Notas iniciais
Boa leitura!

Ren

Continuei avançando por dentro da selva. Após algumas horas de caminhada, passamos pelo lago Suki, onde Phet disse que tinha vindo. Tinhas muitas aves ali, de todos os tipos, algumas conheço outras não, percebi que Kelsey também estava impressionada com a visão. Quando estávamos passando na beirada do lago Kelsey disse:

— Você acha que existem crocodilos ou jacarés no lago?

Com certeza devia existir, lagos deste porte atrai jacarés. Porém não acreditava que iriam nos atacar. Dei a volta e fiquei andando entre ela e o lago, só por precaução.

Era um dia muito quente, e como sabia que Kelsey não era acostumada a andar muito e muito menos nesse calor, procurei passar somente embaixo as sombras das árvores e caminhando muito devagar. Ela retirou o filtro solar e passou no rosto e nos braços. Tinha me esquecido que ela precisa de cuidados com o sol. Avistei um riacho, e resolvi parar para beber e para ela descansar um pouco.

Ela verificou a mochila e achou várias bolas de arroz temperados que Phet nos preparou. Ela jogou duas para mim e os comi. Depois de um breve descanso. Continuamos a andar por mais umas quatros horas antes de deixar a selva. Quando chegamos a estrada parecia que o chão ia derreter minhas patas, sorte que tenho os pelos para proteger. Senti o cheiro do Jeep do outro lado da estrada, e após olhar para os dois lados atravessamos. Chegamos ao veículo e Kelsey olhou confusa para mim e depois para o Jeep. Tomou um gole de água e perguntou:

— O que foi? O que você quer que eu faça?

Olhei na direção do carro.

— É o carro? Você quer que eu entre nele? O.k. Só espero que o dono não fique chateado.

Ela abriu a porta e logo encontrou um bilhete que farejei ser do Kadam. Ela leu em voz alta.

Pensar em minha casa me trás tantas lembranças...

Kelsey pega o mapa e coloca no banco traseiro. Abre a porta de trás para mim, que deito. Ela senta no banco do motorista, liga o carro e começa a andar, logo o GPS anuncia por onde seguir.

Após ver que Kelsey estava indo bem, fechei os olhos e cochilei um pouco, acordei quando farejei o cheiro maravilho do meu lar. Ela estacionou o Jeep, abriu as portas, inclusive a minha e disse maravilhada:

— Ren, sua casa é incrível! — exclamou. — Não acredito que você seja o dono disto!

Minha casa continua a mesma desde quando saí daqui. As lindas plantas tropicais estava podadas no jardim da frente, as plantas que minha mãe também tinha em nosso lar no reino. Minha casa era de três andares, na cor branco e creme, sempre amei cor clara. A piscina estava cheia e limpa, o que me fez pensar que Kadam nunca deixara de cuidar de minhas poses enquanto estava fora. Quando chegamos à porta, Kelsey girou a maçaneta e abriu. Eu adentrei a minha casa, meu conforto. Ela retirou o tênis e começou a admirar os cômodos. Entrou na biblioteca e ficou olhando para a cadeira e mesa de couro, que era onde Kadam usava para estudar e ler o livros. Ela ficou encantada pela biblioteca. Quando estávamos prestes a percorrer mais a casa, ouvi Kadam gritar de dentro da cozinha:

— Srta. Kelsey? É você?

Kelsey pareceu super feliz ao vê-lo, correu em direção à ele e sorriu, alegre:

— Sim, sou eu, Sr. Kadam.

Kadam disse que estava feliz em vê-la e pediu desculpas. Kelsey contou que não estava feliz com como tudo aconteceu, mas o desculpou afinal. Ele baixou os olhos e deu de ombros, se desculpando. E a chamou para a cozinha, para comer alguma coisa. Ele começaram a conversar sobre Kadam ter trago ela aqui. Eu me deitei aos pés dela para descansar.

Kelsey pediu a Kadam para lhe dizer quem era Durga. Ele começou lhe trazendo uma estatueta da Deusa, onde está possuía 8 braços com uma arma em cada um. Ele explicou que a deusa nasceu do rio para ajudar a humanidade nos momentos de necessidades. Disse que ela enfrentou um demônio, chamado, Mahishasur, que era meio humano, meio búfalo. Kelsey ouvindo isso tudo falou que era difícil acreditar nessas coisas. Acredite minha querida, nós também demoramos a acreditar nessas coisas. Depois de muito tempo conversando, Kadam acompanhou Kelsey para o segundo andar para lhe mostrar onde ficar seu quarto. Ele escolheu o quarto certo, o que dava para a varanda lateral, de frente para a piscina. Ela agradeceu e Kadam saiu, fechando a porta ao sair. Ficou eu e ele no lado de fora.
Segui Kadam para baixo, até a cozinha. Enquanto ele arrumava as coisas ele disse:

— Em todos esses séculos conseguimos um grande progresso. Posso sentir que agora vamos conseguir.

Kadam tinha razão, nunca conseguir ter nenhuma esperança, mas agora temos Kelsey. Dei meia volta e fui para fora da casa. Eu com apenas 24 minutos como homem, não podia desperdiçar meu tempo, e dedicar os poucos minutos para Kelsey, fui em direção ao riacho bem atrás da casa, no meio das árvores e mergulhei, pronto para um bom banho.

