A Maldição do Meio Sangue
2 Sonho ou Realidade?
Notas iniciais
A Maldição do Meio Sangue
Capítulo 2 -> Sonho ou Realidade?
[7:30 Itabashi, Tóquio]
O som do despertador perturbava o silêncio da manhã. De repente Yuki acorda do sono saltando de sua cama, sua respiração está ofegante e seu coração acelerado. Ele esfrega seus olhos com a mão direita enquanto a esquerda apalpa a superfície de um criado mudo procurando pelo despertador. Seus dedos pousam sobre o objeto e então ele o pressiona para desligar, porém ele escuta um som estranho ao fazê-lo. Yuki olha para o despertador e nota que que ele está rachado e seus componentes estão saltando para fora.
— Quê? — Yuki diz espantado.
Ele recua sua mão esquerda e o movimento faz com que a coberta deslize para baixo, deixando seu braço descoberto.
— QUÊ!? — Yuki grita espantado.
Seu braço esquerdo estava todo enfaixado até a ponta dos dedos. Yuki se desespera e sai correndo de sua cama.
— "Não pode ser! Não pode ser! Não pode ser!" — Yuki afirma para si mesmo enquanto desce as escadas de sua casa segurando seu braço esquerdo.
Ele passa pelos cômodos disparado e vai em direção à cozinha, onde ele se aproxima das gavetas e puxa uma faca. Sua mão direita tremia enquanto ele manuseava o objeto que lentamente se aproximava de seu braço enfaixado.
— "Por favor seja mentira! Por favor seja mentira!!" — Yuki pensa de olhos fechados enquanto o nervosismo sobe pelo seu corpo.
Ele posiciona a faca entre seu indicador e seu polegar e faz um pequeno corte naquele tecido. Yuki põe a faca na pia e começa a desenfaixar seu dedo lentamente. Suor escorria de seu rosto enquanto aquela remenda dava voltas e voltas em seu dedo, pouco a pouco revelando o que havia por baixo. Ele terminou o movimento e suspirou aliviado enquanto se encostava na parede. Seu dedo estava normal, e aparentemente seu braço inteiro também estava.
— Graças a Deus. — Yuki recuperava seu fôlego. — Então aquilo tudo foi um sonho. Mas por que meu braço está enfaixado?
Yuki tentava se lembrar da noite passada, porém suas memórias estavas embaçadas. Ele conseguia lembrar de relance como um sonho, e a única coisa que podia explicar seu braço enfaixado era o acidente de carro que ele sofreu. Acidente de carro? É apenas isso? Eram seus questionamentos, realmente havia algo de estranho. Yuki aparentava se recordar de mais, muito mais, algo relacionado à uma garota… Mas não importa o quanto ele tentava nada ficava claro em sua mente, literalmente como se esquecer de um sonho vivido. Ele decidiu então apenas ignorar, ele enfaixou seu dedo de volta e foi se arrumar para a escola.
Era impossível saber como Yuki se esquecia dos detalhes daquele momento vivido… Como ele se esqueceu do que aconteceu depois do acidente…
[….]
[20:30 do dia anterior, Lugar desconhecido]
Tudo estava silencioso, apenas batidas de coração podiam ser ouvidas no meio do escuro. Essas se intensificavam cada vez mais, e no fundo da escuridão uma figura surgia… Uma figura humanoide e vermelha, sua cor era intensa e fluía em seu corpo como uma pintura de sangue. Ela estava agachada e de costas, quanto mais rápidas as batidas ficavam, mais nítida era aquela figura. Os detalhes iam se revelando, a figura tomava uma aparência demoníaca e seu braço esquerdo era negro como tinta. As batidas ficavam desconfortavelmente aceleradas e a figura se virava para trás... Seu rosto demoníaco podia ser visto de relance, assim como seus olhos negros e seus dentes afiados. A figura se virava por completo até que…
— UAAAGH!! — Yuki acordou com um salto.
Sua respiração estava ofegante e seu corpo suando, era apenas um sonho… Yuki olhou em volta e percebeu que não estava em sua cama, era um lugar diferente, a decoração lembrava uma capela com luxuosos ornamentos esculpidos em paredes de mármore e detalhes em ouro. Yuki olhou para o lado e se deparou com o rosto de uma garota.
