A Ilha
32 Laboratorio, Experiencia e Dúvidas
Agora faltavam apenas cinco dias para a reunião esperada por todos os grandes líderes de cada cidade. Zudin acompanhou Develin até o quarto de John para buscá-lo. E ao chegar encontraram-no dormindo. Tico acordou-o e John levantou rapidamente assustado.
- John, eu vim te buscar. – falou Zudin. – Você irá para minha cidade, e ficará por lá até o dia da reunião.
- Isso mesmo, já que o torneio foi adiado, vocês podem voltar para seus súditos. – disse Develin de contrariado. – No máximo até amanhã Pulik estará aqui para buscá-lo Tico. Apenas aguarde. – Tico acenou com a cabeça e deitou novamente.
John saiu da cama rapidamente, não tinha outro tipo de roupa, por isso estava fedendo e não se limpava desde que chegou a ilha. Ao saírem Develin trancou a porta e pediu para que John fosse acompanhado por seus guardas.
Com os guardas ao seu lado, John não via chances de fugir, apenas esperava para dar o bote quando outro guarda apareceu com algemas o prendeu para que John nada tentasse fazer. De cabeça baixa seguiu caminho e cinco minutos se passaram quando os guardas pararam de frente a uma porta com uma placa escrito “Laboratório”, Develin passou, abriu a porta e entrou, Zudin pegou no braço de John e o levou para dentro e apenas dois guardas entraram.
- Aqui é um pequeno laboratório, onde nós preparamos os escravos para trabalharem para gente, e é nesta cama que você deitará John. – Develin apontou a cama para John que obediente foi até ela e sentou. – Pode se deitar. – Apesar de John ser um escravo, ele era muito bem tratado se comparado com os outros.
- O que vocês pretendem fazer? – perguntou John agora ficando apavorado.
- Uma pequena coleta e uma experiência. – disse Develin com um sorriso sarcástico.
Os dois guardas guardaram suas armas e armaduras no canto do laboratório e vestiram roupas brancas, desde sapatos brancos até máscara e chapéu. Puxaram uma bancada com vários instrumentos de corte e agulhas, colocaram um par de luvas e acenaram para Develin dizendo que iriam começar.
Zudin puxou uma cadeira e ficou observando sentado. Develin foi até uma pequena mesa onde havia um computador e ficou apenas ali observando algumas coisas.
Rapidamente John tentou se mexer, e um dos guardas, agora médicos, seguraram suas pernas e colocaram amarras, as algemas foram retiradas de seus braços e em troca as amarras da cama prenderam seus braços. John percebeu que não tinha mais como escapar e apenas esperou em silêncio aceitando a situação.
O médico foi até a pequena bancada e pegou uma seringa, foi até o armário na parede, abriu e nele havia centenas de frascos de remédios e componentes químicos e muito mais. Pegou um pequeno frasco, abriu, injetou a agulha, puxou o líquido transparente até encher a seringa e depois de guardar o frasco, bateu com o dedo indicador na seringa, como se estivesse verificando a medida.
Ao lado de John o outro médico passava algodão com álcool para limpar a pele de John, não demorou muito e a anestesia estava aplicada, John rapidamente apagou e caiu num grande sono.
Develin foi até John e ficou observando-o.
- Procurem um bom lugar. Se possível, que seja em um dos ombros dele. – Develin havia dado a dica, e a experiência finalmente teve inicio.
John finalmente acordou, depois de seis horas apagado. Rapidamente tentou se mexer q perceber que ainda estava preso nas amarras, começou a se perguntar todo tipo de coisa, até que conseguiu mexer o pescoço e viu Zudin na cadeira o observando-o.
- Develin, ele acordou. – disse Zudin ao perceber John encarando-o.
- Certo, mais alguns minutos e iremos retirar ele da cama. – disse Develin ao fundo procurando algum frasco no armário.
Dez minutos se passaram e os guardas apareceram, tiraram as amarras das pernas e logo a dos braços. John involuntariamente colocou a mão esquerda próxima ao ombro direito onde sentia muita dor. Ao encostar soltou um grito de dor e os médicos seguraram suas mãos.
- Cuidado, nós tivemos que mexer nesse ombro, se você colocar a mão nele terá problemas depois. – disse um dos médicos.
Gemendo de dor e com ajuda dos médicos, John sentou-se na cama. Aos poucos conseguia se mexer e após meia hora finalmente chegou do lado de fora do estádio, mas foi levado até a entrada da caverna onde havia ficado quando foi deixado por Zudin, havia uma enorme pedra fechando a entrada dessa vez.
Quatro guerreiros de Zudin, com suas máscaras escondendo o rosto estavam esperando-o. Com um simples gesto com a mão, todos eles rapidamente se movimentaram e pegaram a gaiola e trouxeram para perto de John, que entrou sem pensar em escapar, estava em desvantagem, estava fraco por ter sido usado em uma experiência e sabia que não tinha muito que fazer para lutar com aqueles que já o derrotaram antes.
Com outro gesto, um dos guerreiros de Zudin pegou um pano e vendou o rosto de John. Sem ver mais nada, tentou encostar-se a um dos cantos da gaiola e apenas esperou a viagem.
