Notas iniciais
Desculpem-me pela demora para postar, é que eu estava enfrentando uns problemas de saúde, mas agora já estou melhor. Boa leitura!

Estava estava perto de anoitecer quando a família chegou ao seu destino: a casa de Rodrigo. Falando na casa, ela era bem comum, porém confortável e bonita, com um terreno grande e cercada por um muro com um portão largo de correr.

Luís Carlos saiu de dentro do Chevette e abriu o portão.

— Campeão, entre com o carro! — disse o homem, enfiando a cabeça pela janela do veículo.

— Ele só tem oito anos, Luís! — retrucou Sônia.

— Ele já é um homem, né filho? — falou o pai, ignorando o protesto da esposa.

Jardel foi se arrastando do banco de trás até o banco do motorista e pegou o volante. Luís se afastou do carro, para que o filho manobrasse o automóvel para dentro do quintal. O homem aproveitou para entrar e fechar o portão.

— Tio Luís! — o homem sentiu dois pares de braços em volta de sua cintura. Era um menino de oito anos e uma menina de seis.

— Ah, seus pestinhas! — exclamou Luís Carlos, abraçando as crianças. — Estão se comportando? — perguntou, bagunçando os cabelos das crianças com as mãos.

— Oi, seu merda! — uma voz adulta e masculina chamou a atenção de Luís, que levantou o olhar para ver quem era.

Um belo homem de quase trinta anos se aproximava. Ele era alto, de porte físico imponente, olhos esverdeados e cabelos escuros, num corte clássico. Esse era Rodrigo, seu melhor amigo desde sempre.

— Fala, arrombado! — respondeu Luís. Os dois se abraçaram fortemente, como se não se vissem há anos séculos, mesmo que o último contato deles tenha sido na semana anterior.

Os filhos de Luís Carlos saíram do carro para brincar com os filhos de Rodrigo. Nisso, Sônia também se retirou do veículo. Ela e Rodrigo se cumprimentaram com um abraço e um beijo do rosto. Luís aproveitou para tirar dois caixotes de plástico do porta malas, que continham garrafas de cerveja. Ele levou os caixotes para dentro da casa.

Ao passar pela porta da cozinha, o visitante deixou os caixotes perto da geladeira e parou para olhar uma mulher que estava de frente para o balcão da pia, terminando de cortar temperos, enquanto as panelas borbulhavam com comida em cima do fogão.

— Oi, Marta! — Luís puxou assunto. A mulher apenas respondeu com um sorriso forçado e um aceno de cabeça.

Marta era uma mulher de baixa estatura, curvilínea, pele branca e cabelos marrons. Seu rosto, apesar de bonito, estava sempre com um semblante triste, seus olhos escuros escondiam um sentimento de raiva constante. Marta era séria demais para uma mulher de apenas 29 anos.

— Está tudo bem? — indagou o visitante. Aliás, que burrice a dele. É claro que as coisas não iam nada bem, a julgar pela cara de Marta.

Como resposta, Marta soltou um "uhum" e se mandou para o quarto.

O churrasco havia sido divertido apesar da ausência de Marta, que nos últimos oito anos ficava ausente nas festas e nas reuniões de amigos da família. Mesmo sem participar das festividades, Marta sempre deixava comidas e sobremesas prontas para as visitas e nunca saía do quarto para provar o que ela havia demorado horas para preparar com tamanha dedicação. Ela apenas comia o que sobrava da festa depois que a visita fosse embora.

Horas depois, Luís Carlos levou a esposa e os filhos para casa e voltou de carro para a casa de Rodrigo e os dois passaram mais um tempo conversando sozinhos, sentados no meio fio da calçada.

— Cara, o que deu na Marta? — perguntou Luís, alisando seus cabelos loiros e lisos para trás, a fim de afastá-los da testa. — Ela nunca está por perto, velho!

— É! — resmungou Rodrigo, bebendo um gole de cerveja direto da garrafa. — Sei lá, mano...

— Você não está legal. Aconteceu alguma coisa?

— A mesma ladainha de sempre, cara! — respondeu Rodrigo. — Ela não supera aquele assunto de nove anos atrás, bicho... É todo dia enchendo o saco, perguntando quem era a vadia, ou o "porquê" de eu ter feito aquilo com ela...

— Ela devia superar, né? — comentou Luís Carlos. — Já que ela te aceitou de volta...

— Eu não aguento mais, cara... Bem que ela disse que eu ia me arrepender...

— Que merda, mano! — balbuciou Luís, olhando para o vazio. "Eu preciso ajudar esse maluco." disse para si mesmo, em pensamento.

Notas finais
Espero que tenham gostado da continuação da história. Comentem o que acharam. Beijos e até mais!