A Lenda Sem o Avatar. (Livro 1 Agua)
15 XV- Silencio
Notas iniciais
Apesar da saudade eles não conversam.
Na verde não falam nada um para o outro, ficam apenas sentados a admirar a lareira aconchegados um ao outro, perdidos em seus próprios pensamentos íntimos, completamente em silencio por horas a fio. Queriam e tinham, bilhares de coisas para revelar e desabafar, mas estavam tão introspectos que acabam apenas por curtir a presença um do outro; ate finalmente caírem no sono.
–--- Aqui esta o café. Vocês não estão doloridos não? ---- Zomba questiona os servindo um pouco de pão e um copo com um liquido quente. A sombra de seu corpo os cobre dando a impressão de ainda ser de noite.
–--- Ficamos sem graça de acorda-los... ---- Suki comenta olhando para Zomba, por sobre os ombros, como se fosse uma bronca, e ele logo sai de perto com um sorriso sem graça voltando para pegar mais comida em um caldeirão que estava suspenso sobre a lareira. ---- Esta tudo bem? Como você esta?
–--- Unn! Anh? Oi... Bom dia. ---- a jovem morena de madeixas onduladas se espreguiça e olha para seu irmão que ainda despertava mole e sonolento. Ela se lembra que ele sempre tinha sido dorminhoco e sorri fazendo um cafuné em sua cabeça, terminando de bagunçar seus grossos cabelos escuros, saindo de seus braços. ---- Bom dia.
–--- Bum... bom...dia. ---- ele corresponde sonolento, mas com um grande sorriso a abraçando e depois olhando em seus olhos, como se não acreditasse estar a vendo bem ali parada a sua frente. ---- Você...? ---- queria perguntar, mas se perguntasse ele também teria de responder.
Permanecem então em silencio novamente, ambos temendo que o outro soubesse por tudo o que havia passado e feito; ambos sem crer em ter encontrado o outro, ambos mergulhados em duvida sobre ser mais um sonho cruel temendo acordar.
–--- Então você é o famoso irmão. ---- Suki se aproxima e se pronuncia novamente percebendo o desconforto de ambos, querendo realmente quebrar o clima e ajuda-los. ---- Desculpe mas... ela não me disse o seu nome. Me disse muitas outras coisas. Mas acabou esquecendo do seu nome. ---- comenta entre risos enquanto o vê quebrar o pão em dois e dividir com a irmã.
–--- Sou Sokka, prazer. ---- ele se levanta e a cumprimenta com educação, apesar de estar notoriamente devaneando. Ainda estava dentro de seu choque de realidade, entre o mundo que viveu neste tempo e o mundo que vivia ao lado de sua irmã.
–--- Suki. ---- ela sorri meio sem graça pondo uma mecha dos curtos cabelos castanhos avermelhados atrás da orelha, e ele logo se da conta do estado de seus trajes; se arrumando e cobrindo-se. ---- Me desculpa... ---- pontua a fitar uma parte qualquer de suas próprias vestimentas, evitando ter pensamentos deveras indelicados com o jovem que acabara de conhecer.
–--- Que isso eu que... ---- ele responde educadamente, porem não termina a frase se recordando de como havia passado os últimos dias, se sentindo mal, sujo. Se levantando e saindo em direção ao lago sem nenhum prévio aviso.
–--- Ele esta bem? ---- a jovem guerreira questiona ao ver o rapaz, abandonar o prato e passar por ela, se afastando cada vez mais. ---- Deve ter passado por muita coisa, imagino que queira um tempo sozinho para por a mente em dia... ---- ela então se da conta do que havia dito e tenta animar a nova irmã, mas já é tarde ela já estava longe. ---- Katara...! Eu... disse sem pensar...
Infelizmente as coisas ficam assim por um tempo.
Os irmãos permaneciam, sim, muito tempo juntos e se ajudavam, porem não se falavam. Conversavam apenas sobre coisas do passado, trivialidades, mas nunca mencionavam seu pai; e logo não daria para continuar a se enganarem; a falta de questionamento vinda do outro, estava criando em ambos uma grande suspeita, era questão de tempo ate que um dos dois perdesse a paciência e este foi o irmão mais protetor.
