A Jóia Perdida
16 Novo servo
Notas iniciais
– Ah. Esqueci de perguntar o nome dela...
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Caminhei por dias e noites até a montanha. Mas o mais estranho foi que não havia nenhum monstro em meu caminho. Eu andei tranquilamente, peguei água em riachos, tomei banho neles também. Ficar sem tomar banho é ruim. “-Você fica fedido e não aguenta mais o seu cheiro”, dizia vovô. Então eu tomava banho todos os dias.
Finalmente, cheguei à entrada da caverna. Tinha uma subida mais rápida, mas lá havia uma pedra grande, e eu ainda não tinha bombas. E se tinha, gastei. Não as achei em lugar algum. E havia também, a entrada principal. Era um buraco na parede onde, eu realmente acho que foram mineiros. Devia ter algumas instalações lá dentro então, onde eu conseguiria sobreviver.
Entrei pelo buraco e olhei dentro da caverna. O que eu vi? Nada! Estava muito escuro e eu estava acostumado com a luz lá de fora.
Os barulhos que vinham da escuridão, altos e assustadores, pareciam chegar ainda mais e mais perto. Eu estava entrando em completo desespero. Ao não enxergar nada e ouvir ecos de uma caverna completamente escura e que não deveria haver ninguém, nem mesmo eu, estava tão barulhenta.
Barulhenta sim, pois vários sons se propagavam. E estes pareciam ser estalidos, rugidos e coisas assim.
Assim que meus olhos se acostumaram à escuridão, vi uma escada ao meu lado direito. Na hora, no minuto, no segundo em que pisei no primeiro degrau, quatro cobras voaram de um teto falso, que caiu e se espatifou.
Elas cuspiram um veneno, que me acertaria se eu não tivesse pulado para trás. Assim que o veneno tocou o chão, este se corroeu. Não era veneno? Era ácido?! Como vou lutar com elas?
Vovô:
– Malditos! Me dêem um tempo! Eu sou apenas um velho! – gritei para os monstros que se amontoavam em volta de mim – É covardia lutar vários contra apenas um senhor de idade!
– Você não deve ser morto. Apenas torturado e quase morto. Por mais que nossa mestra seja poderosa, absorvê-lo a ajudará a ter um poder quase ilimitado. Se ela absorver pelo menos três dos possíveis portadores da tri-force, ela será imortal e terá seu poder inacabável. Embora tenha sido difícil, você será o segundo. Por ironia, seu filho foi antes. E a mulher dele nós matamos mesmo por pura diversão. Agora só resta você e seu neto. Você já está aqui conosco. E seu neto está vindo. Graças a você! – disse um javali, saindo do meio da multidão e se posicionando em minha frente enquanto nos rodeávamos e ele ia terminando de falar.
– O que?! Meu neto conseguiu? Tenho que ajudá-lo. Ela é muito forte mesmo para ele...
–Você é um maldito, velho! Chegou bem na hora em que a mestra iria absorvê-lo enquanto ainda era um bebê! Pouparia muito trabalho e súditos. Mas não. Você tinha que chegar! – disse ele na hora em que tentou me perfurar com sua grande lança, mas eu aparei com a espada. – Você ainda é habilidoso, mas nós nunca envelhecemos. Nós nunca nos cansaremos!
– Veremos – sorri em escárnio e fui saraivado por golpes de espada, lança e flechas. – Meu neto sobreviverá. Não conseguirá me salvar, embora seja isso que ele queira. Mas ele vai matar todos vocês! – a visão obscureceu.
Acordei acorrentado numa parede. Uma luz roxa se acendeu em minha frente e vi a garota-mestra.
– E então? Como vai ser? – falei.
– Fácil – ela riu – Você simplesmente perderá sua alma para mim e trabalhará.
– Onde está meu filho? – perguntei.
– Aah. Aquele chato! Acredita que ainda não consegue criar coragem para matar o garoto mesmo sob meu poder?
– Você quer que um pai mate o próprio filho?! Você é louca?! – gritei furiosamente.
