A Ilha
33 Motivos, Conflitos e Preparativos
- Agora que finalmente estamos todos aqui, podemos começar a conversa sério. — Começou Zudin. — Primeiramente falarei sobre a experiência que vocês tiveram de realizar. — John aguardava em silêncio para saber o que eles haviam feito. — Aconteceu que o torneio foi adiado por um tempo como já sabem, mas, como vocês passariam a ficar livres tivemos de testar um equipamento novo em humanos. Nós colocamos dentro de vocês dois, um rastreador transmissor de sinais com pouco menos de um centímetro, nele sempre saberemos como localizar vocês e o Develin aproveitou para aprontar uma contra a minha vontade, mas, como ele mandava naquele laboratório, eu não pude evitar, mas caso vocês desobedeçam ou fujam ou criem algum tipo de problema, tem uma coisa junto do rastreador que libera uma pequena carga elétrica. — John e Tico ficaram boquiabertos. — Deste modo vocês devem nos obedecer a qualquer custo, caso contrário, o choque pode parecer fraco, mas tem uma força de descarga progressiva, ou melhor, aumenta a força do choque a cada segundo, o que aumenta muito a dor. — John levou sua mão direita e colocou-a no ombro esquerdo cautelosamente para não sentir dor. — Então sugiro que faça tudo o que lhes será pedido. E John, o seu transmissor como você já deve ter percebido foi colocado em seu ombro, mas o de Tico eu não sei onde foi colocado.
- Foi colocado próximo ao estômago. — interveio Pulik. — Eles aproveitaram o corte que ele tinha na região e colocaram o transmissor e ao mesmo tempo colocaram pontos no corte dele. Ao contrário de John, Tico não pode perceber por ser num local que ele já vem sentindo dor normalmente. — Nesse momento Tico passou a mão de leve pelo estômago como se estivesse se sentindo nauseado.
- Certo, então está explicado. — Completou o assunto Zudin. — Vamos continuar agora. Primeiramente contarei a vocês o principal motivo da guerra.
Alguém bateu na porta, e logo Colfit entrou trazendo uma bandeja com copos de água. Levou-as e entregou para todos, ao chegar em Albor entregou-lhe de má-vontade, e saiu resmungando coisas que ninguém podia entender.
- Colfit! — chamou Zudin.
- Senhor. — disse ele antes de fechar a porta e reabriu para entrar.
- Traga algumas frutas para que tenhamos algum aperitivo.
- Sim senhor como queira. — abaixou a cabeça e saiu fechando a porta.
- Albor, por favor, levante-se e pegue o mapa para que eles conheçam o lugar.
- Sim senhor só um minuto. — Albor levantou, foi atrás do banco de Zudin e pegou um mapa enrolado em forma de pergaminho.
Abriu o mapa na mesa e logo apontou onde eles estavam localizados. Estavam na região sul da ilha.
- Como podem ver, tem todo o traçado da minha região mostrando a divisa, mas podem ver que onde está meu nome, não é encontrado o nome Sattinn, e sim Sarontu. Esse é um dos motivos que está criando problemas com os outros líderes.
- Mas só por você ter mudado a cidade de nome? — perguntou Tico ficando pasmo.
- Só. — respondeu Zudin. — Mas lhes explicarei esse problema depois, o maior motivo de estarmos em conflito é que temos pouca água potável na ilha, e logicamente quem tem a região com mais água não tem muito com o que se preocupar, mas aqueles que não tem essa água logo virão atrás de nós, ou seja, eles só terão a água da chuva em breve.
- Então pelo que entendi, a sua região é a que possui mais água? — perguntou John.
— Quase, a minha região é a segunda mais abundante em água da ilha, e a região de Develin é a maior. — respondeu Zudin.
- Para se ter uma idéia, Nuroa, tem noventa por cento da água de toda a ilha. — disse Albor.
- Nuroa? — perguntou Tico.
