A Jóia Perdida
15 A partida
Notas iniciais
Assim que coloquei a chave e a girei, a porta fez um “click” baixinho. Então Link, todo animado adentrou o quarto.
–------------------------------------ / / ------------------------------ / /----------------------- / / --------
Zelda:
De repente, a sensação de congelamento passou e eu conseguia sentir meu corpo novamente. Olhei para os lados e vi meu pai congelado. Ou melhor. Petrificado. Estava com uma expressão de medo, e raiva. Completamente estranho.
Estava numa jaula. Um calabouço, na realidade. Tinha paredes à minha volta e grades à minha frente. Eu coloquei as mãos nas grades e eles me deram um choque de leve. Soltei. Se eu segurasse por mais tempo teria desmaiado. Ao segurar apenas cinco segundos, senti que a voltagem foi aumentando.
Atrás das grades, quer dizer, eu estava atrás das grades. Dãa. Do outro lado das grades, tinha uma mulher. Bem, eu sentia que era uma mulher. Só que parecia estar no corpo de uma criança.
– Oh. Você acordou. Que tal me contar agora onde está aquilo? – disse a garota.
– Hm... Do que você está falando? – perguntei.
– Pare de se fazer de idiota! Diga logo! – gritou ela.
– Se você me falar do que está falando, eu falo – e dei uma piscadinha apenas para enfurecê-la.
– Sua Princesinha medíocre. Eu vi aquele garoto. Eu não sei o que vê nele. É apenas um garoto sonso. Embora seja um pouco hábil.
– Link? O que fez com ele? Diga! – gritei em desespero.
– Eu? – ela fez uma carinha de inocente – Eu não fiz nada. Ele me atacou. Até me beijou. Mas eu não gostei. E eu o fiz perecer diante de minha lâmina. – de repente seu rosto mudou para uma expressão de prazer ao imaginar ele sendo dilacerado.
– Não! Não pode ser! Link não morreu! Não pra você! Não pra v...
???:
– Argh! Finalmente ela calou a boca! Bom. Se não tivesse calado com a minha petrificação, seria calada por ter sido morta. Mas eu vou aguentar não matá-la. Enquanto isso vou me focar em matar o garoto. Mas como?
Subi das masmorras e comecei a andar pelo palácio. Antes, estava tudo muito bonito, arrumado. Agora continua arrumado. Mas do meu jeito. Lustres com fogo azul, flores murchas e coisas assim. Em vez de pessoas, porcos, esqueletos andavam nos corredores. E pássaros assassinos voavam em vez de pequenas e fofas borboletas.
Andei o palácio inteiro e não tive nenhuma idéia. Vou esperar aqueles subordinados voltarem com a notícia de que o garoto está morto. Afinal, com uma ou duas centenas de monstros atrás dele, só pode ele ser morto.
Enquanto isso, acho que vou falar com aquele “Reizinho”.
Link:
Havia uma cama de casal. Um armário. Uma mesa com um banquinho. Alguns pergaminhos em cima da mesa. Uma janela. Quebrada. E passando por ela, alguns esqueletos. E uma... múmia?
– Para trás! Eles estão querendo me matar. Você não tem nada a ver com isso. Vá! Se esconda! – gritei para a garota.
– S-sim... – disse ela. Mas nem mesmo saiu do lugar! O que ela está pensando?
– Vá para o seu quarto! Jogue a espada para fora e se tranque lá! Qualquer coisa grite. Vá! – gritei novamente, mas dessa vez, dando um empurrão de leve, para ver se ela se mexia. Deu certo. Ela saiu correndo para o quarto, pegou a espada, jogou para fora e se trancou.
Rapidamente peguei a espada, pisei na bainha e a puxei. E então, de repente, mais um barulho de vidro quebrando e um grito. A garota abriu a porta e saiu correndo de lá, quando vinham mais dois esqueletos e mais uma múmia. Ela ficou atrás de mim, se agachando com medo. Parece que não terei espaço para lutar.
– Pegue algo como uma faca para se proteger caso eu não consiga. Rápido! – falei, enquanto encarava aqueles monstros.
