A Jóia Perdida
14 O despertar
Notas iniciais
Será que ele vai melhorar? Eu espero que sim. Quero ver, nem que seja uma vez, o sorriso em seu rosto lindo...
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Link:
Estou de volta aos jardins do castelo de Hyrule? O que diabos que está acontecendo? Por que estou aqui? Olho para frente e vejo a garota que se aproxima. É Zelda. Oh Meu Deus! Como eu nunca vi que ela é tão linda? Seus lindos olhos e cabelos. Os olhos verdes, claros, não como minha túnica escura. Os cabelos louros, como os meus, só que pareciam ainda mais brilhantes. Como se fosse feito de ouro. Então ela se aproxima o suficiente para me beijar, mas apenas cai em cima de mim sem forças, dizendo que está com medo. Que não aguenta mais ficar longe de mim. E eu a digo para não ficar com medo. Que eu sempre estarei ao seu lado para protegê-la.
Então ela faz as perguntas que me matam:
– Então onde você está agora? Por que não está ao meu lado? Por que não está me protegendo?
Então uma figura, começa a se aproximar ao meu lado, cavalgando em seu cavalo. Os cabelos castanhos claros, igualmente como os olhos, e diz:
– Porque eu estou com ele agora. Vá embora.
Então, a última coisa que Zelda faz é me olhar no rosto, chorando, e então ela sai de perto de mim como se estivesse com nojo e sai correndo. Logo depois ela some.
A garota ao meu lado estava completamente confiante quando disse aquilo, mas agora, ela está sofrendo. Está olhando para mim com medo. O que é isso? Por que todo este medo?
Garota (sombra):
Troco os panos em sua testa a cada trinta minutos. E cada vez ele parece pior. O que está acontecendo com ele? Parece... Estar sonhando com algo. Quando eu ia ao banheiro, via como meu rosto tinha mudado. Tinha uma clara expressão de terror. De medo. E agora, este garoto tinha esta mesma expressão. De medo. Logo antes a sua expressão estava aliviada. Como se estivesse vendo algo que há muito não via. Era uma expressão de saudade. Depois mudou para um rosto de completa confusão que eu não pude evitar rir. Mas agora era medo. Terror. Com o que quer que esteja sonhando, não é algo bom.
Eu troquei novamente o pano umedecido e fui tomar um banho. Já era bem tarde da noite. E eu prometi a mim mesma que não iria dormir até que ele estivesse melhor. Tomei o banho mais gelado que já havia tomado na vida. Isso foi muito eficaz para me manter acordada. Quando voltei ao quarto para me trocar, o garoto estava tendo espasmos. Como eu estava preocupada, esqueci-me de levar uma muda de roupas para o banheiro. Então, eu acabei ficando meio nua. Estava apenas de toalha. Mas o garoto estava tendo espasmos! Eu não podia pedir para ele esperar um pouco enquanto me troco para depois cuidar dele!
Tirei o pano de sua testa. Estava completamente seco! Ao contrário do pescoço do garoto. Estava completamente molhado. Mas de suor. Com este pano seco, sequei o melhor que pude do suor dele, e coloquei outro pano molhado em sua testa. Ele continuou tendo espasmos. Eu não sabia mais o que fazer, então passei levemente a mão em seu rosto. Por incrível que pareça, sua expressão mudou novamente para aliviado, seus lábios se curvaram num sorriso inocente e seus espasmos pararam. Suspirei aliviada e me troquei. Ele finalmente parecia ter dado um sinal de melhora.
Percebi como ele realmente era lindo quando sorria. Mas não me dei o luxo de ficar observando-o por muito tempo. Meu estômago roncou alto e eu não tinha como negar. Eu ainda não havia comido. Verifiquei os panos, deixei um pano seco ao lado de uma bacia, um dentro desta e um na testa do garoto. Fui até a cozinha, preparei um jantar suficiente para dois. Nunca havia feito isso. Normalmente era apenas para mim. Mas, por que pra dois se ele está inconsciente? Não sei. Apenas fiz.
