A Jornada do Rei
6 Tem Algo Errado Dentro do Palácio
—...G-governador! Governador Ben, é você!?
Olhei para trás, e vi que a sala na qual invadimos não era a biblioteca e sim o quarto do governador. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Era um rosto conhecido e simpático a meu favor e isso era bom, mas era também o quarto do governador, que literalmente invadimos em nossa fuga. Corri arrastando Jack comigo até perto do governador e olhei seu rosto incrédulo.
— Quando disse pra me surpreender não foi isso que quis dizer jovem, só vai conseguir mais ódio por parte dos nobres. — Ele disse, me ajudando a colocar Jack em uma cadeira acolchoada.
Enquanto isso os soldados continuavam tentando abrir a porta, como era de uma sala nobre, era de qualidade quase impenetrável.
— Pare, pare de falar com esses porcos. Esses nobres só pensam em si mesmo Tiw — Disse Jack, gemendo de dor enquanto se agarrava em minha camisa.
— Não Jack, garanto que o Ben é diferente. Ele...ele é um bom homem um homem justo!
Não sei se ele chegou a me ouvir, olhei para ele e estava desmaiado. O ferimento ficava cada vez mais feio e se não fosse ajudado certamente morreria.
— Ben! BEN! precisa ajudar ele, ele vai morrer. — Gritei desesperado.
— Jovem, eles não vão mandar para os melhores curandeiros um rapaz que teoricamente assassinou um membro da Nobreza!
— Diz....diz que eu posso provar que ele é inocente.
— Era disso que eu estava falando quando disse algo surpreendente!
Assim que terminou de falar, os guardas conseguiram entrar no quarto. Eram dezenas. Todos com espadas e lanças. Se colocaram em posição de combate. Então, Ben se colocou entre nós, tentando acalmar os soldados. Disse que eu era um bom rapaz e que em momento algum tentou ferir ele. Também falou da situação em que Jack se encontrava. Os guardas começaram a abaixar suas armas, prenderam eu, e o Jack, mesmo estando desacordado. Levaram o Ben para mais explicações também. E assim, fomos todos levados a sala do Trono novamente, dessa vez, apenas o Rei estava presente. Foi acordado após saber da fuga minha e de Jack.
— Você de novo Tiw! Já não decidimos sua pena ? E o Jack, fomos benevolentes o deixando vivo e ainda tenta escapar. Me dê uma espada chefe da guarda e eu mesmo irei acabar com a vida desses infelizes! — Murmurou o rei de levantando.
— Não meu rei! Me perdoe! Mas se me permite, digo-lhe que o Jovem Tiw se provará Inteligente, e de muita utilidade para mim, já que meu antigo pupilo...o soberano sabe que partiu para outro reino...se entregou as trevas. — Retrucou Ben, intercedendo por nós.
— E como pode mostrar essa utilidade ? Prove que ele é de real inteligência e que realmente será útil! — Devolveu o Rei
— Certamente provará meu rei. Digo a todos presentes aqui nessa reunião que esse jovem provará a inocência de seu amigo Jack, e mostrará que ele não assassinou ninguém! — Gritou Jack entoando para todos ouvirem e me dando o espaço para chegar mais a frente.
Era incrível a confiança que bem depositava em mim, mesmo ele me conhecendo um dia antes, mesmo eu o invadindo sem querer seu quarto. Acho que ele via algo em mim...me olhou sorrindo enquanto eu bambeava pensando nas minhas falas. Colocou as mãos em minha cabeça disse que era pra ir lá, e fazer meu melhor, era o meu momento! Então, caminhei. Dei dois passos a frente e me curvei diante do Rei.
— Ora, que garoto ousado...gosto desses. Se me trazer algo útil lhe darei um voto de confiança Ben! — Disse o Rei.
— Garanto que é um bom garoto e que não irá decepcionar senhor! — Respondeu Ben.
— Vamos lá jovem, como irá provar a inocência de seu amigo! — Perguntou.
— Primeiramente, peço-lhe que leve meu amigo a um curandeiro, está muito mal e se não foi cuidado morrerá! — E assim foi feito. Levaram para cuidar dele em outro local.
