–Uau. Sua história é realmente legal -assobiei.
–Legal? Não é nada legal se comparada a de Rick -Dougie riu sozinho.
–Você sabe a história de Rick? -me fiz de curiosa.
–Sei, mas não com todos os detalhes.
–Me conta, mesmo assim?
–Oddie, é melhor deixar Rick contar.
–Por que?
–Ele pode ter uma maneira melhor de compartilhar essas lembranças com você.
Suspirei e me virei de costas para ele.
–Eu quero vê-lo.
–Oddie... Não consegui contato com ele. Está muito difícil. Eu não quero você correndo riscos, antes da sua ascenção. Você sabe como Josh é.
Continuei de costas para ele, em silêncio. Ele deveria ter tido contato com Rick sim. Rick deveria saber sobre mim e sobre o que estava acontecendo no castelo. Dougie apenas não queria me contar. Isso era injusto, da parte dele.
–Não fique assim, Oddie -ele me abraçou.
Me mantive quieta, continuando a minha linha de pensamentos de agora a pouco. Dougie deve ter sentido isso, pois me virou de frente para si.
–Nem pense nisso. Você sabe que eu realmente não estou conversando com ele. E se eu estivesse, por que não tentaria manter contato entre vocês dois?
–Você pode estar com medo de Josh poder ler minha mente e estragar o plano de vocês dois.
–Não é isso.
–Por que você não treinou minha mente?
–Eu pensei que a sua perna melhoraria até esses dias, mas não melhorou. Ela tem que...
–Não venha inventar desculpas para fazer isso. Você sabe que mentalmente eu estou muito melhor.
–Sim, mas...
–Você não quer fazer isso.
–Como?
–Você não está com a mínima vontade de me treinar. O que houve com você, Dougie?
Ele pausou um pouco a conversa antes de continuar.
–Rick não quer que eu fale para você sobre o plano que ele está armando.
–O QUE?
–Cale a boca! -Dougie ralhou -Por isso ele não queria que você soubesse.
–O que ele está armando?

–Não vou dizer. Ele...
–Dougie — eu agarrei sua camiseta- Eu PRECISO saber como e onde ele está! Eu preciso vê-lo! Eu preciso senti-lo!
–Ele também precisa senti-la. Mas ele está agindo com mais inteligência, com mais estrategismo. Hã... Aguarde, pois vocês vão se ver logo, logo.
–Logo logo quando?
–Não digo quando.
–O que devo fazer enquanto espero esse tempo chegar?
–Descansar. Vocês terão um longo e cansativo momento, quando ele chegar.
–Já estou descansando, aqui.
–Descansar em um colchão, em uma cama, com um travesseiro para apoiar a cabeça.
–Eu não quero entrar no castelo, e não quero ficar próxima de Josh.
–Você não vai ficar, Oddie. Ele não vai chegar perto de você, hoje. Não vou deixar.
–Vai se deitar comigo ou o que? -franzi a testa.
–Não. Vou sair.
–Como assim?
–Eu. Vou. Sair.
Meus olhos se iluminaram.
–Quero ir junto!
–Não -ele fechou os olhos.
Fiz uma careta.
–Vamos para dentro- ele se sentou na grama -Preciso ir, se você quer encontrá-lo mais rápido.
Mesmo estando feliz por Dougie ir chamar Rick para me ver, estava chateada por não me levar junto. Ainda por cima, estava ansiosa. Eu veria Rick logo! Deixei Dougie me pegar no colo e me carregar até o quarto em que eu dormia sempre. Me deitou na cama suavemente e ajeitou o vestido que eu estava usando nas minhas pernas. Aproximou seu rosto da minha orelha e sussurrou docemente:
–Agora, durma. Durma por muito tempo. Quando você acordar, não estarei mais aqui. Doces sonhos.
Nessa mesma hora, caí na inconsciência.
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Não tive pesadelos ruins, nem sonhos tão maus. Dougie deve ter feito uma amágica para eu ter bons sonhos e acordar depois de muito tempo. Tipo, era manhã do dia 1 quando ele me fez ir dormir, e quando acordei, era noite do dia 2. Também, acordei calmamente. Me espreguiçei lentamente, esticando bem os braços e as pernas, e depois apalpei um pouco a cama ao meu lado. Encontrei um braço um tanto musculoso e machucado.
–Aah, Oddie, Oddie, quem diria que é adorável ver você acordando...
