Notas iniciais
Primeiro capítulo:)


Acordei com os raios de sol batendo em meu rosto. Toco o chão frio com meus pés descalços, me levanto e vou até meu armário vestir me uniforme de trabalho. Calço também os meus velhos e desgastados sapatos pretos.
Meu pai sairá de madrugada, ele era o zelador da biblioteca do palácio. Me dirijo a pequena cozinha e tomo uma xícara de chá que havia sido preparado por meu pai. Eu ainda tinha duas horas até o início do meu turno.
Descido fazer bolinhos de maçã, vou até uma macieira, plantada no fundo de casa e recolho algumas maçãs avermelhadas. Volto para a cozinha e começo a preparar os bolinhos.
Escuto o badalar do relógio do vilarejo indicando que era hora de trabalhar. Coloco os bolinho em uma cesta, junto com o chá e rumo em direção ao palácio.
No caminho encontro com minha irmã mais velha, Caliandra, saindo de sua casa.
—Bom dia irmã -digo me aproximando dela- assei bolinhos de maçã, quer um?
—Bom dia -ela diz com a voz sonolenta- você me conhece Lia , claro que eu quero.
Pego um dos bolinho de minha cesta e entrego em suas mãos.
—Estão quentinhos -diz ela dando uma mordida- e deliciosos.
—Então, como está Radien?
—Bem, ele saiu para trabalhar mais cedo hoje.
Caliandra era minha irmã mais velha, depois vinha Kai e por ultimo eu. Ela havia se casado a dois anos com Radien e estava esperando um filho. Já Kai era um dos guardas do palácio.
Chegamos até o palácio e ela se despede, nossa família toda era prestadora, éramos nível seis. Me dirijo pela entrada dos fundos, até a biblioteca.
Eu ajudava meu pai a cuidar da biblioteca. Chego até la e ela está vazia, como de costume. Procuro por meu pai, mas ele não está lá, devia ter ido até o depósito de livros.
Começo a fazer meu trabalho e a organizar as estantes de livros. Um livro de capa de couro me chama a atenção. O pego e o folheio, era uma história de uma garota com capuz vermelho, eu certamente queria lê-lo depois.
—Garota, você está lendo? -escuta uma voz masculina atrás de mim.
Me viro e me deparo com Marvin Marchala, filho do marechal Gamaliel.
—Não senhor, eu só estava vendo se tinha gravuras -digo tentando disfarçar, porém o livro não havia nenhuma gravura.
—Você trabalha nessa ala? -ele pergunta olhando para mim.
—Sim senhor.
—Tudo bem -ele diz se afastando de mim- a propósito esse livro não tem gravuras.
Depois de dizer isso ele desaparece nos corredores. Eu tinha que tomar mais cuidado, era proibido ler em Campelle, poucos sabiam e podiam ler.
Nas escolas só era lecionado matemática e artes. Ninguém nunca teve contato com palavras materializadas em papel, mas eu tive essa honra. Meu pai havia me ensinado a ler quando eu era criança, porém não ensinou a meus irmãos.
—Liatris, você já chegou -diz meu pai se aproximado de mim.
—Sim, vim com Caliandra, a propósito tem bolinhos de maçã, estão na cesta.
—Você é realmente inacreditável, filha.
Dou um sorriso para meu pai e volto a arrumar as estantes. A biblioteca era enorme, já que não somente era a única de Setra , como também de toda Campelle.
Organizo as estantes da frente e me dirijo até as ultimas. Vejo um livro torto e o puxo para arruma-lo. Quando uma passagem surge entre as estantes, com um extinto de curiosidade olho pela passagem.
Lá havia um cômodo grande, com estantes de livros e uma mapa dos níveis. Nível um: a corte de governo; Nível dois: a mídia; Nível três: profissionais graduados; Nível quatro: comerciantes; Nível cinco: produtores; e por ultimo Nível seis: prestadores.
Coloco o livro de volta no lugar e a passagem se fecha novamente. O que era aquilo? Não sei, mas eu estava muito curiosa para descobrir.
Volto para a parte da frente da biblioteca e organizo algumas estantes recém bagunçadas. Tentei esquecer aquele lugar, mas era inútil, ele não sai de minha cabeça.
Depois de encerrar meu turno, fico mais algum tempo, lendo o livro da menina de capuz vermelho, e depois saio da biblioteca. A saída dos fundos já está trancada, então eu teria que sair pela da frente.
As luzes dos corredores estão apagadas e as estrela estão brilhando no céu negro da noite. A luz da lua atravessa a janela, clareando levemente o corredor. Sigo até a porta principal.
—Boa noite -digo aos guardas que estão de vigia na porta principal.
—Boa noite -eles respondem.
Saio do palácio e uma frente fria atinge meu corpo, abraço a mim mesma e ando em passos rápidos até minha casa.
A noite estava fria e eu havia esquecido meu casaco. Ando até o vilarejo, que está calmo e sereno. Já estava quase na hora do toque de recolher iniciar, eu deveria me apresar.
Chego em minha casa e meu pai está se aquecendo na lareira.
—Por que demorou tanto filha? -pergunta meu pai.
—Eu estava lendo um livro pai, era muito legal -digo me lembrando da história- era sobre uma garota que usava um capuz vermelho.
—Filha eu sei que você ama ler, mas tem que tomar mais cuidado -diz ele com uma expressão preocupada estampada no seu rosto- você sabe que é proibido.
—Sim papai, eu tomarei mais cuidado.
—Liatris, não se arrisque. Eu não quero te perder também.
Ele estava se referindo a minha mãe, Dália. Ela havia desaparecido logo após eu completar 1 ano, não me lembrava do seu rosto, mas nunca esqueci sua voz.
Vou até a cozinha e como um pedaço de pão. Depois tomo um banho e deito em minha cama. Eu queria lembrar de como ela era, eu queria que ela estivesse aqui comigo.

