A Luz dos Teus Olhos

16 Capítulo 16 - ''Eu estou apaixonada por você...''


Notas iniciais
Olá, como vocês estão? Espero que gostem do capítulo e desculpem-me se houver algum erro. Boa leitura. =D

Quinn ouvia o tilintar dos talheres na mesa de jantar, mas não estava com fome. Ela amassou os vegetais, sujando a prata reluzente que integrava o conjunto de talheres que Judy usava apenas em ocasiões especiais. Eles pareciam debochar da sua situação, principalmente por vê-la jantando com o marido da pessoa pela qual nutria sentimentos. Estava ciente das conversas que se misturavam ao seu redor. Finn dividia críticas com Russel sobre futebol, e Judy dividia a atenção entre Hiram e Leroy, comentando sobre a decoração e os trabalhos que ainda fazia como arquiteta. Mais do que isso, Quinn estava ciente do olhar que recebia de Rachel esporadicamente. Ela estava ao seu lado e comia em silêncio.

— Quinn, querida, não está com fome? — Judy limpou a boca no guardanapo de linho. Ela estivera reparando no prato praticamente intocado de Quinn. — Eu achei que adorasse o meu bife caseiro.

Todos pararam de conversar e a encararam. Quinn encolheu um pouco os ombros.

— E eu adoro. Eu só... estou um pouco enjoada. — Ela mentiu.

— Enjoada? Isso não é normal. — Judy se alarmou.

— É só um mal-estar. Não se preocupe.

— Tem certeza de que é apenas um mal-estar? — Russel também se preocupou.

— Sim, eu tenho. — Quinn tentou forçar um sorriso.

— Espero que fique melhor, Quinn. Eu sei como é difícil ver qualquer indisposição dos filhos. — Finn disse. — Rach e eu ficávamos loucos quando Adam reclamava de dores no estômago. Se lembra disso, meu bem?

Rachel se contentou em assentir, olhando Quinn atentamente. Estava aflita. Era perceptível.

Finn continuou:

— Eu espero reviver tudo isso com o nosso segundo filho.

O comentário aparentemente banal pegou todos de surpresa, especialmente Quinn, que sentiu o soco forte e inesperado no estômago.

— Segundo filho? — Ela perguntou em um impulso.

— Nós estamos pensando nisso. — Finn sorriu.

— Nós ainda não decidimos. — Rachel o corrigiu.

Fora do clima tenso e quase palpável que passava de Rachel para Quinn, Judy se animou com a notícia dele. Ela começou a falar sobre a infância das filhas, mas somente Russel e Finn a acompanharam. Hiram e Leroy eram os únicos que notavam a angústia que emanava de Quinn. Sabiam exatamente o que ela estava sentindo. O casamento de Rachel a atingindo cada vez mais cruelmente ao mesmo tempo em que a menção de um segundo filho abria os olhos dela para a situação atual.

Era apenas a amante de Rachel.

O constrangimento por tudo o que passou com ela a assolava, impedindo-a de se defender mentalmente. Tinha vergonha do que fizera. Finn estava bem ao lado, sorrindo e elogiando a esposa como se fossem um casal feliz. Precisava sair dali o mais rápido possível.

— Eu acho que vou para o meu quarto. — Quinn ainda encarava o próprio prato.

— Está sentindo mais alguma coisa? — Judy perguntou.

— Não, mas talvez deitar um pouco me deixe melhor. — Quinn mentiu novamente e levou as mãos ao colo para pegar o guardanapo, mas os dedos quentes de Rachel tocaram o seu braço.

Seu corpo formigou instintivamente. Um choque quase o percorreu. Esperava e ansiava qualquer contato de Rachel, embora estivesse embaraçada com tudo o que estava acontecendo. Queria abraçá-la, mas também queria sumir. A tristeza que sentia aumentava consideravelmente. Sabia que ela era casada quando decidiu se envolver, mas não esperava que as coisas acabassem sendo tão apaixonantes.

