A História de Uma Semideusa - Crios
2 Meu Amigo Abre a Portinha de Manutenção
O dia seguinte foi tão normal que chegava enjoar. Contei pra Mary o meu sonho, mas ela já havia perdido as esperanças do nosso desejo. Agora eu estava sozinha com minhas esperanças. Só tinha uma coisa a fazer agora: falar com Vector. Quando eu o encontrei ele estava sentado em um banquinho comendo salgadinho. Eu me sentei do lado dele e perguntei se eu podia pegar um, ele só assentiu.
– Vector, — eu comecei. – tem alguma coisa que você não esta me contando?
– Não. – ele respondeu.
– É que eu tive um sonho estranho e nele você era um sátiro... – continuei.
Para minha surpresa ele me olhou como se eu fosse maravilhosa e se levantou. Ele me puxou pelo braço e me arrastou com ele.
– Para onde você esta me levando? – indaguei.
– Onde você viu John pela última vez? – ele perguntou, ignorando totalmente a MINHA pergunta.
– Na fila da cantina. – respondi.
Ele me arrastou naquela direção e de fato ele estava lá, conversando com uma garota de cabelos loiros. Quando nos viu, ele se despediu da garota com beijinhos e veio em nossa direção.
– Oi! – ele nos cumprimentou. – Como vão?
– Venha conosco. – Vector respondeu.
Ele me olhou como que pedindo uma explicação e eu balancei os ombros, estava tão confusa quanto ele. Seguimos Vector pelo meio da multidão de alunos conversando e paramos em frente a um garoto chamado Peter da nossa serie, só que da sala C. Ele conversava com Leae, uma amiga minha da sala dele que também era apaixonada por Percy Jackson e outras coleções de livro que eu também era fã. Já havíamos conversado varias vezes, mas ela não andava com meu grupinho, era mais reservada.
– Está na hora. – Vector disse para Peter.
Ele somente assentiu e se virou para Leae.
– Venha comigo. – ele disse a ela, serio.
Nós cinco subimos as escadas que davam para quadra de vôlei e de repente uma ideia veio a minha cabeça. E se eu e John fossemos realmente semideuses? E se Vector fosse realmente um sátiro? E se lá em cima ficasse o acampamento, como no meu sonho? Entramos na quadra e a atravessamos, estava vazia. Vector começou a subir a grade, mas eu parei em frente a esta.
– Está tudo como no meu sonho! – eu exclamei. – Ai em cima tem um acampamento, certo?
John e Leae me olhavam assustados, como se eu fosse uma louca psicopata (talvez eu seja), mas Vector e Peter me olhavam com o queixo caído, como se eu tivesse acabado de descobrir tudo.
– Exatamente... – Peter respondeu ainda no transe. – Mas como você sabe?
– Sonho.
– Aff! – Vector gritou de la de cima. – Os semideuses e seus sonhos! Estragam sempre toda a parte divertida!
Eu dei de ombros e comecei a subir a grade. Não era tão fácil como no sonho, mas eu consegui chegar la em cima com somente um minúsculo corte no dedo, onde o arame estava descoberto. Os outros subiram logo em seguida, John e Leae pareciam tão confusos... Me perguntei se eu também não estaria caso nunca tivesse tido o meu sonho...
Vector tirou uma chave do bolso e enfiou na fechadura da portinha que eu imaginava ser de manutenção. Está se abriu lentamente e eu fiquei muitoooooo surpresa com o que eu vi. Era como um terraço normal, mas tinha uma escada bem no meio que não era segura por nada (por magia, provavelmente). Em cada um dos lados da escada, com um lança na mão, estavam dois centauros (metade homem, metade cavalo). Quando entramos, eles cruzaram as lanças, fechando a passagem. Atrás de mim, Leae desmaiou, mas Peter segurou ela para que não caísse. John estava boquiaberto olhando para os centauros.
Eu não estava assustada. Estava surpresa por o sonho da minha vida ser real (apesar de que, ninguém havia dito que eu era uma semideusa), estava feliz por tudo aquilo estar acontecendo. Dei um sorriso que foi de orelha a orelha e gritei:
– Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuu!
Os dois centauros me olharam como se eu fosse louca e depois se viraram para Peter e Vector. Só então eu reparei que a parte de baixo deles era de bode! Fiquei muito feliz com aquilo. Tipo... Sátiros e centauros existiam! E ali em cima tinha um acampamento para semideuses!
– Eu sou uma semideusa? – perguntei.
– Sim. – Vector me respondeu. – E Leae e John também são.
– Do que é que vocês estão falando? – John indagou. – E o que são vocês? – Ele apontou pros centauros e para Peter e Vector.
– Teremos tempo para explicar tudo depois. – Peter disse. – Agora precisamos deixar vocês em segurança.
Os centauros se afastaram da entrada e fizeram um gesto com as mãos para subirmos. Eu não era muito fã de altura, mas se lá em cima estava o meu sonho, não podia medir esforços. Vector e Peter foram na frente carregando Leae. Antes de segui-los eu olhei para John. Ele observava tudo como se pensasse que estava ficando louco.
– Eu sei como deve estar sendo difícil pra você. – eu falei. Ele se virou pra mim com um olhar penoso, precisando de amparo. – Também está sendo difícil pra mim assimilar isso tudo, mas tenho certeza que Peter e Vector irão nos explicar melhor, ok?
Ele só assentiu e desviou o olhar. Subimos também.
Fale com o autor