— Você acordou. — Disse a garota.
Yuki se assustou com a presença da garota e recuou em seu leito.
— Ah! Eu te assustei? Me desculpe por aparecer assim. — Ela disse.
— Ei, onde é que eu tô? — Yuki perguntou.
— Esse lugar é uma ala médica, os especialistas daqui estavam cuidando de você. Foi trabalho sabe, até para eles!
— Cuidando… Mas o que aconteceu comigo?
A garota estranhou um pouco e depois sorriu.
— Você não se lembra? Ontem você sofreu um acidente terrível! Um demônio te ferrou por completo e arrancou seu braço! — Ela falou com naturalidade.
— Ah, sim! Um demô… Pera aí, você disse demônio?! — Yuki perguntou assustado.
— Sim, um demônio com D maiúsculo! E ... aliás… Você... Você não se lembra do que aconteceu depois né? — Ela perguntou enquanto suas bochechas claramente coravam.
— Como assim um demônio!? Essas coisas existem mesmo?!
— Ufa... Você não se lembra...
— Merda, eu tenho que sair daqui!
Yuki se apoiou na cama para se levantar, mas uma enorme dor em seu braço esquerdo o parou, fazendo-o soltar um grunhido de dor. Ele retirou sua coberta para checar o braço, e aquela visão o deixou espantado. Seu braço estava completamente diferente, nem parecia humano. A pele estava vermelha e suas unhas afiadas, havia algo enrolado nele, era como uma corrente dourada, só que aparentava estar dentro de sua pele.
— M-Mas o que é isso?! — Sua voz estava falhando.
— Esse aí é o seu novo braço. É feio, mas foi preciso que eles fizessem isso para salvar sua vida. — Disse a garota.
— Salvar minha vida? O que aconteceu?
— Antes do demônio arrancar o seu braço e te quebrar todo, ele te perfurou com suas garras e injetou o sangue dele em você. Até aí nada demais, né?
— Se ser atacado por um demônio for normal… Mas então por que fizeram isso com o meu braço?
— O seu corpo não estava reagindo bem ao sangue dele, eu tive que te transformar em um vampiro para que você sobrevivesse aos seus ferimentos, e então te trouxe pra cá, onde eles reconstruíram seu braço com partes do demônio na esperança de que ele segurasse o sangue ruim e pelo visto funcionou.
— V-Vampiro?! — Ele perguntou incrédulo. — Então você é uma vampira? Isso explica você ter morrido meu braço naquela hora, mas como você me transformou?
— Para que alguém se transforme, essa pessoa tem que ingerir o sangue de um vampiro… Mas você não tava conseguindo beber meu sangue naquele estado! Então... Er… Então eu… Tive que te beijar!!
— !! — Yuki desviou o olhar envergonhado. O rosto da garota ficou ainda mais vermelho.
— Olha, não é bem isso ok!? Eu só tive que fazer isso pra você beber o sangue!! Foi bem nojento se parar pra pensar! De qualquer maneira isso é culpa sua! — Ela disse envergonhada.
— Ok então! Me desculpe! Mas você pode responder uma última pergunta? — Disse Yuki.
— O que foi?
— Isso aqui não é um hospital… Então o que é este lugar?
— Bem… Como eu posso dizer… Esse lugar é acima das nuvens.
— Acima das nuvens? Significa que eu morri?
— Claro que não idiota!! Esse lugar é uma sede de uma organização bem importante.
— E que organização seria essa?
— É a organização dos anjos.
— Hah... Anjos... Entendo... Faz todo o sentido... — Yuki estava beliscando seu braço enquanto soltava uma risada nervosa. — Isso não é um sonho...
— É, tem razão, isso aqui é bem real. Levante-se e venha comigo! Eu vou te mostrar o lugar.
— Onde diabos eu fui me meter…
Yuki se levantou com esforço, ele estava vestindo as mesmas roupas só que sem o seu casaco. A garota se virou e começou a andar pela ala repleta de camas e aparelhos hospitalares.
