A Lenda De Thommy

4 A garota Viking!


Notas iniciais
- Depois de mil anos luz, tá aí o terceiro capítulo. - A narração tá um tanto confusa, então vou esclarecer algumas coisas... *Até então, a narração é dividida em duas: o narrador observador (sempre em itálico) e o narrador personagem. *Apartir do próximo capítulo, a fic raramente será narrada em itálico, ou seja, pelo narrador observador. (para a alegria de vosso entendimento) *O que ficou confuso é que, como são duas narrações, fica complicado entender o momento em que o protagonista se encontra com o narrador personagem. Bem, espero que isso não prejudique sua diversão e leitura.

O silêncio da floresta fora quebrado. Agora o som dos passos apressados de cinco jovens assustava os porings que procuravam por algo para engolir.

— Vocês estão sentindo isso?! — perguntou o Mestre.

— Droga, Joe, você é o vidente aqui! — disse o Algoz, preocupado com o que poderia estar nos esperando na floresta.

— O que houve? — indagou o Algoz líder com uma expressão séria no rosto.

— Tem algo com uma aura muito forte perto do monstro.

Olhei-o por um instante. Fazia um bom tempo que eu não via o Joe tão preocupado assim. Desde o início, o rugido me pareceu familiar, mas nós não tínhamos tempo para deduções. Continuamos traçando nosso caminho, sem tentar descobrir o que seria. O mais importante naquele momento era acabar com a coisa antes que jovens aventureiros fossem mortos. O que nos aguardava em uma floresta tão calma?

Suado e tonto, o Espadachim cerrou seus olhos como numa tentativa de enxergar melhor aquela ilusão que se aproximava. Mas não era uma ilusão. Longe das árvores que o cercava, à alguns metros, uma linda espada cravada no chão chamou a atenção de Thommy, convidando-o a desfrutar de seu poder. Ele então esticou seu braço e retomou a consciência, porém continuou desequilibrado. Thommy já enxergava duas mãos à sua frente, ao invés de uma. Aquele era o efeito da tontura, que dobrava o número de árvores — ou de mãos — que entravam em seu reduzido campo de visão. Mas ele não desistiu.

As pálpebras do menino teimavam em fechar-se e frequentemente vozes o assombrava, mas ele estava perto. Perto demais para desistir. Thommy abriu sua mão estendida e arregalou os olhos. Ele não deixaria a morte levá-lo assim.

Quando ele menos esperava, um poring saiu da mata e entrou no caminho do Espadachim que corria desesperadamente em direção à espada. Ignorando o bafomé que ansiava por matá-lo, Thommy procurou manter o pouco de equilíbrio que ainda o restava para, ao aproximar-se do poring, saltar. E ele assim fez, saltou do poring a tempo, mas chegou ao chão tropeçando nos próprios pés. O que o impediu de cair foi a espada que já estava ao seu alcance e serviu de apoio ao jovem.

No momento em que Thommy apoiou-se no cabo da espada, um estrondoso raio cortou o céu e acertou o menino. Uma corrente de ar contornou a lâmina da arma cintilante, deixando-a num tom azulado. Toda a vida do jovem passou pelos seus olhos, inclusive a breve cena de uma guerra — ou algo semelhante.

Num rápido movimento, o bafomé aproveitou a distração de seu alvo para atacá-lo. Mas este foi tão rápido quanto o monstro. Thommy firmou a espada em sua mão, arrancando-a do chão e virando-se, defendendo o ataque do bafomé. O menino foi lançado para longe, contra uma árvore. Enquanto se recuperava com uma mão na espada e a outra no ombro possivelmente deslocado, ele viu a foice se aproximar outra vez.

— Droga...!

Ele saltou para o lado e viu a árvore dividir-se em duas. O monstro levantou sua foice, preparando um próximo ataque, quando uma Paladina de armadura bem polida surgiu de dentro da mata, empunhando uma espada perfeitamente desenhada.

Era o que eu temia: um bafomé. Apesar de já ter visto um bafomé na vida, não pude esconder a surpresa que tive. Aliás, não era nada comum encontrar um monstro desses nos Arredores de Prontera, muito menos lutando com uma criança! Mas claro que não perdi meu tempo pensando nessas coisas, apenas levantei a espada e gritei pelo famoso sacrifício do mártir.

Antes mesmo de perceber a aproximação da Paladina, Thommy já havia preparado um golpe fulminante. A nova espada que o menino tinha em mãos reluziu e...

A lâmina da minha espada avermelhou-se como cor de sangue e, finalmente...

... acertou o monstro.

* * *

Deitado na grama, descansava o bafomé, sem vida. A criança que encontramos largou sua espada e caiu de joelhos, fadigado. Joguei uma poção para ele, a fim de amenizar os machucados que eram visíveis em seu corpo. Com um único gole, ele bebeu toda a poção, que automaticamente fechou seus ferimentos, deixando apenas alguns arranhões no lugar. Os outros já haviam chegado, todos cansados de tanto correr. Ao ver o monstro caído no chão, Abra sorriu, aliviado. Sem que eu tenha percebido, o Espadachim aproximou-se de mim, limpou o suor da pele morena, respirou fundo e...

— Obrigado! Aquele ataque foi incrível você chegou assim do nada aí a espada brilhou aí você foi no bafomé aí BUUM, aí eu "ufa quase morri" mas aí você tinha aparecido pra me salvar só que não precisava MENTIRA precisava sim — ele tagarelava sem parar para respirar. Os outros se entreolharam perplexos e não era a toa! O moleque mal havia se encontrado cara-a-cara com um monstro-chefe e já agia como se nada tivesse acontecido.

— ... nunca vi esse ataque, mas colocou o bafomé no chão então...