Apaixonantes.

Quinn riu internamente. Estava se apaixonando por Rachel. Não era mais uma dúvida. No entanto, aquilo também a perfurava dolorosamente. Imaginar Rachel grávida de Finn era doloroso, mesmo que fosse normal. Eram um casal. Seu cérebro fazia questão de lembrá-la disso. Seus pensamentos se inquietavam à medida em que criava mais cenários desastrosos na cabeça, e a sensação da aliança de Rachel na sua pele foi o estopim para fazê-la se levantar abruptamente e sair da sala de jantar.

Ao chegar no quarto, Quinn trancou a porta, tirou os sapatos e se livrou do vestido que a sufocava. Ela se jogou na cama, se remexendo de um lado para o outro por alguns minutos para encontrar uma posição que a ajudasse a se livrar do desconforto que sentia, mas era impossível. Nada do que fizesse seria o bastante. Não era uma dor externa. Era uma dor interna extremamente irritante. O ciúme. E mais. Muito mais. Não havia um nome para ela. Talvez pudesse chamá-la de eu-estou-apaixonada-por-uma-pessoa-mas-esse-sentimento-não-é-recíproco-e-talvez-nunca-fiquemos-juntas. Por Deus! Como isso incomodava. Não é como se nunca houvesse passado por isso. Sua adolescência foi marcada por algumas garotas que não conseguiram aceitar a sua intersexualidade ou que não a corresponderam como queria, mas Rachel não era uma afeição qualquer. Infelizmente.

Por fim, quando não conseguiu se acomodar, ela foi até a bolsa de viagem sobre a poltrona e pegou o laptop. Bastou apenas uma mensagem de texto para que Frannie aceitasse a sua chamada de vídeo.

Ela usava um short e uma camiseta de algodão larga e manchada da comida japonesa que devorava avidamente. Os cabelos estavam presos desleixadamente em um coque. Quinn arqueou as sobrancelhas. Frannie normalmente era vaidosa demais.

— Você e Cassandra brigaram?

— Não brigamos, mas discutimos. — Frannie respondeu depois de comer mais um pouco. — Cassandra achou divertido voltar a fazer sexo apenas na lua de mel, como uma experiência. Eu discordei.

— Você ironizou?

— Não muito.

— Isso explica muita coisa. — Quinn sorriu. — Onde ela está?

— Dormindo no próprio apartamento.

— Você sabe que ela não vai aguentar ficar longe de você.

— Eu sei, mas estou sentindo falta dela.

Quinn entendia. Ela mesma sentia falta de Rachel.

— E você? Por que me contatou à essa hora? — Frannie mudou de assunto.

— Eu só queria conversar.

— Está na hora do jantar, e a mamãe adora o jantar. Por que ela não está tomando todo o seu tempo?

— Bom, ela tentou, mas eu quis ficar um pouco sozinha.

— Porque aconteceu algo. O que houve? — Frannie ajustou a postura e colocou o laptop no colo.

Quinn suspirou. Queria conselhos de Frannie. Ela era boa nisso. Não tão boa quanto Cassandra, mas sabia o que dizer quando necessário e era a única que podia ajudá-la. Santana e Brittany também eram uma possibilidade, mas não queria incomodá-las com os seus problemas. Não agora. E Frannie era a sua irmã, afinal de contas.

— Eu quero que me prometa que não vai contar isso para ninguém.

— Eu prometo. Essa conversa não sai daqui. — Frannie pegou o copo de água sobre a mesa de centro.

— Eu... — Quinn respirou fundo antes de despejar tudo rapidamente. — Eu acho que me tornei amante de uma mulher casada.

Frannie se afogou com a água e tossiu algumas vezes. Sua respiração descompassou, e o seu coração acelerou consideravelmente.

— O quê? — Ela quase gritou. — Você transou com uma mulher casada?