Olhei para o lado quando o autor da voz disse isso. Fiquei realmente louca quando meus olhos se adaptaram.
–RICK! -berrei, me atirando em cima dele e o abraçando firme.
–Eu estava morrendo de saudades -ele sussurrou, enquanto acariciava meu cabelo.
–De saudades estava morrendo eu! -me sentei na cama, perto da cabeceira- Você não sabe o quanto eu sofri, por aqui.
–Eu sofri mais, Oddie -ele se sentou na minha frente, perto do meu corpo- Imagine o que é ficar longe da pessoa que é o seu combustível para viver.
–Você sabia que...
Ele interrompeu a minha frase, para um longo e duradouro beijo. Ele agarrou a minha cintura e eu apertei o seu pescoço. Fui empurrada mais contra a cabeceira da cama, e fiquei mais presa ainda a Rick, que nesse momento não queria distância de mim. Em alfum momento, Rick me deitou na cama e ficou me apreciando. Continuamos com os beijos e as carícias.
–Não precisa me falar nada, Oddie. Dougie já me contou tudo. Tudo que vocês fizeram aqui, o que Josh quer fazer, o que ele fez, e o que houve com a sua perna -ele tocou a minha perna machucada.
–Ele contou tudo?
–Tudo. Bem, ele só não contou os seus pensamentos.
–Pelo menos isso não -bufei.
–Não seja tão dura com ele, Oddie -Rick fez carinho no meu rosto- É graças a ele que estamos assim, aqui.
–Há quanto tempo vocês estavam se comunicando, sem eu saber?
–Sem você saber?
Assenti.
–Seis dias.
–COMO?
–Ei! Calma! Nós precisávamos bolar um plano infalível para Josh não perceber a minha presença.
–Ele não vai perceber você, assim?
–Assim? Nunca — Rick riu.
–Mas...
–Shh... Silêncio. Teremos tempo para as perguntas depois — ele me beijou.
–Onde está Dougie? -insisti. Rick revirou os olhos.
–Aqui.
–Como assim "aqui"?
–Eu estou possuindo o corpo dele. Ele está criando uma espécie de imagem minha na sua mente. Assim, eu estou e não estou aqui, com você.
–Me explique melhor – implorei, enquanto Rick voltava a beijar o meu pescoço – Esse é o corpo de Dougie, mas eu estou vendo e sentindo você?
–Exatamente. Você está me sentindo, mas eu não estou sentindo você. Dougie está sentindo você.
–Ele está presente aqui? Ele está ouvindo toda a nossa conversa?
Rick, ou o corpo de Dougie fez que sim com a cabeça.
–Ai meu Deus! – fechei meus olhos e os escondi em minhas mãos.

–Algum problema com... Isso?
–Não sei como me sinto em relação a isso.
–Se não está bem assim... Eu posso ir.
–Não! Não vai. Ficou aqui por pouco tempo – agarrei sua jaqueta.
–Você me quer aqui. Mas não quer Dougie.
–Exatamente.
–Por hoje, isso é impossível. Quem sabe, outro dia...
–Que esse dia chegue logo.
–Concordo com você. Estou quase louco – ele beijou a minha boca – de vontade – beijou a bochecha – de provar – o pescoço – você – mordeu a minha orelha – Hoje – mordeu mais doído – E sempre – sussurrou de uma forma quente, uma forma que só Rick sabia sussurrar.
Fechei os olhos com isso. Ele me observou, seu rosto a centímetros do meu, e depois riu de leve. Eu consegui sentir isso. Ele aproximou sua boca da minha orelha novamente e voltou a sussurrar de forma quente. Eu me derreti a medida que ele ia falando.
–Eu sei que você quer isso agora, nesse momento – ele aproximou mais o seu corpo do meu – Posso sentir seu coração batendo a mil aí dentro. Mas, você sabe, assim mesmo como eu que não se sentiria a vontade com Dougie observando tudo.
Ainda de olhos fechados, fiz que sim com a cabeça.
–Além do mais, eu não gostaria disso. Dougie já está tendo uma visão privilegiada demais de você, agora. Exibi-la mais a ele já seria sacanagem.
Agora, ele já havia começado a se afastar de mim, na cama. Sem perder tempo, passei as minhas pernas pela sua cintura e os meus braços pelo seu pescoço, o puxando para mais perto de mim.
–Não vá embora – implorei, o puxando para mais um beijo. Ele riu antes de retribui-lo.
