A Jornada do Rei
1 Uma História a Ser Contada
Notas iniciais
Espero que fiquem bem ^^
Meu nome é Tiwry Manet, tinha 17 anos quando começou a então história que lhes contarei. Talvez alguém se sinta conectado aí meu eu do passado, talvez sintam raiva de minhas decisões, talvez sintam outra coisa. Mas, de alguma maneira meus relatos afetaram a todos que o lerem.
Não, essa não é uma história comum. Os acontecimentos aqui transcritos, ocorreram a 60 anos. Não tinha intenção alguma em expor os fatos da minha vida, porém, fui instigado a isso por vontade maior de minha esposa e de minha filha primogênita, Katharine. Sinto que meus dias se aproximam do seu fim, então, deixarei como recordação essa história que parece ter sido esculpida pelo mais habilidoso Cronista.
No momento estou em meu quarto, e não tenho mais forças para escreve com minhas próprias mãos, então um escriba irá relatar tudo o que dito. Está sendo supervisionado por alguém de confiança para que não altere uma só palavra do meu relato. Feita as ressalvas, peço que tenha paciência. Muitas coisas poderão parecer desconexas e despretensiosas quando forem lidas, mas lhes digo que tudo se encaixará no decorrer dessa história. Iniciaremos.
Era Primavera, e eu havia achado de despertar. Meu quarto era algo simples, porém confortável. Tinha disposto em seu pouco espaço, uma pequena escrivaninha, um local para guardar as poucas roupas que tinha, uma cama um tanto quanto dura e um quadro em memória do meu Pai. Tinha pouquíssimas lembranças dele, foi morto quando tinha 7 anos em uma invasão a cidade. Seu corpo nunca foi encontrado para aí menos chorar seu enterro, mas é o que se necessita saber, na época, havia 10 anos desse acontecimento.
Me levantei, pisando o pé direito sobre o chão de tábuas de carvalho, um leve ranger foi escutado. Caminhei ainda sonolento até a porta, e sai para o cômodo da cozinha. Minha mãe a viúva Margaret estava acabando de por o café da manhã na mesa. Não tínhamos muita comida para esbanjar, mas o suficiente para não passar fome em tempos difíceis.
— A julgar pelas olheiras, dormiu tarde lendo "o segredo da fartura na colheita" novamente Tiw? — Ela questionou-me, sentando em uma das duas cadeiras disposta próxima a mesa. — Bela observação mãe, tenho certeza que cadê segundo de sono perdido irá resultar em uma das melhores colheita que teremos em meses! — Rebati, muito orgulhoso de ter chegado á página 750 em dois dias. E não me tomem como um desocupado pelo número de páginas lida em tão pouco tempo. Eu fazia todo o trabalho na lavoura, abastecia nossa casa com a água pública do Poço. E uma vez na semana ia até a cidade no fim da tarde comprar alguns itens de necessidade. Sobrava a mim, a noite depois da janta para realizar alguma leitura, e não surpreende você eu ter fortes olheiras.
Fizemos uma pequena reza para Lakshmi, Deusa da fartura, agradecendo por ter nos permitido fazer mais uma refeição. Então nos dispomos a comer. Alguns pedaços de pão, manteiga natural, leite aquecido na hora. Era uma ótima refeição para a manhã. — Muitos afazeres na lavoura hoje ? — indagou minha mãe, com a voz embolada por estar mastigando ao mesmo tempo. — Nada muito pesado, já escavei os dutos de água, a terra foi arada e as sementes todas plantadas. Falta apenas... molhar novamente as sementes, e ver se há alguma coisa a ser corrigida. — Respondi enquanto rasgava um pedaço de pão. Minha mãe me fitou com um olhar incisivo, falando em tom de quase sussurro. — E aquilo...voltou a acontecer novamente ? — Baixei a cabeça. Alguns segundos depois, respondi em seco — Sim! Minha mãe pois a mão em meu ombro e rebateu — Lembre-se de tomar muito cuidado para que nunca achem nossa Lavoura, ou nos acusaram de mal uso da magia. — Levantando-me, e me dirigindo a porta da rua, respondi a ela — Com certeza mãe, confie que nunca a acharão! Me espere para o almoço por gentileza. — Falei, já abrindo a porta para sair. Mas antes disso, ouvi minha mãe falar em despedida — Te esperarei próximo ao meio-dia. Tome cuidado meu pequeno Tiw! — Soltei-lhe um sorriso de ponta a ponta, fechei a porta e caminhei. Era sábado e a rua estava uma porqueira sem precedentes, havia chovido noite passada, mas as festas da noite de Sexta é que eram os maiores motivadores de tamanha imundice. Passava das 7 quando sai de casa, passei frente a Taberna do senhor Robert e lhe cumprimentei. Dobrei a esquina a esquerda e quase fui pego por uma carroça que vinha em disparada.