— Eu, hã… Você não me disse seu nome. — A garota perguntou.
— Meu nome é Yuki, Yuki Nishimura. — Ele respondeu.
— O meu é Rika, prazer em conhecê-lo Yuki.
Os dois andavam por aquele imenso local, haviam tantos corredores que faziam com que o lugar parecesse um labirinto. Yuki reparava na belíssima decoração, repleta de pinturas detalhadas, esculturas de mármore e objetos dourados, muito semelhante a uma catedral imensa.
Os dois subiram por uma escadaria em espiral e chegaram em um salão de espera com vários bancos que dava para a porta de um elevador. Sentados nos bancos do salão haviam dois homens e um gato preto. Um dos homens era alto e vestia uma jaqueta de couro e calças jeans, um pouco dos seus cabelos loiros saíam pela sua touca que cobria a cabeça, ele parecia ser um adulto. O outro usava óculos e era um pouco menor, seus cabelos eram negros e arrumados, ele calçava sapatos chiques que combinavam com seu colete e suas calças formais. O dois se levantaram para cumprimentar Yuki.
— Esse aí é o novato? — Perguntou o homem de jaqueta.
— Esse aqui é o Alex. — Rika apontou para o homem. — Se você achar que ele é velho demais pra se vestir assim você provavelmente está certo.
— Qual é, pelo menos é estiloso! — Respondeu Alex em um tom descontraído. — E você é?
— Yuki... prazer em conhecê-lo. — Disse ele enquanto estendia sua mão timidamente para cumprimentá-lo.
— Aquele cara bem vestido é o Hiruka, ele pode parecer um barista, mas na verdade é um médico que inclusive ajudou a tratar você. — Disse Rika.
— Prazer em conhecê-lo Yuki, como está o seu braço? — Perguntou Hiruka.
— Ele está normal… Eu acho… — Disse Yuki.
— É assim mesmo, creio que outro alguém pode te explicar melhor sobre isso tudo. — Disse Hiruka.
— Aquele gato preto é o Midnight, ele não gosta de ser tratado como um gato então nem pense em fazer carinho nele. — Disse Rika. — Bem, agora que você já conhece todo mundo eu vou te levar até Luther, ele estava querendo te ver.
Os dois atravessaram o salão e foram até o elevador no final da sala, ao entrarem as portas se fecharam automaticamente e o elevador começou a subir.
— Luther é o presidente dessa sede dos anjos. — Disse Rika. — Ele vai te explicar melhor sobre tudo isso.
O elevador parou e as portas se abriram, Rika deu um passo à frente e Yuki a seguiu. Os dois estavam em uma espécie de escritório, haviam prateleiras ao redor da sala com diversos livros. No final da sala havia um enorme e belo vitral pintado que exibia a figura de vários anjos sobre as nuvens. Atrás de uma mesa havia um homem sentado em uma cadeira giratória, ele estava de costas.
— Creio que esteja confuso nesse momento. — Disse o homem com uma voz suave.
O homem se virou para os dois, ele vestia uma túnica brilhante branca com detalhes dourados, sua pele era clara e seu rosto era belo, seus cabelos eram longos e tinham um tom de loiro claríssimo. Aquele era Luther, líder da sede japonesa dos anjos.
— Por favor, sentem-se. — Disse Luther.
Eles sentaram em duas cadeiras que estavam na frente da mesa.
— Você deve está se perguntando o porquê daquele demônio ter te atacado e como ele chegou até você não é mesmo? — Perguntou Luther.
— Sim! — Respondeu Yuki.
— Os demônios vivem em outro plano existencial assim como nós anjos. O plano terreno onde vivem os humanos fica no meio do mundo dos anjos e dos demônios, isso nos permite interagir entre os humanos.
— Eu nunca achei que isso fosse verdade… Deixa eu adivinhar, os demônios podem nos possuir ou algo do tipo.
— Você está certo, a possessão é uma das maneiras que eles possuem de entrar no plano terreno, no entanto eles têm uma limitação.
— Como assim?
— Os demônios surgiram dos pecados dos próprios humanos e junto deles existem as maldições.