–Eu não quero ir. Não quero deixar você aqui, parcialmente sozinha, mas também não quero levantar suspeitas. Além do mais, se eu ficar mais tempo assim, Dougie não vai conseguir manter esse disfarce por muito tempo, então a partir de certo momento, você o verá ao invés de me ver.
–Você vai no corpo dele até sair do Castelo, para se libertar?
Rick fez que sim com a cabeça.
–Posso ir junto de vocês?
Ele pareceu pensar por um momento, que me pareceu muito longo. Depois, suspirou.
–Pode – disse ele – Mas somente até certo ponto.
Já foi o suficiente para me deixar feliz. Nos levantamos juntos da cama e saímos do quarto. Para não levantar suspeitas, ele me pegou no colo e me carregou. Até as portas da frente do castelo. Ele pareceu calmo por todo o caminho, mas eu fiquei tensa, até que chegamos. Somente ali eu percebi o erro.
–Todos podem te ver como Rick? – perguntei.
–Não. Apenas você.
–Como Dougie consegue fazer isso? É incrível. É fabuloso!
Rick riu.
–Dougie está agradecendo – disse ele – Mas está com pressa.
–Onde eu fico? Não quero voltar para o castelo.
–Gostaria de ir até o jardim?
Dei de ombros.
–Vamos, então. Ouvi falar que você gosta da primavera, é verdade?
–Sim. Ela é muito agradável. Eu gosto de intermédios.
–A minha preferida é o verão. Calor.
–Nisso somos divergentes – ri. Ele riu junto.

Rick me carregou até chegarmos na Primavera. Então, um pouco rápido demais, me encostou contra uma árvore. Me prendeu entre ela e si, e me apertou. Eu entrelacei as minhas pernas ao redor da sua cintura e coloquei as minhas mãos nos seus ombros. Ele apertou a minha cintura com muita força, me puxando para um beijo. Eu agarrei o seu cabelo com vontade. Os meus dedos já estavam doendo de tanto agarrá-lo. Ele estava puxando o tecido do meu vestido, da parte da cintura para cima. Eu passei as minhas mãos pela sua jaqueta e blusa, depois por baixo da blusa. Senti todos os seus machucados, ainda por cima, recentes. Logo logo, Rick afastou o seu rosto do meu.
–Não sou eu que estou sentindo isso, por favor, pare – implorou.
–Você não, mas eu sim. Por favor, Rick!
Eu o puxei para mais um beijo, igual o de antes. Dessa vez, ele não resistiu e se rendeu, me deixando comandar a situação. Comecei a deslizar as minhas mãos pela sua jaqueta, a tirando e a jogando no chão, perto de nós. Depois, foi a vez de tirar a sua blusa. Ele estava passando as suas mãos levemente pelas minhas costas, pelo zíper do meu vestido, o abrindo. Pixou as mangas dele para baixo, até a cintura. Rick conseguiu afastar seu rosto do meu novamente e me observou, por um longo segundo.
–Normalmente, você é linda. Na escuridão, fica mais linda ainda. Sabia disso, Oddie? -ele acariciou o meu pescoço.
Eu apenas observei o seu rosto. Eu estava ofegante, e ele também. Não respondi a sua pergunta, apenas o abracei firme. Ele retribuiu o abraço e beijou meu cabelo. Depois, sem dizer uma palavra, ele arrumou o meu vestido no seu devido lugar e puxou o zíper para cima. Entendi que essa era a nossa despedida por hoje, então já retirei as minhas pernas do redor da sua cintura, as colocando no chão. Rick vestiu sua blusa e jaqueta novamente.
–Quando você volta? -perguntei.
–Não essa semana, mas tentarei vir o mais rápido possível. Quem sabe, venho com uma surpresa -ele me deu um olhar longo.
–Que a surpresa seja boa -apertei sua mão.
–Vai ser, acredite -ele sussurrou no meu ouvido.
–Se cuide.
–Não preciso me cuidar. Se cuide você -ele estava se afastando.
–Rick...
Mas eu não o via mais. Dougie deve ter desfeito o efeito que eu estava tendo. Depois, senti ele desaparecer no ar. Num piscar de olhos. Eu consegui ouvir um som vindo da escuridão. Demorei para entender o que dizia. Uma pequena frase, mas simples, que logo levantou o meu astral.
"Oddie, eu te amo. Sempre amei você. Eu nunca vou deixar você sozinha. Confie em Dougie''.
Ali, fiquei sorrindo feito uma maníaca, para o nada, esperando o amanhecer.