A Guerra em outro Mundo.
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Andei uns minutos em qualquer direção, perdida, antes de me dar como vencida. Me sentei perto de uma árvore e fechei os olhos por um instante. Depois senti um peso nos meus braços e olhei para eles. Por mágica, o meu vestido havia mudado. Agora era um amontoado de tecidos branco-creme, estavam sujos por causa da terra, e molhados, de alguma maneira. Eu me assustei, pois não sabia como isso havia acontecido. Alguém estava tramando comigo, será?
Depois de algum tempo sentada, resolvi me levantar e voltar a andar. Eu ouvi algumas vozes a minha direita, então decidi correr para a esquerda. Não sabia quem era, e não estava disposta a ser sequestrada novamente. Infelizmente, o meu vestido fazia muito barulho se arrastando por entre as folhas, e seja lá quem estava falando ali perto me ouviu. E começou a correr atrás de mim. Droga de vestido! Eu consegui deixar um bom tempo de vantagem entre mim e as pessoas que ali estavam, então decidi dar um jeito no vestido. Descobri que abaixo de duas camadas da roupa, havia um zíper segurando a saia gigante. Eu o abri rapidamente e me livrei, mas fiquei decepcionada. Agora o vestido estava curto demais. Eu não tinha mais tempo. Continuavam me perseguindo. Resmungando, larguei a saia ali mesmo e corri mais. Corri loucamente, até que tropeçei em algo. Droga, por que não tirei o calçado também? Eu havia caído, e ainda por cima, machucado meu pé. Me levantei e continuei o trajeto aos tropeços. Fiquei apavorada quando uma mão segurou o meu braço. Apavorada não, desesperada. Mais ainda quando vi quem me segurava. Dougie.
–Me solte! O que pensa que está fazendo? -eu esperneava.
–Será que dá pra ficar quieta? Assim os outros vão ouvir você! -ele tampou a minha boca, mas eu o mordi e consegui me libertar.
–O que está havendo com você, Dougie? Como assim, os outros? -perguntei, andando para trás.
–Você sabe que Rick precisa de você. Ele mais que os outros. E de alguma maneira, você VAI ir para ele.
–Você não entendeu? Eu NUNCA vou me juntar ao mal! -gritei.
Dougie riu friamente e se aproximou lentamente.
–De alguma maneira, já disse, você vai. Por bem... Ou por mal -ele puxou uma faca do bolso.
Eu conhecia aquela faca. Era a que Rick usara no meu primeiro dia em Rabdash. Ele havia cortado o meu pescoço com ela. Mas agora, ela estava com Dougie. E ele não estava nem um pouco amigável. Eu estava andando para trás, agora mais rapidamente. Dougie estava avançando também mais rápido. Eu estava para me virar, quando bati em um corpo. Rick estava parado ali. Eu não tive tempo de fugir, pois ele já me agarrara. Dougie abaixou a faca e a guardou no bolso. Rick e ele sorriram, e Dougie foi embora, satisfeito. Eu esperneava, mas Rick era forte e me aguentava. Ele me levou para uma outra casa, esquisita, e me trancou em um cômodo sem janelas. Para se certificar de que eu ficasse lá e não fugisse, ele fez uma mágica muito forte.
Ainda por cima, me amarrou a uma cadeira. Ele ia me visitar uma vez por dia, e me liberava por uns minutos para eu poder ver o sol. Ele não havia me dado roupas para eu trocar.
Depois de muitos dias presa, eu já estava pensando em me entregar para Rick e ir para o lado do mal. Não havia ninguém para me salvar agora, e Rick não seria facilmente confundido como antes. E além disso, até que eu achasse um meio de sair dali, ele já estaria novamente ao seu estado normal. Em todas as manhãs e noites, Rick entrava no cômodo, puxava uma cadeira e sentava na minha frente, bem perto de mim e tentava me levar para o seu lado. Quando eu não aceitava, ele brincava com a barra do meu vestido e fazia algum comentário sobre as minhas pernas. Eu ficava vermelha, claro. Depois disso, ele saia do cômodo, sorrindo.
Num dia, eu me cansei disso. Estava cansada, chateada e preocupada com os outros guardiões. Haviam passado vários meses, novamente, e a cada dia que Rick ia me visitar, mais machucado ele estava. Isso era misterioso, e sempre que eu perguntava o que havia, ele não respondia. Foi aí que eu decidi me juntar ao mal. Rick ficou surpreso, mas decidiu me soltar, e antes que eu pudesse fazer algo, ele segurou a minha mão direita e a cortou com uma faca. Depois, cortou a própria mão direita e as juntou.
–Por favor, jure... -implorou.
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Eu havia saído do quarto, mas continuava presa na casa. Rick saía todas as manhãs e voltava tarde da noite, cada vez mais machucado. Eu continuava perguntando o que havia, mas ele não respondia. Eu ia saber o que era, custe o que custasse.
Em uma dessas noites, antes dele voltar, eu fingi que estava dormindo. Estava fazendo muito calor, então tirei o short de pijama. Rick havia chegado na casa e fora tomar banho. Quando ele saiu do banheiro, usando apenas um par de calças pretas folgadas, eu o surpreendi. Segurei uma adaga firmemente e a encostei no seu peito.
–Vai me contar o que está havendo ou vou ter que te forçar? -perguntei.
