A Guerra em outro Mundo.
13 Capítulo 13
Dougie me segurou pelos braços e me ajudou a levantar do chão. Antes que qualquer um ali da sala pudesse reagir, acariciei seu rosto do mesmo modo que fizera com Rick na lembrança. Ele fechou os olhos e suspirou. Não tinha a mesma expressão calma e jovem da lembrança; estava um tanto mais velho do que anos atrás. Olhei para o lado. Tanya estava nos observando com uma expressão desconfiada no rosto. Me afastei de Dougie.
–Posso conversar a sós com você, Oddie? — disse ela.
–Claro — falei.
Enquanto ambas nos sentávamos perto uma da outra para Tanya me falar o que queria, Dougie saiu da sala, antes dando um olhar muito considerativo para mim. Abaixei a cabeça enquanto Tanya começava:
–Josh é o guardião com menos admiradores. Talvez isso se dê ao fato de que a neve não é muito apreciada aqui em Rabdash. Seu pai... ele admirava muito Rick. Digamos que ele era seu preferido. Por isso, Josh tem ciumes de Rick. Quando você chegou aqui... a situação piorou. Rick, Josh e... bom, Dougie começaram a disputá-la. Como você logicamente prefere Rick, Josh o odeia ainda mais.
–Mas isso não é motivo para querer matar Rick.
–Josh não quer matar Rick, Oddie.
–Claro. Logo que eu fui mordida por... por aquele animal na água, Josh disse que mataria Rick.
–Isso não é possível. Um guardião não pode matar outro aqui.
–Não se pode? Mas Dougie...-Você entendeu. Não é permitido.
–Então, o que eu tenho que fazer, Tanya?
–Tente ir conversar com ele.
–Desculpe, mas acho que ele ainda está irritado comigo por causa de antes.
–Oddie.
–Sim, Tanya?
–Você é a única que consegue acalmar Josh, ainda mais nesse momento. Aposto que ele não está realmente bravo com você.
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–Quem é Angel?
–Angel é uma das forças primordiais que seu pai citou na lembrança. É o anjo da morte, mas também controla os acordos mais importantes daqui de Rabdash. As vezes, ela consegue prever o futuro também, mas por um alto preço.
–Por que Rick a odeia? E meu pai?
–Uma vez Angel fez com que Rick perdesse seus poderes por algum tempo. E foi com a ajuda dela que Odítia foi destronada de Rabdash.
–Por que ela fez isso?
–Ela gosta de trapacear. A morte é assim, então ela vai na onda.
–E por que Rick...?
–Shh, Oddie. Temos coisas mais importantes para falar antes disso.
–Como o que?
–Como... o que aconteceu no quarto, ontem a noite.
Fiquei quieta. Dougie prosseguiu.
–Oddie... Não vou negar: você é bonita. Não, você é linda. E... por mais que ontem tenha sido ótimo, para mim, isso não pode mais acontecer. Por Odítia, e pelo bem da minha amizade com Rick... não faço nada. E além do mais, seu segredo está a salvo comigo.
–Que... segredo?
Ele sussurrou duas palavras perto do meu ouvido. Duas pequenas palavras, que já me deixaram mais vermelha do que a rosa mais vermelha de Rabdash. Dougie não deveria saber disso. Na verdade, nem Rick. Dougie riu baixo.
–Ninguém vai saber daquilo, Oddie. Agora... me fale da sua conversa com Tanya.
–Ela quer que eu vá falar com Josh.
–E você vai?
–Eu vou. Quer dizer... Eu acho que vou. O que você acha?
–Essa escolha é somente sua, Oddie.
Pensei.
–Acho que vou.
–Vai querer ajuda?
–Não.
–Você sabe que o ar está em todo o lugar, Oddie. Com certeza vou acompanhar a conversa de vocês.
–Então — falei decidida, saindo dali — prive-se do ar por um instante.
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Josh estava apoiado em uma das grades de proteção de uma das sacadas do castelo. Antes de chager na sacada, porém, Josh me identificou. Depois da fala dele, parei de andar.
–O que quer aqui? — perguntou.
–Conversar.
–Ah, Oddie — riu baixinho.
Aproveitei o momento para falar com ele. Encostei minhas mãos na grade, também. Estava muito fria, mas esse frio não me afetou, pelo menos não nos segundos iniciais em que fiquei ali. Observei a paisagem de fora dos muros do castelo; era linda demais. Diferente de tudo ali dentro, era verde e linda. Abaixei a cabeça, mas mesmo assim senti o olhar de Josh sobre mim.