Coloquei no prato apenas para mim e comi. Fui até a pia, lavei o prato e o sequei e guardei-o. Enquanto guardava o prato, eu ouvi um gemido fraco e longo. Como se fosse o vento passando por uma fresta. Fui correndo até o quarto. Lá estava o garoto. Os olhos abertos. Não totalmente. Mas abertos. Quando fui entrar no quarto, meu pé topou com algo. A bacia. Olhei bem e analisei a situação.
O que parecia ter acontecido era: Ele acordou, rolou, tentou apoiar a mão no chão para se levantar, mas ali estava a bacia, escorregou, jogando a bacia na porta do quarto e caindo completamente no chão com um gemido fraco e longo.
– Puxa... Nem parece que está doente. Mas acordou e já fez a maior bagunça... – falei sem pensar.
– Eu estava... doente? – perguntou o garoto.
– Sim. Teve até espasmos. Olha o estado da minha cama! Hahaha – falei da minha cama, que estava em um estado deplorável, rindo.
– Oh, desculpe, Srta. Eu vou arrumar isso e... Que roupa é essa em mim!? – perguntou ele com a voz um pouco elevada e esganiçada. Eu não aguentei e comecei a rir.
– Hahahahaha. Desculpe, desculpe. É que você tomou uma bela de uma chuva e eu tive que deixar suas roupas secarem. Quer dizer. As nossas roupas. Enfim. Como eu não tenho roupas que servem em você, eu tive que colocar uma das minhas em você. – falei rindo.
– Uau... – falou ele levantando. – Eu realmente fico bem nesta roupa não é mesmo? – disse ele fazendo umas poses e piscando o olho, de forma que era impossível não rir. – Bem, eu sou Link – disse ele em meio a risos, tanto meus quanto dele.
– Bem Link, eu preparei o jantar, então vou servi-lo, enquanto você retoma sua masculinidade – falei saindo do quarto ainda rindo.
– Ei! Eu sou muito másculo, ok? – falou ele meio ofendido, mas ainda assim rindo.
– Ok Sr. Másculo. Suas roupas estão no banheiro. Cuidado para não confundir com as minhas hein! – falei rindo.
– Como se eu fosse! – falou ele indo ao banheiro.
Comecei a colocar a comida em seu prato. Era realmente diferente a sensação de estar com outra pessoa. Mas com um garoto, em casa. Era totalmente diferente que qualquer coisa. Levei o prato dele à mesa e ele começou a comer. Fiquei observando-o comer. Estranho. Eu nunca tinha ficado tão feliz na minha vida. Por que agora?
– Hm? O que foi? Tem alguma coisa no meu rosto? – ele perguntou, ficando vesgo e tentando ver se tinha algo em seu rosto.
– Não, não. – ri — É que é uma sensação diferente para mim... E então? O que fazia lá, tomando um banho de sol escaldante?
– Bem, eu estava indo até as montanhas – respondeu ele, entre intervalos de comida.
– Hm. As montanhas, hein? É algum tipo de missão? – brinquei.
– É. É. Tipo isso. Só que de verdade. Eu estou indo salvar a princesa do meu reino! – disse ele estufando o peito, orgulhoso.
– Ah! A Princesa Zelda, certo? Então você, que é o acusado Link! Agora entendo! Então, não foi você que a sequestrou, hein? – falei mais seriamente.
– Não. E foi uma acusação muito mal acusada! Eu tenho que salvá-la a qualquer custo! – então, ele terminou de comer.
Peguei seu prato e comecei a lavá-lo, depois o sequei enquanto Link olhava a casa.
– Ei, o que é essa porta trancada? – perguntou ele.
– Hã... Bem... É algo que eu não gosto de mexer... – falei um pouco mais triste, como o meu normal.
– Ah, qual é! Deve ter alguma coisa Super legal! Deixe-me ver, vai? – ele disse, com o rostinho de pidão. Não tinha como recusar aquilo!
– Ok. Vou te mostrar. Mas apenas pra você. Faz uns anos que não entro aqui. – falei enquanto tirava uma chave do pescoço e indo até a porta.
Assim que coloquei a chave e a girei, a porta fez um “click” baixinho. Então Link, todo animado adentrou o quarto.
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