Ele estava recuando, na direção da cama, e eu avançava mais. O seu corpo estava coberto de cicatrizes. Eu estava distraída olhando para o seu tórax, quando ele trocou de lado comigo, me encostando na cama e tirando a faca da minha mão. Ele a arremessou contra a parede, e me jogou de leve na cama. Agora, ele avançava como um gato, e eu era a presa. E o pior: eu estava desarmada. Droga, porque me distraí nos machucados dele? Ha, isso era culpa do seu belo físico. (Sim, agora mais do que nunca eu estava atraída por Rick) Ele havia me forçado a recuar até a cabeceira da cama, e havia colado seu corpo no meu. O meu coração estava batendo fortemente. Rick havia percebido isso, e estava fazendo de tudo para me provocar. Ele soltou o meu cabelo e disse no meu ouvido, lentamente:
–Por que quer saber disso?
–Sabe que me preocupo com você -falei, tentando afastar a sua boca do meu pescoço, mas era impossível. Ele era forte.
–Eu sou imortal. Sabe que poucas coisas podem realmente me machucar. Isso vai passar com o tempo.
–Não acredito em você -eu o afastei e o encarei firmemente.
Ele aproximou o reu rosto do meu, me devolveu o olhar e disse com doçura:
–Você não entende sobre a nossa vida. Sobre as coisas do nosso planeta. E não sabe identificar quando uma pessoa está mentindo.
–Certo, sou tola. Podemos agora discutir como realmente precisa de mim? Devo lutar ou algo assim? -perguntei.
Rick sorriu.
–Já deve ter ouvido falar no amor...
–Ah, não, Rick, vou ter que casar com você?
Dessa vez, ele gargalhou. Eu me assustei, e esperei ele parar de rir. Ele me encarou, sorrindo ainda, e vendo que eu não falava mais nada, voltou a cheirar o meu pescoço, e falou, ao mesmo tempo que segurava os meus quadris:
–Não é desse tipo de amor que eu estava falando, querida.
Eu joguei a cabeça para trás e fechei os olhos. Ele me queria submissa a ele. Presa, amarrada, enquanto ele fazia o que queria com o meu corpo. Não posso negar, isso era tentador. Além disso, era com Rick que eu estava lidando. Quando eu estava perto dele, digamos que as coisas ficavam...quentes.
Ele havia me puxado mais para perto dele agora, e já estava começando a beijar minha boca. Eu havia jogado os meus braços em torno do seu pescoço e ele segurava as minhas costas. Eu podia sentir um calor subindo pelo meu corpo, onde ele passava a sua mão. Rick resolveu radicalizar as coisas: ele rasgou devagar a minha blusa e me deitou na cama, ainda me beijando. Ele começou a morder de leve o meu pescoço. Eu soltei um suspiro de alegria. Agora, eu já me agarrava as suas costas, como se elas fossem o meu porto seguro. Rick porém, parou de me acariciar e olhou em volta.
–O que houve? -perguntei, assustada.
–Venha, você precisa se vestir. Precisamos sair daqui, e rápido -ele me ajudou a levantar.
Ele me jogou um conjunto de vestes pretas, e eu vesti rapidamente. Onde eu não conseguia arrumar, Rick me ajudava. Era maravilhoso estar ali com ele, apesar do momento de tensão. Estávamos saindo da casa, quando eu senti a terra tremer.
A casa explodiu, foi pros ares. Eu caí no chão, e Rick caiu em cima de mim, para me proteger dos destroços.
–Por que as pessoas insistem tanto em explodir coisas? -indaguei, quando saímos dali.
Rick apenas riu, desgostoso.
–Onde vamos? -eu segurei a mão dele.
–Vamos ao encontro do Senhor do Mal. Chegaremos na casa dele pela manhã.
–Vamos caminhar a noite toda? -engasguei.
–Quem falou em andar? -ele riu mais.
Ele estava quase para agarrar a minha outra mão, quando a terra explodiu na nossa frente, e dela surgiram Tanya e Josh. Eu quase corri para eles, mas as minhas pernas não se mexeram. Rick e Josh se encaravam com puro ódio, mas Tanya me encarava. Ela havia percebido algo em mim, pois me encarava com nojo, apenas.
–O que fizestes com ela? -perguntou Tanya para Rick.
–Não fiz nada. Essa escolha foi livre dela. Não a obriguei a nada -Rick se defendeu.
Josh não acreditou.
Ele e Tanya atacaram Rick. Eles jogaram todo o tipo de encantamento um e outro, mas algo não atingiu Rick. Eu olhei para baixo: eu e ele estávamos de mãos dadas. Seria eu uma espécie de escudo? Eu estava quase para acabar com essa discussão, mas Rick e Josh estavam se afastando um do outro. Rick largou a minha mão. Tanya saiu de cena. Eu estava entre dois guardiões de elementos, mas eles não me viam.
Eles iam lutar até a morte, disso eu tinha certeza.
Eu estava rezando para que desse certo.
Os dois avançaram, correndo, feito dois bois correndo do abate. Um na direção do outro. Eles estavam preparando as suas mágicas... Estavam tão próximos...
E então eu agi.
Só sei que senti uma mistura de fogo e neve dentro de mim. Algo intenso se modificando no meu corpo...
E eu caí.
Não vi mais nada.
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