— Posso provar que meu amigo é inocente e não envenenou ninguém...Soberano, teria no palácio algum local com os registros ? Percebi que o escriba escreveu meu julgamento, creio então que escreve todos. — falei com a voz mais cordial e respeitosa que pude.
— Vejo que é observador, e sim, temos o acervo de registros em uma sala a parte. Qual seria o seu interesse nisso?
Já passava das 6 da manhã, e eu arquitetei um grande plano que faria todos verem que até um camponês pode ter grandes ensinamentos para passar. E assim, segui o plano a risca.
— Desculpe-me a petulância Rei, mas desejaria que o senhor me levasse até lá. E junto a mim, algumas boas testemunhas. Isso é necessário para que consiga provar a inocência de Jack.
O Rei se sentiu ofendido, mas acreditando que seria impossível provar a inocência de meu amigo, fomos para a sala de registros gerais. O Rei, Eu, Ben, o Chefe da guarda e um Escriba, relatando até nossos passos em sua folha. Chegando lá, entramos na sala. Era simplesmente enorme, prateleiras que chegavam a perder de vista num gasto corredor. Olhando para esquerda percebi que não só um, mas 9 corredores iam para minha esquerda, olhei para o outro lado e mais 9 iam para lá. Junto ao do meio, 19 corredores cheios de prateleiras, e esses por sua vez, cheios de relatórios de reuniões, julgamentos, festas e todo tipo de atividades que ocorriam no palácio. O Rei me olhou com graça, certamente minha cara deixou demonstrar a surpresa, mas como não demonstrar ? Cada prateleira tinha cerca de 4 metros de altura e era dividida em 10 setores. Voltei a controlar minhas emoções e fechei a cara novamente.
— Soberano, peço que mande alguém procurar o relatório do julgamento do Senhor Jack. Então, poderei começar a explicar como o meu amigo é completamente inocente desses crime tão hediondo! — Lhe olhei, e depois para Ben. Que estava tão empolgado quanto eu com a situação. Queria claramente ver o que eu faria para provar o que dizia com tanta força.
Assim foi feito, e o Rei pediu que chamasse um servo. Depois ordenou que achasse o registro do julgamento de Jack. Como o acervo era todo muito bem separado e organizado, não demorou muito tempo até que encontrasse e trouxesse para nossa presença.
— Soberano, peço que leia na íntegra, todo conteúdo, e principalmente, como Jack relatou os acontecimentos.
— Mas isso é uma palhaçada completa, deixe que leve o prisioneiro direto para a forca meu Rei...— Entoou o chefe da guarda, muito irritado com a situação.
— Cale-se Berdock, quando e se for necessário que o leve daqui, lhe falarei. Até lá, ordenou que se cale sobre o garoto, a não ser que sua opinião seja pedida. — Respondeu o Rei olhando ferozmente para ele.
— Claro...claro soberano, peço humildemente que me perdoe! — Disse Berdock, se curvando.
Naquela altura eu já tinha o que queria, a atenção e curiosidade do Rei. Apesar do mesmo não crer que eu provaria a inocência de meu amigo, estava tão curioso para ver como eu me daria mal, que faria tudo que eu pedisse. Se virando até contra o sempre consciente chefe da guarda. Ben claramente estava orgulhoso de como eu tinha progredido com aquela situação. O Rei começou a ler o julgamento de Jack em suas mãos, 15 minutos de leitura depois, havia acabado, e todos aguardavam um posicionamento meu.
— Meu Soberano, poderia repetir a décima primeira linha do terceiro parágrafo ? — Falei com ar de suspense.
— "...então colhi alguns alfaces. Preparei e os temperei como se estivesse fazendo para minha mãe. Ele se alimentou e elogiou o sabor, foi a única coisa que comeu no dia. Horas depois me chamaram dizendo que estava morto, foi o que aconteceu meu rei..." — Era isso Tiwry?
— Sim soberano... obrigado! Me confirma que essas foram palavras do Jack, e que são verídicas ? — Perguntei enquanto caminhava, ainda que amarrado, caminhar me dava um ar de poder em meio aquelas importantes pessoas. Quem diria que o Plebeu estava fazendo um questionário ao Rei?