O primeiro esqueleto foi fácil. Ele estava bem na frente e foi descuidado ao atacar por causa da falta de espaço. Cortei sua espinha no meio e ele caiu esfumaçando. Logo atrás já vinha outro esqueleto. Com a espada baixa, ele tentou me perfurar, mas eu desviei para o lado e então, fui pego. Mas não pela espada. Por uma faixa. Atrás do esqueleto, a múmia havia jogado uma de suas faixas e prendido meu braço esquerdo. A outra múmia, que estava no fundo, jogou uma faixa também e prendeu minha perna.
Cortei a faixa que segurava meu braço e meu pé esquerdo foi preso. Juntas, elas puxaram as faixas. Eu caí e bati a cabeça com força. Ai. Não foi legal... A visão foi escurecendo e os esqueletos se amontoavam em cima de mim para ver quem daria o golpe final. Mas aí eu não vi mais nada.
Garota:
Eu estava na cozinha, segurando a faca como se minha vida estivesse atrelada a ela, quando Link foi puxado pelos pés e bateu a cabeça no chão. Ele parecia ter perdido a consciência. Os monstros começaram a se amontoar em cima dele e todos, menos as múmias, em um movimento só, levantaram as espadas e cravaram elas no... chão?! Link estava de olhos fechados, atrás de todos os monstros e com sua bainha na mão. Ele estava guardando a espada como se não fosse mais lutar. E então, caiu no chão do meu quarto, que estava cheio de cacos de vidro. Mas e os monstros?
Eles foram caindo. Um por um. E se transformando em fumaça. Como isso aconteceu?
Link:
As imagens estão passando rápido na minha cabeça. Isso é mesmo um sonho? Estou deitado, com monstros à minha volta, então me levanto lentamente, corto os esqueletos em volta ao meio e em várias outras direções, passo por eles, corto as múmias de cima a baixo, me abaixo, pego a bainha, viro para eles, guardo a espada e me deito novamente, só que agora no chão do quarto dela. Havia alguns cacos de vidro ali, mas eu não me importo. Eu apenas deito. Sinto-os entrarem em minhas costas e delas escorrerem algo quente. Novamente, não me importo e durmo.
Quando acordo, estou de barriga para baixo, na cama dela. O chão estava limpo. A coisa quente em minhas costas havia sumido. Agora havia vários curativos.
A garota estava sentada ao meu lado, esperando que eu acordasse.
– Eu... tenho que ir embora... – falei, com a voz meio fraca.
– Você não pode! Tem que se recuperar! – falou ela com convicção.
Eu me levantei, coloquei minha blusa, pois a garota havia tirado para tirar os cacos que tinham ficado em minhas costas.
– Agradeço toda a ajuda que você me deu, todos os momentos, mas eu devo ir, ou você ficará em perigo de novo. – falei enquanto pegava minha espada e escudo. – E sobre o quarto, é melhor você limpá-lo e usá-lo para algo. Tenho certeza que seus pais não gostariam que você tivesse parado no tempo só porque morreram.
– C-como você sabe que e-eles...? – falou ela com uma voz embargada.
– Eu sei, pois um quarto que parece de casal, não usado, só pode ser algo como isso. Ou ele estaria sendo usado por eles. Ou por alguma outra coisa e eu nunca descobriria. Agora eu devo ir. – peguei minha mochila e comecei a andar para a entrada da casa. De repente, algo me segurou e me agarrou por trás.
– Por favor... Volte... E-eu quero p-poder te v-ver d-de n-novo – falou ela entre soluços num choro.
– Acalme-se. – Me virei e coloquei a mão dela entre as minhas. Ela olhou nos meus olhos – Eu voltarei. Não se preocupe. – e sorri para ela. Parece que ela ficou feliz depois do sorriso.
Me virei novamente para a porta e a abri. Dei um breve tchau e saí novamente para a minha aventura que parecia interminável. E completamente cheia de obstáculos.
Andei até não poder mais ver a casa dela. Até ficar de manhã. Até ficar à noite do outro dia. E então percebi que havia esquecido algo.
– Ah. Esqueci de perguntar o nome dela...
Fale com o autor