— MENINO, PELO AMOR DE DEUS, CALE A BOCA — gritei, interrompendo-o.

Silêncio.

— Espere um pouco... Já sei! Você é uma... — Com brilho nos olhos, o garoto se encurvou levemente para frente, fixando o olhar em cada detalhe da minha armadura.

Não pude segurar um sorriso de superioridade... Porque afinal, mesmo fazendo parte de um clã famoso, não era comum ser elogiada por crianças. Talvez por mero capricho da natureza — ou não —, o vento passou movendo meus cabelos ruivos, cena perfeita para quem acabara de jogar charme.

— Sim, sim... Sou uma paladina — gabei-me.

— Uau... Eu queria ter tantos músculos quanto a senhora!

Sim, eu fiquei irritada. E fiquei mais irritada ainda quando vi por trás dos ombros, Abra e Shey rindo da situação patética pela qual eu me encontrava.

— "Senhorita"! E qual é a sua, hein?!

— Você sabe quantos garotos queriam ter os músculos que a senhora tem? — perguntou ele, demonstrando indiferença quanto à suas perguntas.

— "Se-nho-ri-ta"!

Já não aguentando o atrevimento do garoto, puxei-o pela gola da roupa e preparei o punho, ameaçando-o. O sorriso que antes estampava o rosto de Abra e de Shey, agora fora substituído por medo.

— Ele é sempre assim? — O menino perguntou para Abra, ignorando o punho que o ameaçava.

— "Ela"! — gritei.

— Oras, decida-se!

Foi o cúmulo. Já cerrando os dentes, meus olhos quase faiscavam de tanta raiva! Percebendo o estado de fúria em que o Espadachim me deixou, Abra aproximou-se de nós e puxou o garoto de mim, libertando-o do possível soco que o menino levaria.

— Hehehe, como você é engraçado, menino... — Abra riu forçadamente e fez gestos para que o Espadachim ficasse quieto. — Por mais que a Jenny pareça um Viking de tão agressiva, máscula e cabeluda... Ela é gente fina e segue seu objetivo como paladina muito bem!

— E como você se chama mesmo...? — em algum canto, o líder do nosso grupo caminhava ao lado do garoto que encontramos.

— Thommy — respondeu ele, olhando diversas vezes para trás.

— Não se preocupe, o Abra vai ficar bem.

— Tem certeza...? Os gritos, berros, barulhos de ossos quebrando e sangue jorrado não comprovam isso.

— Nem um pouco exagerado, hein? — Os dois riram.

— Essa tal de... "Jenny"... É um pouco agressiva, né?

— Só um pouquinho... Digamos que estamos acostumados — disse o algoz, entre risos. — Mas o que você estava fazendo aqui? Onde estão seus pais?

Thommy parou quando foi feita a última pergunta. Ele desviou o olhar, fingindo se concentrar nos Cavaleiros e Lordes que conversavam com Joe sobre o bafomé. Por alguns segundos, o menino procurou sua querida Cathy que deveria estar perto dos Cavaleiros, mas ela definitivamente não estava ali. Nosso líder respeitou a decisão do garoto de não contar sobre seus pais e, portanto, permaneceu igualmente quieto. Enquanto o Algoz procurava um assunto que afastasse o clima tenso, Abra se arrastava pelo chão, visivelmente machucado. Este agarrou o pé do menino e chamou por socorro, como numa tentativa de amolecer o coração do jovem.

— É o que dá chamar a Jenny de Viking... — zombou o algoz.

— C....C....C-Cale-se...

Abra arregalou os olhos e fez sua expressão mais dócil diante do Espadachim, que ficou parado olhando-o o tempo todo.

— Thommy... Tenha dó deste mero Professor! — disse o Algoz, zombando novamente de Abra.

— Tá, tá... Pega aí — Com um suspiro e um revirar de olhos, Thommy jogou uma poção ao professor, que logo levantou-se com a maior animação do mundo.

Num sobressalto, Abra apanhou a poção, bebeu-a e em seguida livrou-se do frasco vazio, jogando-o em qualquer canto. Depois, agarrou Thommy num apertado abraço, roçando sua bochecha na dele.

— A-Abra... O que você está fazendo com o moleque?

— Essa é a criança mais fofa existente no mundo dos humanos! — dizia ele espremendo o menino em seus braços.

Bem, como qualquer pessoa faria, Thommy tentou livrar-se do abraço sufocante. Ainda não tenho certeza do que teria sido aquilo... Ataque de carência, instinto paterno ou problemas mentais, talvez. Sabe-se apenas que o Abra é alguém que facilmente simpatiza com crianças.

Eu estava conversando com um Lorde quando o vi abraçando o menino. Olhei ao redor. Perto da entrada principal de Prontera, a floresta tornava-se vasta e sem árvores. Analisei o que cada um estava fazendo: Joe também conversava com alguns superiores ao lado de Shey — o algoz loiro —, nosso líder ria da situação em que o garoto se encontrava e Abra, bem... tinha seus típicos ataques de carência. Por algum motivo ainda desconhecido, sorri. Tive a leve impressão de que algo interessante estava por vir, e que faria muita diferença na vida de todos nós.

— Senhorita, então está tudo certo por aqui?

— Sim, sim... Obrigada por vir, Lorde Kiwr — agradeci.

— Tem certeza de que o garoto ficará bem?

— Sim. Os ferimentos não foram graves. O ombro aparenta ter sido deslocado, mas deve ter voltado ao normal. Levarei-o aos sacerdotes para que cuidem disso.

— Entendido.

O Lorde fez reverência e recuou com sua tropa, deixando-me sozinha. Suspirei, chamei por Shey e por Joe. Era um belo dia, não...?

Notas finais
- To pensando em colocar a descrição dos personagens no final dos capítulos... Comente sobre o que acha da ideia =)