A Loba e o caçador

28 Capítulo 27 - O pressentimento


A lua ainda pairava alta, derramando sua luz prateada sobre as árvores. O vento noturno sussurrava entre as folhas, e o silêncio da floresta parecia respirar junto com eles.

Renesmee permanecia encostada ao peito de Jacob, sentindo o ritmo firme de seu coração, como se o som fosse o único compasso que ainda existia no mundo. Havia algo ali — algo que nenhuma palavra conseguia explicar. Era mais do que proximidade; era uma fusão de presenças, uma harmonia que o tempo não conseguiria romper.

Jacob a observava, os olhos castanhos cheios de um misto de ternura e fascínio.

— Nunca pensei que fosse possível sentir isso — murmurou, a voz baixa, quase um sussurro perdido na noite.

Ela ergueu o rosto, os cabelos ruivos espalhados pela pele dele como fogo.

— Isso o quê?

Ele tocou o queixo dela com delicadeza. — Paz… dentro do caos.

Renesmee sorriu de leve, e por um momento, o mundo inteiro pareceu caber naquele olhar. Não havia Ordem, nem matilhas, nem caçadas. Apenas dois seres que haviam desafiado tudo — e um amor que, contra todas as leis, se mantinha vivo.

O toque das mãos dele em sua pele era firme, protetor, mas também reverente. Cada gesto parecia uma promessa muda, um juramento silencioso de que ele não a deixaria, não importa o que viesse.

A lua começou a se esconder atrás das nuvens, e o frio da madrugada os envolveu. Jacob a puxou para mais perto, o calor do corpo dele contrastando com o vento. Ela se aninhou, sentindo o coração bater em sintonia com o dele — uma cadência compartilhada, como se um mesmo sangue corresse entre os dois.

Horas depois, quando o primeiro raio do sol atravessou as cortinas da floresta, Renesmee despertou. O céu já se tingia de tons dourados, e a névoa rastejava entre as árvores. Jacob ainda dormia, o rosto tranquilo, o corpo exausto, como se finalmente tivesse encontrado um lugar seguro no mundo.

Ela o observou por um longo tempo, estudando cada traço, cada linha marcada de batalha e gentileza.

Mas havia algo novo dentro dela.

Um calor, uma vibração diferente. Uma energia que pulsava em seu interior, viva e luminosa.

Renesmee levou a mão ao ventre instintivamente. Um arrepio percorreu seu corpo — não de medo, mas de reconhecimento.

— O que está acontecendo comigo? — sussurrou para si mesma.

Antes que pudesse se levantar, uma batida suave ecoou na porta.

Era Caren, a prima que se tornara quase uma irmã. Tinha o dom de sentir o que os olhos não viam.

Ao entrar, Caren parou por um instante, os olhos se arregalando.

— Renesmee… — murmurou. — O que eu estou sentindo aqui… é diferente.

Renesmee tentou sorrir, mas o nervosismo transpareceu. — Diferente como?

Caren se aproximou, pousando a mão sobre o braço dela. O toque foi suficiente para que a sensação a atravessasse como uma onda.

Calor. Luz. Vida.

Caren recuou, o olhar marejado.

— Há algo crescendo dentro de você. Algo… vivo.

Renesmee sentiu o mundo girar por um instante. Jacob, despertando com o som das vozes, ergueu o corpo e a fitou, confuso.

— Ness?

Ela olhou para ele, os lábios tremendo. — Caren diz que… que há algo dentro de mim.

Jacob se aproximou, ajoelhando-se diante dela, os olhos fixos nos dela. — Isso é impossível. Você é…

— Diferente, eu sei. — Ela o interrompeu, a voz baixa. — Mas nada entre nós foi normal desde o início.

O silêncio que se seguiu foi cheio de significados não ditos. Jacob ergueu a mão e a pousou sobre o ventre dela, hesitante, como se temesse confirmar o que já sabia.

Por um instante, sentiu o mesmo calor que Caren havia descrito — um calor suave, rítmico, pulsando.

Ele engoliu em seco. — Então é real.

Renesmee assentiu, as lágrimas escapando. — É real.

Caren desviou o olhar, lutando para conter a emoção, mas algo dentro dela se retesou. A energia que sentia não era só vida… havia uma sombra, algo que se movia junto à luz.

— Vocês precisam ter cuidado. — Ela avisou. — Se eu consigo sentir isso, outros também poderão.

Do lado de fora, o vento começou a mudar de direção.

Longe dali, Leah — ainda marcada pela última luta — ergueu o rosto e inalou o ar da manhã.

Um cheiro diferente.

Forte. Instintivo.

Ela cerrou os punhos.

— Então é verdade… — murmurou. — Ela ousou cruzar a linha.

E, por um momento, seus olhos dourados brilharam com uma mistura de dor e raiva.

Não era só ciúme. Era medo.

O que Renesmee carregava poderia mudar tudo — e Leah sabia que a Ordem não deixaria isso impune.

De volta à casa, Jacob envolveu Renesmee em seus braços.

— Não importa o que venha, eu estou aqui.

Ela sorriu, encostando o rosto no pescoço dele. — Sempre?

— Sempre. — Ele respondeu, selando a promessa com um beijo terno, cheio de amor e incerteza.

Do lado de fora, o sol se erguia, dourando a floresta e o ar em volta deles. A vida, a morte, o amor e o perigo estavam todos misturados — e o destino começava, silenciosamente, a se reescrever.