A Jornada do Rei
2 Atitude de Honra
Estávamos frente a frente, mas eu sabia que não tinha chance alguma se aquele Homem realmente planejasse fazer algum mal contra mim. Não havia ninguém num raio de 5km. Em um curto espaço de tempo pensei nas minhas possibilidades. Tentar um diálogo? Fugir...mas deixando o segredo que minha mãe e eu tanto guardamos escapar assim? Não. Eu precisava para-lo ali. Analisei o terreno e vi que havia um duto de água para molhar as plantações uns 3 metros atrás do homem. Com o arado em mãos, o forcei a chegar para trás, a uma distância de aproximadamente 1 metro. Soltei meu arado e lhe golpeei nas pernas, na parte interna do joelho onde geraria uma dor tremenda. Sabia disso pois tinha lido a uma quinzena "Truques de sabotagem ao corpo humano"
Sentindo a dor fina no joelhos o homem bambeou, caindo no duto e machucando um pouco a perna esquerda, parou por tempo suficiente para que eu pegasse uma corda e o amarrasse com ela. Então, ameacei o homem novamente com o arado.
— Diga-me, diga-me a que rei serve agora mesmo! E como descobriu a minha plantação!? — Disse ameaçando o Rapaz.
— Não sirvo a rei algum se não a mim mesmo garoto. Te observo a semanas, talvez meses! — Me disse sem me olhar.
Senti um ar de sinceridade naquilo, e não fui incrédulo nas palavras do homem por nenhum momento. Deixei de lado meu arado, e me ajoelhei diante dele.
— Então o que deseja aqui? Por que não procurou uma estalagem? As tabernas nessa região cobram um preço muito baixo pelas acomodações, geralmente algo como um talento de cobre. Disse, sentando-me a frente do homem.
— Bom, eu tenho família. Tenho dois filhos que não tem mãe para alimentar. Os deixei com tios em um vilarejo aqui próximo e vim em busca de uma forma de ganhar algum dinheiro. Então venda-me, venda-me sua fazenda. Olhe meu bolso. Nele há cerca de 30 talentos de prata — Proferiu essas palavras com um pesar tão imenso na voz, que faria abalar o coração mais frio do mundo.
Pensei por um momento em ponderar a questão, mais pela ajuda que daria ao homem do quê pela quantia enorme de dinheiro. Mas não podia, era o sustento da minha família também. Aquele dinheiro daria facilmente para comprar outro pedaço de terra, mas aquele era o pedaço de terra fértil, era mágico.
— Moço... não posso, não devo lhe vender. Mas também não é correto o deixar ao relento. Se aceitar, pode trabalhar aqui e em troca já terá um teto e não passará fome com a colheita. O que me diz? — Disse-lhe, já soltando-o das cordas.
—Jovem, seria muito gentil de sua parte. Eu realmente peço que aceite essas moedas, pelo menos algumas. — rebateu, com gratidão em seu olhar.
— Não, penso que necessita mais do que eu. E não aceitaria lhe ajudar recebendo qualquer coisa em troca. Aliás, perdoe-me pelos maus modos aí te encontrar! Como lhe chamo? — perguntei, enquanto ajudava o mesmo a se levantar da terra.
— Me chamo Lanert garoto, Lanert Cliviland. E lhe serei eternamente grato pelo que está fazendo a mim hoje! Sobre a sua recepção. Não se culpe, eu temo não ter tido a melhor entrada. Devo-lhe ter assustado! — Disse Lanert, rebaixando sua cabeça com jeito Solene.
Depois disso jogamos um pouco de conversa fora, em minha mente surgiu alguma dúvida sobre se realmente deveria estar passando tanta confiança a um homem a quem acabará de conhecer. Minha Mãe sempre disse pra não confiar em estranhos, mas, ele me pareceu muito sincero. Nos despedimos, e ele partiu para encontrar seus dois filhos. Depois, voltaria e tomaria conta da fazenda como tínhamos acertado. Sua viagem demoraria cerca de 1 mês. Depois disso lembro-me de ter molhado toda plantação, me despedido do espantalho e rumado para a casa. Estava realmente feliz, aquela vida me deixava feliz. Eu era um garoto do campo, e a simplicidade me deixava apaixonado. Se pudesse não teria nunca mudado de vida, mas a vida me reservava novos e difíceis caminhos.