— Maldições? — Perguntou Yuki.
— As maldições podem se expressar de muitas maneiras, os exemplos mais comuns são as doenças. Eles tiram seus poderem dessas maldições e, através delas, podem possuir os humanos.
— E como os anjos fazem pra entrar no nosso mundo?
— Nós temos o direito de transitar entre os planos para assegurar a proteção dos humanos, esse é o nosso dever sagrado. No entanto, nós fazemos o nosso trabalho na encolha, utilizamos um artefato que nos torna invisíveis aos olhos humanos e esses artefatos são as auréolas. Rika, mostre para ele.
Rika estendeu seu braço e tirou uma pulseira dourada que estava usando, aquele objeto emanava uma aura mística.
Yuki achou aquilo estranho, Luther havia acabado de falar que eles não aparecem diante dos humanos, mas por algum motivo naquela hora ele conseguia ver Rika e o demônio. Mesmo estranhando ele preferiu ficar calado.
— Diferente dos demônios, nós tiramos nossos poderes dos milagres. — Disse Luther.
— Milagres? Então vocês estão por trás disso também? — Perguntou Yuki.
— Sim, os milagres são eventos inexplicáveis para os humanos, por isso a maioria não crê que existam.
— Então significa que quantos mais milagres um anjo realizar, mais poderoso ele ficará?
— Não. Um anjo pode realizar apenas um milagre, se ele for responsável por mais de um milagre sua alma é purificada e ascende para um plano superior, assim ele deixa de existir fisicamente.
— Uma pergunta… Aquela garotinha que foi atacada pelo demônio, o que aconteceu com ela?
— Nós entregamos ela para a polícia, infelizmente não podemos resolver esse tipo de problema... Eu admito que ter deixado uma pessoa inocente morrer foi um erro nosso, assim como ter deixado o demônio chegar até você. Mas nós fizemos de tudo para salvar sua vida e vamos fazer de tudo para te proteger.
Yuki olhou para seu braço esquerdo.
— Eu quase me esqueci, o que é essa "corrente" no meu braço? — Yuki disse apontando para a corrente dourada.
— Essa foi a medida que tomamos para que o sangue de demônio não flua pelo seu corpo, enquanto essa corrente estiver em seu braço o sangue ficará preso.
— Eu não tenho como me livrar disso?
Luther assumiu um tom mais sério.
— Bem, chegamos ao ponto…. — Luther afirmou com a voz firme. — O que aconteceu com você é irreversível, mesmo com todos os nossos esforços, isso foi o melhor que conseguimos fazer.
— Eu… Não estou reclamando, é só que eu tenho que voltar para a minha casa e para a minha vida normal.
— Yuki… Depois desse acontecimento eu creio que sua vida não será mais normal…
— O que você quer dizer com isso?
— Agora você sabe sobre os anjos e os demônios, sabe que ninguém está seguro. Aquele demônio injetou seu sangue em você por algum motivo que nós não sabemos, e por isso você corre perigo.
— Não, não, não, não, não, você não tá querendo dizer que…
— Seria melhor se você se tornasse um anjo. — Disse Rika.
Yuki ficou espantado.
— Não... Espera aí… Depois de ter quase morrido vocês esperam que eu me junte à vocês para correr mais perigo? — Disse Yuki.
— Você não entendeu Yuki, sua vida estará em um perigo maior se você não se juntar à nós. — Disse Luther.
— He… Hehehe…. — Yuki deu uma risada nervosa. — Me desculpe, mas eu tenho uma família, tenho que ir pra escola, tenho uma vida normal com coisas para fazer. Eu não posso simplesmente deixar tudo isso de lado entende? Vocês não podem… Sei lá, simplesmente continuar com o seu trabalho seu me envolver nisso?
Luther ficou calado.
— Mas o quê? Olha o que você está falando! — Disse Rika nervosa.
— Deixe ele Rika… Eu respeito sua opinião, apesar de você estar se equivocando. Sinto que não posso mudar a maneira que você pensa… — Disse Luther.
Ele fez um sinal com a mão e apontou para o elevador.