Depois de me refrescar como tigre, seguir de volta para a minha casa, e fui direto para a varanda que dava para a porta do quarto de Kelsey. Quando subir à varanda, me metamorfoseei para homem e parei de frente para as portas de vidro. Olhei para dentro e lá estava ela, linda como sempre, estava de pijama, tinha acabado de sentar na cama com um livro, tinha tomado banho. Ela me viu e veio em minha direção. Eu olhei ela de em cima em baixo e então me lembrei; por que ela não estava usando as roupas que pedi para comprar pra ela? Pedi a Kadam, com todos os detalhes que achei que ficariam lindos nela. Queria saber:

— Por que não está usando as roupas que comprei para você? As que estão no closet e na cômoda?

Ela parecia confusa e envergonhada ao mesmo tempo.

— Ah... Você quer dizer que aquelas roupas são para mim? — perguntou gaguejando — Eu não... Mas... Por que você iria... Como... Bem, de qualquer forma, obrigada. E obrigada por me deixar usar este quarto lindo.

Desejaria poder que ficasse ao lado do meu, para todos os dias poder "por acaso" encontrar-lhe no corredor. Lhe dirigi um sorriso largo, de felicidade. Peguei uma mecha que estava solta de seu cabelo e coloquei-a atrás da orelha.

— Gostou das flores? — perguntei.

Ela ficou um momento olhando para mim. Me admirando, será? Então ela piscou e disse quase como um sussurro:

— Sim.

Assenti, satisfeito. Quem bom que ela gostou. Peguei seu braço e a conduzir até as cadeiras do pátio da varanda. Gesticulei que ela se sentasse em uma cadeira, assim que sentou, também me sentei, de frente para ela. Ela precisava e merecia algumas respostas sobre mim.

— Kelsey, sei que você tem muitas perguntas para mim O que quer saber primeiro?

Ela ficou paralisada por um momento, procurando as palavras para dizer.

— Você não parece com outros homens indianos. Seus... seus olhos são... diferentes e... — gaguejou sem jeito.

Queria sorrir com a falta de jeito que ela tinha, mas resisti. Eu gostava desse jeito dela. Então respondi que meu pai tinha ascendência indiana, mas minha mãe era asiática. E minhas próximas palavras me fizeram ter certeza que sou um idiota.

—... Além disso, tenho mais de 300 anos, o que também deve fazer alguma diferença, suponho.

Deve fazer muita diferença. Espero que ela não me veja como um avô. Por eu ser mais velho em certo sentido?

— Mais de 300 anos! Isso significa que você nasceu em...

— Nasci em 1657 — respondi rápido.

— Certo — ela se remexeu desconfortavelmente na cadeira. — Então por que você aparenta ser tão jovem? — perguntou.

Ela me olhava, e eu via curiosidade e interrogação em seus olhos.

— Não sei. Eu tinha 21 anos quando me lançaram a maldição. Não envelheci desde então. — respondi sincero.

— E o Sr. Kadam? Quantos anos ele tem? E como o chefe de Sr. Kadam se encaixa nessa história? Ele sabe sobre você?

Tive que rir dessa vez. Sim, ele sabe, pois sou eu mesmo.

— Kelsey, eu sou o chefe do Sr. Kadam.

Ela arregala os olhos.

— Você? Você é o rico empregador dele? — perguntou surpresa.

— Na verdade não nos definimos assim. Quanto a idade do Sr. Kadam, isso é mais ou menos complicada. Ele é um pouco mais velho que eu.

Lhe expliquei que quando nos lançaram a maldição, a primeira pessoa que procuramos foi o Sr. Kadam, e que ele vem nos ajudando desde então. Digo a Kelsey que o que mantem Kadam vivo é o amuleto de Damon, que ele carrega no pescoço, e nunca tira.

— Damon, não é esse o nome do tigre de Durga? — perguntou.

Exliquei que o nome do tigre de Durga e do amuleto são o mesmo. Comentei também sobre não sabermos exato o poder do amuleto. E que Lokresh quer a todo custo ele.

Continuei explicando sobre Lokesh, como nos amaldiçoou. Disse também que nunca poderei pagar minha divida com Kadam, por ele ter sacrificado tudo na vida para nos ajudar. E isso era verdade, ele fez e ainda faz muito por nós.

Fiquei triste quando disse que Kadam cuidou dos meus pais até eles morrerem. Não gosto muito de me lembrar sobre isso. Ele se amavam e nos amavam muito, deixaram o próprio reino para viver conosco na selva. Amei e ainda amo muito meus pais. Kelsey trouxe sua mão até e minha e apertou, como para me consolar. Agradecido entrelacei meu dedos nos delas e começou a acaricia-los com o polegar.

Ficamos assim, os dois, por minutos, perdidos em pensamentos. Olhei para o rosto dela e sorri, beijei seus dedos e disse:

— Venha, Kelsey. Você precisa dormir e meu tempo está se esgotando.

Lhe puxei, de modo que ela ficou bem perto de mim, senti ela prender a respiração. Enquanto segurava sua mão, senti o velho e já conhecido tremor tocar meus dedos, o tigre estava de volta. Guiei Kelsey até as portas do quarto, lhe disse boa-noite e saí.

Logo que me virei, o tigre veio com tudo, tomando conta do meu corpo. Eu estava com raiva, queria ter mais tempo com ela. Mas, pelo menos ela aceitou ficar aqui, mais tempo comigo. Com isso me senti mais confortável e me dirigi ao meu quarto.

Notas finais
Obrigada por ler até aqui. :) DEIXE COMENTÁRIO PELOAMORDEDEUS CARA! Até a próxima.