O acampamento era incrível.

Um enorme campo verde se estendia a partir da entrada, que era um arco de granito com dizeres em grego antigo que eu surpreendentemente compreendi como: Acampamento Clube dos Deuses. Mais adiante tinham alguns alvos onde crianças e adolescentes treinavam arco e flecha. Logo do lado, um semicírculo de arquibancadas onde lutavam esgrima, e mais um pouco adiante tinham dois prédios largos. Se eu fosse adivinhar, diria que eram os dormitórios, tinham seis andares em cada, cada andar representava um deus. Mais tarde, descobri que estava certa.

– Vou levar Leae para a enfermaria. – Peter me tirou do meu transe. – Vejo vocês mais tarde.

– Até mais! – Vector exclamou.

Eu e John só acenamos, estávamos chocados demais para dizer alguma coisa. John estava de queixo caído e eu estava com um sorriso que ia de orelha a orelha. Vector começou a tirar as calças. Eu virei o rosto, mesmo já sabendo o que viria a seguir e que debaixo daqueles jeans tinham pernas de bode, mas não disse nada.

– Cara! O que você tá fazendo? –John perguntou espantado.

Eu dei uma risadinha e Vector gargalhou. Depois eu me virei devagar e encontrei Vector, o meu amigo sátiro. John estava com o queixo caído e o sátiro chorando de tanto rir. Eu também comecei a rir e antes que você pergunte: sim, eu sou maluca. Não tenho um parafuso no lugar, sou completamente pirada!!! Mas voltando ao que interessa...

– Venham comigo. – Vector disse. – Vou arranjar um lugar pra gente sentar e eu poder explicar tudo direito.

Seguimos ele em linha reta. Depois de atravessarmos o campo, arrodeamos o que devia ser a arena e fomos em direção a uma floresta que ficava logo no final. Na orla da floresta passava um rio e na nossa margem do rio, havia uma mesinha com quatro cadeiras e um jarro de flor em cima. Vector fez um gesto para que nos sentássemos. Ele pegou uma das flores do jarro e começou a mastigar. John olhava pra ele incrédulo e eu fiquei observando as redondezas.

Quando acabou de mastigar sua flor, Vector se ajeitou na cadeira e se virou para nós.

– Acho que vou ter que explicar tudo, não é? – ele perguntou.

– Cara, você tem muita coisa para nos explicar. – John respondeu.

– Metade das coisas que ele vai dizer eu já suspeitava. – falei.

– Muito bem. Sabem os deuses? Zeus, Poseidon, Hades, Hera, Afrodite, Ares, Atena, Dionísio, Hefesto, Démeter, entre outros?

– Brevemente. – John respondeu.

– Eles são reais. E eles ainda existem. Eles se mudam de acordo com a Chama. Agora a Chama está nos Estados Unidos, mas as vezes eles fazem umas viagens internacionais. Vocês dois são o resultado de algumas delas. Vocês são semideuses.

– Você tá muito doido certo? São MITOS! Se liga! Deuses não existem nem semideuses, não existe nada dessa baboseira que você esta falando! Isso só pode ser pegadinha!

– Muito bem. Então me explique como minhas pernas são na verdade cascos? Ou como existe esse lugar aqui e ninguém nunca viu? Ou então como os camaradas lá em baixo são centauros? Ou me explique porque essas crianças e adolescentes treinam todo dia aqui? Cai na real! Os deuses são reais! Vocês dois são semideuses! Existem monstros lá fora que querem matar vocês!

– E-está bem! Mas como você pode ter certeza de que eu sou um semideus?

– Beky, pode por favor explicar a ele o resto das coisas? Eu sei que você sabe, você leu alguns livros que relatam histórias de semideuses. Eu volto em alguns minutos.

Vector se levantou e saiu andando (ou trotando, sei lá!) e eu fiquei sozinha com John. Ele parecia prestes a sair correndo e ele tentou fazer isso, mas eu o segurei.

– Opa, opa! Fique aqui! – eu disse. – Apesar de que, se você fugisse, não saberia para onde ir mesmo...

Ele soltou um suspiro e se jogou na cadeira de novo. Depois me olhou impaciente.

– John, você é um semideus. Vector sabe disso porque ele é um sátiro. Sátiros e monstros sentem o cheiro dos semideuses. – eu comecei. – Seu pai ou sua mãe é um deus! Existe o Olimpo, e na primeira oportunidade que tivermos eu irei apresenta-lo, mas agora, o melhor que podemos fazer é ouvir Vector e seguir seus conselhos.

– Como você sabe de tudo isso? E como pode estar calma nessa situação? Você já sabia sobre nós? – ele me perguntou revoltado.

– Eu comecei a ler uns livros muito legais, eu até de indiquei, não sei se você lembra, Percy Jackson e os Olimpianos e Heróis do Olimpo. – ele assentiu com a cabeça. – Bem, tudo naqueles livros são reais. Eu fiquei extremamente viciada em mitologia! Meu maior sonho, era que um dia eu descobrisse que era uma semideusa, ou que tudo que eu li realmente esxistia. Agora eu estou aqui, no meio da realização de um sonho!

– Então é isso? Somos semideuses e temos que ficar nesse lugar?

– Eu não sei ainda como as coisas funcionam nesse acampamento, mas tenho certeza de que se tivermos que ficar, eles nos deixarão falar com nossas mães.

Nesse momento, Vector chegou. Ele correu (trotou, aff!) até nós e parou atrás da cadeira que antes ele esteve sentado.

– Terão que ficar no mínimo uma semana por aqui. – ele disse. – Agora que nós os trouxemos pra cá, os monstros irão atrás de vocês mais do que nunca! Agora é melhor enviarem mensagens de Íris para seus responsáveis avisando, eles poderão te explicar melhor seu sangue olímpico.

Eu e John assentimos e seguimos Vector até um grande fonte de mármore, com quatro chafarizes, em um deles tinha um garoto magro conversando com um centauro. Ele (o garoto, não o centauro) parecia ter mais ou menos a minha idade e parecia discutir algo sério com o centauro. Quando nos aproximamos ele se virou.