- Nuroa é nome da cidade de Develin, olhem aqui. — Albor apontou o nome da cidade para que pudessem ver onde ficava. — E essa abundância em água se deve ao fato de ter um lençol d\'água embaixo das montanhas, e como podem ver quase todas as montanhas da ilha fazem parte do território de Develin, e um pequeno pedacinho apenas encosta aqui em Sattinn, em todos as outras cidades quase não se consegue água, exceção a Suven, cidade onde Pulik é líder, que tem uma nascente bem no centro da ilha e essa nascente cria um pequeno rio que vai até o mar, e essa é a água aproveitada por ele, já as outras três cidades, Cumireo, Ramet e Tennou tem poucos recursos para se manter com água. — Albor parou e ficou olhando para Zudin, que estava sem sua máscara o observando friamente como sempre.
- E por esse motivo em principal, o líder de Ramet, Denny, está tentando influenciar os outros dois líderes a se juntarem a ele e dividirem a água de toda a ilha. — disse Zudin. — E outra coisa importante lembrar... — Zudin percebeu que Albor iria tomar a voz de novo e continuou. -... É que Ramet é a única cidade que não tem uma divisa para o mar, isso transforma a obsessão de Denny por terras ainda maior.
- Então ele tem dois objetivos a seguir. — Falou John. — O primeiro seria obter influencia e juntar aliados, em seguida conseguir dividir a água da ilha por igual, e em segundo ele pretende pegar o território de alguém para que assim possa ter saída para o mar.
- Sim, e também tem mais um objetivo, mas este no momento não é interessante para eles, mas assim que essa crise da água acabar, ele virá atrás de seu objetivo.
- Certo, então o que devemos fazer é somente esperar o momento certo para lutarmos ao seu lado e não deixar que ele roube terras. — Disse Tico.
- De inicio sim, mas, eu tenho minhas dúvidas, aquele Denny é calculista, devemos tomar cuidado com ele. — disse Zudin vendo a porta se abrir para a entrada de Colfit com uma enorme bandeja de frutas. — Demorou Colfit.
- Desculpe senhor, algumas das frutas que o senhor gostava havia acabado e tive de correr pela cidade para encontrar mais. — Desculpou-se Colfit.
- Não me venha com explicações, não preciso saber delas, apenas diga o que for necessário. — Zudin apesar de tudo mantinha seu olhar frio fixo no mapa.
A bandeja ficou no centro da mesa e aos poucos avançaram nas frutas, Zudin puxou suas frutas favoritas, cereja e morango, e deixou o resto da bandeja para todos os outros.
O vento batia leve e a areia da cidade Ramet pouco subia, o lugar desértico e afetado pela seca agora ouvia estrondosos passos de um exército em fúria se preparando para uma batalha no futuro. Na maior casa de Ramet, morava o líder Denny, que estava sentado em sua mesa de jantar, vestindo seu tradicional traje dourado, sempre com uma espada embainhada na cintura, e o elmo que só fora retirado e deixado na mesa à sua frente porque iria comer. Três homens trouxeram a refeição, carne assada era a refeição favorita de Denny e logo após devorar toda sua comida, chamou cinco de seus homens que foram convidados a sentarem-se à mesa com ele.
- Eu escolhi vocês cinco porque são meus melhores soldados e a partir de agora serão os cinco generais. — Denny possuía um tom de voz diabólico. — Tenho que comparecer em Nuroa dentro de quatro dias e por isso quero que três de vocês venham comigo e os outros dois preparem o exército para a batalha que poderá ter inicio daqui quatro dias. Meus preparativos eu quero prontos para daqui três dias, e espero que fique tudo pronto para resolvermos esse problema, acima de tudo eu tentarei tirar uma casquinha da posição atual de Develin. — Denny lançou um sorriso sarcástico para seus generais que o aplaudiram. Agradeceu e logo pediu silêncio para eles. — Eu quero Grinked, Polsth e Rodfar para irem comigo até a reunião, e mudei de idéia, Jurfon, você vai comandar o exército e treiná-los melhor para a batalha, já você Konty quero que nesses quatro dias visite os líderes de Tennou e Cumireo, e lhes entregue uma carta que eu farei e em breve lhe mandarei.
Todos acenaram com a cabeça e se retiraram, assim que saíram Denny começou a rir e falar sozinho.
- Eu preciso me conter, eu preciso me conter, eu preciso me conter! — agora se abraçava e apertava seus ombros com muita força, como se estivesse tentando esmagá-los, logo algumas marcas de sangue apareceram e ele lambeu seus dedos.
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