–De verdade. Por que veio aqui? — perguntou.
–Eu não menti. Quero conversar.
–Olha... Eu juro que não. Fiz. Aquilo.
–Ei, eu entendo isso. Eu quis que...
–Não, Oddie. Você não está entendendo. Eu estava lá apenas depois do que ocorreu.
–Não. Você estava lá antes. Estávamos discutindo sobre...
Me calei. Ele abaixou a cabeça e apertou ainda mais a grade. Pequenos cristais de gelo foram se formando na sua superfície.
–Ando tendo lapsos de memória — confessou, infeliz — Me esqueço de onde estou, as vezes. Ou, acordo do nada, em certos cantos do castelo, sem saber o que fiz horas ou minutos antes.
–Se acalme, por favor. — coloquei minha mão acima da sua — Há mesmo algo estranho acontecendo nesse castelo. Algo que precisamos resolver.
–Você é um doce. Adora tentar encontrar um meio de ajudar a todos.
–Mas existe uma maneira de ajudar você. Não existe?
–Se existe...
–Ei, antes Dougie me falou algo sobre Angel. Será que ela...?
– O que ele te falou sobre Angel? — Josh trincou os dentes.
–A verdade, apenas.
–Você sabe muito bem que Dougie está do lado de Rck, e que ele está mentindo.
–Sobre isso ele ão mentiria. E eu acredito em Rick, logo vou acreditar em Dougie.
–Mesmo ele mentindo?
–Ele não mente.
–Como você pode saber?
Não respondi.
–Por que você odeia Rick, Josh?
–Como?
–De todos os outros guardiões, você é o único que odeia Rick. Por que?
–Seu pai sempre preferiu ele ao invés de mim. Todos aprovam vocês dois juntos. Ele faz coisas realmente ,ás, e ainda por cima você gosta dele. Você quer ficar com ele.
–O que há de mal em querer proteger quem ele gosta?
–Você realmente acha que ele gosta de você assim?
–Sim, ele gosta. O que está insinuando?
Josh riu. Não falei mais nada. Cruzei os braços e me virei de costas para ele. Ele me observou por um momento, em silêncio.
–Quero sair do castelo.
–Oddie, você sabe que pode...
–Quero sair do pátio do castelo. Atravessar esses muros e ser livre. Eu não sou sua prisioneira. Você. Sabe. Disso.
–Você pode...
–E DAÍ SE EU FOR ATRÁS DE RICK? COMO EU VOU SABER ONDE ELE ESTÁ? VOCÊ ACHA QUE EU TENHO ME COMUNICADO COM ELE PARA SABER?
Agora, Josh me segurou pelos braços, me virou de frente para ele e me sacudiu com muita força. Tanto, que eu cheguei a ficar tonta.
–Eu ia falar que você pode ir, se for uma boa garota aqui dentro do castelo, o que inclui não gritar, e não interromper os outros enquanto eles falam.
Arregalei os olhos.
–Como?
–Vou tentar me redimir com você pelo que fiz hoje de manhã.
–Você parece não gostar da ideia.
–E não gosto mesmo. Gosto de você perto de mim.
–Quando vou poder sair?
–Amanhã, se for boa hoje.
Avancei para perto dele e o abracei. Parecia estranho abraçar Josh, já que eu estava muito acostumada com os braços de Dougie e Rick, mas já fui me acostumando com ele também. Ele era frio, apenas isso me deixava pensativa. No tempo em que ficamos abraçados, ele me apertou um pouco, não tanto. Acho que estava com medo de perder a cabeça, como antes.
–Já está sendo boa agora. — riu ele.
–Você sabe que faço de tudo para sair daqui, hm.
–Eu gosto de você, sendo assim, boazinha.
Ele me afastou de si, carinhosamente, e segurou as minhas mãos. Era impressão minha ou ele estava me aproximando de uma das paredes da varanda e trazendo nossos corpos mais perto um do outro?
–Pensando bem, gosto de você de qualquer jeito.
Eu ia protestar, mas antes que pudesse fazer isso, ele me beijou. Qualquer um que conhecesse ou até quem não o conhecesse perceberia que esse foi um beijo 100% verdadeiro, do seu lado. Eu juro que não queria beijá-lo, mas nessa hora a tentação venceu. Eu não me entreguei de completo, mas o segurei contra mim nesse momento.
Não, eu não gostava de Josh, disso eu tinha certeza.
Ou, gostava?
Droga, estou em um quarteto amoroso.
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