–--- Katara... esta tudo bem? ---- ele se aproxima por trás em meio a relva, espantando a jovem que se distraia ao brincar com a dobra d’água. ---- Eu esperava que você me forrasse de perguntas e...
–--- Quis respeitar a sua privacidade. Só isso. ---- responde dura, porem com um toque afável de carinho e amor, porem ela não se vira, permanece concentrada em seu treinamento.
O silencio reina por alguns segundos, ambos sabia muito bem o que queria dizer, questionar e pontuar; o que não sabiam era como o fazer. E logo ele se rende se sentando para assistir a seu treino, como uma desculpa para se manter ali presente. ---- Você esta bem melhor.
–--- Eu treino muito.
–--- Deu para notar.
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Ele então respira fundo e começa a falar. ---- O nosso pai...
–--- Eu sei. ---- ela corresponde duramente e ele logo voltam a se calar. ---- Eu o vi. Lá no campo, largado... Sei que não foi sua culpa. ---- ela se mantém firme e se vira para ver o semblante pasmado do irmão. ---- Eu sei que você não pretendia ter deixado nenhum deles lá assim. Aconteceu algo que...
–--- Você o viu... ---- ele não sabia o que fazer perante a aquela afirmação inoportuna. A ultima coisa que ele gostaria era que a irmã presenciasse tal coisa. ---- Eu... ---- e então ele finalmente se da conta. Ele finalmente a olha e ela o olha de volta.
"Seus olhos azuis cintilavam dor e agonia, podia ver tudo o que havia passado e sente que podia em fim desabafar. O que não ocorre."
–--- Qual é o plano? ---- ele pergunta passando a mão sobre a cabeça e notando o estado precário de seus cabelos, já sabendo que havia algo por trás, notando pela postura mudada da irmã.
–--- Suki e os outros guerreiros acham que seria melhor eu aprender a dobra de água melhor. Jet tem uma boa noção tática e...
–--- Vocês acham que podem ir contra o poderio militar com essa... esse grupinho inútil? ---- ele fala sem pensar, mas não volta atrás. ---- A equipe do nosso pai eram homens treinados. E morreram, e vocês acham que este grupinho de crianças pode fazer algo?
–--- Então você quer? Desistir? Se não podemos devemos nos render! É isso? ---- exclama enérgica como sempre tinha sido, "sangue quente", mudando seu humor da agua para o rum.
–--- Eu não disse isso.
–--- Somos fracos eu notei! E não só por que aquelas moças eram muito fortes. Nós já estamos querendo nos fortalecer dês... que conheci a Suki. Ela é forte...
Com isso ele se cala e a abandona a margem do rio segundo de volta ao acampamento. ---- Já consegui uma boa noção de navegação, quando velejava com o nosso pai. Chegaremos mais rápido se fomos pelo mar aberto. Porem o mar é terreno deles. Você acha que este bando de criança consegue capturar um pequeno navio da nação do fogo?
Ela se espanta por apenas alguns segundos e depois sorri. ---- Eu tenho certeza que nós dois podemos.
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O céu brilhante e radiante.
E mais um dia despreocupado a desperta.
Seus alvos e longos cabelos estavam semi presos, demonstrando que ela havia rolado pela noite e o soltado novamente sem querer. O corpo moreno esbelto e bem desenhado é logo coberto por uma grossa veste de pele de animal na coloração azulada e detalhes em branco.
Ela prende as longas madeixas em forma de trança e deixa seus aposentos ao cumprimentar os empregados que já muito despertos circulavam pela gloriosa mansão de gelo.
Lá fora as crianças brincavam tão puras quanto ela própria que deslumbrava a tudo com um tenro olhar infantil. E logo, mais uma aula de dobra d’água se iniciava, ela permanece a assistir os primeiros passos curiosa como se nunca tivesse visto nada igual.
O professor um senhor idoso e de semblante vigoroso, a cumprimenta com um leve aceno de cabeça e ela segue seu caminho vendo a sua volta seu mundo congelado e vibrante. Cada pessoa despertando e trabalhando duro, porem felizes. Tudo para o progresso continuo de sua vila.
Casas, ruas e as grandes muralhas, todas feitas e moldadas de gelo, os mantinham seguros e em constante progresso.
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