A Maldição De Anúbis
3 Capítulo 3
-- Há dois meses e meio Shunrei foi buscar ervas para um remédio que o Mestre Ancião havia pedido, mas ela nunca mais retornou. Ou se quer foi vista em parte alguma de Rozan. – Iara não podia acreditar. Sabia que Shunrei não era boba a ponto de se perder. Ela não conseguiria explicar nem a si mesma, mas algo dentro dela tinha a certeza de que Shunrei estava viva em algum lugar – Não tenho parado de pensar no que possa ter acontecido. O Mestre Ancião estava procurando por ela, mas já esta desanimando da busca. Ele me mandou de volta ao Japão para que eu deixasse de me preocupar um pouco e descansasse. Mas eu nunca seria capaz de ter um pensamento em paz enquanto não souber onde ela esta. – Se nem o Mestre Ancião tem esperanças de encontrá-la porque eu tenho esse desejo de encontrá-la? – Cheguei a pedir ajuda para a senhorita Saori, mas não houve nenhum sinal dela até agora
-- Não se preocupe Shiryu, tenho certeza que ela vai aparecer a qualquer momento. Seu mestre tem toda a razão, você deve se acalmar, descansar. Não poderá ajudar a ninguém estando no estado de nervos que você esta – Ah, Shiryu se você soubesse Essas palavras cobriam os pensamentos de Iara
Shiryu até tentou mostrar o quanto aquelas palavras estavam erradas, mas já não haviam forças para reclamar e brigar. Tudo o que ele mais queria era Shunrei de volta. Sã e salva. Iara o ajudou a se levantar e o guiou para dentro da mansão, mas Shiryu não queria encarar os amigos com os olhos inchados como estavam. Apenas guiou Iara para um dos bancos perto da fonte do jardim.
Entre Pandora e os outros os ânimos já estavam bem melhores. Estavam até relembrando dos tempos de infância quando as amigas vinham sempre visitá-los. Ikki e Nefertiti, como sempre, não se juntavam muito ao risos e brincadeiras. Ikki, encostado em uma arvore, apenas observava aos sorrisos de seu irmão e a um rosto em especial. Nefertiti estava em frente a entrada da floresta, concentrada em um ponto no meio da floresta.
-- Algum problema, Nefertiti? – questionou Perséfone ao perceber a postura de sua irmã – Minha irmã? O que... – antes que pudesse terminar a pergunta, Perséfone sente o perfume adocicado que era exalado de alguma parte de dentro da floresta. Lhe parecia muito com mirra. Ou até mesmo néctar de flores.
-- Fique aqui e junte-se aos outros. Aja normalmente – ordenou Nefertiti que em poucos segundos desapareceu em meio as arvores. Deixando apenas seu manto prata para trás.
Eu conheço esse cheiro. E conheço muito bem. Mas o que ele veio fazer aqui? Só pode estar querendo uma coisa. Sua mente maquinava a cada novo galho em que saltava, com a destreza de um tigre caçando e a leveza de um lince sobre a fofa neve.
-- Onde foi Nefertiti? – perguntou Shun à Perséfone que voltava a roda de risos, com o manto de sua irmã nas mãos
-- Foi dar um passeio – respondeu com um sorriso tentando disfarçar as suspeitas. O que esta acontecendo? Pensou
Logo as ordens que sua irmã lhe passara estavam sendo concluídas. Ninguém encarou a retirada repentina dela como se algo estivesse errado. Perséfone se entregou na atuação para que nada chamasse a atenção que Nefertiti se preocupara. A conversa do grupo ficava cada vez mais animada. E a preocupação de Nefertiti parecia ser em vão.
Dentro da mansão Saori era informada de cada detalhe dos planos de Apollo.
-- Árthemis. Há algo que esta me perturbando muito. – disse Athena colocando sua xícara de volta a mesa. Árthemis desconfiava o que seria, mas manteve a expressão curiosa – Não me entenda mal, mas... por que é que você esta a me ajudar assim? Traindo a confiança de seu próprio irmão.
-- Bem – disse desviando do olhar incisivo de Athena – eu e meu irmão sempre nos demos tão bem. Nunca escondemos nada um do outro – ainda sem olhar Athena, levanta-se e vai até a janela e observa o movimentos das arvores com o vento – Mas ele mudou. Tem estado estranho desde que voltou de um de seus passeios noturnos. Eu o esperava para que pudesse dormir tranqüila, mas ele voltou após o amanhecer. Eu estive tão preocupada que nem dormi aquele dia, já estava organizando um grupo de busca quando ele adentrou a mansão. Ele estava diferente – fazendo uma breve pausa ao se lembrar daquele fatídico dia em que seu amado irmão ousou levantar a mão contra ela – Ele estava sombrio – as palavras tardavam em sair-lhe devido as fortes lembranças vivas dentro de si – Eu sei que aconteceu algo terrível com ele. Sei que o colar que ele passou a usar desde então tem sido grande influencia em seu novo comportamento. Não sei como o colar de Anúbis foi parar em seu pescoço. Tenho tentado remove-lo dele, mas sempre que eu tentava, mesmo disfarçadamente, tirá-lo ele ameaçava me bater. Mas ainda assim, nunca encostou em mim. É por isso que sei que meu irmão querido ainda esta ali. Em algum lugar.
-- Colar de Anúbis? – questionou Saori intrigada com a menção do deus egípcio
-- Sim. Colar que foi amaldiçoado por Anúbis. Qualquer que o usar será controlado pelos piores sentimentos e espíritos. É isso que tem feito de nosso irmão um monstro. Temo que isso acabe por destruí-lo. – disse Árthemis deixando que algumas lágrimas escapassem desapercebidas.
-- Temos que trazê-lo de volta – disse Saori comovida com tudo – Mas como é possível destruir o poder desse colar? – indagou mais para si
-- A lenda diz que somente a mão daquela por quem o coração clama pode quebrar o encanto dos espíritos – aquela por quem o coração clama? As palavras de Árthemis ecoavam na mente de Saori – Mas caso aja um engano o próprio Anúbis se levantará para destruir todo o mal e fazer do amaldiçoado um vórtice para o mundo dos mortos, que arrastará a tudo e a todos.
-- Temos que fazer...
Antes que Saori pudesse completar a frase se ouve um rugido estrondoso, como se um leão feroz gigante estivesse bramando do lado de fora da mansão. Então o som de árvores sendo destruídas ressoou. Saori paralisa sem saber o que fazer. Árthemis já imaginando o pior corre para o lado de fora da mansão para ver o que mais temia.
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