A Jornada do Rei

4 Um Julgamento Parcial


— Tiwry Manet?

— O próprio soberano!

Estava na presença do Rei. A sala do trono era belíssima, com vários pilares de sustentação ao redor e um enorme trono no alto de uma escadaria dourada. Era totalmente ladrilhada. Sinceramente, em outras circunstâncias aquilo seria incrível. Um escriba permanecia sentado com um papel em mãos para escrever todo julgamento. Ao lado do rei sua esposa, Rainha Morgana e seu filho, o descarado do Peter. Perdoe-me o palavreado, mas depois do dia de hoje se torna impossível se referir a ele de outra forma. Também havia o oficial da guarda real e um nobre cujo não sabia a patente, mas podia afirmar pelas vestes que devia ser de um alto posto. Me perguntou o meu nome e respondi, perguntou se morava no vilarejo e assenti! Então, deixou que entrasse a minha visita. As portas atrás de mim se abriram, e vi minha mãe correndo desesperada ao meu encontro. Não pude ter outra reação se não correr mancando ao seu encontro enquanto transbordava em lágrimas. Achei que ela não havia tido notícias minhas desde ontem.

— Mãe...ah mãe eu estava com tanta saudade! — Disse, enquanto desabava no choro.

— M-meu menino, meu Tiw. Eu vim assim que soube.

— Como a senhora ficou sabendo ?

— Alguns comerciantes presenciaram a cena e resolveram me contar, levaram também sua bolsa de couro. Só me disseram hoje pela manhã, e apesar de não ter conseguido dormir essa noite, vim eufórica assim que soube!

— Entendo. Me perdoe por colocá-la nessa situação, sinto muito por todo esse embaraço.

Fiquei confortável no abraço materno por alguns segundos até a voz de Peter ecoar o salão.

— Vamos, já chega! Isso não é confraternização de família. Senhora aguarde lá fora o julgamento, você será avisada e acho melhor que prepare muitos lenços.

Minha mãe não me soltou até que foi arrastada pra fora da sala por dois guardas. Peter exibia um sorriso malicioso enquanto me olhava. Segurei o ímpeto de lhe xingar e permaneci sóbrio. Então, ao silêncio de todos, o julgamento começou. O Rei entoou sua voz e disse:

— Jovem Tiwry, o que você tem a dizer sobre a acusação que recai sobre sua cabeça?

— É totalmente falsa soberano!

— Então nega diante de todos que importunou e que agiu perigosamente contra a vida da pretendente do príncipe?

— Nego veementemente essa informação, e afirmo, que só tentei a proteger de 3 ousados que, esses sim, atentaram contra a vida da jovem.

— Pois bem, que entrem as testemunhas do caso! — Falou o rei em voz de discurso.

Entraram então, 5 pessoas que nunca tinha visto na vila, mesmo conhecendo todos os moradores de lá. Estavam vestidos com roupas típicas de nossa região. Certamente, eram contratados de Peter para falarem contra mim. Começaram o discurso dizendo que eu era o líder da gang de 4 integrantes e que era comum a minha pessoa importunar jovens garotas indefesas pela região. Me segurei para não lhe falar umas 2 palavras, mas isso só pioraria minha situação. Todos que testemunharam deram versões parecidas, o que dava credibilidade a elas.

— Acho que está claro tudo que ocorreu, é hora de dar então meu veredito para esse caso e partiremos para o próximo. — disse o Rei, estendendo seu cajado de ouro sobre mim. — Eu declaro Sir Tiwry... — Foi interrompido

— Protesto meu Rei. — Levantei a cabeça para ver a nobre alma que me defendia, e era o único cujo eu não sabia qual era a patente.

— Como quiser governador geral, diga-me seus contrapontos! — Respondeu o rei, mostrando um respeito incrível ao governador.

— Bom, isso aqui é um julgamento, todos de acordo ? Sabem qual é a principal coluna de um julgamento ? Sim, todos os participantes estão presentes e citam suas versões do caso. E a versão mais importante, é a de quem sofreu o crime. Mas, não entendo pôr que não vejo a presença da princesa, nesse caso, vítima, aqui no salão. — Um brilho me surgiu no olhar, e admirei o rosto do governador, que sorriu despretensiosamente para mim. Com certeza era um homem bom.

— Sempre pontual governador. Sir Peter, onde está sua noiva ? — Falou o rei, retirando de cima de minha cabeça seu cajado. Foi como se o peso da morte tivesse me libertado por algum tempo.

—...Ela está muito mal depois do acontecido ontem, e temo que não tenha condições de se quer sair de seus aposentos meu Rei. Se não lhe garanto que seria mais uma a testemunhar contra esse....esse ditador importunador de garotas.

Descobri anos depois que isso não passava de mais uma das mentiras de Peter, e que tinha dito que seria um dia de execuções para que a moça não saísse de seu quarto! Voltando ao julgamento, não pude escutar aquilo sem me defender, então tentei impor algum argumento de defesa.

— Está insinuando o depoimento de uma pessoa que não está presente príncipe Peter ? — Refutei cá de baixo.

— Cale-se seu imundo, nobres estão decidindo seu futuro aqui! — Respondeu severamente.

— Temo que não terei provas o suficiente para julgar o jovem rapaz. Terei que lhe dar uma punição suave. — falou o Rei.

— Creio que seja o melhor a se fazer senhor! — Confirmou o governador.