Sai da cidade pegando um caminho de terra que levava as lavouras dos camponeses vizinhos. Tomei uma rota alternativa, saindo a direita do caminho, passando uma floresta relativamente densa. Acariciei um pequeno esquilo, com que já tinha alguma intimidade. Sai da floresta, e comecei a subir um pequeno paredão de rocha e cascalho, olhando sempre para trás para me certificar de não estar sendo seguido. Após a subida, entrei em uma caverna que contava caminho pelas montanhas. Fazia aquele caminho tantas vezes que nem ao menos precisava de uma lamparina ou tocha para lembrar cada ponto perigoso do lugar. Em 5 minutos estava do outro lado da montanha, o que se eu fosse fazer a escalando completamente, demoraria certa de 1 hora. Da saída da caverna, vislumbrei então a lavoura. Corri para lá, pois não queria perder muito tempo lá hoje, talvez se chegasse mais cedo poderia ter mais tempo pra ler. Foi o que pensei.
Me aproximei da terra e visualizei que todas as sementes ontem plantadas já haviam nascido...na realidade estavam todas com cerca de meio metro. E era sobre isso que minha mãe falava, essa terra que achei para fazer nossa plantação era mágica. Tudo crescia estupidamente rápido lá, e se fosse visto por um membro do comitê de magia, certamente seria julgado como uso inapropriado. Eles não ligam pra ajudar os camponeses com a magia, só se importam com seu nariz e em usá-la em combates desnecessários por um mísero pedaço de reino que perece ao próximo. De qualquer maneira, ninguém devia saber daquele lugar, a não ser eu e meu fiel companheiro, o espantalho. — Tudo certo por aqui amigo? — o silêncio perdurou — ah, é claro que você não deixaria nada de mal acontecer, lembre-se que ninguém pode nos ver aqui! — dando um soquinho nele, sai da plantação, indo até a casa que tinha lá para guardar os equipamentos.
Antes que chegasse até a casa, meu corpo se imobilizou a escutar uma voz em minhas costas, uma voz grossa como se não fosse de um ser humano. — O garotinho da plantação mágica, chegou um pouco mais tarde hoje? — Virei devagar, aguardando um arador que vi próximo a cerca. — Quem é você ? O que planeja fazer comigo ? E a quanto tempo observa minha ações ? — Falei no tom mais rude que consegui, tentei endurecer-me em frente ao homem, mas por dentro era consumido por um medo. Minhas pernas estavam tão bambas que se as movesse elas ruiriam na mesma hora. O rapaz que me olhava era alto, tinha roupas comuns como a minha, calçava botas pretas um pouco surradas, a julgar por isso era um trabalhador. Tinha uma barba grossa e preta como carvão, um óculos de armação redonda nos olhos, e me fitava sem esboçar sentimento algum. Por um momento andei que seria um soldado disfarçado e isso era provável. Mas temo em dizer que não era isso, e minhas suposições falharam, como virá a acontecer muitas vezes.
Notas finais
Espero que fiquem bem ^^
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