Voltando para casa questionei-me sobre a primeira coisa que o rapaz me disse...disse que a plantação era mágica. Senti que deveria ter lhe indagado se sabia alguma coisa sobre esse fato. Segui e antes das 12 horas estava em casa. O almoço foi um pedaço de porco assado, complementado por um feijão. E lembro-me bem, era muito saboroso. Conversei com minha mãe sem falar uma palavra sobre o acontecido de mais cedo. Sei que não permitiria o rapaz ficar na fazenda, então calei-me sobre o fato e segui falando sobre as coisas mais aleatórias possíveis.
Geralmente ia ao mercado todos os sábados pela parte da tarde, quase noite. Mas estava querendo comprimir o máximo minhas atividades naquele dia e resolvi sair logo após o almoço. Coloquei uma bolsa de couro em meus braços, e peguei alguns talentos de nossas economias que ficavam em um vaso no canto da sala. Beijei minha mãe como fazia na maioria das vezes e sai. Passei pela taberna do senhor Robert e lhe cumprimentei, dobrei a direita seguindo reto pela rua. Havia muitas caras novas e questionei-me sobre aquilo. Chegando aí mercado, analisei o que faltava em casa. Pedi 6 maçãs para a senhora, que me deu com um sorriso no rosto. Lhe paguei um talento de cobre e recebi duas iotas como troco.
Virei me para procurar a próxima barraca. Mas não foi o que vi. Corri o olho da direita para a esquerda procurando uma barraca. Mas minha visão foi interrompida. Uma jovem, era tão brilhante quantos o raios de Sol que coincidentemente, não brilhavam naquele dia. Cheguei a pensar se ele teria deixado seu trono celeste e descido para visitar nós meros mortais. Tinha um rosto completamente angelical, seus olhos escuros e os cabelos curtos cor de mel me fizeram ficar paralisado. Não consegui respirar quando o olhar dela cruzou o meu. Ela estava só, então se virou e seguiu por um beco entre as casas da rua. Vi 3 rapazes da minha idade a segurem murmurando.
Acordei de meus pensamentos, pensando que devia segui-los para garantir que não fizessem algum mal a moça. Me aproximei silenciosamente e espiei o beco. Vi que era sem saída e a jovem estava cercada pelos marmanjos. Respirei fundo pensando em como poderia ajudar. Coloquei as maçãs num canto da rua e firme a bolsa entre meu pescoço, então, escalei a casa ao lado do beco e me aproximei sem que notassem. A garota me viu, e entendeu que eu iria ajudar a ela. Começou então a enrolar os pivetes para que eu pudesse me aproximar mais rápido. Cheguei o mais longe que consegui pelo telhado da casa, para continuar e me aproximar mais, precisava atravessar para o outro lado. Pular estava fora de cogitação, 4 metros separavam um telhado do outro, pularia aquilo facilmente. Mas o barulho me denunciaria. Porém, a solução passava por cima de minha cabeça. Uma corda ligava os telhados das duas casas, como se ajudassem elas a se estabilizarem. Tomei minha decisão.
Respirei fundo tentando não olhar pra grande distância que me separava do chão. E então me agarrei na corda, tentado chegar ao outro lado o mais rápido possível antes de meus braços pararem de funcionar. Eu era tão bom em atividades que exigiam força quanto uma criança recém nascida, eu era fraco e não tinha talento algum e antes da metade do caminho, soltei a corda, despencando em queda livre. Cai em frente aos 3 jovens. Uma queda em cheio com o braço esquerdo batendo no chão. Na hora, senti que algo tinha acontecido a ele, mas estava no meio da adrenalina e não senti doer. Fiquei entre a moça e os malfeitores. Caçando uma rota de fuga possível para nós dois. Olhei para trás e havia um muro alto de madeira, mas se conseguisse pular sairíamos na outra rua. Mas a donzela não conseguiria pular, ou talvez nem eu mesmo conseguisse.
Decidi que enfrentar eles seria o melhor a se fazer. Cerrei os punhos e coloquei o braço direito em posição de combate, pois o esquerdo não conseguia nem se mover. Já ouvia o som da garota chorando, não sabia se era o medo, a emoção de alguém ter se esforçado tanto para protege-la, ou prevendo minha morte naquele embate. O líder dos 3 deu início a luta, tentando me acertar um soco de direita no rosto. Desviei e lhe dei uma rasteira. Ele caiu no chão e por um segundo pensei der possível vencer, até que fui afetado por um dos outros garotos. Os dois me colocaram na parede e começaram a me espancar completamente. Não iria aguentar muito tempo antes de perder a consciência. Então fiz ameaças para que me soltasse, e por incrível que pareça fui atendido, eles me soltaram e se ajoelharam diante de mim. Um ego enorme subiu a minha mente e sorri mesmo todo ensanguentado.
menos escutasse. Talvez o calor da batalha tivesse me deixado desconectado do mundo. Então ele sacou a espada e repetiu a pergunta para mim. Engoli a saliva em seco. E me ajoelhei.