Mas a paz durou pouco, e com mais uma risada do príncipe, vi a entrada de um soldado. Se aproximou do rei com algo em mãos, falou algo nos ouvidos de Sir Peter e depois saiu de cabeça baixa. Sir Peter da mesma maneira falou ao Rei e abriu a palma da mão. O Rei me olhou com olhar severo, acho que depois disso perdi todo o pouco afeto que tinha junto a ele. Então disse:

— Foi encontrado um pedaço de unha nos cabelos da princesa, suponhamos que tenha a ficado presa enquanto o autor do crime machucava os doces cabelo de minha futura nora. Sir Tiwry, se importaria em se aproximar para que víssemos suas mãos!

Olhei minhas mão direita e estava tudo sob controle, olhei então para a mão esquerda e...

— Fala sério, seu miserável, deve ter pego uma unha que quebrou quando cai no chão depois de tentar salvar sua esposa! Você é um animal.

A unha de meu dedo anelar não estava completa, uma rachadura à cortava. Fui puxado por guardas até me aproximar da escada, O Rei se aproximou e conseguiu encaixar perfeitamente o pedaço quebrado de unha na base da minha. Era isso, meu destino decidido por uma infelicidade, um pedaço de unha encontrado no local do crime e usada contra mim, junto a distorção dos fatos e a falta de testemunhas ao meu favor...eu não tinha escapatória dessa vez.

— Pelo poder que me foi fornecido pelos deuses, eu, Rei de Priority Stein, declaro o jovem Sir Tiwry culpado pelo crime de atentado a vida de uma nobre da mais alta corte, com agravamento de ser a futura rainha do reino. Sua pena pelo estatuto de regras real, é a morte por enforcamento! A pena será cumprida amanhã aí meio dia, dispensados e que entre o próximo caso!

Fui conduzido até a porta e informaram a minha mãe sobre o resultado do julgamento, nunca a vi chorar tanto assim, nem quando informaram a nós da morte de meu pai. Ela me deu um último abraço antes de ser expulsa do palácio e ser orientada a comparecer ao meio dia do dia seguinte para presenciar o cumprimento da sentença. Uma crueldade desbalanceada com uma mãe que sofria em saber que seu filho estava jurado de morte.

Enquanto os guardas me levavam de volta para a masmorra. Passei por alguns corredores e os admirei como não consegui fazer antes do julgamento. Tinham belas paredes brancas com detalhes dourados. Detalhes arquitetônicos divinos. Então, fui surpreendido pelo governador, que se encarregou de me acompanhar até a porta do cárcere. Quebrando o silêncio, dei a primeira palavra à ele:

— Obrigado por me defender lá no julgamento, que bom que alguém nesse palácio vai com a minha cara. — Lhe disse.

— Não fiz isso por que vou com a sua cara, nem ao menos o começo! Fiz por que era o certo a se fazer. — Ele respondeu.

— Mesmo assim, acredita na minha inocência ?

— É óbvio, conheço um ser maligno quando o vejo, e com toda certeza você não tem cada de que bate em mulheres indefesas com sua gang de criminosos. Mas o que posso fazer ? O príncipe sempre apronta uma dessas, e nunca consigo livrar nenhuma alma. Ele sempre arranjar provas irrefutáveis.

— Fico feliz só de saber que morrerei tendo alguém que acredita em minha versão e que lutou por mim!

— Fico feliz que morrerá com a consciência leve, não gaste suas últimos pensamentos com coisas inúteis jovem. Pense no que realmente fez diferença em sua vida.

— Certamente pensarei em minha mãe...e talvez minha mente reserve algum tempo para Lady Kaitilyn! — Lhe disse, abrindo um breve sorriso e ficando levemente corado.

— Então o jovem Tiwry se apaixonou pela pretendida do príncipe. Não êxito em te dizer que foi a pior decisão de sua vida. Mesmo que vivesse, sua vida séria um inferno garoto.

— Pois lhe digo que com menos recursos que o príncipe, conseguiria fazer da vida dele um inferno como a minha e talvez até pior.

— Gosto de sua confiança, gostei de como se portou. — Se aproximou de meus ouvidos — Se conseguisse algo que me impressione até a hora da sentença, talvez, e eu disse talvez, consiga livrar seu pescoço das cordas. Mas tem que dar seu jeito até amanhã!

Me deu um tapinha nas costas e saiu dando tchau aos guardas, que continuaram a me levar. Refleti suas palavras pensando em como poderia impressionar a ele, como poderia me mostrar útil, e não morrer como um lixo. Foi pensando nisso que entrei na cela, jogado no chão, vi Jack se levantar.

— Então, pegou quantos anos ? — Me perguntou animado.

— 1 dia...— Respondi.

— Então foi absolvido ? — Rebateu abrindo um sorriso

— 1 dia de vida é o que tenho meu amigo, apenas um dia de vida... Você tinha razão, apareceram testemunhas de todas as partes, pessoas que tenho certeza, nem plebeus são! Mas está feito, amanhã, forca ao meio dia, em praça pública.

— Então essa é a noite mais importante de sua vida! Diz pra mim Tiw, diz que tem um plano amigo! Você se mostra sempre tão íntegro...

Apesar de conhecer ele a pouco tempo...já conhecia sua voz e como falava, e aquela voz era de quem tinha algo em mente. Não lhe falei nada sobre o governador pois sabia que não conseguiria nada para impressionar a ele. Então só o olhei de canto e disse:

— Vamos, fala logo qual é o plano!

— Plano ? Quem falou de plano aqui ?

— Ora! Já conheço suas manhas Jack, e seu sorriso te condena! Não consegue mentir

— Se te deixa mais feliz me ver assumir isso....sim Tiw, eu tenho um plano de fuga!