– Então vamos ver se o filho mata o pai? – perguntou ela e soltou minhas correntes. Jogou uma espada para mim e falou: — Venha. Mate aquele que protege apenas sua cria e não você. Aquele que é seu primogênito não foi salvo e nem sua pobre mulher. Venha! Mate-o! – um círculo se formou no chão e o meu filho saiu dali.
– Maluca! Eu nunca mataria meu próprio filho!
– Mas ele matará você. Ele sente rancor por não ter salvado nem ele e nem a mulher dele. Ele tinha poderes como os seus, mas não tão desenvolvidos. Ele não era capaz de proteger a família. Mas você era. E você estava fora na hora. Agora, boa batalha. – falou ela enquanto se afastava e deixava um espaço para a luta.
– Filho... Me desculpe... Mesmo naquela época já era um velho. Eu não conseguia correr. Mas quando eu vi que tinha algo errado, eu corri. Mas não tinha como salvá-lo. Me perdoe! – gritei enquanto me defendia de cada espadada que era desferida contra mim.
– Não o mate! Só quase... – falou a garota.
O loiro, alto e magro, era bem a definição que eu daria de quando eu era jovem.
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Se continuassem jogando seu ácido, poderiam colocar em perigo a minha situação. Pensei que se eu as cortasse, o ácido dentro delas derreteria minha espada. Peguei uma pedra afiada que achei na parede. Arranquei a força e joguei na boca de uma cobra na hora em que esta abriu a boca para jogar o ácido. Ele até corroeu a pedra, mas apenas fez com que ficasse mais afiada e a transpassasse. Ela gorgolejou com o próprio veneno e morreu, derretendo o chão e a pedra que a tinha matado. Olhei para as outras três. O que eu faria? Bati contra a parede atrás de mim enquanto elas se aproximavam. Eu tinha uma opção e uma chance: correr, pular e correr.
Elas chegaram perto e foram soltando seu ácido para me prender num pequeno espaço. Mas não foram inteligentes. Não muito. Elas atacaram de uma vez só, num bote que pegaria minha perna e a derreteria. Mas as três voaram contra a parede quando pulei para o lado e bati na parede também. A única diferença é que eu não soltei veneno quando bati a cabeça na parede. Elas sim. Derreteram entre si. Triste, mas fazer o quê? Dessa vez eu conseguiria subir as escadas e me dirigi a elas.
Zelda:
Meu peito está ardendo. O que será isso? E o que é isso na minha frente? Um... Triângulo?
“Sou um dos três que compõem um maior. Eu sou o da Sabedoria. Existe também um da Coragem e um do Poder. No momento, os outros dois estão desaparecidos. Eu não sei suas localizações. Mas juntos formamos a Jóia Perdida, ou Tri-Force. Na realidade é só Jóia, mas há muito não nos juntamos então eu coloquei um Perdida pra ficar legal. Mas o que importa é que você precisa sair daqui e me encontrar. Você precisa me encontrar. Ninguém mais.”
– Mas como saio daqui? – perguntei mentalmente, já que era a única coisa que eu conseguia fazer.
“Eu vou te contar como quebrar o feitiço e sair daqui...”
Vovô:
Deitado, no chão, preso à vida por um fio, e meu filho pairava sobre mim com ódio nos olhos e espada em punho.
– Já chega! – disse a garota. – Agora pode se afastar. – e meu filho se afastou com um pouco de relutância. – Agora você me dará o que quero. Mais poder!
– Eu queria não deixar isso acontecer, mas não tenho como... Ou melhor, tenho. – comecei a levar a minha espada até a barriga para me matar e tentar impedir o ritual e o contrato.
– Opa! Não senhor! – disse ela lançando uma magia de paralisia e me deixando sem movimentos. – Agora, você será meu escravo!
???:
– Agora você fará como eu quiser. Venha a mim, alma do antigo herói e me dê mais poder! – assim que eu disse isso, o velho perdeu o brilho dos olhos, e de seu corpo saiu uma coisa branca como um fantasma e veio de encontro a mim. De repente um poder mais forte surgiu e eu senti meu corpo formigar até a ponta dos dedos das mãos e pés.
– E agora, o corpo sem dono, trabalhe para mim, com suas antigas habilidades, para assassinar o novo herói!
O corpo dele se levantou lentamente, se ajoelhou e falou:
– Sim, mestra!
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