— É, e talvez os seus vizinhos também queiram ouvir isso. — Quinn foi sarcástica.

— Desculpe. — Frannie diminuiu o tom de voz. — Eu só fiquei... assustada, surpresa, atordoada. Eu não sei. Eu posso usar vários adjetivos. Você sempre foi a filha perfeita que namorava garotas adoradas pela mamãe.

— As pessoas mudam. — Quinn sentiu as bochechas corarem.

— Quantas vezes vocês transaram?

— Algumas vezes. Eu a conheci há pouco tempo.

— Quem é ela?

— Eu... não vou dizer.

— Quinn...

— Não. Eu não posso.

— Por que não? Ela é famosa? — Frannie foi sardônica, mas abriu a boca quando Quinn não negou. — Ela é famosa?

Quinn assentiu lentamente.

— O quão famosa ela é?

— Bastante.

— Oh, meu Deus! Ela é atriz? Cantora?

— Eu não vou falar!

— Tudo bem. — Frannie fez uma pausa. — Então é aquele clichê? O marido dela é um babaca, e ela encontrou conforto nos seus braços? E como diabos vocês se conheceram?

— O marido dela a coloca em segundo plano, mas tenta sempre contornar os erros dele, o que não acaba muito bem. E eu não sei. Não sei explicar ainda como tudo aconteceu, mas nos envolvemos muito e agimos como um casal no dia seguinte. — Quinn passou as mãos no rosto.

— Isso não é bom.

— Por que não é bom?

— Porque ela está sendo deixada de lado pelo marido e por isso procurou outra pessoa. Ela vai acabar com esse caso recente de vocês quando ele prometer mudar de comportamento.

— Não. Ela não faria isso. Somos amigas acima de qualquer coisa.

— Vocês podem ser amigas, mas nesse momento você também é a garota que está proporcionando sexo para ela. — Frannie retrucou, mas se arrependeu do que dissera ao ver a expressão partida de Quinn. — Desculpe, eu não queria falar assim.

— Não precisa se desculpar. Talvez eu realmente seja isso também. Eles estão casados há mais de vinte anos. É mais do que a minha idade. Que grande ironia.

— Você está apaixonada? — Frannie foi direta.

Quinn não foi capaz de responder. Ela fitou o teclado do laptop, sentindo o olhar questionador da irmã mesmo através do objeto eletrônico.

— Oh, Quinnie...

— Eu não queria me apaixonar, tudo bem? Mas ela é maravilhosa. Vivemos coisas nos últimos dias que eu não vivi a minha vida inteira. — Quinn sentiu os olhos marejarem. — Eu vou me machucar, não vou?

— Eu gostaria de dizer que não, mas nós sabemos como funciona um casamento, Q. Quando você passa anos com alguém, geralmente fica mais difícil cortar esse laço, e ela pode tentar recomeçar com ele a qualquer momento por temer jogar fora a relação dos dois enquanto faz promessas de que vai deixá-lo. Isso nunca acontece, e eu não quero ver você ferida nessa situação.

— Eu vou ficar bem.

— Você precisa acabar com isso antes que tudo desabe. Esse triângulo pode virar um círculo de dor e pode prendê-la por muito tempo. Depois, eu quero que venha passar um tempo comigo. Você vai ficar devastada, e a mamãe não pode saber disso. Nós sabemos que ela se importa, mas não saberia lidar sem machucá-la ainda mais. O seu quarto continua intacto aqui. Eu vou sempre ter um chocolate quente e um abraço apertado. Los Angeles pode fazer bem para você. O clima é maravilhoso para passar as férias da faculdade.

— Obrigada, Fran. — Quinn tentou sorrir, sentindo a garganta doer pelo choro que segurava. — Eu amo você.

— Eu também amo você.

Frannie olhou a televisão por alguns segundos, e Quinn revirou os olhos quando ouviu batidas na porta.