— Se você sair por aquele elevador sua vida voltará ao "normal", e se esquecerá de tudo o que viu aqui. — Disse Luther.
— Mas e o meu braço? — Perguntou Yuki.
— Não se preocupe com ele, vai parecer que foi um ferimento comum.
Yuki deixou a sala sem jeito e de cabeça baixa, Rika o olhava desapontada.
— Você ainda é um vampiro, idiota! — Disse Rika.
Yuki simplesmente ignorou e entrou no elevador, ele não queria por sua vida em um risco que ele acreditava ser desnecessário. Ele era o tipo de pessoa que gostava de evitar problemas e conflitos, isso fazia dele uma pessoa reservada e introvertida. Ele entrou no elevador e as portas se fecharam…
[….]
[8:10 do dia atual, Itabashi, Tóquio]
Yuki andava sonolento pelo caminho até a escola, ele ainda estava tentando se recordar daquele "sonho". Ele puxou a manga de seu uniforme escolar e examinou a faixa em seu braço, que desculpa ele daria?
Ele continuava a andar normalmente, a escola já estava a dois quarteirões de distância, quando ele percebeu alguém no canto de seu olho. Era uma pessoa familiar, uma garota vestindo o mesmo uniforme da escola andando do outro lado da rua. Seus cabelos eram longos e brancos e sua pele pálida. Yuki tentava se lembrar de quem ela era, mas algo o alertou mais ainda, ela estava andando rápido e vindo na sua direção.
Pensando ser apenas uma coincidência, Yuki desviou do o caminho e começou a apertar o passo rápido, para a sua surpresa, a garota fez o mesmo.
— "O que ela quer de mim?" — Yuki pensou.
A medida que Yuki se afastava, a garota corria para chegar mais perto, tornando toda aquela situação ainda mais constrangedora.
Pensando em despistá-la, Yuki decidiu passar por um beco estreito que servia de atalho para a escola, no entanto, antes que ele pudesse se esgueirar pela passagem a garota saltou sobre ele, aterrissando na entrada do beco em sua frente.
— Oi, Yuki. — Ela disse ofegante.
— Err… Oi? — Yuki respondeu.
— Você se lembra de mim não é? A Rika. — Perguntou Rika.
— Err… É você né? Daquela vez que... Não, não lembro. — Disse Yuki sem jeito.
— Ah, então é isso o que eles fazem com quem recusa.
— É... Desculpa perguntar assim mas, você costuma a pular assim na frente de qualquer desconhecido?
— Não importa! Toma isso!
Rika puxou uma lâmina pequena de sua bolsa.
— Pera aí! O quê?!! Eu nem te conheço e você quer me entregar uma arma?!! — Perguntou Yuki.
— Não me diga que você não se lembra de nada mesmo! Sua vida corre perigo, pegue essa lâmina e… — Rika foi interrompida.
— Já sei! Você deve ser daqueles canais de pegadinha onde eles mandam uma garota bonita enganar qualquer otário por aí e mandam para internet. Só que acontece que eu não sou qualquer otário, não vai funcionar comigo.
— O quê? Você não tá me entendendo!
— Ok, guarda essa arma e tenta fazer isso com outra pessoa, eu tenho que ir para a aula. — Disse Yuki enquanto retomava o seu caminho.
— Mas... Mas… Merda! — Disse Rika
Rika estava preocupada com Yuki, mas ele não conseguia se lembrar dela e nem do que aconteceu. Ela teve uma ideia.
Após alguns minutos Yuki já havia chegado nos portões da escola. No entanto, assim que ele pôs seus pés para dentro do portão, um impacto jogou seu corpo no chão. Todos os outros estudantes olhavam a cena, enquanto Yuki se recuperava da queda.
— Agh! Mas o qu– — Ao abrir seus olhos, ele reparou que aquela mesma garota estava ajoelhada no chão próximo a ele. Provavelmente fora ela que causou o tombo. — Você de novo!!
Yuki se levantou e pegou sua bolsa furioso.
— Vê se larga do meu pé viu! — Ele disse enquanto limpava a poeira do seu uniforme.
