A Inocente Malicia Da Morte
1 Dor de Cabeça
Quando acordei estava com uma dor de cabeça terrível, ela estava me seguindo dês da manhã passada, eu não consigo acreditar que ela continuara me importunando por tanto tempo. Minha mãe começou a ficar preocupada, por isso marcou um medico para mim, claro, as dores começaram a pelo menos dois meses, às vezes eu sentia tonturas, e perdia o equilíbrio, mas sempre fui muito desengonçado então não acho que tenha haver com a dor de cabeça.
Levantei da cama tentando não mexer muito a cabeça, andei até o guarda roupa e peguei uma calça jeans e uma camiseta preta e branca listrada horizontalmente. Fui ao banheiro, coloquei as peças de roupa em cima da pia seca e entrei embaixo do chuveiro frio, estava com a ideia de que o banho frio tiraria a dor finalmente, mas é claro que não, ela continuou, como se alguém estivesse batendo nela com um martelo.
Sai do chuveiro e fui me enxugando, coloquei a roupa e desci para tomar o café da manhã, sentei a mesa pronta, com queijo, pão francês, torradas, geleia, e outras gostosuras, me servi com um pão com queijo e um copo de chocolate, minha mãe parecia não esta em casa, olhei para a geladeira e estava lá o recado preso a um imã de patinho preso a geladeira, levantei ainda comendo o pão com queijo e peguei o recado na geladeira.
“Fui marcar a sua consulta com o medico, fique tranquilo, volto antes de você chegar do cursinho”
Era o que dizia o recado, revirei meus olhos. Minha mãe era uma mulher de 45 anos que aparentava ter 35 e com a mente de uns 100, ela era morena, seus cabelos lisos caiam até o meio das costas, seus olhos azuis claros mergulhavam em minha alma quando ela estava irritada. Diziam que eu parecia com ela, meus cabelos negros como petróleo pareciam com os delas, porem eu os cortava e os deixava bagunçados, tinha preguiça de pentea-los. Meus olhos cinzentos eram bonitos, eu humildemente admito, meu corpo era musculoso, eu fazia academia há 3 anos, porque minha mãe me achava sedentário, então entrei e como alguns amigos faziam no mesmo lugar, eu fiquei motivado a continuar. E meu nome era Ciro, por causa do meu avô paterno.
Bebi a ultima gota do chocolate e peguei minha mochila que estava em cima da mesa, sai para o cursinho, fui andando até o ponto de ônibus esperando que assim que eu chegasse lá o ônibus passasse. Cheguei ao ponto e sentei em um banco. Fiquei olhando a rua e comecei a pensar coisas aleatórias. Primeiro pensei no cursinho, hoje teria um trabalho importantíssimo para entregar, mas o meu não estava tão bom, talvez eu pudesse melhora-lo se chegasse mais cedo, mas é claro que o ônibus atrasaria e se não atrasasse, ainda teria algum engarrafamento. Faltavam 2 meses para o fim do curso e depois disso eu iria para o Canadá, para fazer um intercambio do curso de inglês, isso poderia fazer minha vida valer a pena.
O ônibus apareceu, coloquei a mão e subi, paguei o motorista e sentei na ultima cadeira, depois de 20 minutos cheguei ao curso, incrível aquele dia não houve atraso, pelo contrario cheguei mais cedo, arrumei o trabalho, melhorando um pouco, depois os outros alunos foram chegando e a aula começou, o professor recolheu os trabalhos eu entreguei nervoso, aquele era o ultimo trabalho, e então a aula acabou, férias do curso, claro, se eu tivesse passado.
Meu amigo Rafael me convidou no fim do curso para ir até a casa dele jogar XBOX, eu nunca rejeitaria um XBOX é claro, fomos andando por termos saído mais cedo do curso, ele morava a 4 quarteirões do curso então não demoramos muito, conversamos muito. Quando chegamos a casa dele, ele me convidou para sentar no sofá, sentei enquanto ele escolhia o jogo, resolvemos jogar um jogo de tiro. Enquanto jogávamos, às vezes perdia a noção motora e apertava o botão errado, mas nada disso me atrapalhava. Rafael me observava às vezes de canto de olho, parecia tenso.
A luz da televisão fez meus olhos doerem e consequentemente lembrei-me da minha dor de cabeça, resolvi parar de jogar.
–- Você sempre ta com dor de cabeça não é? – perguntou Rafael
–- Minha mãe foi marcar uma consulta hoje – respondi
–- Ainda bem, essas dores não são uma coisa normal – ele disse.
Rafael era um belo amigo, sempre esteve comigo quando precisei. Às vezes me olhava com um olhar triste, mas às vezes me olhava tremendamente feliz. Hoje me olhava com medo. Nunca entendi por que. Ele era um adolescente de 17 anos, moreno, olhos castanhos, cabelos crespos bem cortados, era meu amigo dês dos meus 10 anos de idade quando eu me mudei para Belo Horizonte.