— Eu estou bem, mãe.

— Não é a Judy. — A voz de Rachel saiu abafada, mas ainda assim foi capaz de causar um arrepio nas costas de Quinn.

— Quem é? — Frannie perguntou.

— É o papai. — Foi a terceira mentira contada por ela naquela noite. — Eu vou falar com ele. Depois conversamos.

— Tudo bem.

Quinn encerrou a chamada de vídeo e deixou o laptop sobre a escrivaninha após vestir um suéter que a cobria até a metade das coxas. Ela abriu a porta, sentindo um misto de sensações ao ver Rachel na sua frente. Estava visivelmente insegura.

— Eu posso entrar?

Quinn apenas assentiu.

Rachel andou até o centro do quarto. O projetor estava desligado, mas a luz do closet continuava acesa. Ela se lembrou de ter despertado durante a noite e olhado para Quinn até ressonar novamente. Seus braços a apertando e a mantendo aconchegada. Eram lugares confortáveis. O cômodo e o corpo dela.

— Eu não vou ter outro filho com o Finn. — Ela se virou, observando Quinn parada perto da porta fechada. — Ele me propôs isso antes de virmos para Lima como uma reconciliação do casamento, mas um filho não pode reparar a nossa relação falida. Eu só não disse isso durante o jantar porque arruinaria o clima.

— Você sabe que não precisa me dizer isso, não sabe? — Quinn parou de encará-la, tentando não deixar as suas emoções transparecerem. — É o seu casamento.

— Não é mais o meu casamento desde que tudo se tornou uma ruína. Eu já pensava nisso antes de conhecer você. Eu pensava nisso todos os dias e agora penso a cada segundo. Eu quero me divorciar.

— Você não pode, Rachel.

— O quê? Por quê? — Rachel franziu o cenho.

— Porque vocês estão juntos há mais de vinte anos. Ele é o pai do Adam. É a pessoa com quem você está comprometida há muito tempo. Um laço tão profundo assim nunca consegue ser cortado, e você não vai conseguir largá-lo. — Quinn repetiu algumas das palavras ditas por Frannie.

— Você acha que eu não consigo? — Rachel se irritou. — Eu posso ir até a sala de jantar agora mesmo e anunciar o fim do meu casamento.

— E depois? Depois o peso vai cair sobre você. O peso da mídia, das pessoas, do Adam. — Quinn voltou a olhá-la.

— Mas isso vai diminuir. Você acha que pessoas famosas não se divorciam? Todos acabam esquecendo. É algo esquecível, Quinn. — Rachel retrucou. — Nós estávamos bem hoje de manhã. Por que você está falando assim comigo? Por que quer me afastar?

— O seu marido está aqui, Rachel. Eu fui burra em achar que levaríamos tudo adiante, mas sou só a pessoa que está fazendo você se sentir bem temporariamente e vou continuar sendo alguém que proporcionou sexo para você. Vamos voltar para a vida real logo. — Quinn cruzou os braços. Ela se esforçava para impedir que a voz falhasse.

— Não foi apenas sexo, Quinn. Nunca foi apenas sexo. Eu não escolheria justamente você para ter algo se fosse sem sentimentos. Eu não faria isso. Tudo aconteceu rápido demais. Em um momento eu estava sorrindo ao ler as suas mensagens e no outro eu estava... me apaixonando. — Rachel confessou.

— Não... não diga isso. — Quinn recuou alguns passos. Seus olhos voltaram a ficar marejados.

— Eu tenho certeza dos meus sentimentos, Quinn. Eu estou...

— Rachel, pare! — Quinn elevou a voz. — Pare de falar isso. Não termine a frase. — Foi quase uma súplica.

— Por que você está agindo dessa forma? — Rachel se aproximou e a segurou pelos antebraços suavemente para que não se afastasse mais. — Por que está me falando tudo isso?

