por entre um sorriso, e continuou — Mas quem poderia ter feito isso? Tipo, pra quê né? Quem teria motivo...?
—Às vezes não precisam de um — Respondi.
Ficamos alguns minutos em silêncio, até que um barulho estridente veio de dentro do Colégio Hettel. Era como o grito de uma criança, mas não tinha nenhuma criança lá.
—Gente, — falou Lisa, quebrando o silêncio — Isso tá começando a ficar estranho! Que dia doido!
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