-- Olá Ikki, faz muito tempo não é?! – disse Perséfone com um olhar doce, mas em sua voz havia gotas ácidas

Shiryu sem mais agüentar se aproxima de Iara e lhe envolve em seus braços ternamente.

-- Iara. Senti tanto a sua falta. Como tem passado? O que tem feito?

Iara apenas se solta dos braços de Shiryu e se volta para Sango

-- Minha Árthemis. Poderia me conceder licença? – disse com a cabeça inclinada em uma pequena reverência

-- Claro que sim, minha querida – respondeu suavemente sorrindo para Iara. Então virou-se para as outras – Sei que vocês os conhecem também, estão todas dispensadas.

Cada uma das cavaleiras fez uma breve reverência e foram para fora da mansão. Iara puxava Shiryu pela mão para fora

-- Athena, será que poderíamos conversar um pouco mais? A sós?

Saori não entendia o “a sós” pois os meninos haviam saído da mansão seguindo as musas, mas ainda assim não recusou. Foi em frente indicando o caminho da sala de estar.

-- Tatsumi, nos providencie um chá e algo para comer

Tatsumi assentiu e saiu em direção à cozinha.

No lado de fora da mansão as cavaleiras se confraternizavam com os meninos.

-- Hyoga, Shun, senti tanta saudade de vocês. Vocês não têm idéia – disse Pandora ao abraçar os dois ao mesmo tempo e sendo abraçada de volta

-- Nós também, Pandora – alegre respondeu Hyoga

-- Por que não veio mais me ver? – questionou Shun com uma expressão tão doce.

-- Porque é raro Sango nos deixar de folga. Ela esta sempre saindo para uma caçada ou uma nova aventura. Temos sempre de acompanhá-la – revelou Pandora um pouco entristecida – Mas agora estou aqui com vocês, nem acredito. Shun você mudou muito desde a última vez em que nos vimos. Se bem que quando te vi a última vez seu treinamento na Ilha de Andromeda estava apenas começando. Você esta até mais bonito assim. – disse Pandora com um sorriso doce com um toque malicioso

-- Sim. Já faz muito tempo mesmo – respondeu Shun encabulado pelas palavras de Pandora

Hyoga quase não conseguia esconder o ciúmes latente em seu rosto pelas palavras de Pandora a Shun

-- Não fique assim Hyoga, saiba que eu nunca me esqueci de ti. Vejo que o treinamento na Sibéria também te fez muito bem – disse apertando levemente o braço de Hyoga, deixando-o encabulado também

-- Ora, essa Pandora. Contenha-se mulher. Até parece que nunca viu homem bonito antes – disse Nefertiti debochada para a irmã

Hyoga e Shun ainda tentavam se recuperar do ataque de Pandora, quando as palavras de Nefertiti deixavam eles ainda mais vermelhos.

-- Oh, cale-se Nefertiti. Por que não vai tratar de correr atrás de Ikki, sei que ele ficou magoado com suas palavras. Arrume algo para fazer e deixe-me em paz – disse Pandora jogando uma mecha de seus lisos e negros cabelos para trás.

-- Nefertiti tem razão, não adianta tentar fugir do assunto Pandora. Controle-se – disse Cassandra sem nem ao menos olhá-la. Esta estava mais atenta na arquitetura da mansão do que no olhar fuzilante que sua irmã lhe lançava.

-- Vocês todas são irmãs de sangue, não é?! – indagou Seiya às cavaleiras

-- Sim. Exatamente como nossas protetoras, as musas, somos todas irmãs – respondeu Hipólita – até mesmo Sango é nossa irmã, mas como ela é a reencarnação de Árthemis, evita ao máximo admitir ser nossa irmã.

-- Sim, mas não acho que ela tenha vergonha de ser nossa irmã, afinal nos trata com tanto carinho. – reconheceu Lena

-- Eu já acho que essa história de ela ser Árthemis lhe subiu a cabeça e por isso não nos permiti mais chamá-la de “irmã” ou mesmo por seu próprio nome – disse Diana em tom de mágoa

Os cavaleiros Seiya, Hyoga e Shun podiam sentir o pesar em seus corações, mas não haviam palavras que pudessem ser ditas.

Eu sei como me sentiria se meu irmão me tratasse como apenas mais um e não como um irmão Pensou Shun ao imaginar a situação das amigas.

Enquanto Pandora e Lena tentavam restaurar o bom clima de antes, não muito longe dali Shiryu e Iara conversavam mais tranquilamente longe dos ouvidos curiosos dos outros.

-- Me desculpe por antes – disse Iara sem coragem de encará-lo – Sei que acabei te magoando. Mas por favor entenda que em frente a Árthemis eu não posso agir tão a vontade quanto gostaria. – terminou dando uma leve olhada à ele. Tentando desvendar sua expressão

-- Eu entendo. Me desculpe por tê-la constrangido na frente de sua deusa – em sua voz era possível sentir o ácido da mágoa e uma leve ponta de ressentimento

-- Ela acima de tudo é minha irmã, não a tenho como “minha deusa”. Até porque, não acredito em reencarnações – disse Iara triste pelas palavras de Shiryu

O dragão ainda tentava entender o porquê de Iara mostrar tantas faces diferentes à ele. Será que ela tem vergonha de mim? Essas palavras lhe assombravam a mente sempre que olhava para ela.

-- Como anda Shunrei? – em uma tentativa de mudar de assunto, Iara acaba tocando em uma antiga ferida. – Shiryu! O que houve? – ele não a respondeu, apenas seguiu adiante com os punhos cerrados firmemente – Se foi algo que eu fiz me perdoe, mas por favor não me trate assim – disse Iara ao impedir a passagem do dragão

Iara esperava que fosse ser colocada de lado ou até mesmo que ele desviasse dela e a deixasse la. Ela sabia que quando ele reagia assim a ultima coisa que faria era continuar a conversa. Mas o inesperado aconteceu. Shiryu se lançou a seus braços e desatou em prantos. Iara tentava consolá-lo, mas nada que fizesse o acalmou. Depois de um bom tempo suas lagrimas foram cessando ao toque de Iara e seu doce canto. Após se certificar de que as lagrimas haviam acabado, Iara faz uma tentativa

-- Ah. Finalmente. Estava começando a pensar que morreria em meus braços por desidratação – ela conseguiu que ele soltasse um leve riso. Mas ainda não foi o suficiente. – Me conte o que aconteceu – ela pediu em um tom tão baixo que mais parecia um sussurro.