— Porque eu tenho medo! — Quinn respondeu com a voz enrolada. — Eu tenho medo de você ser aquela pessoa. Você sabe do que eu estou falando. Por muito tempo, eu acreditei que ela surgiria no momento certo. Como Brittany e Santana. Como Adam e Connor. Mas eu estou assustada desde que comecei a cogitar que ela pudesse ser você. Desde que eu tentei negar que ela não era você. Quando nos reencontramos, eu não consegui parar de pensar em você. Você me fez ser alguém que eu nunca fui. Você me fez sentir o que eu nunca senti. Olhar para você é como um sonho. Tocar você me dá esperança. Me dá coragem. Eu sei que as coisas avançaram depressa. Eu sei que ainda há muitas coisas para conhecermos uma na outra. Mas eu seria capaz de duplicar todo o nosso tempo juntas se isso me fizesse estar perto de você por mais dias, semanas, meses. Se isso não tirasse você de mim. O Central Park era um dos meus lugares favoritos no mundo, mas agora você e só você é o meu lugar favorito. Tudo o que eu queria era fugir com você, mas não posso, porque a sua realidade, a realidade de verdade está lá embaixo, sorrindo para os meus pais e falando do casamento de vocês. Então você não pode vir aqui e dizer que está apaixonada por mim, porque dói e me faz achar que podemos ter um futuro.

Quinn finalmente chorou. Rachel já estava chorando desde que ela começou a falar. Ela não sabia se Quinn estava plenamente consciente do que dissera, ou talvez tenha sido apenas um desabafo. De qualquer forma, ela acabara de se declarar. Estava apaixonada também. Apesar de não ter dito isso com todas as palavras, não precisava. Estava mais do que claro. Isso a fez querer sorrir em meio ao choro, mas Quinn estava frágil e confusa demais. Finn bagunçou a pilha de cartas que tinha enumerado. Ele era, de fato, a sua realidade.

Quinn se sentou na ponta da cama, apoiando os braços nas coxas e a cabeça nas mãos. Sentia uma leve pontada na testa. Ela não disse nada quando Rachel se acomodou ao seu lado, mas fechou os olhos, sentindo a respiração cadenciada dela bater na sua bochecha.

Rachel fungou e limpou algumas lágrimas com a ponta dos dedos antes de falar:

— Eu vou pedir o divórcio. — Foi quase um sussurro, para que apenas as duas pudessem ouvir. — Vou pedir o divórcio, e nós vamos nos conhecer cada vez mais. Eu vou ler os meus roteiros enquanto vejo você estudar. Vamos planejar o Dia de Ação de Graças, e eu posso comemorar o Natal. Eu sei que você adora. Podemos ver o sol nascer em SoHo, Greenwich Village, 8ème, Östermalm. Onde nós quisermos. Não importa. Contanto que eu esteja com você.

— Você não pode fazer isso pensando apenas em mim. E se você se arrepender? — Quinn levantou a cabeça para encará-la.

— Eu me humilhei nesse casamento por muito tempo, Quinn. Ele acabou há anos, mas eu insisti porque era mais cômodo para mim e porque sempre estava ocupada demais para mexer nos cacos de vidro. A minha relação com o Finn me consumia exaustivamente. Eu me sentia mais sozinha com ele do que com qualquer outra pessoa. Ele não se importava mais. Não fazia o mínimo de esforço para estar presente. Apenas quando brigávamos. Eu chorava em silêncio todas as noites, mas parei de me importar. Tive medo de ficar amargurada. De continuar aceitando as migalhas que ele jogava no nosso casamento. Eu só quero dar ao meu coração a chance de ser feliz novamente. Cada manhã é um dia a menos para que eu fique com quem me faz bem de verdade. Eu tenho 40 anos e preciso cultivar quem me faz feliz. Você me faz feliz. Eu não estou mais com medo de arriscar. Estou com medo de não tentar e acabar no mesmo lugar. Eu sei que estou ficando velha.