— Eu estou no primeiro andar… Caso precise de ajuda… — Disse Rika com um tom sério.
Yuki estranhou aquilo, mas continuou andando em frente, ele passou pelo pátio e subiu as escadas até o segundo andar. Haviam alunos nos corredores enquanto os professores não chegavam, na ele entrouentao entrou na sua sala, 2-A.
Muitos outros alunos estavam sentados nas cadeiras conversando entre si, no final da sala e perto da janela haviam dois jovens acenando para Yuki, eram seus amigos Togashi e Hideki, ele acenou de volta e se sentou perto deles.
— A gente te viu com aquela garota pela janela. — Disse Togashi.
— Hã? — Disse Yuki.
— Aquela garota do primeiro ano, o nome dela é Rika. — Disse Hideki. — Ela é uma gracinha.
— Eu nem sabia que ela estudava nessa escola. — Disse Yuki pendurando sua bolsa na cadeira.
— Vocês dois estavam conversando, parecia até que conhecia ela. — Disse Togashi.
— O quê? Você tá dizendo que derrubar alguém no chão é uma nova espécie de cumprimento? Acho que eu vou começar a praticar com vocês dois então. — Brincou Yuki.
— Ah não fode, você é um cara sortudo do caralho, Yuki. Você já viu o rosto dela? Parece até uma personagem de anime, você não encontra mulher assim em todo o lugar. — Disse Hideki.
— .... Ela só esbarrou em mim…. — Disse Yuki impaciente.
— Mesmo assim! Só de esbarrar com uma garota dessas já é um passo!
— Mas… Eu nem conheço ela… — Disse Yuki impaciente.
— É Hideki, nem todas as garotas se interessam por alguém depois de um acidente, você tá jogando muito eroge! — Disse Togashi.
— Mas eu não jogo tanto eroge assim! — Disse Hideki.
— Aliás, o que aconteceu com o seu braço? — Perguntou Togashi.
— Ah… Isso foi… Um carro que me atropelou. — Disse Yuki enquanto suas memórias retornavam lentamente. — É mesmo! Eu acho que eu vi aquela garota no dia.
— Ela te atropelou? — Perguntou Hideki.
— Claro que não!!! — Yuki e Togashi responderam em uníssono.
Yuki riu daquela situação e os três continuaram jogando conversa fora até o professor chegar e iniciar a aula. Tudo estava acontecendo normalmente.
[40 minutos depois]
Yuki estava assistindo a aula normalmente, mas algo o incomodava, um sentimento que ele nunca sentiu antes. Ele sentia sede, não era por água, era um sentimento peculiar. Ele conseguia sentir os cheiros de todos ao seu redor com mais intensidade, eles eram… Apetitosos… Yuki deixou esse pensamento de lado e checou a sua bolsa para ver se tinha algum doce ou salgadinho, mas o que estava lá o espantou..... Era uma lâmina..... A mesma lâmina que Rika havia tentado lhe entregar antes, ela deve ter colocado lá quando eles esbarraram um no outro. Yuki fechou a bolsa e continuou assistindo a aula. Aquela sede só se intensificava, assim como o nervosismo.… Ele batia seu pé no chão e batucava na mesa.…
Aquele sentimento ficava cada vez mais insuportável, sua visão estava ficando turva…
— "Merda… O que é isso?" — Pensou Yuki.
Ele olhava ao seu redor e tudo estava turvo, ele não conseguia sequer distinguir os rostos de seus colegas… Yuki se lembrou das palavras de Rika, ela estaria no segundo andar para ajudá-lo… Inconscientemente ele se levantou, ignorando tudo… Algo estava mais estranho ainda, nenhum aluno, nem mesmo o professor reagia… Yuki andou até a porta e saiu para o corredor... No canto de seu olho ele enxergava uma figura, ele não conseguia distinguir quem era, mas com certeza não era um aluno… Os sons de passos ecoavam pelo corredor vazio... A figura se aproximava… A tensão aumentava…
O que Yuki estava presenciando? O que estava acontecendo? Quem era aquela figura? Yuki sentia todos esses conflitos dentro de si…
Algo de ruim estava prestes a acontecer.…
Continua….
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