— Desculpe Sir Peter, não vi sua chegada! — falei com voz baixa.
— Em um estado deplorável desse, é lógico que que não veria. — disse descendo do cavalo e ajudando a nobre moça a subir.
Então era isso...ela era prometida a ele. Ouvi sua doce voz pela primeira vez mesmo sabendo que tudo que imaginei fazer ao lado dela naquele curto espaço de tempo em que nossos olhos se cruzaram era uma utopia inalcançável.
— Ele...ele me defendeu Peter, não...— Foi interrompida pelo príncipe.
— Cuidarei do resto meu amor, pode deixar. Soldados, a levem em segurança para o palácio. — Disse ele. E sua ordem prontamente foi cumprida.
Olhei para trás rindo, os garotos estavam completamente em apuros, mas não vi nem a sombra dos 3. Fugiram rapidamente quando tiveram a oportunidade. Tentei fazer o mesmo, mas o corpo cobrou seu preço. Caí na primeira passada e não conseguia me mexer.
— Você está preso Plebeu, preso por atentado a vida da futura princesa! — Disse o príncipe em tom solene e pomposo.
Não fiquei preocupado por mim, e sim por minha mãe. Mas estava fraco de mais pra pensar em uma forma de avisá-la. Minha bolsa ficou no beco, assim como as maçãs lá na rua. Dois guardas me levantaram pelos braços e me amarraram no cavalo. E a galopes lentos caminhamos a caminho do palácio. O faturamento final daquele dia foi: minha vida arruinada, 3 costelas quebradas, um braço deslocado, múltiplas fraturas e um rosto cheio de hematomas.
Fiquei a admirar o olhar amedrontados dos 3 abaixados a minha frente, até ouvir uma voz ecoar de minhas costas.
— Por acaso tem problemas nos joelhos jovem da plebe ? — disse uma jovem voz masculina.
Ao me virar, percebi a quem eram as condolências e o motivo de terem se ajoelhado. Sir Peter, filho do Rei e herdeiro do trono. Ele e sua comitiva haviam quebrado o muro de madeira sem que eu ao menos escutasse. Talvez o calor da batalha tivesse me deixado desconectado do mundo. Então ele sacou a espada e repetiu a pergunta para mim. Engoli a saliva em seco. E me ajoelhei.
— Desculpe Sir Peter, não vi sua chegada! — falei com voz baixa.
— Em um estado deplorável desse, é lógico que que não veria. — disse descendo do cavalo e ajudando a nobre moça a subir.
Então era isso...ela era prometida a ele. Ouvi sua doce voz pela primeira vez, mesmo sabendo que tudo que imaginei fazer ao lado dela naquele curto espaço de tempo em que nossos olhos se cruzaram no mercado era uma utopia inalcançável.
— Ele...ele me defendeu Peter, não...— Foi interrompida pelo príncipe.
— Cuidarei do resto meu amor, pode deixar. Soldados, a levem em segurança para o palácio. — Disse ele. E sua ordem prontamente foi cumprida.
Olhei para trás rindo, os garotos estavam completamente em apuros, mas não vi nem a sombra dos 3. Fugiram rapidamente quando tiveram a oportunidade. Tentei fazer o mesmo, mas o corpo cobrou seu preço. Caí na primeira passada e não conseguia me mexer.
— Você está preso Plebeu, preso por atentado a vida da futura princesa! — Disse o príncipe em tom solene e pomposo.
Não fiquei preocupado por mim, e sim por minha mãe. Mas estava fraco demais pra pensar em uma forma de avisá-la. Minha bolsa ficou no beco, assim como as maçãs lá na rua. Dois guardas me levantaram pelos braços e me amarraram no cavalo. E a galopes lentos caminhamos a caminho do palácio. O faturamento final daquele dia foi: minha vida arruinada, 3 costelas quebradas, um braço deslocado, múltiplas fraturas e um rosto cheio de hematomas.
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