— Você não está. — Quinn a interrompeu.

— Eu não sou jovem. — Rachel contrapôs. — E todos vão falar isso quando olharem para nós, mas eu vou tentar não me aborrecer tanto se você estiver comigo, se você estiver disposta a lutar por mim mesmo sabendo que haverá a mídia, os fãs, o Finn...

— Os meus pais. Eles não vão gostar nada disso.

— Eu sei. — Rachel aquiesceu. — Eu não quero afastá-la deles e nem fazer com que se sinta triste, mas não podemos esquecer dos obstáculos.

Quinn suspirou. Ela sabia disso mais do que ninguém. Quando foi fotografada com Rachel na saída do Gershwin, todos em Columbia a olharam como se fosse a melhor amiga dela, mas se tentassem um relacionamento, as coisas expandiriam sem controle por algum tempo. Seria alvo não só de olhares, mas também de notícias, comentários em redes sociais e da sua própria família. Seria como um vulcão em erupção. Contudo, já tinha ultrapassado todos os próprios limites com Rachel. Não havia como deixá-la sem se despedaçar.

— Eu não posso temer viver com quem eu quero ficar. Não posso fugir disso e viver com essa ferida. Eu nunca me perdoaria. — Quinn abriu um sorriso pequeno. — Só... espere até chegar em Nova York.

— Mas...

— Por favor, Rach. Meus pais são contra o divórcio e vão comentar quando souberem. Eu não quero ouvir qualquer coisa desagradável que eles possam falar, porque sei que vou acabar respondendo.

Rachel assentiu condescendente. Mesmo com o pedido, Quinn ainda estava concordando em ficar ao seu lado. Aquilo a fez segurar o rosto dela firmemente antes de beijá-la em um gesto que selava uma promessa. A promessa de que tentariam. Tentariam uma pela outra.

Elas juntaram as testas, e Quinn pegou a mão de Rachel, entrelaçando-as.

— O que você ia dizer quando eu a impedi?

Rachel sorriu e aproximou a boca do ouvido de Quinn. Sua bochecha direita colada na bochecha direita dela.

— Eu ia dizer que eu estou apaixonada por você.

Quinn apertou os olhos. O medo que sentia se esvaía à medida em que afirmava para si mesmo que, no final, isso era tudo o que importava para apaziguar um pouco a sua vida conturbada.

— Eu estou apaixonada por você. — Rachel repetiu e deixou um beijo na mandíbula de Quinn.

— Eu acho que já me sinto assim desde que a vi em Wicked. Você estava perfeita. — Quinn sorriu.

— E eu quero que vá me ver novamente. — Rachel a deu um selinho. — Uma, duas, três vezes.

Quinn soltou uma risada.

— Eu vou vê-la todas as noites.

— Todas as noites?

— Todas as noites. — Quinn confirmou, e as duas trocaram um sorriso cúmplice.

Elas se levantaram quando alguém bateu na porta. Quinn temeu ser um dos seus pais, mas ficou aliviada ao se deparar com Hiram.

— Eu sabia que estaria aqui. A sobremesa vai ser servida, então acho melhor irmos antes que achem a sua ida ao banheiro longa demais.

— Tudo bem. — Rachel parou na entrada do quarto. — Você vem?

Quinn negou com a cabeça.

— Eu vou ficar aqui e ler um pouco.

— Então nos vemos amanhã?

— Claro. Quando você quiser.

Rachel se foi com Hiram, e Quinn se deitou novamente. Ela pensava nas palavras de Frannie e na conversa franca e aberta que tivera com Rachel. Um sorriso desenhou o canto dos seus lábios. Rachel também estava apaixonada. Ela nunca adorou tanto que a irmã estivesse errada em toda a sua vida.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Me deem o feedback. Favoritem também. É sempre importante. =D twitter.com/yasagron