A Interna.
3 O inesperado.
Eu estava finalmente me acostumando com essa nova oportunidade, esse novo lugar, esse novo tudo. Estava aprendendo o significado da palavra 'amor'. Talvez agora eu possa ser feliz. Talvez.
Eu estava vivendo, vivendo de verdade. Passava minhas tardes vendo as fantásticas pinturas de minha avó criarem vida enquanto ela mergulhava seu pincel na tinta e depois mergulhava profundamente na arte de sua mente. Ela era meu ídolo, suas pinturas me lembravam Vincent Van Gogh, e me tocavam profundamente. Eu entendia suas artes. Quando não estava tendo o deleite de ver toda aquela obra prima, me deliciava ouvindo o magnífico som do violino de meu avô. Ele não tocava, ele fazia amor com a música, com o instrumento. Eu tocava piano e ficava maravilhada com aqueles sons. A arte dá sentido a vida.
Também gosto de ir para um bosque não muito longe daqui, pular nas pequenas pedras para atravessar um pequeno canal, eu me sinto como se estivesse pisando em pedaços da lua. Há pouco tempo encontrei a velha casa que meus avós construíram para mim em uma árvore, ela ainda estava lotada com as várias fotografias e flores, já murchas, que um dia coloquei lá. Olhando tudo aquilo me lembrei do único amigo que já tive, Draco. Ele fora a única pessoa com quem eu já tivera laços fortes, uma amizade... Um amor de infância... Penso se depois de tudo que aconteceu eu reconheceria ele. Eu sinto saudade.
Naquela tarde em que estava voltando do meu refúgio colhi algumas margaridas, voltei para casa sorrindo e lembrando das boas e únicas recordações da minha infância. Todos estávamos muito felizes na hora do jantar. até que ouvimos o estrondo de uma porta ser violentamente arrombada...
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