A Interna.
4 O Maldito Dia.
A porta foi forçada, aberta abruptamente. 3 desconhecidos surgiram, dois homens e um adolescente que parecia ter a minha idade. Um dos homens me levou para o meu quarto e me trancou lá. Ele aparentava ter uns 40 anos, era gordo e estava com a barba por fazer, seu cheiro era repugnante e insuportável. Eu ouvi uma discussão lá embaixo entre os bandidos e meus avós, estava tentando ouvir claramente mas não conseguia, foi quando o outro homem entrou no meu quarto. Este era diferente do outro mas aparentava ter a mesma idade, era mais magro e estava todo sujo, sua barba estava bem crescida, ele cheirava muito mal (uma mistura de peixe podre com carne estragada). Eu não estava aguentando aquilo.
Ele me amarrou na cama e começou a apalpar meu corpo, abriu minha camisa e eu senti aquelas mãos ossudas me tocando, eu me contorcia de nojo, ele era tão mais repugnante, ele me mandou calar a boca quando comecei a gritar e logo depois colocou um pano na minha boca para me manter calada. Eu estava chorando e me debatendo enquanto ele abusava de mim e me machucava. Ouvi tiros e depois passos na escada. Aquela figura horrenda nem se preocupou em sair de cima de mim, então a porta foi aberta e o jovem entrou, ele o tirou violentamente de cima de mim e o jogou contra a parede, o homem caiu fraco e dolorido, então o rapaz deu um tiro no peito dele. Depois ele foi ver se eu estava bem, me desamarrou e me pegou no colo para me levar lá para baixo, mas quando olhou para meu rosto parou no meio do caminho, eu sabia que o conhecia. Ele me colocou de volta na cama e chorou comigo, pediu desculpas por deixar aquilo acontecer, ele estava tão arrependido e inconsolável, ele se culpava pelo que tinha acontecido comigo. Eu o abracei forte. Era o Draco. Então quando paramos de chorar ele me carregou escada abaixo, me levou até os meus avós. Aquele foi o pior dia da minha vida.
Quando vi o corpos sem vida de meu avô e do outro bandido não consegui me conter, desmaiei. Acordei no hospital com minha avó do meu lado, seus olhos estavam inchados e fundos. Ela disse que eu dormi durante dois dias. Draco me observava da porta do meu quarto no hospital. Seus olhos estavam piores que os da minha avó. Ela nos deixou à sós e foi para a casa de uma amiga onde disse que ia passar a noite, ela precisava descansar. Draco passaria aquela noite comigo, ele me devia muitas explicações.
Quando perguntei o porquê de ele ter se envolvido com aqueles caras ele demorou para responder, mas depois contou-me que estava sob chantagem e que eles o mantinham como um refém em um galpão abandonado, me explicou certas coisas mas não quis entrar em detalhes. Ele continuou se culpando pelo que tinha acontecido e não parava de me pedir desculpas, continuei dizendo que estava tudo bem e que a culpa não era dele, então ele me abraçou forte. Eu senti tanta falta dele, daquilo tudo. Ele estava muito cansado e dividiu a pequena cama de hospital comigo, mal dormimos pois passamos a noite toda contando o que tinha rolado nesses 10 anos em que não tivemos contato um com o outro. Eu não sinto a mesma coisa que sentia por ele quando era criança e ia passar os fins de semana na casa dos meus avós só pra ficar perto dele, é mais forte agora. Todo esse tempo longe não mudou nada.
Ele não ficou nem um pouco aterrorizado quando falei das mortes e do hospício, ele compreendeu e compartilhou suas experiências traumáticas comigo também. Ele sempre me entendeu, e eu sempre amei isso nele.
Quando eu finalmente estava prestes a dormir ele me abraçou para me esquentar, e eu o beijei. Isso foi errado? Alguma coisa mudou?
Enquanto ele tentava me consolar eu me aproveitei da situação, eu estava inconsolável, eu estava de luto pelo meu avô e pela minha dignidade. Nunca mais quero sair de dentro dos seus braços quentes. A realidade parece um sonho distante. Eu me sinto irreal. Eu me sinto morta. Aquele beijo foi real e me fez sentir viva. Não consigo parar de chorar.
Que diabos está acontecendo comigo?
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