— Sim Jovem Tiwry, nosso grupo da inteligência do reino confirmou pra meio de análises que esse foi o que realmente Jack fez naquele dia! Aonde isso nos leva? — Me indagou, girando para onde eu estava.
— Alfaces. Para vocês nobres tenho certeza que são apenas mais alguns vegetais, não é ? Podem falar, não me sentirei ofendido. Sou camponês, planto e colhi esses vegetais que vocês tratam com maior indiferença. E tenho certeza que muitos de vocês já se alimentaram da comida que é produzida na fazenda de linha mãe, mas vocês não de importam de onde vem ou de que trabalha arduamente dia e noite para entregar um alimento digno não é ? Isso não vem ao caso, mas, não saberei quando terei outra oportunidade de me expressar tão diretamente a vocês. Por crescer e ser criado como lavrador, aprendi muitas coisas sobre os alimentos que a terra nos dá. As proteínas que as batatas fornecem, o tempo certo de cozimento de uma cenoura...que alfaces não pode sem envenenados. Uma proteína presente neles anula qualquer substância nociva a saúde dos homens, por isso, pode ser comigo sem ser lavado, tirado diretamente da terra e comido. Levando em conta que a única coisa que o homem comeu foram esses alfaces...tenho a convocação de que não foi o meu amigo Jack que o envenenou. Nem mesmo se quisesse, conseguiria fazer isso por meio de alfaces.
Enquanto falava, senti que meu desabafo comoveu Ben e até o próprio Rei, o escriba por sua vez, deixou até cair uma gota de sua lágrima no papel. Que mais tarde seria guardado no acervo por séculos...para eternidade estaria marcado lá, o choro comovente causado pelo camponês Tiw. Aparentemente, também não acreditaram em minha história sobre os alfaces. Mas, não era uma teoria que eu tinha para mostrar a eles. Tinha provas.
— Se não acreditam posso lhes mostrar na prática. Tragam um alface, um alface produzido aqui, no próprio palácio. Então me tragam a substância mais tóxica que puderem imaginar, e colocarei minha vida em risco por essa...teoria, como vocês costumam dizer.
Olhei para Ben e nunca vi alguém da Nobreza se divertindo tanto, aquilo tudo era uma nova experiência para ele. O Rei estava perplexo, mas com ar soberbo, achando que eu mesmo me mataria. Berdock, o único a não se emocionar um tempo antes, agora sorria olhando para mim, que devolvi o sorriso, pois em minha mente pairava a certeza de que nada viria a me acontecer. Não demorou muito até que o servos chegassem. Traziam uma bandeja de barro com duas folhas grandes e verdades de alface. O outro servo estaca com um pequeno frasco de vidro, vedado por uma rolha. Dentro dele um líquido alaranjado parecia fervilhar, e por alguns segundos me estremeci. Não tinha certeza sobre as toxinas e líquidos que os químicos do palácio produziam, poderia ser que as toxinas deles cortasse o efeito protetor do Alface. Até então só tinha testado esses fatos com chumbinho. Mas não dava pra voltar atrás, e também não podia deixar meu medo transparecer.
— Jovem, espero que esteja ciente do que faz, não terei como salvar sua pele — Disse Ben, passando a mão pelos meus lisos cabelos.
— Confie em mim Ben, agora é a hora da verdade, e provarei a todos que Jack é inocente.
Olhei para todos os olhos na sala, e todos estavam olhando para mim. O pobre Plebeu virou centro das atenções. Peguei o frasco das mãos dos servo e forcei a rolha. Todos tamparam seus narizes e assim que abri o frasco, segui a maioria e fiz o mesmo. Depois de um tempo tiraram a mão e disseram que o primeiro ar que esse líquido exala, mata em 2 minutos. Pensei em minha mente: "Se o ar dele tem esse poder, o que o líquido diretamente em meu corpo é capaz de fazer ?" Tentei não pensar no pior, mas era impossível. Derramei meio frasco no meio dos alfaces e Berdock né chamou de lunático. Segundo os fuxicos dele com o escriba, uma unha era capaz de matar 10 homens fortes. Permaneci focado! Temperei os alfaces, como se estive preparando um banquete real. Depois de um tempo, estava pronto. Peguei uma folha e a enrolei um pouco, olhei para todos uma última vez. Coloquei na boca e mastigando aquele conteúdo e engoli. Por mais incrível que pareça, assumirei que o gosto era ótimo, depois disso, senti minhas pernas tremerem um pouco. Me ajoelhei no chão. Mas não era por causa de envenenamento algum, e sim uma forte crises de ansiedade por medo dele. Respirei um pouco, e logo me levante sorrindo, como se alguém tivesse contado uma linda piada. O veneno não fez efeito algum e na verdade, me sentia mais forte ainda.