***

Mais uma noite sem sonhos, olho para o relógio e marcava quatro da manhã. Deito novamente, mas não consigo dormir. Levanto e visto meu uniforme, depois vou até a sala. Meu pai estava dormindo no sofá embrulhado nas cobertas.
Hoje eu que irei preparar o chá , vou até a cozinha e começo a prepara-lo. Da janela se via o dia raiar vagarosamente, a neblina embaçava toda a vila. As casas ainda dormiam e não havia ninguém nas ruas.
Será que as pessoas do palácio ainda dormiam? Termino o chá e tomo uma xícara do mesmo, juntamente com um pedaço de pão.
Aquela passagem não saia da minha cabeça, eu queria ver o que mais havia lá. Termino meu de comer e descido ir para a biblioteca mais cedo hoje.
Escrevo um bilhete para meu pai: "Pai hoje eu fui mais cedo para a biblioteca, não se preocupe, eu só tenho que terminar de catalogar alguns livros. Fiz chá. Beijos Liatris".
Coloco o bilhete em cima da mesa e pego um casaco. Saio de casa, hoje o dia está mais frio que o de costume. A vila de prestadores está deserta, somente Senhor Petrik, o leiteiro, que estava chegando em sua carroça, para distribuir o leite.
—Bom dia, senhorita Liatris.
—Bom dia senhor Petrik.
Continuo meu caminho até o palácio, observo a floresta que havia ao lado da vila. Ela estava calma e serena e a neblina dançava entre as árvores, enquanto os passarinhos cantavam docemente. Meu olhar também cai no muro, que protegia Campelle.
A vila era a moradia dos prestadores, que trabalhavam no palácio. Sigo em direção a passagem dos fundos, ela já estava aberta. Adentro o palácio e sigo até a biblioteca.
Sinto seu cheiro maravilhoso de livros. Eu amava chegar no palácio mais cedo, ele nessa hora era submerso em um silêncio profundo.
Em passos longos, vou até os fundos da biblioteca. Minhas mãos escorregam de livro em livro, até parar em um diferente. O puxo e novamente a passagem se abre.
Adentro a sala e começo a observá-la. Pego um dos livros da estante e leio a capa: história. Folheio o livro, uma página me chama a atenção, falava sobre uma guerra, nomeada de segunda guerra mundial.
Ouço o barulho de passos e coloco o livro novamente na estante. O som dos passos está cada vez mais próximo, eu precisava sair dali.

Notas finais
Espero que tenham gostado