–- Vou buscar um remédio pra você, espere um minuto. – ele falou
–- Não precisa, já tomei de tudo – eu disse, com certeza.
–- Serio?
–- Tomei três comprimidos de vez. – eu disse naturalmente
Ele franziu o cenho.
–- Vem aqui no meu quarto, quero te mostrar uma coisa – ele convidou.
Entrei no quarto vermelho de Rafael e me joguei de barriga na cama, nós éramos amigos íntimos, era uma coisa normal na nossa amizade, falar coisas que não se diria, pegar coisas sem permissão. Fiquei deitado enquanto ele falava, com a cara enterrada no travesseiro, o cheiro dele estava no la, reconheci o seu perfume.
–- Bem... – ele sussurrou enquanto senti-o deitar-se ao meu lado na cama
Esperei ele continuar, mas ele não falou nada, virei para o lado em que ele havia deitado e ele estava virado para mim, meu rosto e o dele ficaram a alguns centímetros de distancia, pude sentir sua respiração quente, seus olhos negros encaravam minha boca e também meus olhos, o olhar dele ainda me passava à ideia de medo. Eu o beijei.
E foi um belo beijo, doce e constante, para minha surpresa ele correspondeu, seu braço passou pela minha cintura e sua mão apertou as minhas costas, empurrei o corpo dele para o lado de modo que eu consegui ficar em cima dele. O beijo acelerou, eu não entendia porque o beijava com tanta intensidade, na verdade eu não entendia porque eu estava beijando-o, não entendia porque ele correspondia e no fundo pensei porque eu não tivera feito aquilo antes. Apertei o corpo dele contra o meu e beijei o seu pescoço. Ele gemeu baixo enquanto passou a mão pelo meu cabelo acariciando-o, pude o ouvir cheirando o meu pescoço, o beijo parou e nos olhamos nos olhos, vi que o medo havia passado, no lugar do medo, talvez estivesse vendo nervosismo, duvida e muita felicidade, era como se ele tentasse esconder um sorriso daqueles de alguém que acabou de realizar um sonho.
Ele empurrou meu corpo e ficou por cima de mim.
–- Eu tinha algo pra lhe mostrar, mas acho que isso é melhor. –- ele brincou
Eu ri baixinho.
–- Mas eu sou curioso, eu ainda quero saber o que você tinha pra me mostrar –- Eu falei enquanto alisava a cabeça dele.
Rafael passou a mão delicadamente em minhas bochechas, senti algo delicado dentro de mim.
–- Não podemos deixar pra depois? Isso ta ficando interessante. –- Suplicou com cara de pena
–- Ta certo, mas me beija. – Eu disse.
Caímos aos beijos outra vez.
No caminho para casa, fiquei pensando no meu dia com Rafael, era como se eu estivesse com um presente durante muito tempo, e só o abrisse hoje, e tivesse gostado muito do brinquedo que estava empacotado, acho que é isso quando duas pessoas são amigas por muito tempo e depois percebem que estão apaixonadas. Mas o fato de eu ter acabado de me descobrir bissexual, era mais surreal. Eu sempre fui mulherengo, nunca resisti a uma garota bonita, e agora, senti muito mais atração por um homem do que por qualquer garota. Mas eu não queria ficar pensando nisso, não queria ficar remoendo o motivo de eu ser bissexual, ou se eu gostava mais de homens ou de mulheres.
Abri a porta de casa, e andei até a cozinha, minha mãe estava lá preparando o jantar, cortava fatias redondas de pepinos, quando ouviu meus passos parou e olhou para mim.
–- Marquei a consulta, é amanhã bem cedo. – Ela disse, simpática.
–- Meu dia foi ótimo, mãe. – brinquei
–- O meu também, a fila no hospital tava muito divertida, fiz tantos amigos de idade.
Eu rir.
–- Então... Eu vou sozinho ou você vai comigo amanhã? – eu perguntei
–- Vou com você, você vai fazer um checape completo, então, se prepare! – ela aconselhou
Virou-se para a pia e continuou cortando os pepinos. Enquanto eu subi as escadas e entrei no meu quarto. Liguei o computador, joguei um pouco de um RPG online, logo depois procurei uma roupa confortável para dormir, peguei uma samba canção, entrei no banheiro e fiquei me olhando no espelho. Meus olhos estavam cansados, fixei o meu olhar no olho do meu reflexo, e perdi a noção do tempo, fiquei tonto e me desconcentrei, balancei a cabeça e fui em direção ao chuveiro, derramei água gelada sob mim outra vez, e quando sai do banho me sentia ligeiramente melhor.
Deite-me na cama e fiquei pensando sobre o dia. Como sempre, minha depressão noturna me atacaria agora, só que não, hoje eu estava um pouco feliz, o dia foi perfeito. Eu virei e dormi.
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