A gaiola foi levantada pelos quatro guerreiros, Zudin pegou sua lança que estava presa ao lado da gaiola e seguiram viagem. Demorou quase cinco horas e já no meio da noite chegaram na cidade de Zudin.
A gaiola desceu, a porta se abriu e um guerreiro retirou a venda de John.
John se levantou e vagarosamente, agora com dores no corpo todo por causa do grande balanço da gaiola na viagem.
Zudin pediu para acompanhá-lo e seus guerreiros foram logo atrás. Havia um enorme arco na entrada da cidade e nele estava escrito Sattinn.
- Sattinn? – perguntou John. – Esse é o nome daqui?
- Esse é o nome da minha cidade, Sattinn. – Disse Zudin acenando para as pessoas na rua.
Logo chegaram até uma mansão, parecia até um palácio, e nele entraram. Ao lado de dentro Zudin continuou a conversa.
- Bom, já está muito tarde, iremos descansar agora, meus subordinados lhe mostrarão onde você deve ficar essa noite. Amanhã conversaremos, e não se preocupe, você vai te alguns privilégios por aqui, não se considere um escravo mais, digamos que você é meu mais novo subordinado. – Zudin retirou a máscara, mostrou um sorriso misterioso para John, e seguiu por um grande corredor.
John foi levado até um quarto e rapidamente ele percebeu que o guerreiro que havia fechado a porta não havia trancado-a, mas estava muito cansado e preferiu não arriscar abri-la, preferiu esperar um pouco mais. Deitou na cama e ficou pensando no que poderia acontecer com Tico, já que estava com ferimentos maiores. Pensava naquela experiência, pensava no que aqueles médicos haviam feito em seu ombro, pensava no porquê de doer tanto, mas logo o sono o levou e com seus pensamentos e dúvidas sem respostas vagueou e apagou na cama.
Amanheceu, e já bem descansado John acordou com o sol batendo forte em sol rosto, mal conseguia abrir os olhos, teve de se levantar e nesse momento a porta se abriu e Zudin estava na porta com um homem gordo ao seu lado, usando um roupão preto, este não usava máscara, usava um óculos pequeno em seu rosto de bolacha, os dois entraram e Zudin viu John se levantando da cama quando disse:
- Bom dia! O sol bate forte por aqui hoje. – Zudin parecia alegre. – Este homem que veio comigo se chama Albor, ele vai te ajudar na reunião de hoje. Mas primeiramente você precisa se lavar, você está imundo. – Zudin estava sem sua máscara e foi possível perceber uma careta em seu rosto neutro e frio. – Albor, mostre a ele onde fica o banheiro e depois passe no vestuário e lhe dê alguma roupa, depois o leve até o café, assim que terminar, vá para meu salão que eu preciso falar com ele.
- Sim senhor. – abaixou Albor, com um tom de voz bem grave.
Após todas as tarefas finalmente realizadas, John acompanhado de Albor seguiram para o grande salão, onde Zudin estaria esperando. Chegaram numa porta onde havia dois guerreiros mascarados e ao canto um senhor baixo de cabelos brancos, usando um jaleco preto. Olhou para Albor encarando-o cruelmente e em seguida encarou John, que estava vestindo uma calça azul escura e uma camisa apertada e escura que formava todo seu peitoral.
- Aguarde um minuto. – disse o senhor. Ele abriu a porta, entrou e anunciou. – Mestre, vieram ter uma palavra com vossa senhoria, o senhor Albor e um macaco estranho.
- Que entrem. – disse Zudin. – E, por favor, Colfit, pare com esse costume de chamar os desconhecidos de macaco estranho.
- Sim senhor, me desculpe senhor. – Colfit de cabeça baixa saiu resmungando até chegar perto de Albor e acenar com a mão que poderiam entrar. – Irei chamar os desconhecidos agora de quê?
John e Albor entraram, caminharam por um belo tapete vermelho até chegarem próximo ao trono onde havia apenas uma cadeira decorada com ouro e safira, e nela Zudin estava sentado.
- Albor, busque duas cadeiras, para que se sentem à minha frente e finalmente possamos conversar. – ordenou Zudin.
John sentou na cadeira, viu que tinha guerreiros mascarados a cada dois metros do salão, então olhou novamente para Zudin e esperou que ele começasse, mas, ele foi interrompido por Colfit que entrara no salão para fazer mais um anúncio:
- Mestre, vieram ter uma palavra com vossa senhoria, o mestre Pulik e um pato louco.
- Mandem entrar. E não chame aquele homem de pato louco.
- Desculpe senhor, não o farei senhor. – Colfit saiu resmungando mais uma vez e Pulik e Tico entraram no salão.
- Agora sim, estamos completos para a reunião, finalmente poderemos começar. – disse Zudin ficando de pé. – Realmente não poderemos conversar aqui, me sigam, por favor.
Zudin foi para o fundo do salão atrás de sua cadeira onde havia uma porta, entrou e esperou todos os quatro homens entrarem.
Estavam numa sala de reunião. Cada um se acomodou em uma cadeira, Zudin sentou ao lado de John e a reunião começou.
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