—... N-não...não é possível, você... não está sentindo nada ? — Indagou o Rei, me olhando de todos os ângulos ainda incrédulo.
— Sim meu Rei, e mais forte que nunca! — disse sorrindo.
— Tiw...você é realmente fora do comum. Espetacular! Acho que nem os químicos mais renomados desse palácio tinha conhecimento sobre isso. Temos que relatar rapidamente a comunidade científica. — Disse Ben, apaixonado pela demonstração que fiz.
— Certamente relatei. — disse o Escriba
Berdock ficou fechado e certamente irritado com meu sucesso. Pediu licença e se retirou da sala deixando um soldado de menor patente na guarda.
— Tiwry, declaro seu amigo inocente perante provas amostradas, declaro também que retiro sua...— Enquanto o Rei falava, ecoou o som da Voz de Ben:
— Meu Rei! Não acha que deveríamos da uma alegria ao jovem, deixe que todos em uma audiência na sala do trono escutem sobre esse feito que o jovem demonstrou. E mais...— Sussurrou algo que escutei nós ouvidos do Rei.
— Certamente Governador! Vamos andando.
Consegui, provei a inocência de meu amigo e consegui, de uma maneira bem suave, dar minhas opiniões. Não sei se teve outro, mas fui certamente um dos poucos camponeses a ter alguma voz naquele palácio em toda história. Enquanto caminhávamos, levei alguns tapas fracos na cabeça. Era Ben me parabenizando. Senti um sentimento diferente aquele dia, um sentimento que nunca havia sentido, um sentimento de paternidade...aos poucos, uma lacuna em meu coração começava a ser preenchida, por um dos homens mais importantes da minha vida. Depois que chegamos, todos os membros importantes que estavam em meu julgamento foram chamados. E inclusive, minha mãe estava lá. Sorri quando a vi, mas tive que manter meu foco.
No caminho, dei um jeito de perguntar sobre o Jack, fui informado que já não corria risco de vida, e que poderia visita-lo em algum momento da tarde. Diante de todos ali presentes, as considerações do Rei foram feitas:
— Declaro, que perante provas irrefutável, o jovem Tiwry demonstrou a completa inocência de Jack, assistente do nobre de nome Pilbert. Assim, estão reabertas as investigações sobre a causa de sua morte. Assim como retirarei a pena dada ao Tiwry, que demonstrou ter conhecimentos que podem até superar membros do palácio. Tiwry agora é um jovem livre de novo, e tenho um convite para o mesmo. Tiwry, aceita ingressar oficialmente no palácio como assistente pessoal do governador?
Assumo que fiquei sem reação. Pensei que sim, ganharia minha liberdade por ter feito aquela demonstração, mas...ganhar um cargo assuma de servo, nem o mais otimista acreditaria. Isso era coisa de Ben, aquele sussurro lá atrás...tudo se encaixou. Olhei para minha mãe, que estava chorando, mas dessa vez de emoção. Assentiu com a cabeça me permitindo fazer a escolha que achasse melhor. Realmente não planejava mudar de vida assim, adorava meu trabalho no campo, mas as coisas pioravam a cada nova safra. De dentro do palácio, poderia mandar suprimentos para minha mãe, fazer reformas na casa e na fazenda, tudo seria melhor. E por cima, aprenderia magia, não sabia que era tão mágico até presenciar frente a frente os dons mágicos do palácio. Respirei fundo, e voltei a olhar para o Rei, e quando ia dar minha resposta, a voz de Peter soou nas paredes da sala.
— Pai, isso é uma afronta! Mãe, fale com ele! Ele não pode voltar atrás, esse pobre tentou pegar minha futura esposa a força! — Disse, quase chorando como um bebê mimado.
— Cale-se, e respeite-me. Seu pai não está aqui, e você está falando com seu soberano! Tenho certas que Tiw é um bom rapaz depois de conhecê-lo por mais tempo, tenho certeza que não fez nada por mal, ou que a mentira vem do seu lado Peter! Então controle-se antes que a pessoa a ser julgada seja você! — Disse o Rei, severamente repudiando seu filho. E depois continuou — Tiwry, qual sua resposta a minha proposta?
— Soberano, antes de tudo agradeço pela oportunidade! E digo que aceitaria de bom grado, mas, me desculpe achar que posso exigir algo, mas necessito da presença de meu amigo comigo e como já foi provada sua inocência...— fui interrompido
— Claro que ele pode ser assistente de Ben com você! Duas mentes e duas mãos trabalham melhor que uma! — disse o Rei
— Certamente Soberano, fico muito grato por sua grande benevolência! — Me curvei
— Está feito, e amanhã haverá um grande jantar, ao novo assistente do governador! — e como um eco, todos Gritaram: "o novo assistente do governador" antes que pudesse chegar até minha mãe, o rei retomou a fala.
— Tem mais alguma ressalva que queria fazer perante a todos Tiwry?
Pensei um pouco em algo para falar, talvez fosse muito ousado de minha parte, mas, é a ousadia que me move. Fui a frente e pedi atenção de todos.
— Como sabem, provei a inocência de meu amigo, e garanto que o nobre Pilbert não foi envenenado. Disseram que...ele estava caído no quarto. Não sei para vocês, mas tenho toda certeza de que ele não se matou. A única opção que nos resta, por mais difícil que seja de acreditar, tende a ser a verdadeira. E eu confirmo a todos que Pilbert foi assassinado dentro do palácio!
Um murmurinho tomou conta de todos na sala do trono, consegui tempo para ir abraçar minha mãe e receber todo seu carinho por minha conquista. Os soldados ficaram insatisfeitos com minha opinião. Um assassino impune dentro do palácio ? A culpa e os olhos pesados dos nobres recaíram sobre seus ombros. Antes que todos pudesse assimilar meu discurso, a voz penosa de um servo saiu como um trovão ensurdecedor por todo salão.
— REI! SUA ESPOSA...CORRA, E CHAMEM OS CURANDEIROS!
Todos corremos para lá, e me despedi rapidamente de minha mãe, prometendo ir ao seu encontro assim que tivesse tempo. Ben, eu, Berdock, Peter e o Rei corremos pelos corredores. Chegamos a porta do quarto real e o que encontramos foi traumatizante. A rainha estava morta, um talho curvado em seu pescoço. Aparentemente sem luta, rápido, prático e cruel. Com permissão de Ben me aproximei e senti seu corpo quente. E como os tempos de campo me ensinaram a ter uma boa percepção, senti vibrações em cima de nós, ao olhar, vi um vulto sair correndo.
— Olhem, o assassino está fugindo pelas vigas! — Gritei!
Eu e Berdock saímos ao encalço dele. O assassino pulou no corredor e correu em uma velocidade na qual eu nunca tinha visto. Ele se movia como as sombras. E rapidamente fugiu por onde eu e Jack planejávamos. Enquanto escalava o muro, retirei da bainha de Berdock uma faca e lancei. Era tarde de mais e a faca cortou apenas um pedaço de um palmo de sua capa. Logo Ben chegou. Berdock partiu atordoado para falar com os outros soldados, começar uma caçada ao assassino. Guardei a faca que havia jogado e dei o pedaço da capa a Ben. Sem analisar muito ele me olhou
— Essa...esse tecido... isso é único, o único lugar da Terra que fabrica esse tecido é o nosso palácio! — disse com temor nos olhos
— Então você quer dizer que...o assassino está entre nós ?
— Sim...o assassino está dentro desse palácio.
Refleti aquilo, pensando; "teria um momento pior pra eu ser admitido como membro daquele circo. Vi o Rei sair da sala aos prantos, nenhum homem é 100% bom, ele, definitivamente não. Mas também ninguém é 100% bom, afinal, ninguém pode ser só luz, e comovi muito com sua dor. Ainda não sabia, mas os próximo dias seriam os mais sinistros que já teria presenciado até então.
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